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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Festival do Rio: The Way, Way Back

The Way, Way Back
(The Way, Way Back, 2013)
Comédia/Drama - 103 min.

Direção: Nat Faxon, Jim Rash
Roteiro: Nat Faxon, Jim Rash

com: Liam James, Steve Carrell, Toni Collette, Sam Rockwell, Maya Rudolph

Ator da cultuada Community, Jim Rash é também conhecido por seus roteiros de séries de TV (inclusive para a própria Community). Junto com Nat Faxon, também roteirista e ator, ambos fazem sua primeira incursão como diretores em The Way, Way Back. É um trabalho charmoso, com um domínio de linguagem cinematográfica bom por parte de seus diretores, que, ainda que não passe incólume, consegue utilizar seus clichês com dignidade.

O roteiro segue Duncan, adolescente tímido e entediado, que precisará viajar com sua “nova família”, que inclui o namorado de sua mãe, Trent, e sua filha. No verão do lugar, ele passará pelo processo de amadurecimento que precisa. É um "coming of age" em todas as suas nuances – e os diretores não procuram fugir disso -, desde seus personagens arquétipos (o padrasto escroto, a menina alternativa, a patricinha, o sábio mentor do jovem, a mãe dispersa) até seu desenrolar dos fatos, que em nada subverte a narrativa comum dos filmes-de-amadurecimento americanos. O clima tropical, com os conflitos de mais uma família disfuncional, chega a lembrar Os Descendentes; um filme roteirizado pela dupla, vale lembrar.

Os fatores que tornam o filme diferenciado, no entanto, é seu tom leve, bastante feliz em seus pontuais alívios cômicos e conferindo um descompromisso eficiente, seu desenvolvimento de personagens e o bom ritmo da narrativa. O desenvolvimento melhor apresentado é o de Trent, o personagem vivido por um contido Steve Carell, já demonstrando seu caráter duvidoso de primeira. Enquadrado pelo espelho do carro em seu primeiro take, como uma figura opressora aos olhos de Duncan, o personagem se tornará o maior obstáculo para o amadurecimento do reprimido menino. Sua filha se faz apenas uma alegoria, um arquétipo ambulante, mas a relação de pai-e-filha serve bem para um contraponto com a relação de Duncan e sua mãe, Pam.


Pam, por sinal, se revela o maior trunfo dramático de Rash e Faxon. À primeira vista, a personagem parece apenas uma representação de mãe distante para Duncan. Porém, através de sutilezas em cena, a mulher se torna bem mais interessante, digna de discussão. Ao contar sua história sobre uma duna, Pam não arranca os risos que seus amigos conseguiram contando suas experiências. Durante o jantar, ela é enquadrada de longe, com uma iluminação sutil, como se fosse distante não apenas de Duncan, mas de todos ali. É uma outsider como Duncan, afinal, o que justifica bastante suas ações com o filho. É ao longo da narrativa que Pam vai tomando consciência disso (com a ajuda do menino), e se esforça para não apenas se misturar aos outros. O paralelo entre os “dois” coming-of-age (de Pam e Duncan) ganha maior abrangência, quando a personagem de AnnaSophia Robb fala sobre a tendência do lugar em transformar os adultos em crianças novamente (“it’s spring breaks for adults”), um questionamento deveras contemporâneo. E bem embasado pelos roteiristas, que demonstram entender bem algumas dessas estruturas emocionais modernas daqueles seres humanos.

A noção de carpintaria dramática dos diretores é notável, também, em outras situações. No primeiro ato, Duncan reclama com alguma constância do lugar, da praia, do calor. Seria válido desenvolver a maturidade do protagonista num local bucólico, como a própria praia, mas Rash e Faxon resolvem com certo brilhantismo a questão: elegem um parque aquático para ambientar as descobertas do menino. Um ambiente bucólico, mas que nunca deixa de ser artificial; a representação perfeita para um início de amadurecimento para Duncan.

Ainda assim, The Way, Way Back não consegue fugir de suas limitações e utiliza das soluções fáceis que costumam habitar os filmes do gênero. O amadurecimento do personagem soa didático à exaustão por vezes (Sam Rockwell não precisava dizer duas vezes o chavão “Ache seu próprio caminho!”), as piadas vez ou outra não funcionam. Ver uma AnnaSophia Robb distante, lendo na praia e conhecendo aquela música diferente, é um clichê indie dos mais manjados; tampouco eficiente é a ideia de mostrar Duncan divagando na praia. Além do que, bom, adolescente andando de bicicleta infantil não é a melhor das gags – tudo embalado por uma trilha correta, mas comum, de Rob Simonsen.



São características que deixam o filme imperfeito. Mas devido à completa honestidade da proposta de Rash e Faxon, The Way, Way Back termina agradável, um bom estudo de personagens e uma narrativa alegre, divertida. Não tem o ambicioso alcance dramático e a construção absurdamente precisa de Mud (um coming-of-age que funciona em diversos níveis), mas é menos pretensioso e mais competente que Os Descendentes. Rash e Faxon não só meramente contam sobre como chegar à vida adulta, mas criam pessoas que vivem e sentem isso de verdade.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Cowboys & Aliens
(Cowboys & Aliens, 2011)
Ação/Thriller/Sci-Fi - 118 min.

Direção: Jon Favreau
Roteiro: Roberto Orci, Alex Kurtzman, Damon Lindelof, Mark Fergus e Hawk Ostby

Com: Daniel Craig, Harrison Ford, Olivia Wilde, Paul Dano, Keith Carradine, Clancy Brown e Sam Rockwell

Jon Favreau conseguiu o que parecia impossível: transformou um filme que envolve cowboys, aliens, James Bond e Indiana Jones em uma produção sem nenhuma personalidade, sem charme, graça, e que não é nem mesmo divertida. Mesmo envolvendo dois gêneros estabelecidos (juntando-os em uma - esperada - terceira realidade, onde ambos consigam conviver em "paz"), o filme jamais decola. Favreau para aumentar ainda mais as expectativas quanto ao filme, ainda conseguiu Daniel Craig (Bond) e Harrison Ford (Indi.. ahh vocês sabem), para co-estrelar a produção. Um prato suculento e cheio até a boca para fãs sedentos da melhor diversão escapista da história da humanidade. Pelo menos, essa era a pretensa intensão do filme.

Cowboys & Aliens conta a história do pistoleiro amnésico Jake (Craig) que desperta no deserto, sozinho, sem nem sequer lembrar de quem é, e com um bracelete/pulseira estranho no braço direito. Vagando, ele chega até a cidade de Redemption, uma dessas minúsculas cidadezinhas americanas de Velho Oeste, que cansamos de ver nos filmes e games. Lá é ajudado pelo pastor Meacham (Clancy Brown) e descobre que tudo gira em torno da mão de ferro de Dollarhyde (Ford), o fazendeiro que dita às regras da cidade. Nesse ambiente inóspito, o filme apresenta seus coadjuvantes como o dono do bar Doc (Sam Rockwell), a bela e misteriosa Ella (Olivia Wilde), o xerife Taggart (Keith Carradine) e o mimado e apalermado filho de Dollarhyde, Percy (Dano) que é confrontado por Jake e acaba sendo preso.


Quando - de forma bisonha - o xerife descobre que Jake é um homem procurado, também o prende e enquanto Dolarhyde pai parte em busca da libertação do filho, e Jake tenta entender quem é, uma misteriosa luz surge na cidade que é sumariamente atacada por naves espaciais. O que poderia ser o sonho de qualquer moleque de 14 anos de idade, se mostra uma coleção sem coesão de clichês, com vilões fracos que não convencem por sua motivação e um desperdício absurdo de grandes atores.

Comecemos por esse último item. Cowboys reúne Craig, Ford, Rockwell, Dano, Brown, Carradine e a inexpressiva Olivia Wilde, um elenco repleto de nomes fortes para subutilizar boa parte dele. Rockwell passa o filme inteiro reclamando da vida, de seus medos e tenta ser o alívio cômico fracassado do filme. Dano, Brown e Carradine estão no filme, imagino, por serem caras "conhecidas" do publico, já que não podem fazer quase nada com seus personagens unidimensionais e vagos. Dano, como o garoto arrogante de voz afetada, chega a irritar, enquanto Brown serve como o pretenso guia moral da redenção de Jake e Carradine mais como motivador da busca do garoto Emmett (Noah Ringer, o péssimo Aang de Último Mestre do Ar).


E Wilde? Incrível constatar como as pessoas continuam entregando personagens importantes para essa atriz que demonstra, ser dotada de um número cada vez mais limitado de expressões e que tem um carisma menor do que o de uma formiga agonizante. Completamente fora de sintonia como a misteriosa mulher que diz conhecer os segredos sobre Jake e sobre os invasores alienígenas.

Craig estrela o filme tentando parecer uma mistura de Clint Eastwood e Charles Bronson, mas fica muito longe de qualquer um deles. Craig é um ator lacônico, que interpreta com a presença e o olhar, portanto seria fácil afirmar que Jake é um personagem feito na medida para o ator. De fato é, mas ao mesmo tempo, é alguém com quem o espectador tem dificuldade de se identificar, já que o personagem parece ser um tipo desprezível e por mais que Favreau e seu time de roteiristas (que inclui gente boa como Damon Lindelof da série LOST, Roberto Orci e Alex Kurtzman de Star Trek e Mark Fergus e Hawk Otsby de Filhos da Esperança) tentem amenizar a condição do personagem, Craig é um protagonista muito duro para que consigamos crer em qualquer tipo de suavidade em sua personagem.


Diferente de Ford, que muita gente crê interpretar a si mesmo em uma série de variações, que consegue sempre humanizar seus personagens, por mais vazios e rasos que os mesmos pareçam. Cheio de cacoetes típicos de todas as suas outras interpretações, Ford se não é brilhante, pelo menos dá dignidade ao seu personagem. Uma pena que quando atuam juntos, Craig e Ford - outra falha de Favreau - não consigam entregar sequer uma cena memorável. O mesmo vale para a falta de química entre Dano e Ford nas pouquíssimas cenas em que atuam juntos, como pai e filho.

Tecnicamente, Favreau comete mais um erro crasso em seu filme. Convidou o premiado e talentoso Matthew Libatique (conhecido da filmografia de Darren Aronofsky) para ser seu fotografo, que parece estar, como o diretor, perdido entre fazer um filme moderno e um western tradicional. Essa mistura estranha de estilos pode ser percebida pelas escolhas incomuns na forma de fotografar uma batalha a cavalo. Aqui, se foge dos grandes planos abertos, dos confrontos que são emoldurados pelo cenário, e prefere-se dar espaço ao combate direto, utilizando-se até de câmera de mão. E quando Craig surge em tela, trôpego e fugindo do covil alienígena, Favreau amarra ao ator uma steadycam nos moldes do que Danny Boyle adora fazer em seus filmes. Ao mesmo tempo, o filme é exageradamente escuro prejudicando a compreensão de algumas cenas importantes no filme.


Apesar de seguir uma típica estrutura dos westerns após o surgimento da ameaça alienígena (e aqui quem já viu qualquer western vai entender o que digo), o filme não segue exatamente esse rumo. Diferente do que acontece quando acompanhamos um grupo de pistoleiros no encalço de bandidos (um exemplo claro disso é o excelente Bravura Indômita, o remake, dos irmãos Coen), quando temos tempo para conhecer aqueles personagens, motivações, dramas pessoais e medos, Cowboys & Aliens, por precisar explicar a presença alienígena na Terra, opta por inserir a dissonante personagem de Olivia Wilde, quem vem se revelar como mais importante do que aparentava e é responsável por explicar os motivos absurdos e ridículos da presença alien na terra. Talvez se optasse por não explicar diretamente a presença dos seres no planeta, mas apenas conduzir essa aventura onde o papel dos vilões (quase sempre destinados aos índios) seria vivido pelos ETs, o filme se saísse muito melhor.

E quando tenta mostrar a ação, Favreau acaba com ela - em especial no clímax - quando monta seu filme de modo a apresentar todos os elementos do filme de uma vez, entrecortando e prejudicando seqüências de ação que poderiam tornar-se épicas e impactantes. Mesmo quando tenta criar tensão com o surgimento aqui e ali de alienígenas, não consegue fazer o espectador sequer piscar de medo.


Cowboys & Aliens começou a ser vendido com a salada mais gostosa do cinema. Misturaria dois gêneros consagrados e que jamais haviam de forma direta coabitado o mesmo filme. Infelizmente, Favreau se empolgou com seu brinquedo, esqueceu de fazer um faroeste interessante e de apresentar um sci-fi descente. A salada de Favreau não tem sal, azeite e vinagre, e no meio de tantos vegetais, alguns de gosto bastante duvidoso.



segunda-feira, 3 de maio de 2010

Homem de Ferro 2
(Iron Man 2, 2010)
Ação/Aventura - 124 min.

Direção: Jon Favreau
Roteiro: Justin Theroux

Com: Robert Downey Jr., Don Cheadle, Scarlett Johansson, Gwyneth Paltrow, Sam Rockwell, Mickey Rourke, Samuel L. Jackson

Em 2008, A Marvel Studios surgiu , lançando nos cinemas seu primeiro longa metragem : Homem de Ferro. Tratando-se de um herói Marvel difícil de lidar – afinal Tony Stark não era o perfil esquematizado de super herói – a recém criada produtora surpreendeu muitos com a qualidade elevadíssima do longa que preparou . Tudo deu certo no primeiro filme : os efeitos de primeira linha, um elenco muito bem preparado (Robert Downey Jr é mais Tony Stark do que qualquer um poderia esperar) um diretor com categoria e, principalmente, um roteiro bem feito, que dava uma base sensacional para uma história de origem fidelíssima aos quadrinhos criados por Stan Lee, dosando ação e desenvolvimento de personagens. Devido ao seu sucesso, uma seqüência era inevitável, e necessária , para os planos de união de universos de personagens do estúdio.


Em 2010, Homem de Ferro 2 é lançado, custando 200 milhões de dólares, feito em um período de tempo curto, e gerando muita expectativa. Diante de todos os problemas citados anteriormente, a equipe já sabia por onde trilhar o caminho das pedras- os atores, a trilha, a direção, o tom que dar ao filme – mas o perigo morava no roteiro, a sempre perigosa trama de continuação. Se fosse para um lado de Michael Bay e Cia – aumentar as explosões e piadas e diminuir a história – o filme poderia ser um fracasso. Sendo ele um blockbuster então, a apreensão aumentava. Seria Homem de Ferro 2 um “mais do mesmo” metido a engraçadinho? Não. Definitivamente.


Se o primeiro filme é uma história de origem bem contada, a seqüência é um outro viés do personagem que o introduz num universo maior, tanto dos personagens a sua volta e do seu próprio “mundo” – seus próprios vilões e aliados - quanto do mundo da Marvel em si . A trama começa 6 meses depois da declaração de Tony Stark dizendo que era o Homem de Ferro, com ele à frente de um tribunal que o pressiona para tornar a tecnologia de sua armadura propriedade do governo. A sua grande exposição na mídia mundial recente fez o russo Ivan Vanko (Mickey Rourke), antigo rival da família Stark , sedento de vingança , começar a preparar suas armas para realizá-la . Ao saber da existência de Ivan, o líder das Indústrias Hammer ( Sam Rockwell), concorrente das Indústrias Stark, decide aliar-se a ele, com interesses de dominar e superar a tecnologia do Homem de Ferro original, com a ajuda do russo. Stark precisa superar suas ameaças externas, mas também uma ameaça interna, já que a tecnologia que o mantém vivo começa a intoxicá-lo, a um ponto que pode ser fatal.

O grande prodígio do roteiro muito bem criado por Justin Theroux é se basear nos acertos do filme anterior. Não há uma mudança de clima de um filme para o outro, e não há banalidades. O texto não visa criar ação e pancadaria com uma trama sem identidade, como a de um Transformers 2 .Desde o princípio, o filme segue a mesma linha que até mesmo Christopher Nolan criou em seu último Batman. Depois de uma história de introdução, de origem, o segundo filme serve para demonstrar a evolução do herói, e seguir uma trama própria com seu protagonista já firmado no seu álter-ego. Partindo desse ponto, o filme toma uma constância incrível, sem pontos baixos, durante toda a exibição. Não há partes "inúteis", e toda a luta presente tem um porquê, e não há exageros. Tratando assim suas cenas de ação muito bem filmadas, o filme se torna único, com momentos únicos, tirando qualquer possibilidade do estressante “mais do mesmo” que se vê por aí.


Há também uma melhora inevitável em uma das características do primeiro filme : um ritmo mais acelerado. No primeiro Homem de Ferro, a introdução deixava algumas seqüências mais monótonas, mesmo assim não tirando as qualidades do filme. No 2, o ritmo acelera sem perder os seus significados, sem perder sua essência . O embalo no filme é tamanho, a constância de sua narrativa é tão precisa, sem altos nem baixos, que o final até parece chegar de repente, tamanha a imersão que o filme dispõe aos espectadores. Imersão não criada por efeitos especiais, mas por seu belíssimo desenvolvimento de personagens, situações, e, é claro, ação bem executada.

Mas o filme não seria o mesmo sem – afinal é isso o que, entre outras coisas, mais se esperava do filme- as suas homenagens e referencias aos quadrinhos. A maleta que Tony Stark carregava nos primeiros quadrinhos continha uma armadura dobrável e flexível. Ora, no filme, a própria maleta se desdobra para se transformar na armadura. Hoje em dia, nos quadrinhos mensais, o brilho no meio da armadura é triangular. Pois no filme também se achou um modo de colocar isso, acrescentando por conta uma carga dramática no filme essencial para o personagem, em um momento desacreditado da película. E , é claro, também há uma das particularidades Marvel: a menção aos crossovers. A Shield é um fato relevante na trama. A existência de outros heróis é explícita e as evidências do mesmo, mais ainda. Tudo isso combinado serve para dar o tom do filme dos Vingadores , e essa é uma das funções de Homem de Ferro 2.


Jon Favreau também ajuda muito. Sua direção consegue registrar tudo de maneira eficiente, sem apresentar um estilo próprio, é claro, mas com maneirismos – como a câmera na mão em primeira pessoa , ou os vários zooms a lá J.J. Abrams , já presentes no primeiro filme – que contribuem muito para o estilo e beleza do filme. Somando a isso os efeitos geniais e uma trilha sonora montada que continua com músicas de rock oitentistas – mesmo tendo gasto boa parte delas da primeira vez – e Homem de Ferro 2 não deve nada tecnicamente ao seu predecessor.

É de se notar e portanto, precisa ser dito, que esse é um filme superior ao primeiro , principalmente pelo seu roteiro,que além de ser melhor , cumpre tudo o que promete sem exagerar, construindo seus conceitos de maneira balanceada, e logo, muito interessantes de se ver. Uma continuação que respeite as bases e siga o tom do primeiro filme não é fácil de se encontrar hoje em dia. E se Homem de Ferro é excelente , sua continuação é melhor ainda. Não diria que Homem de Ferro 2 é irretocável, mas que ele chega muito perto desse conceito, com certeza ele chega.

domingo, 11 de abril de 2010

Estão Todos Bem
(Everybody's Fine, 2009)
Drama - 99 min.

Direção: Kirk Jones
Roteiro: Kirk Jones

Com: Robert DeNiro, Kate Beckinsale, Sam Rockwell e Drew Barrymore

Se me perguntassem hoje, aos meus 25 anos completos, o que eu acho que mais amedronta as pessoas num nível pessoal (excetuando-se obviamente aqueles eventos que independem da nossa vontade), minha resposta seria clara e objetiva: decepcionar alguém que amamos. Esse alguém que amamos pode ser qualquer um: sua namorada, namorado, esposo, esposa, pais, cachorro, papagaio entre tantos outros.

Estamos Todos Bem, remake do filme italiano Stanno tutti bene (que não vi, portanto me abstenho de qualquer comparação), trata em sua alma disso. Nossos medos de decepcionarmos quem amamos e como, e por causa disso sofremos calados. Sofrermos, pois, ao não contarmos e dividirmos o fardo que nos pesa nos ombros, impedimos que os que nos amam sejam capazes de nos ajudar. O ser humano tem medo de sofrer. É natural sentir medo, mas é igualmente natural passarmos por situações em que nos vemos forçados e “atravessarmos a rua” e seguirmos por outro caminho. A vida é assim.


Robert De Niro vive Frank Goode, um pai que aparentemente é amoroso, sério e que perdeu a esposa há poucos meses. Como em boa parte das famílias, a figura do pai é sempre vista como provedor e como um chefe a quem devemos “relatórios”, “memorandos” e “e-mails diários” relatando nosso progresso. O personagem de De Niro é um pouco assim. Após a morte da esposa, ele teve de assumir o papel que sua esposa exercia: ligar para os filhos, perguntar se todos estão bem, o que andam fazendo, convidá-los para algum evento e afins.

A matemática da vida não é perfeita, não basta somarmos um mais um para chegarmos a dois. Por mais que se esforçasse e tentasse apoiar os filhos, de alguma maneira ele “forçou a barra”, fazendo com que seus quatro filhos (Rosie, Amy, Robert e David) quase que instintivamente bloqueassem de seu conhecimento os problemas que enfrentavam.
Frank parte então em busca de respostas. Por que eles não vieram? Por que mentem? O que será que realmente estão fazendo? E ... estarão verdadeiramente bem?


A jornada é deliciosamente agridoce. E no menu temos de tudo. A filha bem sucedida financeiramente, mas com a vida pessoal complexa. O filho musico que tem medo de não ter conseguido deixar o pai orgulhoso, a filha que esbanja felicidade, apenas como uma casca fina de problemas mais sérios e o filho ausente. Ausente física, porém o mais presente emocionalmente (notem a cena quase no fim da projeção que envolve a galeria de arte e um quadro encontrado por lá e vão entender o que falo).

No fundo, os quatro queriam apenas que o pai se sentisse orgulhoso. Que no fim, os visse como heróis olímpicos recebendo as medalhas e os louros da glória. Porém, parafraseando a mim mesmo, a matemática da vida não funciona assim.

As agruras do dia a dia, que todos passamos, impedem que estejamos sempre bem. Elas castram nossa felicidade e cabe a nós encontrarmos um meio para que mesmo diante de problemas consigamos nos manter de pé. Os personagens conseguem como boa parte de nós, mas daí a abrir o jogo e contar tudo a seu pai... é outro departamento, como diria minha tia.


Ao sairmos do convívio diário com eles, fica mais difícil (e não me perguntem por que) nos sentirmos aptos a nos abrir. Se aos oito você (geralmente) conta tudo, aos 15 conta o que interessa, aos 20 quase não abre a boca e aos 25 (olha eu ai de novo) quer apenas que “tudo pareça bem”. No fundo você não quer decepcionar ninguém.

Todo esse papo que beira o livro de auto-ajuda, é tão bem contado pelo diretor e roteirista Kirk Jones que fica difícil enxergar problemas no filme.

É claro, que muitos podem reclamar de algumas coisas, que eu mesmo também senti falta. Por exemplo, o filme é curto e as soluções acontecem apressadamente. Por esse motivo perdemos a chance de vermos três grandes encontros na tela por mais tempo. Sam Rockwell como o músico Robert , é sereno com sua condição. Está feliz consigo, mas não consegue, mesmo sentindo-se assim, enxergar-se apto a ter o direito de ter um pai orgulhoso de seu trabalho. Uma atuação contida de Rockwell, que vem do excelente Moon, e mostra-se cada vez mais interessante como ator. Kate Beckinsale como a filha “perfeita” Amy, sócia de uma agência de publicidade e com uma casa fenomenal é o elo mais frágil e mais complexo da história. Sem soltar spoilers, digamos que ela funcione para a trama como a condutora, embora sua própria vida devesse ser conduzida de forma menos confusa. E Drew Barrymore, cada vez melhor, é a filha “glamour” Rosie. Vivendo em Vegas, dançando num show e morando num belo apê, aparentemente é feliz, porém algumas dicas são dadas, e sua expressão ao deixar o pai no aeroporto (atentem a cena e percebam a interpretação sutil de Barrymore) entrega sua condição. E por fim David. Quase um McGuffin do filme, pois boa parte do plot gira em torno dele. Ele é a presença oculta. Sempre presente, de forma implícita.


E finalmente, DeNiro, com sua melhor interpretação em um bom tempo. Parece que Bob DeNiro entendeu sua idade e vive Frank, com uma naturalidade comum aos grandes atores e aos grandes homens, que ao perceberem sua condição, adéquam-se ao meio. A cena do hospital é forte e muito bem conduzida.

O condutor é Jones, que faz um trabalho competente. Volto a dizer que não vi o original de Tornatore, mas esse aqui funciona muito bem. Muito feliz ao retratar por diversas vezes os filhos de Frank, como crianças e muito mais feliz ainda ao retratar um almoço em família com crianças (com diálogos que fariam a juíza carioca que quer “acabar” com a novela das oito enviar dezoito cartas ao estúdio responsável pela fita). Quem é pai (ainda não sou) tem o costume de referir-se aos filhos como “crianças”, e o diretor leva isso ao pé da letra, ao apresentar cada um dos filhos do personagem de DeNiro primeiramente como crianças, para apenas depois retratá-los em suas idades reais.


Outro trunfo são os diálogos interessantes e bem construídos que fogem da possível pieguice do tema e da história (que não passa do velho drama de família). A trilha sonora de Dario Marianelli e as belas canções (uma delas de Paul McCartney) são perfeitas ao que se propõem. Funciona quase como uma sucessão de operetas e retratam de maneira poética os sentimentos que os personagens enfrentam. Eu gostei, outros podem dizer que ele deixou tudo mastigado.

Entre erros (poucos) e acertos (a maioria) Estão Todos Bem, é sim um filme a ser visto com mais atenção. Em especial se você já passou dos 20 e poucos e “sofre” com ligações de pais, mães e outros parentes. É quase certo que vá se identificar e entender as opções de vários personagens e que (ai sim sem duvida nenhuma) vai se comover com o trabalho de DeNiro nesse que seu melhor papel em alguns anos.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Moon
(Moon, 2009)
97 min. - Drama/Ficção Científica

Direção: Duncan Jones
Roteiro: Nathan Parker

Com: Sam Rockwell e voz de Kevin Spacey

Há tempos circulava na internet o plot e uma ficha cinematográfica de Moon, curioso filme com Sam Rockwell, um cartaz fantástico (um dos melhores do ano) e um orçamento, de certa forma, ridículo: 5 milhões de dólares. Moon então foi falado em alguns festivais e estreou nos Estados Unidos e foi recebido com frieza pelo público. Ganhou apenas 4 milhões e meio, não podendo nem pagar marketing. Mas, após ver Moon, é um fato mais que compreensível essa bilheteria baixa. O primeiro filme do talentoso Duncan Jones, filho de David Bowie, é fantasticamente... cult. É o novo 2001 em quesitos de direção de arte e narrativa. Lenta, contemplativa, poderosa e sem entregar muitas surpresas, a narrativa de Moon é de fácil compreensão, porém difícil para o público se entregar a ela e ver o filme. O marketing ridículo que a Sony deu ao filme também é notável.

Aqui no Brasil, estreará direto em DVD e o pior: o teor do filme impossibilita MUITAS locadoras de não o comprar, deixando ele disponível apenas lá no exterior e aqui, para download. Além do que, Moon sofre do mesmo mal de Fonte da Vida: ele é mal vendido. Tão mal vendido que acredito que algumas pessoas foram ao cinema esperando um Star Trek. Mas, nada disso impossibilitou Duncan Jones e Sam Rockwell de fazerem um dos mais bonitos trabalhos dos últimos anos e, porque não, a sci-fi mais inovadora em 40 anos?



A trama, de uma simplicidade tocante e uma temática atual e verossímel, conta a história de Sam Bell (Sam Rockwell), um operário que trabalha na Lua, numa espécie de Estação Espacial. Ele colhe Helium-3 para sua empresa, a Lunar Industries, uma gigante da energia que, com essa energia da Lua, abastece 70% do Planeta. Mas, lá na Estação, Sam não vê a hora de voltar pra casa. Seu contrato de 3 anos com a empresa está acabando e ele está perto de seu sonho. Mas, coisas estranhas começam a acontecer e GERTY (a voz icônica de Kevin Spacey), seu amigo robô, o tranca dentro da Estação para segurança. Mas, depois de um pequeno plano, Sam consegue burlar a segurança de GERTY e faz uma descoberta. No mínimo, intrigante. E isso o deixa cada vez mais paranóico e doente. O desenvolvimento dessa trama é interessante porque introduz um suspense psicológico, sem se esquecer do sci-fi competente. E aqui cabe uma dica: Não espere reviravoltas, não espere um filme comum de suspense e não espere, DE JEITO NENHUM, um filme com ação.

Nos quesitos técnicos, Moon surpreende demais. Um filme que recebe o orçamento de 5 milhões é um drama ou um filme independente underground sobre algum tema forte. Mas, Duncan Jones é mais que isso, ele é corajoso. Com poucos recursos, ele faz uma direção impressionante, lembrando Stanley Kubrick. Takes parados, contemplativos, que exploram o ambiente sem esquecer dos atores. Se o mundo do cinema fosse justo, Duncan merecia figurar, pelo menos, nos 10 nomes a serem lembrados pro Oscar. Talvez não indicado, mas pelo menos lembrado. É um diretor a ser acompanhado daqui pra frente, sem dúvida. A edição de Nicholas Gaster é simplista, o ponto fraco do filme. Ela se baseia na mania dos anos 70: o fade in e o fade out. É apenas na média, mas não atrapalha a mensagem do filme.


A fotografia de Garry Shaw é inspirada, valorizando os tons brancos do ambiente e a superfície lunar, feita a base de maquetes. Mas, dois fatores do filme merecem ser destacados o máximo possível. O primeiro é a direção de arte de Hideki Arichi e Josh Fifarek, que é sensacional. Os cenários criados pela dupla são curiosos, críveis e fabulosos. A predominante cor branca da estação, os aparatos eletrônicos e as roupas de Sam impressionam pela beleza. GERTY também é uma criação competente dos artistas, sendo verossímel e interessante. O segundo ponto é a trilha sonora, do genial Clint Mansell. Mas uma vez ele cria um trabalho memorável, um dos 20 de sua lista. Bem trabalhada e com seu ritmo neo-clássico, a trilha de Mansell é fantástica pro filme e fantástica sem ele, aquela típica trilha que você compra o CD.

As atuações de Moon são notoriamente curiosas. Sam Rockwell é praticamente o único ator do filme e é o único com relativa importância. Claro que tem GERTY também, mas o adorável robô não vale. O resto dos atores só aparecem por pequenas telas, vistas da estação Sarang, a na Lua.


Voltando a Rockwell, o ator britânico arrebenta. Seu jeito esquisito, como se não estivesse nem aí pra nada, é explorado na primeira metade do filme. Quando virem Moon vocês entenderão porque.Na segunda parte do filme, ele embarca numa atuação espetacular, de uma forma meio bruta até, transformando-se num cara mais violento, enérgico. A atitude calma muda. Já Kevin Spacey faz seu trabalho de forma breve. Sua voz em GERTY é intrigante, dando uma áurea confortadora e misteriosa sobre a máquina.

O rorteiro de Moon é impressionante. O trabalho de Nathaniel Parker sobre a ideia de Duncan Jones é tocante. Um debate psicológico que usa um contexto muito atual pra ilustrar o mundo perfeito que o ser humano criou com a tal tecnologia. Um grande reflexo disso são os dois primeiros minutos do filme, de tirar o fôlego. Existe até a possibilidade do espectador gostar menos do filme comparando-o aos primeiros minutos. Um rápido e brilhante modo de explicar o mundo. Outra sacada de roteiro boa é não dizer em que época estamos. Com isso, a liberdade de efeitos é maior, podendo criar coisas mais inverossímeis com explicações críveis. Curiosamente, pela falta de verba ou por ser desnecessário, o filme não se excede e é peça de convencimento como poucas, mostrando uma Lua verdadeira e aparelhos que não são difíceis de acreditar.


Já nos diálogos, travados por Sam Rockwell e GERTY, há uma precisão interessante. O tom de humanidade que o roteiro impõe a GERTY é inovador e bem executado. A própria criação do personagem é uma mais-valia para o filme. E, se todos podem ter uma certa desconfiança sobre GERTY ser igual a HAL 9000, de 2001, ela é coerente porém inválida. GERTY tem muito mais emoções e é ligado emocionalmente com Sam, o que mostra uma bonita relação de amizade. Por criar criativos personagens e excelentes situações, o roteiro de Moon é um grande destaque.

Já que o orçamento de Moon é baixo, se esperaria um filme bem feio, mal-feito. Mas, incrivelmente não é. A já citada direção de arte se soma a uma criatividade enorme. Se dentro de Sarang o visual é lindo, fora dela não está devendo nada. Apesar de ser claramente uma maquete, o solo lunar é muito rico em detalhes e é decente, bem-produzido. E, além disso, existem efeitos especiais no filme. Alguns são de uma riqueza impressionante (como a Terra vista no espaço ou a escavadeira na Lua), mas outros são fracos, meio toscos até (como a nave saindo da estação), o que lembram o quanto o filme é barato. Mas é incrível o que se pode fazer com tão poucos recursos.


