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domingo, 13 de outubro de 2013

É o Fim

É o Fim
(This is the End, 2013)
Comédia - 107 min.

Direção: Seth Rogen, Evan Goldberg
Roteiro: Seth Rogen e Evan Goldberg

com: Seth Rogen, Jay Baruchel, James Franco, Jonah Hill, Craig Robinson, Danny McBride, Emma Watson, Michael Cera

Pegue um grupo de atores famoso por comédias despudoradas e cheias de palavrões, referências sexuais e consumo de drogas (lícitas ou ilícitas), junte um monte de piadas internas, referências ao cinema catástrofe e de horror e você tem a receita utilizada por Evan Goldberg e Seth Rogen para criar essa bobagem razoavelmente divertida chamada É o Fim.

Interpretando "eles mesmos", o elenco tem o próprio Rogen ao lado de Jay Baruchel, James Franco, Jonah Hill, Danny McBride, Craig Robinson além de participações de Emma Watson, Michael Cera, Jason Segel, Christopher Mintz-Plasse, Rihanna entre outros. A trama por sua vez é simplória e direta: Jay Baruchel chega a Los Angeles para passar uns dias com seu amigo Seth Rogen, numa overdose de games e maconha. Só que Seth foi convidado para a festa de inauguração da nova casa de James Franco e decide ir até lá. Uma vez lá, encontram todos os outros citados e a diversão, piadas internas e bobagens mil rolam soltas até... o mundo começar a acabar.

A partir dai o filme toma o rumo da comédia de humor negro que beira o trash. Uma quantidade generosa de ofensas, palavrões, tiradas ácidas e satíricas fazem parte do menu que infelizmente não acerta sempre. Entre um futebol com uma cabeça decepada e uma Emma Watson e um Michael Cera como você nunca viu, existem diversos exageros como os cometidos por Danny McBride cada vez mais sem graça toda vez que está em quadro ou por Seth Rogen que mesmo sendo generoso ao fazer piada dele mesmo não consegue segurar a barra de dirigir e manter a piada divertida por tempo suficiente.



Lá pela metade do filme as piadas começam a se repetir e só melhoram com uma impagável "homenagem" a um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, que geram gargalhadas generosas e uma versão "suecada" de uma eventual sequência de Pinneaple Express, um dos trabalhos mais divertidos que essa turma participou.

Existe algo de muito saudável em não se levar a sério e só pelo fato desses atores se prestarem a usarem seus nomes e "teoricamente" suas próprias personalidades para dar vida aos personagens já é algo de se respeitar. Exagerar elementos que o próprio público questiona como a sexualidade de James Franco ou o fato de Seth Rogen "interpretar sempre o mesmo papel", ou brincar com a indicação de Jonah Hill ao Oscar ou ao retumbante fracasso de "Your Highness" (comédia das piores com Franco e McBride) dão mais força ao filme e divertem o público. Especialmente quando essas personas não são exemplos de muita coisa. Se Craig Robinson bebe sua própria urina e Danny McBride tem problemas em "controlar seu desejo", James Franco parece apaixonado por Seth Rogen que por sua vez tem um trauma sexual bastante bizarro. Jay Baruchel talvez seja o único "menos estragado" da brincadeira embora sua personagem tenha um segredo referente a seu grande amigo Seth. E Jonah Hill impagável e cheio de cacoetes afetados é o que melhor se sai, ao lado das já citadas aparições de Michael Cera e Emma Watson.

Tudo em É o Fim é propositalmente "mal feito", incluindo ai oi uso de computação gráfica, a canastrice de muitos atores do filme e as dezenas de momentos simplesmente idiotas. Mas essa era a intenção dos caras. Pegaram uma câmera, tiveram essa ideia absurda e juntaram um monte de amigos para se filmar e fazer piada em frente da câmera. Nada mais do que isso. No meio dessa bagunça existe um filme, mas que por vezes simplesmente não tem graça.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Entre o Amor e a Paixão


Entre o Amor e a Paixão
(Take this Waltz, 2011)
Romance/Drama - 116 min.

