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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Livre

Livre
(Wild, 2014)

Direção: Jean-Marc Valée
Roteiro: Nick Hornby, Cheryl Strayed

com: Reese Whiterspoon, Laura Dern

Esse é um trabalho que sai perdendo seu impacto por ser parecido (concetualmente) com "Na Natureza Selvagem", que é um filme um pouco mais antigo e que tem um legião de fãs. Em ambos vemos a luta do ser humano comum (leia-se que não é um atleta ou que está fisicamente preparado) para sobreviver em um ambiente naturalmente hostil: a natureza. Porém, enquanto "Na Natureza" abordava o desiludido rapaz que foge da vida na cidade em busca de um novo caminho, aqui Reese Whiterspoon está em busca de redenção. Baseado na vida de Cheryl Strayed, Resse vive uma mulher que perdeu muito e que está tentando encontrar uma forma de começar a viver novamente.

O roteiro de Nick Hornby é inteligente ao não apostar no dramalhão, e misturar os momentos mais ousados - emocionais e fisicamentes - com outros mais leves deixando com que a "via crucis" da personagem seja melhor deglutida pelo espectador (penso eu).

A força do filme está mesmo em sua protagonista em um bom drama de redenção e superação de limites. Não é espetacular, mas tem seus bons momentos (especialmente nos flashbacks em que vemos os problemas emocionais e de convívio e vício da personagem). Whiterspoon é uma atriz competente, mas, que ainda não conseguiu apresentar em sua carreira, uma sequência de bons filmes (mesmo já tendo levado um Oscar pra casa por "Johnny e June" merecido). "Livre" talvez seja o início de uma nova fase na carreira da atriz.


★★★

quinta-feira, 15 de março de 2012

Guerra é Guerra

Guerra é Guerra!
(This Means War, 2012)
Ação/Comédia - 97 min.

Direção: McG
Roteiro: Timothy Dowling e Simon Kinberg

Com: Reese Whiterspoon, Tom Hardy e Chris Pine

Vez por outra o cinema apresenta filmes simplesmente ruins. Aventuras que não divertem, filmes policiais em que não existe tensão, filmes de terror em que não se assusta e comédias em que não se ri. Porém, não existe gênero mais maltratado pelo cinema do que a tal comédia romântica. Guerra é Guerra, embora travestida de "comédia de ação", no fundo é o mesmo mingau viscoso e insosso que povoa 9 entre 10 produções desse gênero.

A começar do plot monstruosamente inverossímil, que conta a história de dois agentes da CIA, que pretensamente são ótimos em que fazem, mas que na verdade não passam de dois sujeitos exagerados que na primeira missão que o filme mostra, surgem como uma dupla de paspalhos, acabando com uma operação secreta. Como punição, são obrigados a ficar atrás de uma mesa e fazer trabalho burocrático.

É então que um deles Tuck (Tom Hardy) revela estar se sentindo sozinho e precisando de uma namorada. Incentivado por seu amigo FDR (Chris Pine) se inscreve em um site de namoros virtuais. Ao mesmo tempo, a workaholic Lauren (Reese Whiterspoon) também solteira, é inscrita no mesmo site por sua amiga desbocada e levemente idiota.


Obviamente os dois acabam se conhecendo e se gostando. Na saída do encontro, Lauren acaba se encontrando com FDR, e - sem motivo algum, já que acabara de sair de um encontro - acaba flertando com o rapaz, que a persegue em seu trabalho e acaba a convencendo de sair também.

Como um filme que prega a "liberdade da mulher", ela começa a sair com os dois, até que obviamente os dois descobrem que estão vendo a mesma mulher e, sendo agentes da CIA profundamente profissionais e que se diziam amigos, não perdem tempo em selar um acordo de cavalheiros e usar os recursos da agência para investigar a mulher.

Com um plot fraco como esse e a direção paupérrima de um sujeito como McG, o que esperar além de uma espiral sem fim de tiros mal filmados, perseguições de carro, falta de timing para as praticamente inexistentes piadas e a ausência de química entre os três personagens principais.


Ninguém está bem no filme. Tom Hardy - um ator com uma carreira aparentemente promissora - é um desperdício. Mostrando-se como um homem chegando aos trinta e que percebe que continuará sua vida solitária se não encontrar ninguém, Hardy é pai, separado e busca um recomeço. Claro que em uma produção calamitosa como Guerra é Guerra, onde todos os clichês envolvendo essa situação serão utilizados, você adivinha o "vencedor" da contenda entre os amigos com quinze minutos de filme.

Chris Pine, que é um ator que vem surpreendentemente melhorando a cada dia, aqui comete um pecado quase injustificado. Além de vazio e invejoso, seu FDR é a personificação do sujeito arrogante e que não convence em momento algum que realmente está apaixonado por Lauren.

Whiterspoon é outra que não precisava se sujeitar a um papel tão ruim. Basicamente uma mulher que não consegue decidir absolutamente nada em sua vida (curiosamente ela trabalha analisando e decidindo quais são os melhores produtos domésticos para o lar estadunidense), vive recebendo conselhos de uma amiga que é daquelas que vive pela cartilha do: "faça o que digo, mas não faça o que faço". Já que vive incentivando a amiga a curtir a vida, ficar com os dois sujeitos e tudo mais, enquanto é casada e tem filhos. Dá a impressão que ela é completamente infeliz com essa relação, embora no decorrer da trama a impressão de que a personagem só existe para "ser engraçada" é percebida. Seus discursos tornam-se mais amenos, e ela é capaz de pérolas do "autoajudismo" como: "procure alguém que lhe faça uma pessoa melhor", enquanto revela que ama seu marido, mesmo ele sendo cheio dos defeitos que ela aponta. Basicamente, a personagem diz - em outras palavras - melhor um passarinho na mão do que dois voando.


