sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Cowboys & Aliens
(Cowboys & Aliens, 2011)
Ação/Thriller/Sci-Fi - 118 min.

Direção: Jon Favreau
Roteiro: Roberto Orci, Alex Kurtzman, Damon Lindelof, Mark Fergus e Hawk Ostby

Com: Daniel Craig, Harrison Ford, Olivia Wilde, Paul Dano, Keith Carradine, Clancy Brown e Sam Rockwell

Jon Favreau conseguiu o que parecia impossível: transformou um filme que envolve cowboys, aliens, James Bond e Indiana Jones em uma produção sem nenhuma personalidade, sem charme, graça, e que não é nem mesmo divertida. Mesmo envolvendo dois gêneros estabelecidos (juntando-os em uma - esperada - terceira realidade, onde ambos consigam conviver em "paz"), o filme jamais decola. Favreau para aumentar ainda mais as expectativas quanto ao filme, ainda conseguiu Daniel Craig (Bond) e Harrison Ford (Indi.. ahh vocês sabem), para co-estrelar a produção. Um prato suculento e cheio até a boca para fãs sedentos da melhor diversão escapista da história da humanidade. Pelo menos, essa era a pretensa intensão do filme.

Cowboys & Aliens conta a história do pistoleiro amnésico Jake (Craig) que desperta no deserto, sozinho, sem nem sequer lembrar de quem é, e com um bracelete/pulseira estranho no braço direito. Vagando, ele chega até a cidade de Redemption, uma dessas minúsculas cidadezinhas americanas de Velho Oeste, que cansamos de ver nos filmes e games. Lá é ajudado pelo pastor Meacham (Clancy Brown) e descobre que tudo gira em torno da mão de ferro de Dollarhyde (Ford), o fazendeiro que dita às regras da cidade. Nesse ambiente inóspito, o filme apresenta seus coadjuvantes como o dono do bar Doc (Sam Rockwell), a bela e misteriosa Ella (Olivia Wilde), o xerife Taggart (Keith Carradine) e o mimado e apalermado filho de Dollarhyde, Percy (Dano) que é confrontado por Jake e acaba sendo preso.


Quando - de forma bisonha - o xerife descobre que Jake é um homem procurado, também o prende e enquanto Dolarhyde pai parte em busca da libertação do filho, e Jake tenta entender quem é, uma misteriosa luz surge na cidade que é sumariamente atacada por naves espaciais. O que poderia ser o sonho de qualquer moleque de 14 anos de idade, se mostra uma coleção sem coesão de clichês, com vilões fracos que não convencem por sua motivação e um desperdício absurdo de grandes atores.

Comecemos por esse último item. Cowboys reúne Craig, Ford, Rockwell, Dano, Brown, Carradine e a inexpressiva Olivia Wilde, um elenco repleto de nomes fortes para subutilizar boa parte dele. Rockwell passa o filme inteiro reclamando da vida, de seus medos e tenta ser o alívio cômico fracassado do filme. Dano, Brown e Carradine estão no filme, imagino, por serem caras "conhecidas" do publico, já que não podem fazer quase nada com seus personagens unidimensionais e vagos. Dano, como o garoto arrogante de voz afetada, chega a irritar, enquanto Brown serve como o pretenso guia moral da redenção de Jake e Carradine mais como motivador da busca do garoto Emmett (Noah Ringer, o péssimo Aang de Último Mestre do Ar).


E Wilde? Incrível constatar como as pessoas continuam entregando personagens importantes para essa atriz que demonstra, ser dotada de um número cada vez mais limitado de expressões e que tem um carisma menor do que o de uma formiga agonizante. Completamente fora de sintonia como a misteriosa mulher que diz conhecer os segredos sobre Jake e sobre os invasores alienígenas.

Craig estrela o filme tentando parecer uma mistura de Clint Eastwood e Charles Bronson, mas fica muito longe de qualquer um deles. Craig é um ator lacônico, que interpreta com a presença e o olhar, portanto seria fácil afirmar que Jake é um personagem feito na medida para o ator. De fato é, mas ao mesmo tempo, é alguém com quem o espectador tem dificuldade de se identificar, já que o personagem parece ser um tipo desprezível e por mais que Favreau e seu time de roteiristas (que inclui gente boa como Damon Lindelof da série LOST, Roberto Orci e Alex Kurtzman de Star Trek e Mark Fergus e Hawk Otsby de Filhos da Esperança) tentem amenizar a condição do personagem, Craig é um protagonista muito duro para que consigamos crer em qualquer tipo de suavidade em sua personagem.


