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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Lanterna Verde: Primeiro Vôo(Green Lantern: First Flight, 2009)Aventura - 77 min.

Direção: Lauren Montgomery
Roteiro: Alan Burnett

Com as vozes de: Christopher Meloni, Victor Garber, Tricia Helfer, Michael Madsen e John Larroquette

De pelo menos cinco anos para cá, o Lanterna Verde - e sua tropa - tem sido o grande (senão for o único) personagem dos quadrinhos da DC. O roteirista Geoff Johns criou três sagas seqüenciais que colocaram o campeão esmeralda no centro dos principais acontecimentos de seu universo.

Teoricamente, após a trindade - Batman, Mulher Maravilha e Superman - o personagem mais importante do panteão dos heróis da editora é Hal Jordan e sua encarnação de Lanterna Verde. É talvez por isso, que a próxima franquia nos cinemas sobre os personagens DC seja o do "homem do anel verde". E preparam-se para uma nova série animada centrada nos Lanternas Verdes e que estréia ano que vem também.


Lanterna Verde: 1º Vôo conta a origem - mais um filme de origem - do mais importante dos Lanternas Verdes, Hal Jordan. Porém diferente do que é mostrado em Liga: Nova Fronteira, a origem do personagem e seus eventuais traumas são apresentados em corridos cinco minutos, dando a impressão de cara, que a abordagem da história e seu plot é sobre o eterno - e aqui em sua primeira "encarnação" - conflito entre Hal e Sinestro.

A idéia do filme é transformar a história numa aventura sci-fi com conceitos retirados da HQ. Essa "pressa" em apresentar Hal como Lanterna é arriscada já que o personagem descobre como usar seus poderes quase de imediato, dominando - pelo menos o básico - de forma muito simples, o que causa ao filme uma falta de credibilidade quanto ao público que imagina que é fácil ser um Lanterna e que qualquer um usando o anel consegue criar qualquer coisa.


Esse prequel quase derruba de início a aventura cheia de plot twists (simplórios) que tenta abranger a mitologia do personagem inserindo uma investigação criminal - simplória também - que envolve os personagens da trama. O "quem matou" presente na cultura pop desde seus primórdios aqui também é utilizada, obviamente sem grande profundidade ou desenvolvimento maior, já que esse plot serve apenas para aumentar a rivalidade entre Hal e seu antagonista Sinestro.

Sinestro é retratado como um homem que em sua moral entorpecida busca a justiça pelo único meio que conhece: o medo. Em sua jornada não mesura as conseqüências ou mesmo não se esconde de ter de "sujar as mãos" para atingir seus objetivos.

Hal por outro, é um protótipo de herói americano. Forte, consciente, justo e inteligente. Uma caricatura que é bastante fiel ao que os primeiros quadrinhos imaginavam como ideal de herói. Jordan não apresenta conflitos em - por exemplo - partir em uma missão no espaço sem avisar sua namorada, ou mesmo sentir-se só no meio de uma gama de alienígenas estranhos e muito mais poderosos do que ele. O desenvolvimento psicológico de Jordan é raso como um pires e faz falta para o público. Uma vez que seu herói não tem conflitos e não apresenta medos ou dúvidas como fazer com que ele seja compreendido como um "ordinary guy" que foi escolhido sem saber para essa tarefa interplanetária.


Tecnicamente o filme é um pequeno retrocesso em relação à beleza de Mulher Maravilha. Mais ligado ao estilo "tradicional" das animações da Warner de heróis e seu criador Bruce Timm, o filme tem cenários mais simples (a exceção da bateria de Oa) e personagens mais quadrados e menos expressivos, o que não chega a atrapalhar o filme, mas que é inferior a produção anterior do estúdio.

Outra coisa que incomoda é o CG usado em algumas seqüências que misturam animação tradicional com técnicas mais modernas. Não que - em princípio - seja contra. Mas esse tipo de trabalho precisa ser bem realizado para não destoar e parecer falso.

O elenco de atores é bastante competente, tendo a frente Christopher Meloni (da série Law & Order: Special Victims Unit) como Hal Jordan, Victor Garber (que vivia Jack Bristow na série Alias) como Sinestro, Tricia Helfer (da série Battlestar Galactica) como Boodikka, Michael Madsen como Kilowog e John Larroquete (veterano de diversas séries como: O Desafio) como Tomar Re.


Aliás os coadjuvantes - todos pertencentes à mitologia dos Lanternas Verdes - estão bem caracterizados, apesar de terem suas origens e desenvolvimento (leia-se mortes) diferente do que ocorria nas hq's.

Lanterna é uma aventura sci-fi razoável que não "ofende" o personagem mas que não trás nenhuma seqüência que se destaque ou momentos de grande importância. Mesmo o discurso dos Lanternas - que tende sempre a ser épico - aqui não causa comoção. Talvez o filme com Ryan Reynolds que entra em cartaz no próximo ano seja uma versão mais divertida e emocionante do que a animação dirigida pela bela Lauren Montgomery.

domingo, 14 de novembro de 2010

Mulher Maravilha
(Wonder Woman, 2009)
Aventura - 74 min.

Direção: Lauren Montgomery
Roteiro: Michael Jelenic

Com as vozes de: Keri Russell, Nathan Fillion, Alfred Molina, Rosario Dawson, Oliver Platt e Virginia Madsen

A DC Comics tem três pilares que sedimentam a editora. Três personagens tão icônicos que quase todos os seres viventes na terra sabem reconhecê-los com o simples mencionar de seus nomes. Os nomes Batman, Superman e Mulher Maravilha são reconhecíveis por crianças e adultos dos quatro cantos da terra.
Porém, dentre os três a mais "maltratada" sempre foi a amazona. Se Superman teve 5 filmes de cinema, mais séries de TV e desenhos animados e o Morcego 6 filmes de cinema, seriados de TV e diversas séries animadas, a amazona se contenta com aparições no desenho Superamigos, uma série de TV e participações na série animada da Liga da Justiça. Nem sequer uma produção de cinema foi destinada a essa personagem tão importante para a história dos quadrinhos de super-heróis.
Por isso quando a DC Animation lançou Mulher Maravilha para o mercado de home-video a única expressão que me coube foi: "finalmente".


Só por ser a primeira "origem" da personagem contada nas telas já merece uma olhada. A diretora Lauren Montgomery trouxe - por razões óbvias - um olhar mais apurado sobre a feminilidade, o que num mercado essencialmente machista já é um tremendo avanço.

O filme narra os primeiros dias de Diana como a Mulher Maravilha. A origem da personagem em uma seqüência pré-creditos fabulosa é extremamente cinematográfica, apresentando uma batalha sensacional. Essa seqüência estrelada pela mãe de Diana, Hypollita, sedimenta o plot de maneira inteligente e ainda reserva surpresas para os não iniciados.

Lembrando muito o antigo Fúria de Titãs em sua abordagem mitológica, essa abertura é a forma mais do que ideal de iniciar o filme, que desde sua base é "maior que a vida", diretamente ligada aos mitos gregos.


De imediato também é possível perceber o cuidado quase artesanal para construir cada personagem com detalhes que as diferem entre si e uma adequação aos traços mais "comuns" aos gregos, como narizes alongados e retilíneos, rostos mais finos e "viris" e um maior cuidado com a anatomia, que tenta não transformar as amazonas em atletas de levantamento de peso ao mesmo tempo em que não as transforma em modelos de biquíni.

Existe um saudável equilíbrio entre o apelo sexual da civilização composta só de mulheres com a funcionalidade de suas armas - ou seja, seus corpos.

Outro destaque que permeia o filme e que já na abertura é notada, é sua trilha sonora que bebe na fonte dos épicos como Ben-Hur, Dez Mandamentos, Tróia, Senhor dos Anéis e afins. Orquestra completa cheia de cordas e com especial destaque aos instrumentos de sopro num trabalho de grande talento do compositor Christopher Drake.


Dessa abertura fulgurante, passamos a acompanhar a rotina na ilha e o plot que surge quando acidentalmente um piloto americano cai na ilha de Temyschera - lar das amazonas - e tem de ser levado ao "mundo dos homens" como as amazonas chamam o nosso pedaço do planeta. Ao mesmo tempo em que um antigo - e mitológico mal - é liberto de sua prisão.

De cara, a diretora Montgomery é feliz ao mostrar as incríveis diferenças entre o pensamento radicalmente feminista das amazonas e a do piloto acidentado, Steve Trevor. Desde sua chegada quando ele surpreende um banho das amazonas na cachoeira até seu contato com Diana, tudo é religiosamente feito para discernir os dois mundos. Porém, e esse é o grande mérito, tudo é feito com bom humor resultando em diálogos maliciosos e engraçados que ajudam ao público a não repudiar o comportamento quase fascista das amazonas.

Essa questão da óbvia abertura do mundo fechado das amazonas ao mundo externo é abordada com felicidade também. A constante tensão sexual ajuda a "quebrar o gelo" e transforma um assunto difícil em algo mais facilmente digerível por um público que não está - em sua maioria - interessado em nada mais do que uma boa aventura.


Esse talvez seja o calcanhar de Aquiles - pra ficar nos mitos - do filme. Sua primeira parte funciona maravilhosamente bem. Os discursos sexistas de Hypollita, que apesar de seus motivos para "odiar" os homens, é extremamente radical são discretamente fundamentados pela "pureza" que permeia a própria época em que a personagem foi criada. Lembremos que apesar de toda a "ousadia" de criar uma heroína nos anos quarenta, ela ainda vinha de uma sociedade somente feminina, sem contato com os homens, onde foi treinada quase como uma máquina para seu objetivo de ser uma amazona. Sem as eventuais "distrações" que geralmente ocorrem entre homens e mulheres, ao mesmo tempo em que as amazonas nunca foram apresentadas como homossexuais, o ideal de sua criação fica claro: a Mulher Maravilha é a heroína da família. Vence os inimigos com seu sexy visual, mas se mantém intocada e virginal.

O discurso de Hypollita tem a ver com essa idéia. Ao prevenir que Diana esteja propensa a enfrentar os "males" do contato com o homem, ela reforça o conceito obsoleto de que todos os homens são iguais ao mesmo tempo em que ignora o fato de que a mulher também tem escolha. Esse discurso fajuto de pseudo-igualdade feminista nunca funcionou já que não leva em conta dois fatores claros a qualquer discussão sobre o assunto: que a atração física é um fato da vida humana e que homens e mulheres são diferentes sim e cada qual com sua diferença devem aprender a conviver e a explorar suas qualidades e aprender a melhorar suas fraquezas, além de no fundo é machista ao não crer que uma mulher possa resistir aos encantos do "macho".


Esse discurso, que renderia uma beleza de segunda parte abordando com mais inteligência as diferenças entre o mundo mágico das amazonas e a realidade do mundo, é raso. Até existem momentos em que a história tenta mostrar isso, com destaque à cena em que Trevor e Diana tomam um porre num bar, mas é muito frágil e esqueçe de continuar o desenvolvimento de seus personagens iniciado anteriormente. O crescimento daqueles personagens fica no meio do caminho e a história caminha para a aventura cartunesca e de final risível que insere o governo americano - totalmente deslocado - e uma batalha num cartão postal da capital americana.

Apesar de tecnicamente correta e com senso de aventura "no talo" para a história a solução é simplista e superficial, que destrói o ritmo do filme. Parece, vendo de fora, que cortaram quinze minutos do filme onde os planos do vilão e o desenvolvimento dos personagens estavam inseridos.


O elenco de vozes do filme é estrelado: Kerri Russell (da série Felicity), Nathan Fillion (da série Firefly), Alfred Molina (Chocolate), Rosario Dawson (Alexandre, Sin City), Oliver Platt (2012) e Virginia Madsen (Sideways). Todos em papéis de destaque e com tempo para desenvolverem - na medida em que o filme permite - seus papéis.