McG é um dos piores diretores do cinema americano. Incapaz de filmar com competência uma simples sequencia de perseguição sem apostar na câmera tremida, cheia de zoom e que "sangra" nos atores até o ponto em que não conseguimos compreender nada do que o filme quer mostrar. Mas afinal, quem corre atrás de quem? Tá, ele pegou o sujeito, mas como, que eu não vi? O espectador mais atento vai se solidarizar comigo, caso assista ao filme.

E nem citei que além de toda essa bobagem dos agentes atrás da garota (e que ninguém na CIA, percebe que estes sujeitos estão usando recursos da organização para espionar uma pessoa, pelo simples prazer de espionar) existe ainda um "vilão", um dos mais fajutos do cinema recente. Capaz de planejar um plano de vingança que envolve um sequestro onde não coloca a sequestrada dentro de seu carro em fuga, mas escolta o carro dirigido pela mesma.

Cheio de rombos de roteiro, piadas fajutas, interpretações dignas de peças de maternal e uma direção concebida e realizada por um cone de trânsito, Guerra é Guerra é um dos piores filmes que chegaram aos cinemas brasileiros nos anos de 2011 e 2012. Uma verdadeira tragédia.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Água para Elefantes
(Water for Elephants, 2011)
Drama/Romance - 120 min.

Direção: Francis Lawrence
Roteiro: Richard LaGravenese

Com: Robert Pattinson, Reese Witherspoon e Christoph Waltz

Era uma vez um navio gigantesco que diziam que jamais afundaria, porém em sua viagem inaugural o malfadado "barquinho" acerta em cheio um iceberg e afunda, matando quase todos a bordo. Anos mais tarde, uma equipe de resgate submarino chega aos destroços do navio e entre os achados, encontra um desenho de uma bela mulher. Qual a surpresa desse pessoal, quando a própria surge e lhes conta a história de sua vida e do Titanic.


Não leitor, eu não fiquei maluco. Nem você está vendo a crítica errada, muito menos estamos com algum problema técnico que o envia a crítica de Titanic. Estou falando de Água para Elefantes, que poderia se chamar tranquilamente: "Titanic vai ao circo". O novo filme do diretor Francis Lawrence (Constantine e Eu sou a Lenda) não se furta a copiar a estrutura básica do mega sucesso de James Cameron.



Água começa "nos dias de hoje" quando um envelhecido Jacob (o grande Hal Halbrook) surge em um circo decidido a ver sua apresentação. Informado que o circo já fechará suas cortinas é confundido com um morador de um asilo e no meio do bate-boca começa a contar sua história ligada a um famoso circo nos anos da depressão americana.


Seguindo religiosamente os passos de Cameron, Jacob vovô, passa a narrar sua própria história, estrelada pelo mumificado Robert Pattison, um ator limitado a duas expressões faciais quase idênticas e que deveriam dizer coisas diferentes. Depois da morte de seus pais, Jacob segue vagando sem rumo por uma ferrovia, até encontrar um trem ocupado por um circo. Sentindo-se a vontade no meio dos excluídos e "párias", decide manter-se por lá, tentando trabalhar. Lá ele conhece a "bela" Marlena, estrela do show e mulher do dono do circo, o intenso e violento August.



Marlena é interpretada pela irregular Reese Whiterspoon, aqui abusando dos cacoetes "caipiras" para construir sua personagem como uma mulher assustada por seu marido violento, mas apaixonada e que convive com a violência de forma resignada. Já Christoph Waltz imita seus trejeitos de Hans Landa durante boa parte do filme. Impossível não lembrar do personagem imortalizado por Waltz em Bastardos Inglórios ao assistir ao filme. Isso causa a dúvida: Waltz é aquilo mesmo, ou seja, um ator limitado a um tipo e um papel, ou se foi por uma mistura de preguiça com "aconselhamento" do diretor que fizeram de August um primo americano do coronel alemão.


E chegamos a Pattison, que por mais boa vontade que posamos ter com o rapaz, é muito fraco. Como disse anteriormente, suas expressões são limitadas a duas: tristeza profunda e alegria comedida. Ambas apresentadas da mesma forma: olhos intumescidos, feição de dor e tentativa frustrada de causar emoção. Se junta a isso um roteiro profundamente previsível e recheado de buracos (ou seriam rombos?) que prejudica o desenvolvimento de todos os personagens. Exemplo disso: em determinado momento Jacob é ameaçado pelo personagem de August. O filme dá a entender que Jacob será o pária do circo, para na sequencia seguinte tudo ser esquecido graças a um evento que faz do então excluído, personagem central no andamento do circo. Faltou alguma coisa que ligasse a decadência do personagem e seu ressurgimento como salvador da pátria.



Francis Lawrence, um diretor de filmes de ação, constrói alguns bons planos, mais não parece a vontade no meio de um "épico" água com açúcar e isso prejudica o resultado final da produção, que tem uma fotografia que abusa dos tons de "hora mágica" e dos castanhos, deixando tudo com uma aparência brega ou kitsch.


Água para Elefantes não consegue atingir seus objetivos. Tem uma história frágil, recheada de personagens limitados interpretativamente e derivada de um grande sucesso do cinema (embora baseada em um livro que nada lembra navios encalhados) que tenta a todo custo nos emocionar de forma artificial.