Diferente de Ford, que muita gente crê interpretar a si mesmo em uma série de variações, que consegue sempre humanizar seus personagens, por mais vazios e rasos que os mesmos pareçam. Cheio de cacoetes típicos de todas as suas outras interpretações, Ford se não é brilhante, pelo menos dá dignidade ao seu personagem. Uma pena que quando atuam juntos, Craig e Ford - outra falha de Favreau - não consigam entregar sequer uma cena memorável. O mesmo vale para a falta de química entre Dano e Ford nas pouquíssimas cenas em que atuam juntos, como pai e filho.

Tecnicamente, Favreau comete mais um erro crasso em seu filme. Convidou o premiado e talentoso Matthew Libatique (conhecido da filmografia de Darren Aronofsky) para ser seu fotografo, que parece estar, como o diretor, perdido entre fazer um filme moderno e um western tradicional. Essa mistura estranha de estilos pode ser percebida pelas escolhas incomuns na forma de fotografar uma batalha a cavalo. Aqui, se foge dos grandes planos abertos, dos confrontos que são emoldurados pelo cenário, e prefere-se dar espaço ao combate direto, utilizando-se até de câmera de mão. E quando Craig surge em tela, trôpego e fugindo do covil alienígena, Favreau amarra ao ator uma steadycam nos moldes do que Danny Boyle adora fazer em seus filmes. Ao mesmo tempo, o filme é exageradamente escuro prejudicando a compreensão de algumas cenas importantes no filme.


Apesar de seguir uma típica estrutura dos westerns após o surgimento da ameaça alienígena (e aqui quem já viu qualquer western vai entender o que digo), o filme não segue exatamente esse rumo. Diferente do que acontece quando acompanhamos um grupo de pistoleiros no encalço de bandidos (um exemplo claro disso é o excelente Bravura Indômita, o remake, dos irmãos Coen), quando temos tempo para conhecer aqueles personagens, motivações, dramas pessoais e medos, Cowboys & Aliens, por precisar explicar a presença alienígena na Terra, opta por inserir a dissonante personagem de Olivia Wilde, quem vem se revelar como mais importante do que aparentava e é responsável por explicar os motivos absurdos e ridículos da presença alien na terra. Talvez se optasse por não explicar diretamente a presença dos seres no planeta, mas apenas conduzir essa aventura onde o papel dos vilões (quase sempre destinados aos índios) seria vivido pelos ETs, o filme se saísse muito melhor.

E quando tenta mostrar a ação, Favreau acaba com ela - em especial no clímax - quando monta seu filme de modo a apresentar todos os elementos do filme de uma vez, entrecortando e prejudicando seqüências de ação que poderiam tornar-se épicas e impactantes. Mesmo quando tenta criar tensão com o surgimento aqui e ali de alienígenas, não consegue fazer o espectador sequer piscar de medo.


Cowboys & Aliens começou a ser vendido com a salada mais gostosa do cinema. Misturaria dois gêneros consagrados e que jamais haviam de forma direta coabitado o mesmo filme. Infelizmente, Favreau se empolgou com seu brinquedo, esqueceu de fazer um faroeste interessante e de apresentar um sci-fi descente. A salada de Favreau não tem sal, azeite e vinagre, e no meio de tantos vegetais, alguns de gosto bastante duvidoso.



quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Larry Crowne - O Amor Está de Volta
(Larry Crowne, 2011)
Comédia/Drama/Romance - 98 min.

Direção: Tom Hanks
Roteiro: Tom Hanks e Nia Vardalos

Com: Tom Hanks, Julia Roberts, Roxana Ortega, Cecric the Entertainer e Wilmer Valderrama

Não dá para levar a sério e se identificar com um personagem principal tão obtuso como Larry Crowne. Um sujeito limitado por sua própria falta de ambição, que se contenta com pouco e que se sente "agredido" pela sociedade quando precisa, vejam vocês que coisa torpe, estudar. 

Larry é um simplório vendedor de uma loja de departamentos que ama e se dedica aquilo como se fosse a melhor coisa do mundo. Admiro as pessoas que amam o que fazem, mas também penso, que temos sempre que estar preparados para os novos desafios. Em suma: parar no tempo não ajuda em nada. Larry é um camarada que está parado no tempo, e quando perde seu emprego - depois de uma pesquisa interna em sua empresa, onde percebeu-se que Larry não tendo uma formação universitária era o com menor chance de crescimento na empresa - se ve com uma mão na frente e outra atrás e precisa correr atrás do prejuízo.