A parte técnica e visual é deslumbrante perto dos dois filmes anteriores da casa (Gotham Knight não entra na conta por ser um anime). Desde a já citada caracterização crível dos personagens, passando pelos cenários e pela edição que é inteligente com a ação, camuflando a violência em excesso - como na abertura. Outro destaque é para a composição do "Inferno" que enfatiza a dubiedade de Hades.

Mulher Maravilha é mais um filme que sofre do "mal" dessas primeiras animações DC. Começa de maneira exemplar e vai perdendo força, quase como que se não soubesse se encerrar. Falha ao iniciar o desenvolvimento de seus personagens e deixá-los pelo meio do caminho, apostando numa batalha final simplista e que não convence. Um passo atrás frente aos bons, Morte do Superman e Liga: Nova Fronteira e uma introdução pálida da personagem nas animações em longa-metragem.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Batman: O Cavaleiro de Gotham
(Batman: Gotham Knight, 2008)
Aventura/Thriller - 75 min.

Direção: Yasuhiro Aoki (In Darkness Dwells), Yuichiro Hayashi (In Darkness Dwells), Futoishi Higashide (Crossfire), Toshiyuki Kubooka (Working Through Pain), Hiroshi Morioka (Field Test), Jong-Sik Nam (Deadshot) e Shoujirou Nishimi (Have I Got a Story For You)
Roteiro: Josh Olson (Have I Got s Story For You), Greg Rucka (Crossfire), Brian Azzarello (Working Through Pain), Alan Burnett (Deadshot), Jordan Goldberg (Field Test) e David Goyer (In Darkness Dwells)

Com as vozes de: Kevin Conroy, Jason Marsden, Jim Meskimen, Corey Burton, Ana Ortiz e Kevin Michael Richardson


Diferentemente dos outros filmes da DC, Batman: Gotham Knight não é um longa metragem, mas uma coleção de interpretações de diretores de anime sobre o personagem icônico dos quadrinhos.

Após o mega sucesso de Batman Begins a DC decidiu criar uma ponte entre os eventos vistos em Begins com os que viriam a ser vistos em Cavaleiro das Trevas. Talvez inspirados pelo sucesso de Animatrix (também da Warner e que também funcionava - pelo menos em um de seus episódios - como prólogo) investiu-se nos curtas com traço de anime, que em geral foram bem sucedidas.

Como estamos falando de uma coleção de curtas a análise não consegue ser feita num todo, mas quando analisamos cada um dos filmes.


Em "Have I Got a Story For You", de Shoujirou Nishimi (estreando na função de direção, tendo feito parte das equipes de Akira, Tiny Toons e Mind Game) tem traço estilizado para contar a história da impressão que o morcego imprime em cada um dos que o vêem.

Diversos garotos contam (numa história que se interliga) como participaram - indiretamente - da caçada do cavaleiro das trevas a um inimigo. Muito bem construído na parte visual com fortes traços realistas nos cenários - em especial na pista de skate onde o filme começa e termina - e com personagens bem caracterizados, apesar de extremamente estilizados, diálogos inteligentes e um final muito criativo e que combina perfeitamente com a proposta do filme.

"Crossfire" de Futoshi Higashide (que dirigiu 7 episódios da série Samurai 7 e esteve na equipe da animação Air) é mais tradicional nos traços de anime e no seu roteiro. Explora a relação - sempre conturbada - entre Batman e a polícia de Gotham através dos olhos dos detetives Allen e Ramirez que se envolvem num fogo cruzado ao deixarem um fugitivo na cadeia. Batman funciona como uma espécie de anjo vingador, uma figura enigmática e vigilante sempre a espreita. A edição desse episódio é primorosa e insere o espectador com grande felicidade numa espiral de claustrofobia. Roteiro do quadrinhista Greg Rucka, conhecido dos fãs do morcego por sua passagem pelo título.


"Field Test" de Hiroshi Morioka (que entre seus créditos dirigiu a série .hack) é o mais fraco da coleção. Uma história simplória sobre o uso de um novo elemento do uniforme do Batman que não funciona tão bem. Participação de Lucius Fox e uma caracterização infeliz de Bruce Wayne, que parece muito mais novo do que o personagem dos filmes e mesmo dos quadrinhos. Apesar disso, começa interessante abordando outra faceta - a mais interessante do personagem - de Batman: a de detetive. Porém, o desenvolvimento e principalmente os últimos cinco minutos reduzem o impacto da história.

"In Darkness Dwells" de Yusuhiro Aoki e Yuichiro Hayashi (dois novatos) conta uma história envolvendo dois vilões bem tradicionais do morcego. O Espantalho (com um visual que mistura os quadrinhos com a abordagem do filme) e o Crocodilo. Usando e abusando de altos contrastes inserindo a história numa escuridão muito parecida com o clima dos momentos mais dark do personagem, apresenta um roteiro simples mais muito bem conduzido com cara de HQ do personagem. Em termos de fidelidade ao clima do material original sem dúvida é que mais se destaca e talvez por isso, peque - por detalhes - por não arriscar. Mais são detalhes mínimos perto da incrível inserção do espectador naquele mundo sujo e sombrio dos esgotos de Gotham. Roteiro de David Goyer, o roteirista dos dois filmes do morcegão que tiveram a mão de Christopher Nolan.


"Working Through Pain" de Toshiyuki Kubooka (outro novato na direção) é espetacular. Sem dúvida o mais impactante, inteligente e bem construído em termos narrativos. Apesar de não ter o mesmo visual arrebatador de Darkness Dwells, tem uma história tão boa que compensa os mínimos defeitos. O plot é um grande flashback que começa quando Batman leva um tiro durante uma perseguição nos esgotos e tem que "vencer a dor" e sair para um lugar seguro. A partir daí, o personagem relembra dos momentos em que passou na Índia estudando sobre o controle de seu corpo. Bastante visceral e sangrento - o mais violento de todos os curtas - tem nos diálogos sua maior força. Repleto de referências a cultura oriental e suas fabulosas filosofias de vida e cuidado com o corpo e alma é uma aula de como construir em pouco mais de dez minutos uma narrativa coesa e inteligente. Durante sua jornada em busca da saída, Batman não enfrenta nenhum inimigo fisicamente presente, apenas suas limitações de corpo e mente. E ainda tem um dos finais mais simbólicos que vi na década, com um Batman totalmente vulnerável frente ao seu eterno desafio. Uma pérola a ser vista e revista, com a marca da mente e das mãos do fabuloso Brian Azzarello (de Batman: Cidade Castigada e da série 100 Balas).

"Deadshot" encerra a coleção de maneira mediana. A animação do coreano Jong-Sik Nam (que depois veio a dirigir Dante's Inferno) é calcada nas belas cenas de ação que envolvem o vilão-b Pistoleiro em sua tentativa de eliminar seus alvos (lembrando muito O Procurado) e o Batman tentando impedi-lo. Amarrado por um fiapo de roteiro, Deadshot é deslumbrante em termos visuais - talvez o mais bonito da coleção - mas peca por apresentar soluções frágeis e por não ter um desenvolvimento maior de sua narrativa. Tudo acontece muito rápido e de maneira simplista.


Batman - O Cavaleiro de Gotham é o mais ousado projeto da DC. Em geral, a avaliação dos trabalhos não pode ser ruim. Mesmo nos dois trabalhos menores existem ali presentes as características do personagem homenageado e traços de originalidade e até ousadia.

A DC poderia expandir essa idéia e "entregar" outros personagens de seu panteão para que os magos do Japão pudessem dar suas impressões sobre esse mito moderno.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A Morte do Superman(Superman/Doomsday, 2007)
Aventura - 75 min.

Direção: Lauren Montgomery, Bruce Timm e Brandon Vietti
Roteiro: Duanne Capizzi e Bruce Timm

Com as vozes de : Adam Baldwin, Anne Heche e James Marsters

O primeiro filme da nova leva das animações da Warner/DC adapta para as telas a discutível (para os fãs das hq's) saga da Morte e do Retorno do "Homem de Aço". Na história original dos quadrinhos após enfrentar "na mão" o monstro espacial Apocalipse - que simplesmente surge na terra, sem grandes explicações sobre - o herói cai desfalecido nos braços de sua amada, Lois Lane, numa das grandes cenas dos quadrinhos dos anos noventa - não entrando no mérito da qualidade da história até ali.

O que segue na HQ é o funeral e o eventual retorno, que nos quadrinhos acontece numa mini-série intitulada "O Retorno do Superman" que apresenta não um, mas quatro postulantes ao cargo de Superman. Dentre eles temos um jovem herói intitulado posteriormente de Superboy, um cientista negro brilhante que vem a ser chamado de Aço, um misto de homem e máquina que - durante a série - é chamado de Superman-Ciborgue e um quarto personagem que usa óculos escuros e que - durante a série também - vem a ser chamado de Erradicador.


Pois bem, nos quadrinhos a série se desenvolve até o surgimento do verdadeiro Superman , que volta dos mortos - com uma explicação fajuta - e enfrenta alguns desses novos heróis com resultados seminais para a continuidade de outros personagens da editora.

O que a produção de Lauren Montgomery, Bruce Timm e Brandon Vietti fez foi limar o que para eles era considerado exagerado, transformando quase 200 páginas de histórias em uma animação de 70 minutos. As mudanças partem do básico. Existe uma motivação para Apocalipse ter ido parar na Terra, não existe esse batalhão de outros heróis que querem tomar o nome do Homem de Aço e Lex Luthor tem um papel mais importante na trama do que no original.

Optando por adaptar uma "saga", o filme também foge da história tradicional de origem do herói, principalmente porque no caso de um personagem tão poderoso culturalmente quanto o Superman, torna-se dispensável esse tipo de história, levando-se em conta principalmente dois fatores: a história de origem do herói já foi contada no cinema no clássico Superman de Richard Donner e o público a que essas animações é destinada já conhece o herói, sua identidade secreta, aliados e a maioria dos vilões.


As mudanças da HQ para a tela surgem de forma inteligente e que dão mais fluência ao texto original, além de trazer a história - originalmente dos anos 90 - para os dias de hoje, com uma série de referências ao período. Outra característica, que veio a se tornar marca importante das animações da DC, é a tentativa quase sempre feliz em jogar os personagens num contexto mais adulto, com maior desenvolvimento dos personagens e de suas ações.

Por exemplo, de cara somos apresentados a notícia de que Clark Kent - o Superman - está a serviço do jornal que trabalha no Afeganistão e que Lex Luthor lucra com a solução de doenças (como câncer e AIDS). Mesmo a primeira apresentação do Superman foge do que o público poderia esperar. O herói não surge enfrentando algum super-vilão, mas a caça da cura do câncer.

Agindo assim, o filme sedimenta sua base no realismo e foge do infantil. Seu foco é no fã de HQ, que há muito tempo deixou de ser o moleque de 10 anos, e passou a ser o jovem adulto/adulta que tem conhecimento do que ocorre ao seu redor.


Outra característica que reforça ainda mais essa intenção do estúdio em transformar seus personagens em pessoas mais críveis e a forma com esses se relacionam. A relação de Lois e Superman por exemplo é um triunfo enorme, em especial na primeira parte da história. Apresentados como um casal normal, que tem como principal problema (e uma eventual DR por isso) o fato de Superman mal ter tempo pra cultivar essa relação, algo que os quadrinhos exploraram com competência, mas que as outras mídias ainda não tinham abordado. Outra curiosidade é que os diretores não fugiram da óbvia malicia presente na relação do casal, com direito a conversinhas de duplo sentido sobre "a noite anterior".

O plot básico é o mesmo da HQ, em tese. Apocalipse surge - dessa vez com uma explicação para sua chegada - e devasta Metropolis. Superman parte para impedi-lo e por fim tomba.


A primeira parte do filme, que apresenta todas as características interessantes que citei acima e que culmina com a queda do herói é extremamente competente. Apesar de durar cerca de trinta minutos, o ritmo ágil, o bom humor e o sentimento de urgência fazem a longa seqüência da briga entre o vilão e o Homem de Aço - e que ocupa quase metade dessa primeira parte - um triunfo. Seguindo esteticamente o padrão Warner que veio da série de TV do Batman (falarei dela no futuro aqui no especial) apresenta seqüências de ação bem montadas e que procura mostrar ao público a força descomunal dos dois combatentes.

O problema é que a partir da morte do herói, o filme perde terreno. Exatamente no momento em que passamos a parte do Retorno, a produção não consegue manter o mesmo ritmo ágil e interessante. Mesmo assim, o segundo ato guarda a cena mais bonita e tocante de toda a produção e uma das mais impressionantes nesses anos de longa da DC em animação. Quando Lois finalmente percebe a identidade de Superman e procura a mãe de Clark, desaba em lágrimas colocando pra fora sua sensação de perda que até aquele momento parecia derradeira. Parabéns a equipe e a atriz Anne Heche (de diversos papéis importantes no cinema) pela composição e pela entrega emocional.

E paramos por ai. Apesar das mudanças - em relação a HQ - serem interessantes e mais plausíveis, além de não superlotar a tela com dezenas de outros personagens, o filme cai na vala comum, de perseguições, explosões, tiros, batalhas exageradas e tudo mais que compõe o pacote da diversão escapista.


O retorno do Superman também surge de maneira pouco convincente, com um fiapo (frouxo) de justificativa e que não convence o espectador mais exigente, assim como todo o desenvolvimento do arco final que peca pela correria. Mais vinte minutos a história - e isso vai ser uma reclamação recorrente nas críticas das animações DC - e talvez tivéssemos uma história melhor.

A questão técnica não modifica o que a Warner vinha fazendo até então em suas séries de TV. Como disse acima, é o mesmo padrão de qualidade da série de Batman/Superman/Liga da Justiça com algumas pequenas e sutis alterações nos personagens. Nesse primeiro filme, ainda vemos muito pouco de CG nas construções dos cenários e na ação o que é mais um elemento que dialoga com as séries da Warner.



O elenco da versão original também é muito bom e recheado de nomes interessantes. Além de Anne Heche como Lois Lane, Adam Baldwin é o Superman e James Marsters é Lex Luthor. Dos três senti falta do vozeirão grave e soturno de Clancy Brown, que habitualmente faz a voz do vilão.

Esse é o primeiro, e serve como rito de passagem das séries de TV para o mundo das animações em longa metragem. Uma pena que o começo tão inspirador não é mantido durante toda a produção, resultando em um filme divertido mas esquecível.

terça-feira, 5 de outubro de 2010


Na última Comic-Con, a grande "rival" da DC pelo domínio dos quadrinhos nos Estados Unidos apresentou ao mundo suas novas armas para a consolidação de seus personagens no imaginário popular mundial ao apresentar de uma vez só, três novos filmes: Thor, Capitão América e Os Vingadores. Tudo com muita pompa, muitas estrelas e - aparentemente - com competência.

E os "inimigos" ? A DC veio de Lanterna Verde e só. E não é de hoje que os personagens mais "humanos" da Marvel dominam o mercado cinematográfico. É só lembrar das bem sucedidas franquias do Homem Aranha, X-Men, Homem de Ferro e Blade. Ou mesmo das adaptações mais fracas, como Quarteto Fantástico, Demolidor, Hulk, Motoqueiro Fantasma e o medonho Elektra. De todo modo, os personagens Marvel estão mais presentes na cabeça do não leitor de quadrinhos que a excessão da "santíssima trindade" (Batman, Superman e Mulher Maravilha) pouco conhece os demais personagens da casa.

Por isso me veio a pergunta. Onde a DC consegue alguma vantagem sobre o rival? A resposta é óbvia: nas animações. 

E nesse longo especial que será publicado no Fotograma, vamos apresentar as armas da DC Comics para a batalha. Falaremos em especial dos inúmeros longa-metragens que a empresa vem soltando no mercado nos últimos anos, sem esquecer de onde esse boom surgiu - isso mesmo, as séries de tv.

Abraços !