Estranho, filosófico, pesado e bem científico, Moon é uma sci-fi como poucas. Não tem o entretenimento e diversão de Star Trek, não tem os magníficos efeitos de Avatar, mas tem a simplicidade de roteiro de um 2001 ou Solaris. Isso deve conquistar a todos que esperam um filme científico bem politizado e diferenciado. Uma grande prova de sua didática em relação ao mundo é o já citado primeiro minuto, o que certamente fará o espectador ficar até o final no filme. Um filme difícil, que merece mais ser visto que muito blockbuster por aí. Um trunfo de Duncan Jones. Que seu próximo projeto lance logo e nos cinemas.

 (Obs: Não vamos colocar o trailer desse filme, pois ele entrega uma parte importante da trama).
 

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Frost/Nixon
(Frost/Nixon - 2008)
122 min. - Drama


Direção: Ron Howard
Roteiro: Peter Morgan


Com: Frank Langella, Michael Sheen, Sam Rockwell, Kevin Bacon, Matthew Macfadyan, Oliver Platt e Rebecca Hall

Frank Langella e Michael Sheen em surpreendente duelo político.


Ron Howard sempre foi um diretor requisitado e, por vezes, versátil. Mas também sempre trabalhou com extremos, com sua versatilidade ser sinônimo de dúvida.


Explico. Quando se limita as fórmulas de Oscar, Howard não faz feio. Com Apollo 13, Cinderella Man e A Beautiful Mind, ele acumulou carecas dourados. Mas quando decide dirigir algo diferente, como ação, saem películas fracas com O Código da Vinci e Anjos e Demônios.


Pra um diretor que só é competente quando segue a fórmula, Frost/Nixon veio como uma prova de fogo.


Na trama costurada com esmero pelo dramaturgo Peter Morgan(A Rainha, O Último Rei da Escócia), são narrados os preparativos e fatos principais da famosa e requisitada entrevista do apresentador David Frost e o ex-presidente americando Richard Nixon. Durante toda a entrevista, um verdadeiro duelo de personalidades é travado. O conservador Nixon é o total oposto do liberal e astuto Frost.


Para esse teste, principalmente sobre sua competência, Howard contou com uma talentosa equipe. A trilha sonora de Hans Zimmer é soberba como sempre, provando que ele é um dos compositores mais talentosos da história. A fotografia de Sal Totino é bem curiosa: ela representa o subúrbio americano, local da entrevista, como ele mesmo, sem maquiagens. A edição de Mike Hill é precisa e consegue impor um grande ritmo á trama.


Quanto aos atores, Howard também escolheu um casting matador. Nos coadjuvantes, ele conta com brilhantes atores como o contido Kevin Bacon, o estranho e maravilhoso Toby Jones e o versátil e sínico Sam Rockwell. Sem falar em Oliver Platt, que faz uma boa participação. Mas, num filme como esse, tudo é levado pelos protagonistas. E é aí que Frost/Nixon cresce mais ainda. Michael Sheen é talentoso e está em sua melhor forma aqui. Seu Frost é inseguro, inocente e, por vezes, confuso. Ele transmite muito bem qual é a parte dele na entrevista. Já Frank Langella está impecável. Um Nixon perfeito, com os trejeitos do verdadeiro ex-presidente. Langella faz tudo parecer fácil e atua como há muito tempo não via alguém assim. Sua competência é enorme. Justíssima indicação ao Oscar.


Com uma equipe sem falhas, Howard tinha de fazer a parte dele. E é por sua bela direção que Howard não é mais um alvo de piadas para mim. Ele demonstra seriedade, competência e consegue o equilíbrio entre aquele feijão-com-arroz do Oscar e aquela versatilidade de Anjos. Como poucas, sua direção é calma e lembra muito a de Darren Aronofsky em O Lutador, com takes por trás do personagem.


O roteiro de Peter Morgan também é ótimo e faz com que o filme tem o melhor ritmo que possa ser imposto por um filme lento como esse. A metralhadora de diálogos entre Frost e Nixon são ácidas e arrebatadoras. Por muitas vezes, sua entrevista mais parece uma luta e o subúrbio, um ringue. Tudo muito bem costurado pelas boas situações criadas por Morgan, como as pausas de entrevistas.


Por tudo ser feito com tanta seriedade e com tanto esmero, recomendo muito Frost/Nixon para aqueles que sejam cinéfilos. O público geral, como sempre, deverá detestar o ritmo lento do filme. Mas vale a pena. Ron Howard finalmente passou em seu teste, demonstrou ser algo além do normal. Ganhou indicações e prêmios, mas ganhou mais que isso: O respeito da crítica.


TRAILER:



(Nota do Editor: Para aqueles interessados na verdade por trás do filme segue abaixo o trailer de um documentário que mostra a verdadeira entrevista de Richard Nixon a David Frost)