Direção: Sarah Polley
Roteiro: Sarah Polley

com: Michelle Williams, Seth Rogen, Luke Kirby, Sarah Silverman

Este é o terceiro filme dirigido pela atriz Sarah Polley, reconhecida do grande público por seus papéis completamente diferentes em Minha Vida sem Mim e no remake de Madrugada dos Mortos. Como diretora Polley abraça sem pudor os estereótipos do cinema indie americano, realizando obras dramáticas e tocantes.

Entre o Amor e a Paixão (uma boa tradução do sentido da obra, diga-se de passagem) é um exemplar de filme romântico "sério", daqueles que tenta transmitir em uma historia fictícia, as muitas nuances e dificuldades de se manter um relacionamento a dois, passando pelos diferentes estágios do mesmo.

Michelle Williams é a complexa Margot, uma mulher bela e profundamente introvertida que vive um relacionamento que funciona na base de brincadeiras quase infantis com o aspirante a escritor (de livros de receitas) Lou, vivido por Seth Rogen. Apesar de uma existência quase idílica e recheada de momentos onde os personagens nada fazem além de comer (frango) e dormir, aparentemente o relacionamento funciona. A coisa começa a complicar quando Margot conhece o sedutor Daniel (Luke Kirby), outro sujeito que trabalha de forma recreativa, numa existência igualmente frugal. Sentindo-se atraída pelo novo, enquanto ainda ama o velho, a personagem de Michelle Williams passa boa parte da projeção indecisa sobre seus sentimentos e sobre o caminho a seguir.


Esse é mais um desempenho interessante de Michelle Williams que consegue trazer humanidade e sensibilidade a uma personagem difícil de gostar. Eterna insatisfeita com sua própria existência, e vivendo ao lado de um homem que a ama verdadeiramente, é muito fácil detestá-la, ou julgar cada passo que ela dá rumo à destruição de uma relação estável. Mas, por outro lado, manter-se infeliz em um relacionamento simplesmente pela comodidade é algo igualmente idiota. E é por essa ideia que a interpretação contida e introspectiva de Williams, apostando demais na linguagem corporal funciona bem. Notem como a cada vez que a personagem tem alguma dúvida sobre seus sentimentos ela chega perto de seu marido e tenta acarinhá-lo, beijá-lo, abraça-lo, como se estivesse tentando encontrar a paixão nesses gestos.

Seth Rogen por sua vez encontra-se em um papel bastante diferente do que o público está acostumado a vê-lo. Bastante sereno e usando seu ótimo timing cômico para enriquecer o filme em vez de deixá-lo cair na piada pronta, é especialmente sensível nos momentos derradeiros da trama, conseguindo (auxiliado por uma boa montagem) passar por diferentes estágios da confrontação. Negação, desespero, ódio, humor, chantagem emocional, Rogen transita por esses e outros momento comuns em relacionamentos.

Porém, Sarah Polley parece não conseguir simplesmente contentar-se em apresentar uma historia de amor, praticamente sabotando toda a jornada física e emocional de sua personagem, nos dizendo que de fato, ela não acredita em nada daquilo, fazendo com que nossa compaixão pela personagem de Michelle Williams praticamente seja sepultado.


Take this Waltz não chega a ser um fiasco, mas é uma historia de amor envergonhada demais para assumir-se assim, e leve demais para ser encarado sobre um drama sobre relacionamentos.


terça-feira, 20 de março de 2012

Paul - O Alien Fugitivo

Paul  - O Alien Fugitivo
(Paul, 2011)
Comédia - 104 min.

Direção: Gregg Motolla
Roteiro: Nick Frost e Simon Pegg

Com: Simon Pegg, Nick Frost, Jason Bateman, Jeffrey Tambor, Jane Lynch, Bill Hader e a voz de Seth Rogen



Simon Pegg e Nick Frost exemplos vivos de que uma boa dupla não precisa ser bonita ou cantar música sertaneja. Simon é ruivo, branquelo, magricela e parece estar sempre irritado em seus filmes. Nick é gordo, tem cabelo escorrido, uma pinta de quem não conseguiria correr 100 metros nem que isso fosse salvar sua vida e está sempre na estratosfera em seus filmes.


E mesmo assim, Todo Mundo Quase Morto e Chumbo Grosso são duas das mais geniais comédias do século XXI. O segredo? Edgar Wright. Sim, o mesmo que dirigiu o atualíssimo e brilhante Scott Pilgrim contra o Mundo e que foi o diretor das duas pérolas citadas.


Paul, a comédia nerd sobre alienígenas é a primeira história de Pegg & Frost que não conta com roteiro e direção de Wright. O texto ficou a cargo da própria dupla e a direção do americano Greg Motolla (Adventureland e Superbad). Parecia uma combinação interessante. Comediantes britânicos sob a batuta de um diretor com experiência em comédias adolescentes descoladas, com uma tonelada e meia de referências a cultura pop e nerd e uma trama non-sense que poderia ser satírica e original, dentro do que se propunha.



Edgar Wright fez falta por aqui. Mesmo com Pegg & Frost afinados, o filme sofre de coesão e de uma série de pequenos problemas que o deixam sem ritmo e atrapalhado. Falta uma história no meio de tanta piada. O plot conta a história de dois amigos nerds ingleses que viajam aos Estados Unidos para visitarem a Comic-Con (para quem não conhece a maior feira de cultura pop/nerd do planeta) e seguirem viagem rumo aos principais pontos de avistamentos de OVNIS do país. Pegg é o ilustrador Graeme Willy, parceiro de longa data do escritor de ficção científica Clive Gollins (Nick Frost), dois nerds abobalhados mas inocentes, que durante sua viagem acabam encontrando um alienígena ranzinza, desbocado e metido a engraçadinho chamado Paul (dublado pelo chato Seth Rogen). A história confusa demais para uma brincadeira satírica ainda envolve uma conspiração governamental, fanáticos religiosos e até mesmo caipiras nervosos. Uma salada indigesta que não aconteceria com um diretor de mão mais leve e menos dependente do roteiro, que parece perdidinho.


Existem personagens demais em Paul. Além da dupla de nerds e do alienígena, encontram um escritor celebridade, dois agentes do governo que lembram Debi & Lóide, outro que parece ter saído da figuração de Homens de Preto, uma misteriosa voz que comanda com pulso firme os agentes, uma garçonete excêntrica, uma garota caolha (sim, caolha) e seu pai fanático, além de uma velhinha perturbada.


Tudo isso em menos de duas horas de filme, sendo que a imensa maioria desses personagens, surge após há meia hora inicial. A falta de uma história (basicamente o alienígena está em fuga e quer voltar ao planeta, mas não se sabe, e mal se explica o que o fez chegar aqui, por exemplo) faz de Paul um road movie bizarro, um cruzamento entre Fanboys (cult nerd) e as comédias bobocas de Adam Sandler ou do humor sem graça dos irmãos Farrelly.



Para piorar a situação esses coadjuvantes atuam no automático e a exceção de Jason Bateman (que interpreta o figurante de Homens de Preto), parecem artificiais em todos os momentos. Apesar da crítica interessante e de boas piadas aqui e ali (as com referência ao fanatismo religioso são boas) não existe uma "cola" que una tanta história paralela, que segue como uma longa procissão rumo a um clímax over e óbvio.


Paul, o personagem, é um produto da tecnologia moderna. Infelizmente o trabalho com o personagem é apenas mediano, uma tentativa de "segunda divisão" de criar um Gollum camarada. Notem como o diretor não ousou muito com planos mais abertos, tentando deixar o filme mais claustrofóbico, o que é incomum em road movies. Aposto como essa decisão surgiu depois - ou mesmo durante o processo - da criação do personagem virtual. Notaram que o personagem não era convincente e que talvez sob o efeito das luzes (naturais e artificiais) a sensação de "coisa virtual" seria ainda maior. Optaram por diminuir o espaço para o personagem se movimentar, arriscando muito pouco nesse quesito, mantendo a câmera sempre próxima ao alienígena. Nas poucas cenas de maior escopo, fica claro que aquele personagem é um estranho ao ambiente em que as cenas foram filmadas. Para ajudar, a dublagem de Seth Rogen - como quase tudo que o ator se envolve - é fraca. Praticamente - e certamente de forma proposital - não atuando, Paul é a versão cinzenta, careca e mais magra de Rogen. Uma escolha arriscada já que Rogen não é um ator de grandes recursos.


Os nerds por sua vez vão salivar com as inúmeras referências ao mundinho geek. Citações claras de Star Wars (e sua trilha sonora) e Star Trek, Arquivo X, MAC - O extraterrestre (lembram?) e até o clássico Amargo Pesadelo são lembrados pelo filme, o que pode transformá-lo em peça cult para um nicho. As participações especiais (uma homenagem na verdade) não são ruins, mas também entram na conta do fetiche.



Uma pena que Pegg & Frost tenham esquecido de que um filme não funciona apenas no papel. Se tivessem menos controle na brincadeira (minha impressão) ou um diretor mais ousado (outra impressão), Paul fosse mais do que uma coleção de piadas nerds, comentários sobre os Estados Unidos e escatologia. Faltou a sutileza e as grandes sacadas de Chumbo Grosso e o timing de Todo Mundo Quase Morto. Sobraram o fetiche e a certeza que a dupla fez aqui um filme "direct to video", uma obra menor que não ofende, mas diverte muito menos do que poderia.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Kung Fu Panda 2
(Kung Fu Panda 2, 2011)
Ação/Aventura - 90 min.

Direção: Jennifer Yuh
Roteiro: Jonathan Aibel e Glenn Berger

Com as vozes de: Jack Black, Angelina Jolie, Seth Rogen, Dustin Hoffman, Jackie Chan, Lucy Liu, Gary Oldman, David Cross, James Hong, Michelle Yeoh, Jean Claude Van Damme e Dennis Haysbert

É tradição da DreamWorks Animation realizar filmes infantis baseados essencialmente em ação, aventura, e personagens carismáticos - e invariavelmente cômicos. É a maneira de se trazer dinheiro para o estúdio e de explodir com sucesso fácil entre as crianças. Foi o que o tentaram fazer no primeiro Kung Fu Panda (2008). Protagonista gordinho e engraçado, pano de fundo de tons épicos e muita ação. Essa era a fórmula que faria o filme do urso Po o ''novo Shrek''. E se a animação de 2008 já tinha sido um sucesso fenomenal, temos agora sua sequência. E é preciso dizer este Kung Fu Panda 2, apresenta-se, de modo geral, numa forma ainda melhor que a de seu original.



Há fatores que explicam isso. Se o primeiro filme queria arrebentar em ação logo de cara, teve que aguardar a explicação da história, a introdução dos seus personagens. Era preciso apresentar Po, aguardar sua maturação, e contar a velha historinha do ''escolhido improvável'. Assim, o primeiro filme agradou muito, mas, verdadeiramente, o papel de ''ir direto ao ponto'' tem muito mais a cara deste segundo longa. Sem perder tempo, Kung Fu Panda 2 parte para a ação sem cerimônia - o que faz dele um produto tão mais divertido - mas também não se esquece das partes dramáticas nos momentos certos de projeção - o que o torna um mínimo avanço para a didática da DreamWorks.


Praticamente, toda a história do filme se esboça em seus 5 primeiros minutos de exibição. É contado - em uma animação 2D de artes gráficas interessantes - que Lorde Shen, um príncipe pavão, ao saber da descoberta da pólvora, começa a utilizá-la para fins destrutivos, e não meramente lúdicos - como para fogos de artifício, por exemplo . Ele inventa as armas de fogo, e, com seus canhões, pretendia subjugar toda a China. Uma profecia, entretanto, dizia que Shen não conseguiria realizar tal feito, pois um ser preto e branco o impediria. Para se prevenir, o pavão ordena que todos os pandas do reino sejam dizimados. Ele é expulso do reino de seus pais por seus atos, mas promete um dia voltar e se vingar de todo o povo chinês. Quando ele retorna, só Po (o panda sobrevivente) e seus companheiros podem impedir tal tragédia.