Absurdamente ingênuo - chegando há lembrar um pouco Forest Gump, com a diferença de que o personagem oscarizado tinha uma deficiência - decide (por sugestão de um orientador) fazer o curso de oratória - porque afinal falar em público e enrolar os outros é uma arte que precisa ser valorizada - e o de economia, já que enrolando os outros e amparado de termos técnicos de "economês", sua vida certamente melhorará.

A visão profundamente "infantiloide" que o filme tem de assunto sérios - mesmo estando na seara das comédias - é ofensivo. Larry vive, com o salário de vendedor de loja de departamentos, em uma bela casa de subúrbio, tem como vizinho um insuportável vencedor de loteria e uma existência patética.


Quando começa a universidade, em dois minutos conquista a amizade da mais que exagerada Alvarez, uma garota que vive em outra dimensão e que pertence a uma gangue de motoristas de scooters (sim, scooters). Em sala de aula, além de fazer parte da turma mais politicamente correta do planeta (temos latinas, loiras, negros, asiáticas e até maconheiros), conhece a entediada e mais que frustrada Mercy, uma mulher que fez o que se espera - em teoria - de uma pessoa: estudou, tentou sempre chegar ao topo de sua área, e que se ve dando aula em uma faculdade comunitária para alunos desinteressados.

Obviamente o espectador já pode imaginar o que acontece daqui em diante na história. Tendo nas mãos dois astros do calibre de Tom Hanks e Julia Roberts, é mais do que óbvio que as coisas não seriam simplesmente resolvidas com a relação entre professor e aluno, já que um é separado e a outra vive com a quintessência do homem "adulto" que não cresceu, interpretado com igual desconforto pelo ótimo Bryan Cranston.


Também é fácil de adivinhar, que, sendo Crowne um sujeito boa praça (e realmente ele o é) claramente será o melhor em tudo aquilo que faz, seja na aula de oratória ou nas de Economia 1, onde tem a companhia do involuntariamente hilário George Takei (ele mesmo, o Sr. Sulu, aqui vivendo o professor da matéria).

Os problemas do roteiro de Crowne é que no fundo - além de defender abertamente os abusos da sociedade contra o self-made man - ele é burro, dizendo na nossa cara que por mais que Larry tivesse chance jamais se interessou em melhorar de vida, crescer como profissional e talvez seja por isso que sua mulher o deixou (o filme não deixa claro). O roteiro da pavorosa Nia Vardalos e do próprio Hanks (que também assina a direção) nos diz: esse personagem passou vinte anos na marinha como cozinheiro. Jamais teve interesse em estudar? Em aprender outra profissão? Quando o filme começa, dá a impressão de Larry estar empregado nessa loja há algum tempo, ou seja, assim que saiu da marinha empregou-se nessa loja. Como podemos torcer para alguém obtuso assim?


A idéia de que a "escola da vida" o levou a conhecer o mundo é linda, poética até, mais é perigosa. Ao deixar claro que seu herói é um cara sensacional, mas que precisa que todos o levem pela mão para entender que vive no mundo real, e que para se ter alguma coisa é preciso lutar e melhorar a cada dia, perde uma grandiosa oportunidade de fazer graça com a situação de muitos homens de meia idade, sem curso superior e que pela necessidade da vida são obrigados a trabalhar com o que podem para sustentar suas casas.

Não ajuda em nada, o fato de seu vizinho e grande amigo, não trabalhar, mas ser um sujeito que ganhou na loteria e que passa os dias fazendo nada, vendendo objetos usados em uma interminável feira de garagem. O que esse pessoal pensa? Realmente é chocante perceber os nomes de Tom Hanks e Julia Roberts envolvidos em um projeto tão obtuso e fraco.


Hanks ainda dirige sem comprometer, o filme, que é recheado de momentos de profundo constrangimento. Qual a real função da personagem Alvarez? Sua ligação forte e absolutamente injustificada para com Larry vem da onde? Ela não tem pai? Ve em Larry, a figura paterna que não tem? E Wilmer Valderrama, aqui, o namorado da garota que protagoniza a patética sequencia de estalar de dedos quando Larry se junta à perigosa gangue de scooters (sim, eu sei que é uma piada, mas honestamente não teve a menor graça).

A personagem de Julia é muito mais interessante e crível. Trata da questão da frustração profissional (um contraponto a paixão de Larry), a de uma vida vazia (outro contraponto a alegria e a sempre ensolarada vizinhança de Crowne, em comparação aos assépticos e frios ambientes da casa de Mercy) e a da questão de ainda acreditar em si mesmo (Larry jamais se deixa esmorecer - ótima qualidade -, Mercy já largou os pontos). Incrivelmente existe um fiapo de química entre os dois (apesar da paixonite de Roberts por Hanks acontecer de forma mais que artificial) , e nenhum dos dois compromete diante das câmeras. Isso faz Larry Crowne suportável, apesar de sua história mais do que absurda e de moral profundamente questionável. Tentando não soltar spoiler, apenas digo que a aura de não tenho nada e preciso comprar roupas em brechó, não combina com o fato de uma das personagens largar os estudos e abrir um restaurante (com que grana, ela trabalhava antes?). E a conclusão de nosso herói de que o que ele mais gostou em entrar na universidade, e aprender, foi o fato de encontrar um amor é mais do que bobalhona, e subverte completamente todo o drama que o personagem sentia no começo do filme. O que ele vai fazer com seus cursos?


Hanks, diretor, diz ao Hanks, ator: não importa, pegue sua possante lambreta e passeie por Los Angeles, já que quem se importa com a vida real. Bom mesmo é dar uma banda de motoca, uma brasa, mora.



quarta-feira, 7 de setembro de 2011


Anjos da Noite – Despertar




O trailer do quarto filme da série Anjos da Noite apresenta de cara o elemento que tanto agradou os fãs nos primeiros dois filmes: a protagonista Selene, vivida por Kate Beckinsale. Após um terceiro e burocrático segmento, a franquia volta na trama que se passa 12 anos depois do segundo filme e investe nesse trailer, que mostra sequências de ação durante toda a metragem e ainda, de quebra, revela a trama inteira, por mais rasa e tosca ela pareça ser. Porém, o arsenal estiloso da série continua afiado e a fotografia azulada, ainda que aposte numa câmera digital que não é tão eficaz quanto película (se tratando de um filme sóbrio, sombrio), é muito boa. O uso do 3D parece ser interessante também, o que lembrou bastante Resident Evil e seus esbranquiçados cenários tridimensionais. Vale pelo visual, agora é esperar se o 3D cumprirá o prometido (o que Resident Evil 4 fez).



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Desconhecido
(Unknown, 2011)
Thriller/Suspense - 113 min.

Direção: Jaume Collet-Serra
Roteiro: Oliver Butcher e Stephen Cornwell

Com: Liam Neeson, January Jones, Diane Kruger, Aidan Quinn, Bruno Ganz e Frank Langella

Liam Neeson vem se especializando em interpretar o "ordinary guy" jogado em uma situação extrema e que precisa lidar com as dificuldades impostas. Nesse Desconhecido, uma mistura de O Fugitivo e Busca Frenética com toques da trilogia Bourne, ele interpreta o biólogo Dr. Martin Harris, que se vê perdido e sem saber sua identidade em uma fria cidade de Berlim.

Harris chega na cidade acompanhado da esposa Elizabeth (January Jones) para uma convenção. Esquece sua mala no aeroporto e ao chegar no hotel decide voltar aonde imagina ter esquecido o objeto e resgatá-lo. Toma um taxi e se envolve em um grave acidente que o deixa em coma por quatro dias. Quando acorda volta ao hotel e descobre que outro homem está se passando por ele e pior que sua esposa não o reconhece. Passa então a tentar descobrir o que de fato aconteceu e quem ele é na verdade.


A direção é de Jaume Collet-Serra (o mesmo dos terríveis Casa de Cera e Gol 2 e do mediano A Órfã) que não é nada sutil em sua abordagem da questão da confusão mental do personagem. Basta o tema entrar em discussão para Serra entornar sutilmente o eixo da câmera e desfocar o segundo plano. Reparem que em todas as cenas em que Neeson descobre peças desse quebra cabeça a câmera faz esse mesmo movimento.

Neeson aliás anda se especializando em papéis "Fordianos". Em Busca Explosiva e nesse Desconhecido, o ator emula Harrison Ford por toda a película, além da linha narrativa ter muito de Fugitivo, no tocante ao apresentar um personagem lutando contra o mundo em busca de respostas. Mesmo assim, Neeson veste a camisa e convence como herói de ação involuntário.


Uma pena que os coadjuvantes que o acompanham sejam em sua maioria medíocres. Diane Kruger, a mulher mais bonita da história da humanidade segundo Wolfgang Petersen e que Tarantino fez sofrer, ter uma perna quase arrancada e morrer de forma triste, é a taxista com quem o personagem de Neeson se acidenta. Vazia e previsível, funciona como a garota pobre e inocente que se ve metida em ago muito maior do que sua compreensão. January Jones cada dia mais prova suas limitações como atriz. Depois de enfeitar a tela em X Men Primeira Classe (ou antes, caso tenha visto Desconhecido primeiro) ela surge aqui linda e inexpressiva como sempre. Tendo que ser uma personagem importante (tão quanto Liam Neeson) em momento algum ela apresenta talento suficiente para nos convencer de suas capacidades. Repare em seu olhar sempre vazio e em sua voz monocórdica, não expressando nenhum traço de intensidade.

Completam o elenco de coadjuvantes desperdiçados, o irrelevante Aidan Quinn, como o tal  "substituto" que pouco tem a fazer, além de servir de escada para Neeson e o deslocado Frank Langella que com pouco mais de dez minutos de cena, está no automático, lembrando uma versão menos exagerada de seu personagem em A Caixa.


O grande coadjuvante do filme (e que divide o fardo com Neeson quando está em cena) é o talentoso ator alemão Bruno Ganz (dos brilhantes Asas do Desejo e A Queda entre outros), que dá uma credibilidade e tanto ao personagem de um velho investigador da polícia da ex Alemanha Oriental, procurado por Neeson para ajudá-lo a descobrir que é. Suas cenas são bastante interessantes embora o personagem pareça ter poderes sobre-humanos para desvendar os mistérios da trama com incrível facilidade.

Culpa do roteiro previsível e cheio de explicações minuciosas que são forçosamente desnecessárias. Dou como exemplo toda a sequencia da invasão ao apartamento da taxista vivida por Diane Kruger. Assim que entra no apartamento ela não esquece de dizer que as paredes são de gesso e portanto finas. Tentando dar credibilidade a posterior sequencia em que durante uma briga, personagens atravessam a parede do apartamento em direção aos vizinhos.


Ao mesmo em que o roteiro perde tempo para apresentar essa minúcia, simplesmente não explica a capacidade extra-sensorial do personagem principal para decifrar códigos, ou mesmo na revelação final (o último dos plot twists) as motivações para toda uma trama mirabolante que parece ter saída do pior dos filmes de Bond.

O problema de Desconhecido é o mesmo que aflige a imensa maioria dos thrillers de mistério: expectativa. Geralmente bem construídos em seus dois primeiros terços, criam uma expectativa monstruosa para uma conclusão épica e genial, mas afundam em sua própria dificuldade em responder suas perguntas.



segunda-feira, 5 de setembro de 2011


The Thing




O trailer do remake do filme seminal de terror e ficção científica de John Carpenter apresenta um ritmo intrigante que se deve á interessante montagem, que mescla os elementos atmosféricos do terror com as aparições relâmpago da criatura. O elenco, liderado por Mary Elizabeth Winstead, parece firme e bem preparado, ainda que pareçam com os meros corpos pra carnificina de filmes como Predadores e Doom. Semelhante na abordagem e no tom do original, o remake parece honrar a sugestão aterrorizante do clássico de 82, ainda que atualize os seus temas pra atualidade. Ao final do trailer, surge a dúvida: uma interessante homenagem ou apenas um novo e desnecessário remake?



domingo, 4 de setembro de 2011


Red State




O novo filme do diretor Kevin Smith (de O Balconista 1 e 2), Red State , ganha seu primeiro trailer completo. O longa conta a história de três jovens desajustados, que são capturados por uma família de fanáticos religiosos no interior dos Estados Unidos. Red States, nos EUA, são estados americanos dominados por eleitores republicanos - tradicionalmente intolerantes a ''fornicações'' e altamente religiosos. Ainda que baseada em acontecimentos verídicos, a trama que a prévia propõe é bastante exagerada, montando um clima um tanto tosco - repare no revólver dentro da Bíblia. Com elementos surrados e que beiram o kitsch, o trailer ainda se mostra esteticamente feio, e tecnicamente duvidoso - Smith abusa de takes imaturos e que não demosntram muita evolução em sua técnica. Se esse amadorismo, misturado com uma história tão estranha, pode gerar algum produto original e cool, só aguardando pra saber.



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Apollo 18
(Apollo 18, 2011)
Terror/Sci Fi - 88 min.

Direção: Gonzalo López-Gallego
Roteiro: Brian Miller

Com: Warren Christie, Lloyd Owen e Ryan Robbins

Você sabe quem são os atores que fazem Apollo 18? Pois é, segundo o IMDB (talvez o mais famoso e seguro site para informações técnicas de cinema no mundo) o filme era estrelado pelo vazio até a última quinta feira, dia 01 de Setembro. Ninguém. Zero. Kaput! Essa é só mais uma nota que se junta ao imenso mistério que cercou a produção e divulgação do suspense espacial com estética de documentário produzido por Timur Bekmambetov (diretor de O Procurado). Mesmo durante a cabine de imprensa nem o release, nem fotos de divulgação foram apresentadas. Tudo envolto em muito mistério.

Justificado?

Nem um pouco. Além de não ter nada de original no conceito do filme, a tal "realidade" do filme já deu o que tinha que dar. Esse recurso de fingir que recebeu um vídeo secreto ou misterioso que só agora pode ver a luz do dia, funcionou em 1999 com a Bruxa de Blair, e tirando o brilhante REC, todos os outros documentários de ficção não funcionaram bem. Tirando poucos sustos no irregular Atividade Paranormal, ou a idéia do monstro em Cloverfield, filmes assim perdem muitos pontos por sua tentativa de estética quase amadora, que além de incomodar os olhos, tem problemas de ritmo constantes e a sensação da falta de motivação para alguém ficar carregando uma câmera durante um momento de profundo desespero.


Apollo 18 é mais um exemplar da família. Diferente de seus antecessores mais modernos, tenta recriar a sensação de angústia, desespero e ansiedade que o clássico Bruxa de Blair apresentava. O filme fala da fictícia missão Apollo 18, que vai a lua de forma absolutamente sigilosa e que enfrenta os mistérios de um lugar inóspito, solitário, e que como dizia o cartaz de Alien "se você gritar, ninguém vai te ouvir". A missão é comandada pelo capitão Nate (Lloyd Owen) que lidera o grupo, por Ben (Warren Christie) e pelo piloto da nave John (Ryan Robbins). Para não estragar a surpresa de quem vai ver o filme, apenas digo que Apollo é mais psicológico e permanece nas sombras do que apela para sustos fáceis e o gore. Como os créditos iniciais - de forma apalermada - insistem em dizer, as filmagens foram recuperadas e colocadas a disposição em um fictício website, portanto indicam que, ou os astronautas sofreram muito e morreram ou, alguém encontrou essas imagens em alguma gaveta secreta da NASA e resolveu "mostrar ao mundo". Como o cinema de ação - geralmente - é previsível, não é preciso muito mais do que quinze minutos de filme para percebermos como aquele video vai nascer.

Falando sobre o vídeo em si, Apollo 18 supera tudo o que não se deve fazer na filmagem de um filme, misturando gramaturas, qualidade de filme, bitolas e iluminação. Uma verdadeira salada, que pelo menos, dá credibilidade a idéia de video perdido e amador. A maioria das filmagens é apresentada em 16 mm sem conversão (aparentemente) , o que resulta em uma diminuição arbitrária do tamanho da tela quando as imagens são apresentadas nesse formato. O Som por sua vez tem função primordial. Além de ser parte integrante da narrativa, é o catalisador das tensões que os personagens enfrentam. Tudo tem inicio a partir de alguma coisa ouvida por um personagem e se encerra com mais explosões sonoras.


Se esteticamente é difícil analisar esse tipo de produção, é salutar ressaltar o trabalho da equipe de produção na criação do solo lunar. Apesar de não apresentar nenhuma novidade, convence de que estamos em um ambiente desolado, frio e distante de qualquer contato humano. Essa aura alienígena é ampliada com a boa fotografia das tomadas externas (que não envolvem o 16 mm), quase sempre estourada e de altíssimo contraste.

Se tecnicamente o filme cumpre aquilo que promete, narrativamente ele sofre de um problema de ritmo constante. Se a introdução copia a forma de apresentar os fatos de Distrito 9, o desenvolvimento da história lembra uma mistura do seminal Alien (pela presença de uma ameaça desconhecida no espaço que ataca sorrateiramente os tripulantes de uma nave) com o recente Lunar (pelo tédio da missão e pela sensação de isolamento que o filme apresenta e pelo fato de apenas os astronautas aparecerem fisicamente no filme).


Porém, a mistura dos dois filmes - um clássico do suspense e um drama humano brilhante ambientado no espaço - não funciona muito bem. Na queda de braço entre dois gêneros tão diferentes, o diretor Gonzalo López-Gallego (estreando em produções americanas) prefere apostar no suspense de sobrevivência, com resultados razoáveis. Se nos assustamos em uma excelente sequencia em que um dos astronautas investiga uma cratera lunar abandonada, a conclusão do filme põe quase tudo a perder quando força a enésima potencia a capacidade do espectador em suspender a descrença. Uma vez que apresenta sua premissa, fica impossível crer que o que a introdução do filme nos apresenta possa ter acontecido. Simplesmente não faz sentido.

Os atores - todos desconhecidos - executam funções pré-determinadas pelo roteiro de Brian Miller. Temos o líder, o esperançoso e o impaciente. Cada um deles serve ao propósito da história, mas sem brilho, sem uma grande cena para nos fazer torcer pelos personagens ou temer seus destinos. Incomodamos-nos e nos sentimos intrigados pela história, muito em função de uma mórbida curiosidade para saber como aquela história vai acabar.


O que poderia ser um suspense tenso e virulento sobre solidão e sobre o medo, transforma-se em uma montanha russa quando os acontecimentos vão se sucedendo. Não chega a ser ruim como o pavoroso A Casa - recentemente lançado por aqui - mas fica claro que essa forma de fazer cinema de suspense e horror, está cada vez mais com os dias contados.



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O Homem do Futuro
(O Homem do Futuro, 2011)
Comédia/Romance/Ficção Científica - 103 min.

Direção: Cláudio Torres
Roteiro: Cláudio Torres

Com: Wagner Moura, Alinne Moraes, Maria Luísa Mendonça, Gabriel Braga Nunes e Fernando Ceylão

Cláudio Torres é um sujeito criativo e ousado. Em um país dominado pelo cinema-novela, é salutar encontrar um cineasta que consegue ser popular e ainda sim, manter a originalidade e ser tecnicamente quase irrepreensível. Também é necessário dizer que Cláudio é dos poucos cineastas do país que pensa "fora do quadrado", ousando misturar o mais popularesco (a comédia romântica) com a realidade fantástica (sejam super poderes e vozes divinas, mulheres que não existem e, agora, a viagem no tempo).

Seu primeiro filme, Redentor, a história de um jornalista que se envolve com a corrupção nas altas escalas do poder nacional, apenas por vingança contra o homem que destruiu o "sonho da casa própria" de seu pai, apesar de irregular, tinha ótimo momentos. Já entraram para a história da cinematografia nacional as seqüências onde o personagem de Pedro Cardoso conversava com a estátua do Cristo Redentor ao som de O Guarani, de Carlos Gomes. Cláudio, teve o gosto do sucesso com sua produção seguinte, a comédia A Mulher Invisível, que colocava Selton Mello como o controlador de tráfico deprimido que encontra o amor em uma mulher invisível.


O Homem do Futuro é uma mistura desses dois lados da carreira de Cláudio e é seu longa mais correto, que melhor equilibra a doçura romântica e a ficção cientifica em uma história coesa, tecnicamente correta e com momentos inspirados de seu protagonista e de alguns coadjuvantes. Entretanto, não é um filme perfeito, e perde alguns pontos com os diálogos um tanto declamados e a dificuldade que é explicar o conceito de viagem no tempo, física quântica, elétrons, nêutrons, vórtices e afins de maneira mais simplista.

O filme começa com o cientista Zero (Wagner Moura) em meio a um experimento que pretende criar uma nova forma de energia. Zero é um personagem amargo, assombrado pelo passado e que não sabe conviver com suas frustrações. Em meio às pressões de sua chefe e financiadora (Maria Luisa Mendonça) e a desconfiança de todos, Zero resolve testar o experimento, que não funciona como ele esperava. Em vez de criar uma nova forma de energia, acidentalmente ele desenvolve uma forma de voltar no tempo, indo direto ao momento em que suas frustrações e seus traumas foram marcados a fogo em sua mente.


Como em todo filme de viagem no tempo, alguns elementos técnicos precisam ser analisados aqui. O visual da máquina e de todo o complexo científico é muito interessante e bem realizado. Apesar dos óbvios excessos (menus em português, uma simplificação de processos na criação da máquina e em seu manuseio) tudo funciona direitinho. A fotografia do mundo real hoje, azulada, propositalmente asséptica dá a entender que a vida do personagem é um longo martírio sem cor e sabor. E os efeitos visuais são excelentes. A idéia "watchmeniana" de dissolver o organismo em partículas quando Zero viaja no tempo é uma sacada ótima.

