Mostrando postagens com marcador Peter Saarsgaard. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Peter Saarsgaard. Mostrar todas as postagens

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Educação
(An Education, 2009)
Drama - 95 min.

Direção: Lone Scherfig
Roteiro: Nick Hornby

Com: Carey Mulligan, Alfred Molina, Peter Saarsgaard, Olivia Williams, Rosamund Pike 

Quando analiso um filme, seja por diversão (o que é cada vez mais raro) ou por motivos “bloguísticos”, procuro ao máximo separar o que penso sobre a vida, o universo e tudo mais, do que vejo na tela. Trocando em miúdos, procuro não julgar as ações dos personagens, procuro entendê-las e dentro do universo ficcional do filme analisar se elas são compatíveis, inteligentes, idiotas ou geniais.
Porém, as vezes, e em casos muito especiais fica impossível manter esse distanciamento das produções. São casos em que o que você na tela te ofende, te irrita ou simplesmente “te enche o saco”.


E antes, que conjecturem, sim e não. Sim, Educação me deu muita raiva, e não, tentarei manter a análise o mais perto do “visto na tela”.

O filme inglês dirigido por Lone Scherfig, e estrelado por Carey Mulligan, Alfred Molina, Olivia Williams, Peter Saarsgaard e Rosamund Pike, conta a história de Jenny (Mulligan) uma estudante brilhante que as vésperas de sua tentativa quase obsessiva de entrar na universidade de Oxford conhece David (Saarsgaard) um homem mais velho, sofisticado e que envolve-se com a garota, oferecendo um mundo de cultura, classe e diversão.


O que fez de Educação um filme premiado e até indicado ao Oscar de melhor filme, é um mistério que permanecerá na minha cabeça por eras.

Não que o filme seja desprezível e que não tenha méritos. Os atores principais, Molina que vive o pai de Jenny, e a própria Mulligan tem atuações interessantes. O ator num papel mezzo cômico mezzo trágico (com muita ênfase no primeiro) é um pai preocupado, ou melhor, desesperado para que a filha entre em Oxford, tem as melhores cenas. Molina (que apesar do nome é inglês), é um típico produto de seu tempo. Repressor, controlador e autoritário, mas de bom coração, que se vê perdido em meio as “novidades de uma nova época”.


Mulligan é o coração, a alma, as pernas e os braços do filme. Ao compor Jenny como uma menina inteligente, esperta e que não se assusta com as repressões do pai, Mulligan escapou de transformar sua heroína em um personagem caricatural.

Os demais do elenco, em especial Pike, apenas mantém o ritmo. Saarsgaard faz pela milionésima vez o mesmo tipo. Misterioso, de olhar frio, com traquejo social e que esconde alguma coisa. A bela Olivia Williams, escondida por óculos, e um visual propositalmente castrador consegue se sair melhor. A professora Stubbs é o “farol” que guia Jenny rumo as descobertas da vida real.


E falemos de Nick Hornby, em sua primeira experiência como roteirista. Honestamente, o cara que escreveu Febre de Bola e Alta Fidelidade (um bem adaptado outro destruído) poderia ter se saído melhor. Quem conhece o autor, vai reconhecer os litros de humor britânico, as piadinhas com cultura pop (e com C.S. Lewis) mas perceberão também que a história contada por ele parece uma enorme correria em sua parte final.

Hornby, e essencialmente Scherfig, contam 70 minutos de sonhos, fantasias, realizações para em meros 20 minutos, virar tudo de cabeça pra baixo, e tentar encontrar saídas para seus personagens.


O que começa muito bem, com grafismos que reforçam o esteriotipo das escolas para mulheres, a descoberta de uma protagonista moderna e esperta, com amigas igualmente interessantes, uma família tradicional mais recheada de diálogos bem humorados, desmorona quando prefere apostar na “saída dos fracos”: o bom é velho melodrama.

Quando disse no começo que Educação me irritou, foi esse (o motivo cinematográfico) uma das razões. O filme não consegue se decidir entre ser uma comédia leve e divertida sobre descobertas e ser um filme de jornada. Se tentou ser um “mix” falhou. Mulligan ainda tenta segurar, mas a inexpressividade de Saarsgaard quase derruba o filme.


O outro ponto “irritante” (e esse não foi o cinematográfico) foi a “liçãozinha de moral” que a protagonista leva. Em um dos momentos mais verdadeiros e realistas do filme, ela se encontra com a diretora da escola (Emma Thompson, presente em 11 de 10 filmes britânicos) e expõe suas dúvidas em relação ao futuro. Ao não acreditar que a universidade pode verdadeiramente lhe trazer aquilo que todos buscamos: felicidade. Entre outras coisas (e não isso não é spoiler) ela diz (sabiamente) que o pais, e podemos alargar as fronteiras e dizer o mundo, só é cinzento como é, pois fazemos “coisas chatas e difíceis” a vida toda. Não que devamos parar de estudar, mas devemos acima de tudo encontrar o motivo para nossa vida deixar de ser “chata e difícil”. Naquele momento do filme, estava prestes a classificar Educação como libelo contra a hipocrisia, ou uma visão realista de mudança de paradigmas sociais.

Mas então, vem os tais 20 minutos finais, e todo aquele discurso verdadeiro da personagem é esquecido e como um cachorrinho, ela volta com o rabinho entre as pernas e parece ter esquecido tudo o que viveu. Novamente, não discordo de sua opção em estudar e da personagem ter encontrado sua felicidade nisso, mas ela parece simplesmente esquecer tudo (como inclusive fica caracterizado na última fala do filme) do que aprender com suas falhas e com os problemas encontrados.


Enfim, sei que muitos podem ver o filme como uma história sobre vencer as tentações , ou se manter no caminho correto. Mas pra mim, tudo isso soa muito careta no pior dos sentidos. Sempre acreditei que as pessoas devem e podem mudar suas opiniões quanto a suas próprias vidas, e o filme de Scherfig parece vir como um trem desgovernado de outro lado dizendo: cuidado com os desvios, não os pegue, sua vida é essa e ponto. A vida está ai para ser vivida, e mais do que vivida, está ai para ser apreciada. Toda experiência é válida, e esquecê-la é uma enorme burrice.

TRAILER: