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quarta-feira, 23 de junho de 2010



Trilhas Sonoras e os Sintetizadores – Part III

Olá ao Fotograma Digital. Para as pessoas que estão lendo a coluna FotoMusic Score pela primeira vez, estou fazendo uma série de postagens sobre o grande uso dos teclados sintetizadores na trilha sonora. Estou comentando sobre alguns compositores que se destacaram neste ramo, e também sobre alguns equipamentos que fizeram parte desta história.

Diferente das duas últimas postagens, que comentei bastante sobre o surgimento dos primeiros sintetizadores, e sobre alguns compositores que experimentaram fazer música com este novo instrumento musical, nesta semana não pretendo comentar tanto sobre equipamentos, ou sobre a história do sintetizador. Resolvi escrever sobre um compositor que ficou muito conhecido por usar sons sintéticos no arranjo da suas Trilhas Sonoras. Tem uma sólida carreira com vários discos, shows com grandes efeitos visuais, sem contar sua criatividade que o fez ganhar alguns prêmios cinematográficos com suas trilhas sonoras.



Evángelos Odysséas Papathanassíu, conhecido como Vangelis, nasceu em Vólos, Grécia, em 29 de Março de 1943. Começou a compôr desde cedo, aos 4 anos de idade, porém não se dedicou à música tradicional, nem ao estudo do piano. Há quem diga que ele é um grande exemplo de músico auto-didata, e que não sabe ler ou escrever partitura. Sendo verdade ou não, o fato é Vangelis sempre teve o sucesso nas mãos, em todos os projetos que participou.

Nos anos 60, formou o grupo pop “Formynx”, bastante popular na Grécia. Pouco depois, foi para a França, formando o conhecido grupo de rock progressivo Aphrodite´s Child, famoso tanto na Europa quanto aqui no Brasil.


Com o grupo desfeito em 1972, Vangelis estava pronto para formar sua carreira solo, e em paralelo, continuar o seu trabalho com trilhas sonoras, que havia começou nos anos 60. Estando na França, compôs a trilha sonora de alguns filmes do diretor francês Frédéric Rossif, como “L'apocalypse des animaux“ (1972), “Le cantique des créatures: Georges Mathieu ou La fureur d'être” (1974), e “Le cantique des créatures: Georges Braque ou Le temps différent” (1975).


Junto com a trilha sonora destes filmes, Vangelis lança seu primeiro álbum solo, “Earth”, de 1974, na mesma época em que foi convidado para tocar na clássica banda de Rock Progressico “Yes”. Vangelis recusou o convite, mas criou uma grande amizade com o cantor Jon Anderson, que trabalhou em vários dos seus discos. Para a alegria de muitos, o compositor grego continuou fazendo seus respeitosos trabalhos na música eletrônica. Mudou-se para Londres, montando seu próprio estúdio, onde podia trabalhar nos seus discos e trilhas sonoras. Em 1975 lançou o álbum “Heaven and Hell”, onde uma das faixas foi usada para o tema de abertura da série Cosmos.



Mas os grandes sucessos de Vangelis vieram a partir dos anos 80, com a trilha sonora de “Chariots of Fire” (1981). O tema ficou mundialmente conhecido, tornando-se o tema das maratonas de todo o mundo, rendendo ao compositor o Oscar de Melhor Trilha Sonora em 1982.



Após o grande sucesso de “Chariots of Fire”, Vangelis também trabalhou com o diretor Ridley Scott, compondo trilhas também memoráveis, como “Blade Runner” (1982) e “1942: Conquest of Paradise” (1992).



Vangelis ficou mundialmente conhecido com suas trilhas sonoras, especialmente de “Chariots of Fire”, mas seu foco principal era sua carreira solo. O compositor sempre relutou bastante para dar entrevistas, e mesmo sendo famoso, nunca desejou ficar aberto à imprensa. Ele costuma dizer que ao invés de dar entrevistas, ele transmite suas opiniões sobre o mundo com sua música. Entre os anos 80 e 90, Vangelis compôs uma série de álbuns com participações de vários artistas, em especial o cantor da banda Yes, Jon Anderson. Em 2001, lançou o disco “Mythodea”, sendo um álbum mais orquestral do que eletrônico. Um dos seus últimos trabalhos com filmes foi a trilha sonora de “Alexander” (2004), Oliver Stone.