Quando chegamos ao passado - além das óbvias referências quanto à época (1991) em que o filme agora se passa - conhecemos a versão jovem de Zero, aqui ainda chamado de João. Diferente do homem amargurado e encurvado, uma quase caricatura de cientista maluco de história em quadrinho que Zero/João é em 2011, a sua versão mais jovem é inocente, pura, quase ingênua e sofre de uma gagueira crônica, apesar de já aparentar ser um gênio. É nesse período que o filme se desenvolve melhor e que conhecemos mais intensamente os coadjuvantes, como o amigo (seu único) Otávio, a mulher dos sonhos Helena e o vilão (embora não seja tão vilão assim como o filme mostra no decorrer do filme) Ricardo, além de presenciarmos o trauma que marcou a vida de João.


Falar que Wagner é um ator fabuloso é chover no molhado. Em Homem do Futuro ele interpreta três versões dele mesmo (sim, três, já que existe uma versão que equilibra a ingenuidade do passado e o amargor do presente que surge do decorrer da trama), conseguindo caracterizar cada personagem de forma diferente. Outro mérito da produção do filme, já que em determinados momentos os três Zeros estão na mesma cena, é a excelência da experiência de acompanhar os personagens interagindo, e por mais que saibamos que possivelmente dois deles são dublês, a "magia" da cena não é quebrada.

Também não é difícil entender a fascinação de João/Zero pela personagem de Alinne Moraes. Se a atriz não é a mais completa atriz de sua geração, não compromete em momento algum, é carismática e ainda apresenta outra faceta de seu talento: a de cantora. Já Gabriel Braga Nunes não me convence. Seu Ricardo é um vilão fraco, sem humor e que parece estar em outro filme, muito mais sério do que os demais colegas de cena. Mesmo quando vemos as "versões alternativas" do personagem, em momento algum Gabriel funciona como vilão. Não causa medo, nem piedade, nem funciona como alívio cômico.


Já Fernando Ceylão (que interpreta Otávio) até tem alguns bons momentos, mas o humor do filme não é do tipo que precisa de um alivio cômico. O humor está presente na situação em si. Um homem que volta no tempo e tenta resolver sua própria vida deveria render momentos engraçados, como de fato proporciona, embora na segunda metade do filme, o humor dê lugar a "dramédia" e ao romance, num misto de Efeito Borboleta (e sua indefectível teoria do Caos), Carrie, a Estranha e os filmes sobre amores impossíveis como Tarde Demais para Esquecer - para quem não lembra é aquele em que um homem (Cary Grant) se apaixona em um transatlântico por uma mulher (Deborah Kerr) e resolvem se encontrar no alto do Empire State, e não conseguem por uma série de fatores e acasos do destino. Homem do Futuro tem uma idéia parecida, sobre essa questão de amores adiados e o destino interferindo na vida das pessoas.

A direção de arte, peça fundamental na criação de realidades, passados e futuros é muito boa. Tanto quando retrata 1991, ou precisa mostrar o interior da universidade, ou diferenciar os mesmos cenários em períodos históricos diferentes. Os figurinos também ajudam muito ao filme, principalmente se contarmos com o fato de que boa parte do mesmo acontece durante uma festa a fantasia. A fotografia segue o padrão da filmografia de Torres com ambientes esverdeados ou azulados, uma assepsia em alguns momentos e muito contra luz. Tudo para diferenciar épocas. 1991, por exemplo, é quase sépia e por apresentar cenas que em maioria se passam em ambientes fechados, tem muitas cores quentes e contrastantes; já o início do filme (o nosso presente) como disse na crítica é asséptico e a terceira realidade é opaca e sem vida. A trilha acerta quase sempre, em especial quando ilustra as seqüências com efeitos visuais, mas as cenas mais engraçadas (ou que tentam ser engraçadas) sofrem com uma trilha descompassada que tenta acompanhar os diálogos pretensamente cômicos e que não ajudam ao filme.


O maior problema de Homem do Futuro é que por vezes chegamos a nos empolgar com o filme (a cena de Wagner e Alinne cantando é contagiante) mas ele não consegue manter-se equilibrado. Sempre que alça voo é metralhado por uma piada mal colocada ou um momento de ligeira vergonha alheia (a idéia de piada que envolve uma coleção de revistas Playboy e um camarada vestido de papel higiênico é medonha). Mesmo em sua resolução, o filme escorrega ao subverter a idéia do personagem de certo e errado pelo bem do happy ending. Não compromete, mas o romantismo puro e o desapego que João 3 pregava, fica um pouco manchado.

Homem do Futuro é mais um passo na carreira de Claudio Torres, um dos poucos diretores brasileiros que transitam no cinema comercial, que é capaz de assinar verdadeiramente uma obra cinematográfica. Vejam bem, cinematográfica. Como é bom constatar que existem produções assim ainda no Brasil, comerciais até o osso e cinematográficas até a alma.