A partir desta breve explicação ilustrada, já temos todo o esquema do filme armado. São Po e os Cinco Guerreiros, contra o exército do pavão e seus poderosos canhões. Nem se cogita enrolar ou complicar a história, e partimos todos para dentro da ação junto aos protagonistas. Essa simplicidade que vive estampada na cara da DreamWorks, agora parece mais "admitida", mais aceitada. Se é ação que se sabe - e se quer - por em prática, então que a façam com destreza e admitindo o roteiro raso. Fazendo isso, esta segunda aventura de Po pelas telas se torna mais limpa em carga narrativa, e por conseguinte um entretenimento muito acima da média.


Todo esse gás proveniente de uma história simples e direta, dá, é claro, muita força para a produção, mas não seria o suficiente para se manter viva por 95 minutos. É aí que Kung Fu Panda 2 conquista seu diferencial crucial - sua parte dramática. O filme tem seu foco nas belas cenas de ação, mas trás também a temática do passado de Po. O Dragão Guerreiro, afinal, vai enfrentar, pelo bem da China, o assassino de seus pais. Toda a ação é permeada por detalhes dos pais de Po, da noite do massacre, de sua superação frente ao ocorrido. Isso tudo ajuda a engrandecer o personagem principal, aumentar sua tridimensionalidade dramática, na busca por sua ''paz interior''. Conseguir reunir com sucesso dois artifícios fundamentais para uma animação hoje em dia - o entretenimento de qualidade e um drama minimamente trabalhado - é o trunfo principal do longa.


O resto fica a cargo das belezas visuais e do talento da equipe técnica. A direção de arte, assim como a fotografia, extraem toda a intensidade da cultura chinesa, e as paisagens orientais são ressaltadas em relação ao primeiro filme. Muito competente também, é a diretora estreante Jennifer Yuh Nelson, que tem excelência ao dirigir de um modo semelhante ao do primeiro filme - fornecendo um senso de unidade á franquia - e obtendo êxito nas partes de luta e de perseguição. Ágil, com takes muito bacanas, - destaque para toda a sequência de fantasia de dragão, que possui sacadas visuais interessantes - ainda consegue se sair bem na utilização do 3D. Explorando o estudo de profundidade com objetos que freqüentemente trabalham dentro e fora do 3D, temos em Kung Fu Panda um exemplo de emprego orgânico da tecnologia, que, se não é fundamental para o filme, o preenche de detalhes preciosos. Um exemplo de longa que vale a pena gastar para ser assistido com os óculos, pois de fato trabalha com a cara tecnologia de maneira decente.



Admitindo sua ação desenfreada sem querer problematizá-la num roteiro mais cabeçudo - ou seja, assumindo ser uma aventura escapista pura e simples - e desenvolvendo seu personagem através de arcos dramáticos mais densos - como realizado em Como treinar seu Dragão - Kung Fu Panda 2 é, mesmo que tímido, um avanço. Mas lembre-se: É um avanço nos termos obsoletos e engessados da DreamWorks. Para chegar ao nível da Pixar, ainda falta uma China inteira para o estúdio percorrer.


Obs: Nota-se ao fim da sessão, que esta será a nova franquia que ''sustentará'' o estúdio, devido a um grotesco e desnecessário gancho para continuação


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Besouro Verde
(The Green Hornet, 2011)
Ação/Comédia - 119 min.

Direção: Michel Gondry
Roteiro: Seth Rogen e Evan Goldberg

Com: Seth Rogen, Jay Chau, Christoph Waltz e Cameron Diaz



Sejamos sinceros. Os fãs da série de TV Besouro Verde cabem numa van. Sendo generoso, cabem em um ônibus. Por isso, quando uma versão para cinema dessa série de TV (e rádio) foi anunciada as manifestações de apoio/satisfação e de ódio/trollagem nerd foram moderadas. Elas começaram a crescer quando Kevin Smith - que ainda é amado pela meia dúzia de nerds que não cresceu - foi anunciado como diretor e roteirista. Logo, o próprio largou o osso alegando que não conseguiria dirigir um projeto com tantas cenas de ação.


Após percorrer o limbo, anunciou-se Michel Gondry para a direção e Seth Rogen e Evan Goldberg (a mesma dupla "responsável" por Segurando as Pontas) para o roteiro. Rogen tomou o filme como um filho perdido, e além de escrever, estrelou e produziu e esse é o principal motivo para o filme ser fraquinho, sem graça e boboca.


Besouro Verde não sabe se é um filme de herói ou uma comédia de ação que explora o já saturadíssimo "gênero" das duplas improváveis, tudo isso ligado ao "humor" de Rogen, que prova aqui que funciona somente quando tem como mentor Judd Apatow, e mesmo assim nem sempre.



A história é bastante simples: temos um herdeiro multimilionário de um jornal (Rogen) que perde o pai (Tom Wilkinson, pagando as contas) e precisa sair do comodismo e assumir os negócios da família. Demonstrando toda sua futilidade, num acesso de raiva motivado por uma xícara de café conhece Kato (o popstar coreano Jay Chou) e tornam-se amigos e parceiros. Ao mesmo tempo, o filme apresenta o potencialmente hilário vilão (Chudnofsky, vivido por Christoph Waltz) que ameaça controlar todas as gangues da cidade de Los Angeles.


Motivado pela "inspiração do herói" cria-se o Besouro Verde que parte do principio de que precisa "chegar junto" do mundo criminoso para poder combatê-lo e acaba sendo confundido com um vilão. O personagem de Rogen alimenta essa fantasia no papel do dono do jornal inspirando sua equipe a produzir cada vez mais material sensacionalista.


Besouro Verde não quer ser mais que uma sessão divertidinha, mas não consegue tirar risadas do espectador. Muito se deve a falta de carisma de Rogen - um protagonista chato e aborrecido, sempre tentando se dar bem - e a química nula entre a dupla Kato e Besouro Verde. Numa comédia de parceiros o elemento fundamental para que ela funcione é a química do "casal". Quem não se lembra de Riggs e Mourtaugh em Máquina Mortífera, por exemplo. Jay Chou limitado pela língua, faz o que pode, mas seu personagem é raso e nem as cenas de artes marciais convencem. Rogen é um sub-Jack Black. Assim como Black, Rogen parece sempre interpretar o mesmo papel, variando o nome e adereços e figurino. Todos os tiques do ator estão em tela e isso prejudica a diferenciação entre seus papéis.



Mais o pior no desempenho de Rogen é que em momento algum acreditamos nele como herói. E mesmo com as eventuais explicações de que a idéia era que seu personagem nunca fosse um herói de ação (mesmo porque Rogen não tem nem o físico para tal), mas um apalermado riquinho que entra "nessa de herói" por diversão, a motivação para a transformação do personagem folclórico em herói de verdade, é tão óbvia e principalmente tão batida que o espectador a telegrafa nas primeiras seqüências do filme.


Faltando química a dupla, resta aos coadjuvantes tentarem marcar presença. Mais nem isso acontece. Edward James Olmos (um ator subvalorizado) tem tanta importância a trama quanto a ponta de luxo de James Franco. Cameron Diaz, em franca decadência, precisa repensar seus papeis e projetos. Ela insiste nas mesmas caras e bocas há uma década e isso só prejudica ainda mais seu personagem que tem o pior momento do longa quando refuta um "avançar de sinal" de um personagem, após se convidada para sair pelo mesmo. E chegamos ao oscarizado Christoph Waltz. Difícil entender qual sua motivação artística para embarcar em Besouro Verde. Na verdade, é até possível entender que o ator quisesse criar um tipo excêntrico e divertido em seu modo sádico de ver a vida (o que de fato funciona no início), mas quando a personagem “surta”, toda a diversão e graça escorrem pelo ralo. Ele se transforma em mais um vilão Z de produções bobocas de Hollywood.



Aliás, é incrível notar como cada vez mais os estúdios gastam mais tempo e dinheiro com filmes visivelmente fracos e que não cumprem nem mesmo sua intenção primordial: divertir a audiência por duas horas.


Mais chocante é ancorar um projeto fadado ao ostracismo nas mãos de um diretor que tem alguma coisa a perder. Mesmo que critiquemos Rebobine Por Favor, (olha Jack Black ai) ou achemos Brilho Eterno um filme pretensioso (eu não acho, mas conheço muita gente que pensa assim) é inegável que o diretor tem criatividade visual e sabe escolher seus filmes, ou pelo menos, tenta ser original.


Aqui ele parece um fantoche de estúdio, relegando seu estilo visual e agindo como diretor contratado realmente. Teria perdido sua magia? Apostado demais em Rebobine e se decepcionado? Ou quis ganhar uma grana com um projeto mais simplista? O fato é que o resultado final é fraco tanto para os padrões de Gondry quanto para o mundo de adaptação de quadrinhos/games/series que com pouquíssimas exceções infantilizam o mercado americano de maneira nunca antes vista.



A cada Cavaleiro das Trevas, ou o divertido Homem de Ferro, temos um Demolidor, Motoqueiro Fantasma, Quarteto Fantástico, Hulk, Os Perdedores, Jonah Hex, Esquadrão Classe A e afins. Os executivos parecem crer que qualquer coisa funcione na tela. E não imaginam que Besouro Verde, uma série de rádio transformada em série de TV nos anos 60 - que como única contribuição para a história das artes é a primeira chance de Bruce Lee nos Estados Unidos - não vá funcionar como uma comédia de ação estrelada por Seth Rogen. A série é produto de seu tempo, e deveria ter sido deixada no limbo.


Ainda mais quando se constata que ninguém fez o dever de casa, que seu protagonista é repugnante e inconseqüente e que a história que o conduz a redenção é patética, recheada do pior que os "dady issues" podem conter amparado pela falta de percepção dos roteiristas e de seu diretor, sobre o conceito de verdade e justiça, que para seu protagonista parece só ser válido quando o que conta são seus interesses mesquinhos de manipulação.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Funny People
(Funny People, 2009)
146 min. - Drama/Comédia

Direção: Judd Apatow
Roteiro: Judd Apatow

Com: Adam Sandler, Seth Rogen, Leslie Mann, Eric Bana, Jonah Hill, Jason Schwartzman

Judd Apatow é atualmente uma das maiores referências de comédia no mundo. Criador de o Virgem de 40 Anos e Ligeiramente Grávidos , é de um diferencial ótimo . Não é de um humor refinadíssimo como o dos Cohen, mas tem sua inteligência cômica, deveras melhor do que o humor dos Wayans. Apatow praticamente "criou" um estilo novo de comédia : Aquela que utiliza refêrencias pop em massa, junta gags de vários tipos e arranca boas risadas. Tanto produzindo quanto dirigindo, ele ajuda a trazer ótimas obras para o público. Porém, desta vez, Apatow dá um passo além do costume, criando Funny People ( Do insípido título nacional " Tá Rindo do Que?"o qual me recuso a colocar.)

Funny People,não é, antes de mais nada, um outro Ligeiramente Grávidos, e não chega perto da qualidade de Segurando as Pontas. É um humor inteligente cheio de referências como de costume, mas passa longe de ser apenas uma comédia. É um drama, sobre os comediantes e humoristas, com muitos gags e tiradas cômicas. Uma auto-reflexão de Judd Apatow, que parece abrir para todo o público a vida real dos comediantes, desde aqueles que fazem Stand-up até os que realizam filmes idiotas e discerebrados.