quarta-feira, 16 de junho de 2010


Trilhas Sonoras e os sintetizadores – Part. II

Olá ao Fotograma Digital. Na semana passada fiz uma introdução a um tema que achei interessante de levantar para o blog: A Trilha Sonora feita com Sintetizadores. Desde o início das minhas postagens, procurei falar sobre temas variados, que tratam da música em si ou sobre a trilha sonora como um todo. Falei bastante sobre alguns aspectos teóricos da música, sobre a forma como a música para o cinema foi encarada para alguns compositores, conservadores ou inovadores, e até sobre a própria história da música. Enfim, sempre procurei fazer o leitor ter uma reflexão, mesmo que às vezes pareça um tema óbvio, sempre existe aquela “vírgula” da história que não nos damos conta.

Mas raras foram as vezes que comentei sobre o uso de instrumentos eletrônicos na trilha sonora. Durante o tempo que escrevi sobre a vida e obra de alguns compositores famosos, comentei que grande parte deles fizeram bom uso de instrumentos musicais como theremins e teclados sintetizadores, mas em momento algum separei uma postagem inteira pra comentar sobre isso, sobre como são estes instrumentos, qual a sonoridade de cada um, quais compositores usaram tal instrumento e qual filme ficou conhecido por “Nossa, que som diferente é aquele daquela cena???”, rs... Acho que agora, depois de um certo número de postagens, chegou a hora de comentar sobre uma área um pouco mais técnica, que desde os anos 70 e especialmente hoje, atua mais do que nunca no ramo da trilha sonora.


Como foi dito na semana passada, a música eletrônica nasceu com o uso musical de alguns equipamentos de rádio, em meados dos anos 50. Por ser muito difícil de manusear, uma vez que estes equipamentos precisavam ser programados para poderem emitir som, poucas pessoas puderam (ou conseguiram) fazer composições nestes instrumentos. No final dos anos 60, Robert Moog criou uma forma do sintetizador ficar mais popular, acoplando um teclado ao complexo circuito eletrônico. Com isso, o mundo inteiro pôde usufruir de uma infinita variedade de instrumentos e sonoridades eletrônicas. A partir de então, uma grande quantidade de músicos eruditos e populares começaram a explorar as sonoridades do sintetizador, que ao passar dos anos ganhava novos designs e modelos cada vez mais próximos dos teclados sofisticados que temos hoje.


Wendy Carlos mostrou ao mundo que o sintetizador é um instrumento versátil, tocando peças de Bach e de outros compositores da música erudita com timbres jamais ouvidos anteriomente. Seus discos “Switched On Bach” e “The Well Tempered Synthesizer” foram grandes sucessos, ouvidos no mundo todo e influenciando muitos músicos interessados no ramo da música eletrônica. Sua trilha sonora de “A Clockwork Orange” (1971) e “Tron” (1982), foram uma nova referência para a trilha sonora, que explorou muito destes novos sons.

O fato é que, para a minha geração, por exemplo, que nasceu e viveu a partir dos anos 80 e 90, a música eletrônica já estava forte e estruturada, por isso as sonoridades vindas com estes instrumentos já não eram tanta novidade, pelo fato de termos ouvido várias destas sonoridades desde sempre em filmes, desenhos animados, séries, etc. Mas se eu tivesse 22 anos no fim dos anos 60, por exemplo, estaria passando por uma grande transição musical, que é exatamente a “popularização” do sintetizador. Para esta época, todos estes sons eram uma grande novidade, e a trilha sonora, assim como muitos compositores, descobriram novas possibilidades para a narrativa dos fimes.
Um grande exemplo disso é o Theremin. Mesmo sendo um instrumento mais antigo, que foi popularizado nos Estados Unidos em 1928, ele foi um dos precursores das tais “novas sonoridades”, sendo amplamente usado no filme “The Day the Earth Stood Still” (1951). Já nos anos 30 o theremin foi usado pelo compositor russo Dmitri Shostakovich, para a trilha sonora do filme “Odna” (1931). Miklós Rósza, outro conhecido compositor, utilizou este instrumento na trilha sonora de “The Lost Weekend”(1945) e “Spellbound”(1945). Este curioso instrumento, um dos primeiros a funcionar com energia elétrica também foi muito usado em séries futurista de TV, como “Lost in Space” (1965-1968) e “Star Trek” (1966-1969).

(A partir dos 0:45 deste vídeo, o som do theremin na cena em que aparece o extra-terrestre)


(Um fã de Star Trek tocando o tema da série no Theremin)

Outro fato muito importante de notar é que o sintetizador, junto com outros instrumentos eletrônicos, foram usados não só para a música, mas também para fazer uma infinita variedade de ruídos, especialmente futuristas. Um grande exemplo disso é o primeiro filme da série “Star Wars” que estreiou nos cinemas aqui no Brasil em 18 de Novembro em 1977. Em “Episode IV - A New Hope”, apitos, vozes controladas por Vocoders (um equipamento responsável por adicionar efeitos à voz humana), mais filtros e outros elementos do sintetizador ARP 2600 foram usados para criar os sons do robô R2D2.

(ARP 2600, produzido nos anos 70)


(Neste vídeo, uma pessoa tentando fazer o som do robozinho em um outro sintetizador. Ele chegou bem perto!! Rs..)

Nas próximas postagens, pretendo continuar a abordar este tema, comentando um pouco mais sobre a história do sintetizador, com alguns modelos específicos de equipamentos, assim como filmes e compositores que ficaram para a história com o uso artístico e musical destes novos instrumentos musicais.


quarta-feira, 9 de junho de 2010




Trilha Sonora e os Sintetizadores

Olá ao Fotograma Digital. Nesta semana, diferente das postagens anteriores, não pretendo escrever sobre um compositor em especial. Vou citar alguns nomes e acabar comentando sobre outros, mas meu foco é escrever sobre o uso do sintetizador na Trilha Sonora.

Já faz um certo tempo que eu planejo escrever este post. À medida que fui escrevendo as postagens sobre os compositores de trilha sonora, pude perceber que a maioria deles, em algum momento, se aventurou nesse mundo que, em meados dos anos 60, revolucionou toda a música popular.

Contar a história inteira do sintetizador talvez não seja necessário, até porque precisaríamos de longas páginas de texto, rs... mas é importante saber, mesmo à nível de curiosidade, que esses instrumentos musicais começaram a existir nos anos 50, em uma época que a música, tanto erudita quanto popular, procurava incessante por algo novo, especialmente na questão timbrística. A partir dos anos 20, o mundo todo começou a despertar uma curiosidade em inventar instrumentos musicais à base de energia elétrica, sendo este um segundo fator importante para a invenção do sintetizador.

Por exemplo, um “conhecido” instrumento musical que surgiu nos anos 20 foi o “Theremin”. Inventado pelo russo Lev Sergeivitch Termen - que adotou o nome Leon Theremin quando foi para os Estados Unidos - este instrumento foi um grande passo para o futuro da música, por ter um caráter totalmente diferente de qualquer instrumento tradicional.

Não é um instrumento de cordas, teclas, nem de percussão, muito menos de sopro. Ele possui duas antenas, uma que controla seu volume, outra que controla sua altura (diferença entre notas agudas e graves). Com um campo magnético, feito primariamente com válvulas, o instrumento reconhece e reage sonoramente, de acordo com a posição da mão da pessoa que está tocando. Por exemplo, quanto mais longe da antena vertical, mais grave é o som, quanto mais perto, mais agudo, ao mesmo tempo que, com a outra mão, quanto mais longe, mais alto é o volume, e quanto mais perto, mais baixo. Separei um vídeo onde pode-se perceber perfeitamente o funcionamento do Theremin.


A partir disto, vários instrumentos foram inventados, cada um com uma sonoridade totalmente diferente da outra. O Theremin despertou um grande interesse, e em pouco tempo houveram experimentos de orquestras com instrumentos convencionais junto com o Theremin, ou até mesmo uma orquestra só de theremins, com mais de 8 deles sendo tocados juntos. O mais interessante neste fato foram as opiniões das pessoas da época, que diziam que o theremin era o ápice da tecnologia, e que se os extra-terrestres emitissem sons, que provavelmente seria o som do theremin. As pessoas achavam que o theremin era o som do futuro, e por isso que esta sonoridade ficou atribuída à qualquer intervenção alienígena, principalmente nas trilhas sonoras de filme. É comum ouvirmos o som do theremin em filmes ou desenhos, quando aparece algum disco voador, ou um ET, ou algo do tipo.

Entretanto, foi uma época difícil, porque ao mesmo tempo que alguns adoravam estas novas sonoridades, também haviam os compositores conservadores, que acreditavam que a música orquestral com seus instrumentos acústicos eram a única forma válida de arte.
Nas décadas seguintes, outros instrumentos foram concebidos, e nos anos 50, como disse anteriormente, os primórdios dos sintetizadores começaram a surgir.

Os primeiros sintetizadores eram bem diferentes dos teclados sofisticados que temos hoje. A começar pelo fato que ele nem tinha teclas. Todos os parâmetros eram configurados de maneiras difíceis, e realmente só engenheiros elétricos conseguiam manusear este tipo de instrumento. Com o passar do tempo, e com uma boa dedicação, alguns compositores eruditos começaram a compor com este novo instrumento, abrindo um novo horizonte para a música erudita, entitulada “música eletrônica”. Sim, a música eletrônica nem sempre foi uma música de dança tocada em baladas por aí, rs... ela era uma música com uma proposta totalmente diferente de toda a música tradicional, de séculos atrás. Foi uma idéia totalmente nova, com um ponto de vista inovador, que queria se livrar de toda a tradição que a música carregava. Este tipo de música é tão diferente que muitos nem a consideram como música, embora eu tenha uma opinião diferente. Vou mostrar um exemplo:


Porém, talvez para o conforto de alguns que não gostaram da música, rs... o sintetizador teve uma reformulação, com a idéia do engenheiro Robert Moog, que nos anos 60, acoplou teclas, como as de um piano, ao sintetizador, simplificando infinitamente todos os seus complicados parâmetros. Qualquer pessoa a partir de então podia compor e se maravilhar com as possibilidades timbrísticas deste “novo” instrumento musical. Robert Moog abriu sua fábrica de sintetizadores, que durou por muitos anos, a “Moog Music Inc”, e pela sua grande invenção, ficou considerado como o pai dos teclados sintetizadores.

(Robert Moog com o seu “Minimoog Voyager”, um re-lançamento em 2002 do sintetizador”Minimoog” que revolucionou as bandas de rock progressivo dos anos 70, como Yes e Pink Floyd.*)

E com o sucesso que os teclados Moog tiveram, outras marcas de teclados começaram a surgir. Tudo isso contribuiu, e muito, para o aparecimento de uma infinidade de sonoridades, que mudou positivamente a música. O uso da tecnologia despertou o interesse em compositores eruditos também, como Wendy Carlos, que além de ter composto a trilha sonora de alguns filmes, compôs o disco “Switched On Bach”, tocando peças eruditas com timbres sintetizados de teclados Moog. Para quem quiser conferir:


“Switched on Bach” foi o primeiro trabalho da compositora Wendy Carlos, lançado em 1968. Formada em Música e Física, foi aluna de grandes compositores de música eletrônica. Em 1969, lançou o disco “The Well Tempered Synthesizer”, que é um interessante trocadilho com o livro de tocatas e fugas de Johann Sebastian Bach, “The Well Tempered Harpsichord”, de 1722.


Após o grande sucesso destes dois discos, Wendy Carlos foi convidada a participar na composição da trilha sonora de alguns filmes. Entre eles, tem o clássico “Clockwork Orange” (1971), com pesados arranjos sintetizados, principalmente no seu tema principal. Infelizmente não consegui achar nenhum vídeo com o tema original do filme, mas acredito que muitos consigam lembrar.


Na próxima postagem pretendo continuar no assunto dos sintetizadores, comentando mais sobre outros compositores que utilizaram bastante esta ferramenta que até hoje é uma surpresa para várias pessoas.

quarta-feira, 2 de junho de 2010


Compositores VII


Olá ao Fotograma Digital. Como de costume, nas últimas postagens tenho escrito sobre os compositores mais influentes da história da Trilha Sonora, fazendo uma explicação sobre a obra e estilo de cada artista, mostrando alguns vídeos com trilhas principais e contando um mínimo sobre a vida de cada um destes mestres que, como sempre digo, nos passam um tipo de “mensagem” impossível de absorver por outros meios além da música.

Em especial na postagem de hoje, o compositor que escolhi diz muito a respeito desse “sentimento a mais” presente no cinema, principalmente o cinema da década de 40 e 50. Alguns compositores desta época - assim como diretores, que usavam muitos recursos que enfatizavam a atuação dos atores - usavam técnicas diversas para acentuar o conteúdo emocional da “score” do filme. O uso da música para caracterizar o estado emocional de um personagem foi uma técnica herdada das óperas, que no século XIX, em pleno período Romântico, estava beirando grandes inovações com compositores como Wagner. Este compositor, que segundos historiadores foi considerado o “Pai do Cinema”, utilizava uma série de efeitos na orquestra - dadas as devidas proporções da tecnologia da época - que enfatizavam momentos de tristeza, tensão, alegria, entre outras sensações. Foi um estilo que ficou conhecido como “O estilo Wagneriano” de compor e interpretar, composto de uma orquestra muito densa, com grandes instrumentações e arranjos dramáticos.

E muitos trilheiros, de uma época que o cinema estava a todo vapor, se influenciavam com os compositores da música erudita para fazer suas músicas. É o caso de Bernstein, Morricone, especialmente Steiner, que foi aluno de Gustav Mahler, entre muitos outros. Acredito que isso é um fato que também tem a ver com a data em que estes compositores viveram. Nos anos 40 e 50, o cinema já era grande e já utilizava técnicas que até hoje são usadas, mas ainda não tinha um passado tão longo, a ponto de existir “compositores de cinema influenciados por antigos compositores de cinema”. Os primeiros trilheiros procuravam fontes para se inspirar, assim como compositores eruditos que queriam inovar, e buscavam a música popular, a música folclórica, ou novas estéticas para fazer suas “novas artes”.

E foi nesta época, e com estes passos que o conhecido compositor Bernard Hermann fez sua carreira brilhar, se tornando uma grande lenda na história da música cinematográfica.


Bernard Hermann nasceu dia 29 de Junho de 1911, em Nova Iorque. Sempre foi influenciado pelo seu pai, que o levava a óperas e outros eventos musicais. Após ter ganho um concurso de composição, aos 13 anos de idade, a jovem lenda do cinema começou a se concentrar na música, estudando na conhecida Juilliard School e também na universidade de Nova Iorque. Aos 20 anos já tinha sua própria orquestra, a “New Chamber Orchestra of New York”.

Em 1934, Hermann começou a trabalhar na CBS (Columbia Broadcasting System), como condutor. Em alguns anos ele virara um funcionário de destaque, responsável por introduzir mais novos trabalhos do que qualquer outro regente. Casou-se com a escritora Lucille Fletcher em 1939, após objeções por parte da família dela, e se divorciaram em 1948.
Ainda na CBS, Hermann conheceu o diretor Orson Welles, e através dele seu caminho para o sucesso já estava desenhado. Ele passou a conduzir a música para Welles, e com isso os grandes clássicos “Citizen Kane” (1941) e “The Magnificant Ambersons” (1942) foram concebidos. Ainda nesta época, foi o compositor do filme “The Devil and Daniel Webster” (1941).



Bernard Hermann também fez um importante trabalho com o diretor Alfred Hitchcock. Talvez a maior parte das suas trilhas foram usadas para os filmes deste diretor. Hermann tinha um estilo diferente dos outros compositores, compondo trilhas que exploravam ao máximo os instrumentos. É o caso de “Psycho” (1960), onde explora bastante um único naipe de cordas. Também posso citar “Vertigo” (1958), “North by Northwest” (1958) e “The Birds” (1963), que com o avanço da tecnologia dos teclados sintetizadores, Hermann foi capaz de simular, eletronicamente, o som dos pássaros.




Bernard Herrmann sempre confiou na música para o cinema como um novo horizonte para a composição musical. Como já escrevi em outras postagens, no início os compositores pensavam que a música do cinema era inferior, comercial e sem um propósito artístico. Ao contrário de muitos, que acreditam no fato de que a música de cinema pode ter uma qualidade equivalente à música erudita. Nos seus últimos anos, Herrmann batalhou para criar o interesse nas pessoas pela música do cinema, com o intuito de mostrar o quanto ela pode ser uma forma de arte capaz de se desenvolver. Esta grande lenda do cinema morreu em 24 de Dezembro de 1975, com uma variedade de músicas compostas para filme.


Você gosta de algum compositor em especial? Comente! Selecionei alguns compositores para o FotoMusic Score, mas qualquer sugestão é bem-vinda!

(Nota do Editor: vocês que gostam do Fotograma Digital, sigam-nos no twitter: http://www.twitter.com/fotogramadig )

quarta-feira, 26 de maio de 2010


Compositores XVI

Mais um “Olá a todos” para o Fotograma Digital. Como venho fazendo nas últimas semanas,estou escrevendo em cada postagem, uma matéria sobre a vida e obra dos compositores de trilha sonora que mais de destacaram, desde o surgimento do cinema até os dias de hoje. Uma série de compositores já foram citados, desde Ennio Morricone até Michael Giacchino, passando por Hans Zimmer, Danny Elfman e Elmer Bernstein.

Já comentei em postagens mais antigas, sobre alguns aspectos do surgimento do cinema e também sobre alguns compositores , mas só nestas últimas postagens tenho destacado um único compositor para cada post. Hoje escolhi um compositor que ficou para a história da Trilha Sonora, mas que talvez alguns não o conheçam, por não ser desta época.

O cinema, mesmo sendo uma arte “recente” em comparação a outras formas, como o teatro, a ópera e a própria música, é uma arte que já tem algumas gerações, e exatamente por isso, têm uma série de diretores, compositores, atores e atrizes que deixaram a sua marca, mas que hoje, depois de tantos sucessos lançados, ficaram para trás e infelizmente poucos conhecem. Como costumo dizer, às vezes as pessoas ficam tão maravilhadas com a tecnologia empregada no filme, que não olham mais para trás, e nem se interessam pelo o que já existiu. Não se interessam pela parte da história em que as pessoas faziam muito, com muito pouco... digo pouco em termos tecnológicos, porque em atuação, roteiro, trilha sonora e por que não dizer, “feeling”, tem e até de sobra, rs..

Mas voltando ao foco da postagem, nesta semana pretendo escrever sobre um dos maiores compositores de Holywood, que recebeu inúmeros prêmios pelo seu trabalho, e que escreveu temas que até hoje são ouvidos e lembrados. Muitos compositores hoje em dia são aclamados e fazem sucesso, mas todos reconhecem que Max Steiner foi uma personalidade única em Hollywood.


Maximillian Raoul Walter Steiner nasceu em dia 10 de Maio de 1888 em Viena, Áustria. Era o filho prodígio de Gabor Steiner, que terminou o conhecido curso de música da Hochschule Music Academy, de quatro anos, em apenas um. Foi aluno do compositor erudito Gustav Mahler e aos 16 anos compôs sua primeira Operetta (uma espécie de ópera), “The Beautiful Greek Girl”. Aos 20 anos já trabalhava como condutor, e mudou-se para Londres, logo depois para Nova York, onde se tornou um dos maiores orquestradores e regentes dos conhecidos musicais da Broadway.

Sua carreira com a trilha sonora de filmes começou em 1929, quando foi contratado por William LeBaron para ir para Hollywood, e fazer a supervisão a produção da música para o filme Rio Zita (1929).


Um dos seus primeiros grandes passos foi a composição para o filme “Cimarrom” (1931), sendo muito bem recebido pela crítica. Pela sua formação musical, Steiner adota um estilo bem vienense de composição, compondo valsas e com um estilo Wagneriano de elaborar seus “Leitmotif”. Filmes como “Symphony of Six Million” (1932), “Bird of Paradise”(1932), e “Morning Glory” (1933), foram conquistando cada vez mais o espaço de Steiner nas trilhas sonoras.

Porém o ano de 1933 foi um divisor de águas para o compositor, que compôs a trilha sonora de “King Kong”, o que para alguns foi a maior contribuição de Steiner para a produção cinematográfica, sendo este um filme de 75 minutos com vários temas e sequências agitadas.


Max Steiner, além de todos os sucessos que compôs, ficou conhecido pelo seu estilo de sincronizar sons aos eventos que aconteciam nas imagens. A técnica ficou conhecida como “Mickey-Mousing”, pelo fato de ser muito usada em desenhos animados, e foi muito usada pelo compositor, sempre muito bem recebida pelo publico e crítica.

A partir disso, Steiner passou a trabalhar com outros diretores, compondo trilhas memoráveis como “Gone with the Wind”(1939), e “Casablanca” (1942), sendo o tema destes filmes uma grande referência para todos os interessados por trilha sonora. Sua música para o filme “A Summer Place”(1959) é também extremamente reconhecível, e é necessário ressaltar a trilha sonora de “Now Voyager” (1942) e "Since you Went Away" (1944), que foi digna de vários prêmios.






Max Steiner morreu em 28 de dezembro de 1971, aos 83 anos, por uma falência do coração. O compositor continua influenciando à muitos com a sua arte, digna de tantos prêmios e reconhecimentos.
Para alguns, Steiner ficou amplamente conhecido pela sua técnica de “Mickey-Mousing”, que acompanha sincronizadamente uma imagem em especial. A minha intenção é comentar melhor, em outra postagem com melhores exemplos, sobre esta interessante técnica.

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quarta-feira, 19 de maio de 2010


Compositores VI

Olá a todos do Fotograma Digital. Para todos que acompanham as postagens, estou fazendo uma pesquisa semanal sobre os compositores mais conhecidos, no intuito de mostrar sua carreira, seus primeiros passos, sua trajetória ao sucesso e suas trilhas mais marcantes. A intenção de citar alguns destes mestres é poder analisar posteriormente as suas trilhas sonoras, partindo do pressuposto que “já conhecemos” seu estilo, a partir dos filmes que ando disponibilizando em cada postagem.

Nesta semana tive a intenção de fazer uma postagem especial, uma vez que escolhi o meu compositor favorito, rs. Alguém o reconhece pela foto?


O canadense Howard Leslie Shore nasceu em 18 de outubro de 1946, em Toronto. Estudou na conhecida Berklee School of Music, em Boston, e trabalhou por alguns anos como saxofonista na banda “Lighthouse” em meados dos anos 70. Seu talento na banda foi reconhecido, e com isso passou a escrever músicas. Suas primeiras trilhas apareceriam alguns anos depois, quando trabalhou como diretor musical nos primeiros cinco anos do programa “Saturday Night Live” da NBC, com Lorne Michaels, e também quando começou a trabalhar com o diretor canadense David Cronenberg. Com este diretor, compôs a trilha de filmes como “The Brood” (1979) e “Videodrome”(1983).


Após um considerável sucesso com estas e outras trilhas sonoras, Howard Shore ficou conhecido pelo seu talento na trilha de filmes de terror, trabalhando (novamente) com Cronenberg em outros filmes: como “The Fly” (1986), “Dead Ringers” (1988) e “Naked Lunch” (1991).


(neste vídeo ouvimos uma das músicas da trilha sonora de “Naked Lunch”)

Como pode ser observado em diferentes trilhas sonoras e também em algumas entrevistas, Howard Shore parece ter usado este tempo em que trabalhou com Cronenberg como uma experimentação para o seu notável estilo com filmes de terror. Além de misturar o seu conhecimento orquestral, ele também usa instrumentos eletrônicos, e várias técnicas diferentes de produzir sensações no público que assiste ao filme. Este é mais um exemplo do quanto a trilha sonora ajuda na narrativa de um filme.

Com o sucesso obtido com tantos filmes, Shore foi convidado a compor a trilha de “Big” um conhecido filme de 1988, que ao contrário de tantos filmes de terror, conta a história do “pequeno-grande” Josh Baskin (Tom Hanks).



Junto com “Big”, Shore foi convidado a trabalhar em outros filmes fora do gênero terror. Exemplo disso é a trilha de “Mrs. Doubtfire” (1993) e “The Truth about Cats and Dogs” (1996). Outra trilha memorável é a de “Philadelphia”, onde a trilha sonora conta com a participação da cantora lírica Maria Callas



Necessário lembrar da trilha de “Silence of the Lambs”(1991) mostrando que o compositor não enferrujou o seu talento para filmes de terror.


E mesmo com todo o sucesso obtido com tantos filmes, sendo do gênero terror ou não, o maior êxito de Howard Shore foi obtido com a trilha sonora da trilogia “Lord of the Rings” dirigido por Peter Jackson a partir da história de J.R.R Tolkien. No primeiro filme da trilogia, “The Fellowship of the Ring” (2001), Shore utiliza elementos de música celta, com a participação da cantora Enya na conhecida música “May it Be”

Nos outros dois filmes da trilogia, “The Two Towers”(2002) e “The Return of the King” (2003), a música de Shore é marcante e igualmente digna de vários prêmios. O sucesso do filme e da trilha sonora foi tanto, que Shore forneceu suas músicas para vários jogos do filme “Lord of the Rings”.



Interessante comentar o fato que Howard Shore foi convidado para fazer a trilha sonora do filme “The Hobbit”, que irá sair em 2012, que contará a historia do outro livro de Tolkien. A esperança é que façam um filme do Silmarillion também, com Howard Shore na trilha sonora!!! rs...

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quarta-feira, 12 de maio de 2010


Compositores - Parte V

Olá a todos do Fotograma Digital. Na semana passada eu optei por um post um pouco diferente dos últimos, e escrevi sobre um filme, com uma atenção direcionada ao compositor Elmer Bernstein. Não posso imaginar quantas pessoas que acompanham o Fotograma Digital se interessam pela parte técnica da Trilha Sonora, mas a minha intenção é, além de comentar sobre compositores e questões musicais, explicar o processo de análise das nossas trilhas favoritas.

Nesta semana resolvi escrever sobre mais um conhecido compositor de trilhas. Seu nome apareceu a princípio no meio musical, como cantor de uma conhecida banda dos anos 80. Após algumas participações e projetos paralelos, foi convidado a compor trilhas de filmes, alguns de grande sucesso, outros menores, mas independente do investimento usado na produção do filme, seu talento sempre foi presente e notado por todos.


Daniel Robert Elfman, também conhecido como Danny Elfman, nasceu em 29 de maio de 1953, filho de Milton e Blossom Elfman, uma escritora de livros infantis. No começo de sua vida, Danny não se importava muito com a música, até meados do anos 70, quando junto com seu irmão, o diretor Richard Elfman, montou uma banda chamada “Mighty Knights of Oingo Boingo”, onde Danny era cantor e compositor.

Posteriormente conhecida apenas como “Oingo Boingo”, esta banda compôs a trilha sonora de diversos filmes, como por exemplo, “Weird Science” (1985). No mesmo ano gravaram o disco “Dead Man´s Party”, que tinha a conhecida canção “Stay”, esta sendo o maior sucesso da banda, que foi utilizada também no final de 1989, na trilha sonora internacional da novela “Top Model” da Globo.



Através do Oingo Boingo, Elfman trabalhou na trilha sonora do seu primeiro filme, “Forbidden Zone” (1982). Também através da banda, conheceu o famoso diretor Tim Burton, que desde sempre foi fã do seu trabalho. Com isso, foi convidado a compor a trilha sonora de “Pee-Wee´s Big Aventure” (1985), seu primeio trabalho orquestral.

Trabalhando junto com Burton, as portas da oportunidade estavam totalmente abertas para Elfman, que a partir daí começou a fazer uma série de trilhas, como “Bettlejuice” (1988), “Batman” (1989), “Edward Scissorhands” (1990), “The Nightmare Before Christmas” (1993) (todos, filmes de Burton), “Men in Black” (1997), “Spider Man” (2002) entre muitos, muitos outros.



Através de todos os sucessos de Elfman, alguns seriados de TV se interessaram pelo seu talento. Como pode-se perceber em algumas músicas, Elfman tem um curioso estilo dramático e sombrio, que combina bastante com os enredos de Burton. Seu talento com as trilhas o fez responsável pela trilha de séries de Televisão, como “Simpsons”, “Tales from the Crypt”, e pelo tema de abertura da série “Desperate Housewives”.


Recentemente trabalhou na trilha sonora do filme “Alice in Wonderland”, além de ter trabalhado com a banda americana Avenged Sevenfold, orquestrando a música “A Little Piece of Heaven”.




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