
G.I. Joe: Retaliação
(G.I. Joe: Retaliation, 2013)
Ação - 110 min.
Direção: Jon M. Chu
Roteiro: Rhett Reese e Paul Wernick
com: Dwayne Johnson, Jonathan Pryce, Channing Tatum, Adrianne Palicki, D.J. Cotrona, Ray Stevenson, Bruce Willis, Ray Park, Byun-hun Lee
Sou uma cria dos
anos 80. Durante minha infância tive uma dieta de Toddynho,
chocolates Lollo e Charge, bolachas Negresco e muito Changeman, Gavan, Jaspion,
Transformers, Thundercats e Comandos em Ação na tv. Além de assistir, tinha (e
ainda tenho) brinquedos da maioria dessas series e desenhos que acompanhava na
infância. Portanto, falar de um live-action de "Comandos em Ação"
(sim, pra mim sempre serão Comandos em Ação) é um misto de nostalgia e dever profissional.
Aqueles molequinho
de 12 anos que vibra a cada blockbuster divertido que assiste sempre me cutuca
para que eu dê crédito a essas aventuras coloridas e cheia de explosão. Por
outro lado, meu profissionalismo me impede de entrar no "modo fã xiita e maluco" e ignorar os muitos problemas que essa segunda aventura dos Joe's tem.
A própria ideia de
uma força tarefa norte-americana (nos desenhos isso foi expandido a uma força
tarefa internacional, mas enfim isso não vem ao caso) que patrulha o mundo
contra o terror é uma ideia absolutamente datada e que só tinha realmente ressonância
nos anos 80 quando Rambo, Schwarzenegger, Top Gun e os demais símbolos da força
bélica americana eram considerados inatingíveis e reais protetores da paz da
humanidade.
Hoje é muito mais
complicado adaptar esse conceito a uma realidade que impede
uma "polícia do mundo", portanto o conceito inocente e até ingênuo de uma organização
que salva a humanidade não funciona mais. Por isso, a opção desse segundo G.I.
Joe é a da conspiração nos mais altos níveis governamentais dando sequência aos movimentos orquestrados no primeiro filme da franquia. Para quem não lembra a
substituição do presidente americano por um membro da organização Cobra que
imita os trejeitos e com ajuda da tecnologia é transformado no já citado
presidente.
A partir daí com
os Cobra no comando do governo americano, os Joes são perseguidos e depois de
uma operação, praticamente destruídos. Os remanescentes decidem revidar apelando
para o primeiro dos Joe (na participação breve e desnecessária de Bruce Willis,
que parece estar fazendo todos os filmes do mundo) na tentativa de salvar o
mundo. Previsível até o último frame.
Quem continua
roubando a cena é o ninja favorito de toda uma geração (não, não era o Jiraya)
Snake Eyes, o calado personagem que se veste de preto e usa espadas melhor que
ninguém. É dele a sequência mais impressionante da produção e que envolve uma
fuga no monastério/casa de cura mais mal localizada do planeta, parkour por
montanhas, briga de ninja praticamente na vertical e um corpo ensacado.
O protagonismo da
trama cabe a The Rock (ou Dwayne Johnson) que faz o que se espera de um herói
de ação: desce o braço sem dó, tendo direito a uma cena onde atira com sua arma apoiada na cintura no melhor clima anos 80. Por outro lado, os
coadjuvantes da vez Flint (D.J. Cotrona) e Lady Jane (Adrianne Palicki) não são marcantes
como eram os do primeiro filme.
E mesmo com a
presença visual interessante do Comandante Cobra, o plano de dominação global é genérico e rende
momentos de vergonha alheia como uma sequência - já na parte final da projeção - que
envolve bombas nucleares, ou mesmo a indefectível coleção de piadinhas que causam
sorrisos amarelos. Por outro lado a ação é bem orquestrada embora não passe de
genérica, ou seja, você já viu aquilo antes muito melhor.
Em meio à
nostalgia de rever seus brinquedos de infância (de novo) na tela grande, essa
segunda aventura dos soldados da polícia do mundo é divertida por esse fator,
por momentos de referência aos anos 80 (como o famigerado jipe dos Joe's que
finalmente deu seu ar da graça) e por ter sequências de ação que não incomodam.
Por outro lado, o texto continua absurdo, pobre e resvalando no ridículo. Mas,
o que se pode esperar de um filme que adapta bonecos para o cinema?