A história é sobre George Simmons ( Adam Sandler ) um comediante famoso por estrelar filmes de comédia idiotas e sem graça ( de certo modo parecido com Sandler ) que descobre, num dia que vai no médico, que tem uma doença praticamente incurável , e tem pouco tempo de vida. Amargurado, Simmons volta as suas origens- a comédia em pé - e num dia em que visita uma dessas sessões acaba conhecendo o novato no humor Ira Wright (Seth Rogen), e começa a apostar no rapaz, crendo que seja seu herdeiro no mundo cômico. Além disso, Simmons também procura reencontrar seu grande amor ( Leslie Mann) hoje em dia casada com um australiano (Eric Bana).

Como de costume, também entram na massa do bolo Jonah Hill e Jason Schwartzman, a eterna dupla que interpreta colegas de quarto nerds de Ira. As partes mais engraçadas são dessa fantástica dupla, que apenas de estarem no set de filmagem já nos fazem sentir vontade de rir. Porém, boas piadas são também oferecidas tanto a Sandler quanto a Rogen, que conseguem atuar bem , sem ir muito além do feijão-com-arroz. As piadas, com referencias múltiplas, entram dessa vez com uma fluidez ainda melhor, já que as personagens envolvidas são profissionais da comédia. Então, qualquer tirada engraçada em qualquer lugar faz ainda mais sentido de existir , saindo de quem sairam. Já as refêrencias se encaixam com um algo a mais. Como George é uma celebridade, existe a brecha para várias outras celebridades entrarem no filme também. Vai desde Ray Romano até Eminem - e a cena em que os dois estão juntos é uma das mais engraçadas da película. E os filmes de George também tem uma pitada de conhecidos. Re-do é uma referência silenciosa ao idiota O Pequenino, dos Wayans, e os outros filmes são refêrencias a toda gama de babaquices já criadas em Hollywood.


Misturar drama e comédia não dá um resultado ruim, definitivamente, e falar de um comediante fadado a morte é algo bem engraçado e interessante a principio. Porém, não é da cinematografia de Apatow criar histórias muito com muitos diferenciais (a não ser por Segurando as Pontas, que escreveu ao lado de Seth Rogen e Evan Goldberg). O drama de Simmons é bom, e dá ao filme um tom mais adulto. Entretanto, isso é até um ponto, pois o último ato parece não ter muito sentido no todo, por reunir poucos gags e ter menos relevancia na história. Esse ato se estende até uma altura desnecessária e faz o filme ter uma duração que simplesmente não precisava. Outro problema são os pequenos vácuos que ocorrem entre as piadas do filme. Esse é um dos problemas de Apatow, estender muito o fio a história, quando o ideal seria deixar o filme mais curto e enxuto, e consequentemente mais engraçado.

É preciso reconhecer, entretanto, o talento de Judd Apatow na direção. Sua linguagem cinematográfica não extrapola nada, mas devo dizer que o cineasta está muito longe de ser só mais um. Nada de um estilo artístico, mas ele nos passa tudo com uma competencia acima do nível, conseguindo transmitir tudo o que queria, sem nenhuma dificuldade e com a mão firme.


E, se o cineasta enfrenta dificuldades em criar histórias inovadoras , ele não tem problemas nas descrições de seus personagens. Mesmo que a parceria de Seth Rogen, Jonah Hill e Jason Schwatzman continue se repetindo, nunca serão as mesmas características. Os diálogos serão sempre diferentes , o mundo em que se encontram também, e de comum só terão o fato de serem colegas de quarto. E esse fator favorável em relação a personagens permite que suas comédias continuem sendo feitas, mesmo que a história peque.


Mas no todo, Funny People não se sai mal , com certeza. Abrir ao mundo a vida real dos piadistas compensa de certa forma um ou outro escorregão no roteiro, e o drama adulto até a metade do filme é muito interessante. Suas gags são ótimas, e só precisam serem mais unidas por uma duração menor. Assim talvez, ele almeje mais dinheiro e um pouco mais qualidade da próxima vez.

TRAILER: