quarta-feira, 7 de outubro de 2009

1492 - A Conquista do Paraíso
(1492 - Conquest of Paradise - 1992)
154 min. - Drama

Direção: Ridley Scott
Roteiro: Roselyne Bosch

Com: Gérard Depardieu, Armand Assante, Sigourney Weaver, Michael Wincott, Tcheky Karyo, Kevin Dunn, Frank Langella

Esse é um filme subestimado. Sem dúvida entre todos os filmes históricos que ví está entre os melhores e mais humanos.


A história básica é conhecida por todos aqueles que cursaram pelo menos até a quinta série do primário. Trata-se da história do descobrimento da América por Cristovão Colombo.


Essa é a história básica, o cerne da questão digamos assim, nas entrelinhas é uma história sobre sonhos, sobre enfrentar seus medos, sobre encontrar seu caminho e fazer sua própria história.


Ridley Scott, que admito é um diretor irregular, conseguiu (e não sou historiador para confirmar ou julgar as "verdades" do filme) me transportar para 1492 e me levar em sua viagem rumo ao desconhecido.


Esse filme é genial desde sua abertura, quando Colombo está com seu filho e numa cena emblemática (e dotada de sensível inteligencia) apresenta o personagem como um sonhador, um idealista capaz de tudo para conseguir vencer e conquistar.


Tratando basicamente da estrtura narrativa, Scott dividiu-a em três atos rigidamente montados.
Analisarei o filme por esse viés, e como trata-se de um filme mais antigo soltarei alguns spoilers aqui e ali.


A primeira parte, que dei o nome (metido eu não ?) de o sonho, trata do convencimento da nobreza espanhola de que é possível circunavegar a terra de modo que a viagem ao oriente tornaria-se mais rápida e eficiente.


A fotografia é naturalista, com ecos de Barry Lyndon na construção da fotografia, amparada pelo uso das velas como fonte natural de luz.


A minha impressão do ínicio do filme , e faço questão de compartilha-la com os leitores, é a de torpor intelectual. Explico: Hoje, em plena era da informação, onde os bites, megabites e terabites cruzam as nações como pássaros em migração, é incrível notar que a 500 anos (uma idade ridiculamente curta em termos da evolução do planeta) o homem sequer tinha noção do tamanho de seu próprio mundo.


Nota-se também como as ditas instituições de saber (aqui representada pela universidade de Salamanca, uma das mais antigas da humanidade) eram supersticiosas, religiosas e antiquadas.


Outro detalhe importante é toda a gama de politicagem implícita na escolha de uma viagem e todo o "jogo de cintura" de Colombo tem de fazer para conquistar votos.


Gerard Depadieu tem seu grande momento na telas vivendo com intensidade e volúpia o navegador italiano. Nessa primeira parte é perceptivel seu olhar sonhador, sua visão de mundo e a que jogos ele se presta (numa legítima "puxação de saco") para conseguir realizar seu real objetivo: a pura descoberta. O privilégio de ver um mundo novo e intocado sem as amarras da velha Europa. Um mundo onde não existam pessoas que são queimadas em praça pública,por exemplo.


Nessa parte somos apresentados a Sanchez, o tesoureiro real , numa atuação serena e segura de Armand Assante. Sanchéz é um titeteiro que manipula nas sombras a situação a seu favor.


Tcheky Karyo (um de meus atores favoritos) surge como Pinzón, que ao lado do banqueiro Santangel (Frank Langella numa ponta) propoem-se a bancar o sonho do Colombo, intermediando um encontro entre ele e a rainha Isabel da Espanha.


Sigourney Weaver é a rainha. A musa de Ridley Scott, e constrói sua personagem como uma alma perturbada e decidida a ser mais do que é. Nisso a identificação com Colombo é imediata e a fagulha de paixão é visível, e ela decide patrociná-lo.


Até aqui, a trilha é sensível, tocante, mais a primeira mostra da genialidade de Vangelis acontece no fim do "primeiro ato", com a magnificamente bem orquestrada cena do embarque dos marinheiros rumo ao desconhecido. Eles caminham como se indo em procissão rumo ao destino, rumo a descoberta de algo novo.


Todo o primeiro ato é escorado na apresentação dos personagens, suas motivações, virtudes e defeitos. Ao mesmo tempo que vimos Colombo como um visionário, o próprio filme trata de mostrar sua ambição e sua vontade de vencer a qualquer custo.


A segunda parte, intitulada pelo meu enorme ego de O Barco, trata da viagem até (pensava-se) as Indias.


De primeira é facilmente identificável a excepcional reconstrução de época, com um salve especial a direção de arte, que se na primeira parte era muito boa, aqui atinge quase a perfeição.


O navio é retratado como a visão da pobreza, da imundice e da dificuldade extrema da conquista.


Nesse "segmento" somos apresentados a novas facetas de Colombo. Ele é um gênio tecnológico, criador de novas técnicas de navegação e dotado de sabedoria e bom-humor. Também é um obcecado. Um obcecado pela conquista, pelo prazer da descoberta, pela sensação de ser o primeiro.


O navio se transforma em uma caldeira fumegante, onde a desconfiança, o medo e a raiva se misturam.


Colombo sente-se perdido e precisa de um milagre para evitar um motim.


E ele acontece.


Ridley Scott entrou para a história do cinema ao criar o Alien (a criatura mais aterradora do espaço, com arte de H.R. Giger) e a de imaginar o futuro escuro e sombrio em Blade Runner (que terá resenha no blog em breve). Sempre senti falta da inclusão de momentos simplesmente mágicos de 1492 na lista, momentos onde o cinema nos ilumina com sua poderosa capacidade de criar imagens que se fixam em nossa retina e mente para sempre.


Um desses momentos é o momento da descoberta. A espetacular sequencia, brilhantemente conduzida pelo "maestro" Scott. Visualizamos a tensão extrema e as condições sub-humanas a que os marinheiros estavam se submetendo. Numa noite especialmente quente, Colombo é mordido por um mosquito e (por questões mais que óbvias) imagina que a tão sonhada terra esteja perto.


Na manhã que se segue a névoa envolve a todos. O barco, os marinheiros e nós somos envolvidos como a um véu matutino a espera da grande revelação. Vangelis compõe o tema ideal e pontual para a situação, marcando a cadencia dos olhares de Colombo e da tripulação.


E então ... o verde.


Numa das mais belas cenas do cinema. O olhar de Depardieu, num close, define tudo. O frescor da novidade e o alívio e não alegria imediata com o sucesso.


Aplausos a Ridley Scott.


As âncoras descem, as bandeiras tremulam, os marujos descem nos botes.
E então Colombo desce do bote, rompendo as águas, passando por sobre a terra virgem.
Ele para.
Ajoelha-se, orando e agradecendo pela ajuda divina com a plena sensação de que finalmente alcançara seu objetivo.


A sequencia é magnifica, onde tudo (absolutamente tudo) funciona. Vangelis compõe seu tema mais poderoso, sensível, mágico.


O terceiro, mais longo e último ato começa com:
" Pela graça de Deus em nome de sua majestade Clemente de Castilla e Aragão, por todo o poder conferido a mim, tomo posse desta ilha e a denomino San Salvador".


E então avançam rumo ao verde.


Para aqueles que ainda não viram o filme, me perdoem pela descrição da cena, mas imagino que a imagem é tão poderosa e impactante que mesmo que fizesse uma minuciosa leitura dos fatos, mesmo assim, a imagem ainda seria inacreditavelmente pungente e magnífica.


O que segue-se a essa maravilhosa sequencia é o óbvio. O homem branco, vendo-se em um território completamente intocado, surpreende-se com a imperturbável força da natureza.


Essas sequencias iniciais (acho que devem ter cerca de 10 ou 15 minutos) da descoberta são icônicas e definem-se sem diálogos. O poder da imagem é absoluto.


O segundo momento de real poder do filme é quando há a o primeiro encontro entre o homem branco e o nativo. Novamente Scott recria a tensão palpável quase tangível, um objeto de força e forma poderosa, representada pelo encontro entre duas culturas e duas formas de ver o mundo.


A descoberta de uma nova civilização surpreende aos espanhóis. São quase quinze minutos de espetáculo de som e imagem, onde a voz humana é substituido pelas imagens do "paraíso". Cinema puro.


As impressionantes imagens registradas (e aqui cabe uma homenagem ao diretor de fotografia Adrian Biddle, o mesmo de Aliens, Thelma & Louise, V de Vingança, Regras da Atração, Reino de Fogo, A Múmia entre outros) podem ser resumidas na primeira sentença após o espetáculo proporcionado por esse genial inglês: "21 de Outubro de 1492, acho que voltamos ao paraíso". Definitivamente Scott nos deu um filme para todo o sempre.


Colombó é mostrado como um amante dos índios (historicamente correto ?) e que contrói as primeiras relações, conflituosas é verdade, com os habitantes.


Após estabelecer uma "base" ele volta a Espanha, sem o ouro desejado pela coroa, mas rico em experiencias e desejando voltar o mais breve possível.


Então surge o grande problema do filme, que até então levaria um 9,5 fácil, que é a criação de um vilão. Surge Adrian de Moxica, vivido com a habitual competência por Michael Wincott (conhecido por inúmeros papéis coadjuvantes em: Nascido em Quatro de Julho, The Doors, Robin Hood [seu papel mais conhecido], O Corvo, Dead Man, Basquiat, Alien: A Ressureição entre outros) mas que surge do nada e apenas cria um obstáculo cinematográfico e incorpora todos os vicios e trejeitos vilanescos mais caricaturais. Ele é mau com os índios, ignorante, estúpido, arrogante e etc. Junta-se a isso a uma desnecessária "batalha final" entre os índios e os espanhóis que só serve (espero que essa tenha sido a idéia de Scott) para quebrar o encanto de Colombo com seu paraíso. De qualquer forma, faltou sutileza ao retratar o fim do sonho e a criação da exploração maciça dos "homens brancos" sobre os índios e futuramente dos negros.


A uma sequência que ilustra bem essa visão. O índio que servia de interprete a Colombo e que havia sido "esbranquiçado" foge correndo para a floresta após um início de tornado/furacão na ilha (outro ponto falho e desnecessário) e antes de sumir para sempre na imensidão verde é interropido por Colombo que grita: "Fale comigo" e o índio rebate "Você nunca soube falar a minha lingua". Isso define o sentimento comum ao homem branco. Ele nunca compreende o espírito da floresta.


Apesar disso Colombo é mostrado como um homem traído por seus companheiros que não compartilhavam sua visão de paraíso. Queriam explorar e usar os índios como escravos e não construir uma nova civilização.


Após a revolta, Colombo perde seu comando e é preso (historicamente correto ?) e tem seus registros históricos apagados. Suas conquistas e vitórias ficam relegadas apenas aos que viveram as situações e compartilharam de sua paixão.


Tudo isso é emblematicamente mostrado na (quase) sequencia poética que redime as bobagens do terceiro ato. Nela após ser libertado pela rainha de sua prisão ele encontra o "verdadeiro vilão" Sanchez o tesoureiro e trocam esse diálogo:


"Sanchez: Você é um sonhador
Colombo: Me diga, o que você ve ? (apontando para uma janela aberta que dá a visão de parte dos terrenos do castelo e da cidade)
Sanchez: Eu vejo telhados, eu vejo palácios, eu vejo torres, eu vejo espirais tão altas que alcançam o céu.
Colombo: Todas elas contruídas por pessoas como eu. Não importa o quanto viva Sanchez, uma coisa nunca mudará entre nós. Eu fiz. Você não."


Colombo, em definição é isso. Um visionário, um homem que como todos os sonhadores (e me incluo nessa categoria) se permite viver perseguindo sua verdade, seu verdadeiro lugar nesse mundo e que ao alcançar esse objetivo, nos inspira e nos ilumina com o poder de seu sonho.

TRAILER:


















Star Trek
(Star Trek - 2009)
127 min. - Ficção Científica

Direção: J.J. Abrams
Roteiro: Roberto Orci e Alex Kurtzman

Com: Chris Pine, Zachary Quinto, Eric Bana, Bruce Greenwood, Karl Urban, Zoe Saldana, Simon Pegg, John Cho, Anton Yelchin, Ben Cross e Wynona Rider

Estamos diante do melhor, e bota melhor nisso, blockbuster do ano. Star Trek de J.J. Abrams é um desbunde visual, técnico e "filosofico".


Star Trek, ou Jornada nas Estrelas, é talvez a grande responsável pela criação de toda uma cultura nerd/geek. Gene Roddenberry , o criador da série, com certeza não podia imaginar que seu show seria tão cultuado, amado e respeitado até hoje.


Falando ainda da mitologia da franquia, é necessário dizer que além da série clássica (da onde o filme de Abrams "rouba" os personagens) que com certeza é a mais popular e bem sucedida, houveram outras inúmeras re-imaginações e continuações. Além é claro de filmes. Os seis primeiros abordando a tripulação da série antiga e os quatro mais recentes com a tripulação de A Nova Geração (destacando-se Patrick Stewart como o capitão Jean-Luc Picard, Brent Spiner como o andróide Data entre outros).


O que diferencia então a obra de Abrams frente a outras dez produções que abordam o universo Star Trek ?


Em uma palavra: RESPEITO.


É notório, tanto para fãs quanto para simples amantes de cinema, que os filmes da série são em sua grande maioria ruins. Dentre a gama de dez produções destacam-se apenas A Ira de Khan (o segundo da tripulação clássica) e Primeiro Contato (o segundo da tripulação de Picard). Os demais, possuem bons momentos mais em conjunto não agradam totalmente.


Por isso, é de destacar o enorme respeito com que J.J. Abrams e equipe conduziram o espetáculo visual de Star Trek. A começar pelo roteiro (incrivelmente escrito pelos mesmos responsáveis pela porcaria Transformers 2) que ao mesmo tempo que enche de referências a série clássica o filme, cria uma possibilidade para a "recriação" do universo Star Trek usando uma das fórmulas mais batidas (e funcionais) do cinema.


Outro motivo para celebrar essa visão de Abrams é seu perfeito senso de utilização dos efeitos visuais. Nunca querendo que eles sobrepujem o poder das palavras e da sua brilhante condução dos personagens.


Aqui cabe um parenteses. Sou um grande fã de LOST e notei diversas referências visuais e estilisticas a série, um vício que a princípio é perdoável, visto que Abrams dirige seu segundo filme, mas que espero que com o tempo essa linguagem seja mais depurada.


Um desses vícios é a colaboração com Michael Giacchino que é o responsável pela trilha sonora da série e do filme. Notem logo no começo do filme uma cena que fez pensar no momento em que veria John Locke adentrar a nave com sua faca de caçador. Outra característica retirada da série foi o frequente uso da câmera em travelling ou com sua movimentação fluída. Geralmente esse efeito me cansa e me faz "perder o frame" e me sentir perdido, porém nesse caso o uso dela não me incomodou.


A história, sem dar spoilers, é um tradicional conto de vingança. Temos o antagonista, o capitão Nero (vívido com fúria e intensidade por Eric Bana, ajudado pela ótima maquiagem), que ao ter seu planeta explodido parte em vingança contra a federação dos planetas unidos e especialmente contra uma pessoa em particular.


Ao mesmo tempo, a principal linha narrativa mostra a formação do caráter e da visão da vida dos dois personagens mais icônicos e tradicionais da franquia. O Capitão James T. Kirk (recriado nos mínimos detalhes interpretativos por Chris Pine, que havia feito apenas O Diário da Princesa 2) e o Sr. Spock (Zachary Quinto perfeito).


Os recorrentes flashbacks (ecos de LOST) nos mostram como os personagens se tornaram o que são e sua eterna busca (ecos de LOST 2) por seu lugar no mundo.


Falando diretamente das atuações, é de se aplaudir de pé a brilhante construção de personagem feita pelos dois protagonistas. Emulam trejeitos de William Shatner em Pine, apesar da óbvia diferença física entre os dois. Pine conseguiu sua grande chance de aparecer e recebeu um conceito A. Já Quinto merece uma ovação popular. Sua recriação do mitologico personagem vívido (e essa palavra encaixa-se perfeitamente) por Leonard Nimoy. Além da semelhança física, Quinto apresenta nuances antes desconhecidas no personagem. Quem já viu o filme, notará o que estou dizendo.


O mais legal de tudo isso é que vemos os personagens "nascendo" em nossa frente. Quando Pine refastela-se na cadeira de capitão por segundos podemos ver Shatner. Quando Quinto usa sua lógica vulcana sentimos a aura de Nimoy abençoando cada palavra. Só por esse quesito o filme já merece uma atenção especial.


Essa re-imaginação toma algumas liberdades poéticas quanto a série clássica que são devidamente explicadas pelo próprio roteiro. Por isso vemos o russo Chekov (Anton Yelchin contido mas convincente) e o envolvimento de Uhura (Zoe Saldana excelente, talvez em seu melhor papel) com um personagem.


John Cho, como Sulu talvez seja o ponto negativo da escalação dos atores. O Sulu original (o brilhante George Takei) era sereno, confiante e eficiente. Não sei, mas talvez por uma implicância minha não consegui desassociar Cho de seu personagem Harold, do cult-besta Harold & Kumar go to the White Castle. A todo momento esperei por Cho fazer uma gracinha, coisa que ele não faz, e (talvez pela "falta de capacidade" do ator) não me convenci de sua atuação.


Karl Urban , um ator que me parecia limitado, "come" o personagem imortalizado por DeForrester Kelly. Seu doutor "Magro" McCoy é sensacional. A recriação dos trejeitos, da neurose, da humanidade estampada em cada célula do personagem. Um incrível trabalho de estudo do personagem e de compreensão de quem é aquele ser humano a ser interpretado. Merecia mais tempo de tela.


Falando nisso, o mais prejudicado pela "fauna" de personagens (outra característica de LOST aqui reprisada e bem conduzida) é Simon Pegg, impagável como Montgomery Scott. Apesar de aparecer da metade para o final do filme, cada cena com sua participação é um delírio cômico.


Com tantos personagens a se explorar é claro que os "coadjuvantes dos coadjuvantes" perdem espaço. Ben Cross (o Barnabas Collins do remake da série cult Dark Shadows) tem pouco tempo para apresentar toda a parte vulcana de Spock, interpretando seu pai e Winona Ryder, praticamente numa ponta de luxo, menos tempo ainda para nos mostrar sua parte humana.


A condução da história é segura, com características "lostianas" (flashbacks, ação entrecortada com diálogos, inúmeros personagens com participação importante, trilha sonora presente, vilão com motivação tridimensional) e várias referências aos fãs da série. Desde a aparição do Capitão Pike (que no episódio piloto da série clássica era o capitão da Enterprise), ao uso das sainhas pelas tripulantes mulheres, a referencia ao Kobayashi Maru, a implicância de McCoy com Spock (citando "Seu macaco de sangue verde") entre outras.Só faltaram os klingons (com certeza devem dar as caras na sequência).


A fotografia é curiosa e nada sutil ao diferenciar os "três níveis" da aventura. Gelatina verde nos vilões (sempre escuros e "maus"), tons neutros na terra e amarelados em Vulcano (mesmo nas cenas internas). Esse detalhe me incomodou pois não sou um grande fã de filmes com mudanças bruscas de fotografia. Pra mim, isso transparece uma questão de simulação da realidade que não me convence. Outro ponto é a óbvia criação do clima romulano como escuro e "malvado". Me pergunto até quando o vilão sempre será retratado como escuro e sombrio.


Como disse acima, os efeitos complementam a ação e não são notados (o que é ótimo sinal, pois quando você sai de um filme comentando mais os efeitos do que a história, algo está muito errado) o que causa a sensação de imerção que é fundamental para um filme assim.


Nunca se viu uma Enterprise tão bela, tão perfeita e tão bem construída. Palmas a equipe de criação de efeitos visuais.


Sem a menor sombra de dúvida, é a melhor incursão da turma de Roddenberry no cinema. J.J. Abrams conseguiu respeitar os fãs, criar novos e ainda entreter aqueles que buscam apenas por uma diversão passageira.

TRAILER:



Amantes
(Two Lovers, 2008)
110 min. - Drama

Direção: James Gray
Roteiro: James Gray e Ric Menello

Com: Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow, Vinessa Shaw

Indicado a Palma de Ouro em Cannes (James Gray)

Quando James Grey anuncia algum novo filme, é sempre de se esperar aquele esquema: Temática familiar, fotografia pesada e com tons de noir e uma direção que trata os protagonistas como pessoas normais diante da situação do filme.Juntando o romance na moda com sua trama familiar, James Grey se consolida como ótimo diretor de drama.


Ele põe todos os seus fatores rotineiros e coloca com eles um roteiro sincero, com situações possíveis, diálogos ágeis e muito clima pesado, típico dos problemas familiares.Leonard(Joaquin Phoenix) é um homem que ainda vive com os pais e trabalha na tinturaria deles. Ele está extremamente infeliz, como se vê no primeiro frame(uma cena delicada de ser interpretada, que causa estranheza inicial).


Logo depois, descobrimos que toda essa tristeza é causada pelo amor, principalmente o de sua noiva que o largou.Mas Leonard vê uma oportunidade do amor retornar em sua vida quando ele conhece Sandra(Vinissa Shaw) em uma reunião familiar dos pais deles.


A partir daí, se descobre que Sandra está gostando de Leonard e quer que ele recupere a alegria. Caminhando para essa relação, Leonard então conhece Michelle(Gwyneth Paltrow), sua vizinha. O jeito novo, liberal e descompromissado dela o encanta e ele aí fica em dúvida sobre o que ele irá fazer.Para esse denso drama, Grey escalou um elenco soberbo. Joaquin Phoenix, em seu possível último trabalho, encarna com maestria o abobado Leonard. Leonard é tão esquisito que alguns no filme chegam a cogitar se ele tem sanidade mental ou não. Méritos para Phoenix, ator muito acima da média.


Gwyneth Paltrow dá tudo de si para interpretar a intensa Michelle. Sua personagem é complicada, triste, determinada e, definitivamente, não consegue saber o que quer. Gwyneth faz tudo isso parecer normal.


A desconhecida Vinissa Shaw atua com uma naturalidade enorme, passando tudo o que está sentindo para todos. Diferente de Michelle, Sandra é segura, feliz e é fácil de entender.Todos os coadjuvantes atuam bem, mas são ofuscados pelos ótimos protagonistas, o que é normal aqui, tamanha a qualidade do elenco.Nos quesitos técnicos, Grey "exagera" na qualidade de direção.


Ele filma os atores com closes constantes, o que deixa o filme perturbador em alguns pontos. A agonia dos personagens é transmitida para o público de forma sutil. A direção de fotografia de Joaquin Baca-Asay é precisa e com os tons de noir conhecidos dos filmes de Grey. Mas aqui o noir não é relacionado ao cinema de crimes, de suspense. Aqui o noir é mostrado para demonstrar diferentes reações dos personagens, principalmente de Leonard. Quando ele está no telhado, com Michelle, a fotografia é mais clara, com posições de câmera em ângulos abertos, retratando a liberdade.


Quando ele está com Sandra, o clima é escuro, com a câmera registrando o ambiente de forma sufocante, retratando a limitação do local, como se Leonard estivesse preso á aquilo. A edição de John Axelrad é boa, dando um ritmo nada apressado a trama.


O roteiro, de Grey e Richard Menello, é um achado. Com diálogos pesados, arrastados e cheios de culpa, o roteiro se sobressai da maioria, criando algo realmente único. É raro ver situações e diálogos sendo retratados de forma tão honesta e real. Situações, como a que Leonard sai da boate com Michelle, são bonitas de se ver. Quando Michelle chora ao retratar a sua realidade, fica evidente que Grey tomou cuidado em dar rumos ousados á sua trama. O próprio final representa essa ousadia.


Com Two Lovers, Grey não quis fazer o convencional. Ele resolveu ir contra a maioria, ávida por comédias-românticas. Ele resolveu voltar as raízes do romance bem executado e cativante. As cenas amorosas são bonitas e muito mais críveis que numa comédia romântica.


A partir de Two Lovers, eu irei confiante a qualquer sessão de filmes de James Grey e, principalmente, eu irei querer mais romance competentes como esse.

TRAILER:




sábado, 3 de outubro de 2009

Cenas Inesquecíveis - Parte 3

Continuando com nossa terceira parte:


Curtindo a Vida Adoidado (1986)
Esse filme marcou toda uma geração e até hoje é cultuada (com razão). O melhor filme da vida de Matthew Broderick e um dos maiores do diretor John Hughes.
A cena escolhida é a abertura do filme, que "vende" a idéia de um dia de vadiagem inofensiva.
SAVE FERRIS !







Poderoso Chefão (1972)
Um dos maiores filmes do século e ponto. Minha cena escolhida é da morte de Santino.



Terror na Ópera (1987)
Dario Argento é um gênio. Dito isso, falemos rapidamente de Terror na Ópera, um de seus trabalhos que mais gosto. Esse filme me impressionou muito quando era mais novo, e a cena abaixo é uma daquelas que me lembro em meus pesadelos. Tremendo exercício de perversidade e de perturbação. Sensacional !




sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Operação Valquíria
(Valkyrie, 2008)
121 min. - Drama/Guerra

Direção: Brian Synger
Roteiro: Chritopher McQuarrie e Nathan Alexander

Com: Tom Cruise, Kenneth Branagh, Bill Nighy, Tom Wilkinson

Sinopse: 2ª Guerra Mundial. Claus von Stauffenberg (Tom Cruise) é um coronel que retorna à Alemanha gravemente ferido, devido à guerra na África. Ao chegar ele se envolve em uma conspiração para acabar com o governo local, que tem por objetivo matar Adolph Hitler (David Bamber). O objetivo do grupo é pôr em prática a Operação Valquíria, um plano já existente que prevê a implementação de um governo que conduza a Alemanha após a morte de seu líder. Aos poucos o coronel Claus ganha destaque na organização, sendo encarregado para que cometa o assassinato de Hitler.


Vamos lá.


Pra quem gosta de história das guerras, como eu, estava ansioso para saber como foi contado esse fato importante da história. Mas logo de cara a primeira grande decepção, não me conformo como os americanos conseguem ser tão mesquinhos e preguiçosos.
Uma história passada com soldados alemães e TODO MUNDO (inclusive Hitler!!!!) fala inglês!!! Total desnecessário e desapontador.


A história segue jogada, sem muita explicação até +ou- 40 minutos de filme, quando começa a se falar da operação e tem aquela cena auto explicativa ao mesmo tempo da fala.



A partir desse ponto começa a “ação” que você não sente nenhum interesse em acompanhar. Não há suspense, não há ansiedade. Tom Cruise péssimo, não passa a convicção de ser o “salvador da pátria”. Sem contar com o resto do elenco que é fraquíssimo.


Com uma história maravilhosa, o roteiro poderia ser muito mais bem explorado, mas a preguiça é tanta, que saiu esta porcaria. Sem contar ao final do filme que termina com aquele discurso patriótico tipicamente americano. Totalmente ridículo!


Direção de Bryan Singer não se pode esperar muita coisa. Tudo que vem dele é ruim! (X Men / X Men II / Superman o Retorno). Sem condições.


Filme ruim, diretor ruim, com roteiro ruim, atuações péssimas. Pra quem gosta de cinema, é um perca de tempo.
Somente recomendado para leigos que querem “conhecer” um pouco mais de história.

TRAILER:





Bruno Gonçalves
Estudante de Direito e Arauto do Caos

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Cenas Inesquecíveis - Parte 2

Imitando descaradamente o Bruno , vou fazer uma listinha de cenas inesquecíveis também.


Seguem abaixo:


Mulher Nota 1000 (1985)
O nascimento de Kelly LeBroke uma das mulheres mais maravilhosas dos saudosos anos 80.






Três Homens em Conflito (1966)
A fabulosa cena do duelo. Tudo perfeito, e ainda com a trilha do Morricone.





O Resgate do Soldado Ryan (1998)
A cena final , com um magnífico efeito de passagem e um discurso de fazer até o homem mais gelado ficar com um nó na garganta. Sensacional !





Cenas Inesquecíveis - Parte 1

Existem cenas que não saem de nossa cabeça, por mais que o tempo siga, nunca esqueceremos.
Sabemos a falas, os movimentos, o contexto e tudo que envolve a cena.
Feliz, triste, engraçadas, absurdas, enfim.

Das várias que eu guardo em minha memória, resolvi compartilhar, a princípio, duas que me enche o olho d’água.

O Rei Leão (Lion King, 1995)
Quem nunca ficou triste ao ver isso pela primeira vez?
Apesar de amar o Scar (Um dos melhores vilões da história do cinema), ele podia ter pegado mais leve.
“Long live the king!”



Quatro Casamentos e Um Funeral (Four Weddings and a Funereal, 1994)
É triste, é sincero, é maravilhoso.
O poema de W. H. Auden (Funeral Blues) recitado durante o velório, apesar de curto me deixou emocionado. Cravou na minha memória e nunca mais esqueci.

Funeral Blues(W. H. Auden)
Parem já os relógios, corte-se o telefone,

dê-se um bom osso ao cão para que ele não rosne,

emudeçam pianos, com rufos abafados

transportem o caixão, venham enlutados.


Descrevam aviões em círculos no céu


a garatuja de um lamento: Ele Morreu.


No alvo colo das pombas ponham crepes de viúvas,


polícias-sinaleiros tinjam de preto as luvas.



Era-me Norte e Sul, Leste e Oeste, o emprego


dos dias da semana, Domingo de sossego,


meio-dia, meia-noite, era-me voz, canção;


julguei o amor pra sempre: mas não tinha razão.



Não quero agora estrelas: vão todos lá para fora;


enevoe-se a lua e vá-se o sol agora;


esvaziem-se os mares e varra-se a floresta.


Nada mais vale a pena agora do que resta.

Chega de tristeza...






Fim dos Dias (End of Days, 1999)
O primeiro filme com palavrão dublado exibido em rede nacional (lembro como se fosse hoje, sendo exibido no SBT). Fiquei chocado com isso. Mas foi simplesmente sensacional. Nada melhor do que um grande “Vai se Foder!!!”. Além do clássico “Filho da Puta!!!” no final do filme.



Em breve, mais cenas que estão nítidas na memória.



Bruno Gonçalves
Estudante de Direito e Arauto do Caos

Willy Wonka & Chocolate Factory vs Charlie & Chocolate Factory
















Baseado no livro Charlie and the Chocolate Factory, de Roald Dahl, o filme Willy Wonka & the Chocolate Factory, obteve um certo sucesso na época do lançamento em 1971, porém o filme dirigido por Mel Stuart e estrelado por Gene Wilder será sempre lembrado pelas suas reprises na televisão em exaustão nos anos 80, nos Estados Unidos, principalmente em feriados como Halloween, dia de Ação de Graças ou Natal.


Aqui no Brasil o SBT reprisou milhares de vezes, no eterno Cinema em Casa. Curioso que Roald Dahl realmente odiou essa versão do filme se recusando a liberar direitos para a produção de um novo filme baseado em um de seus livros.


Alguns anos depois, mais precisamente 1991, com a morte de Roald Dahl, a Warner Bros resolveu fazer uma nova adaptação da história de Willy Wonka. Após a especulação de envolvimento de alguns diretores como Gary Ross e Martin Scorcese, e de alguns atores como Adam Sandler, Jim Carey e até Will Smith, ficou decidido que Tim Burton seria o diretor. Daí não precisa nem dizer quem seria o ator que interpretaria Willy Wonka desse remake né?!


Pois bem, Johnny Depp acabou sendo a escolha óbvia para a sequência que dessa vez levou o nome do livro original. E foi lançado em 2005, sendo um grande sucesso de bilheteria, graças a genialidade de Tim Burton e a óbvia modernização dos efeitos de vídeo, áudio e toda parafernália cinematográfica.


Mas agora entra no ar uma pergunta. É justo que essa nova versão enterre a versão antiga estrelando o grande Gene Wilder como Willy Wonka?


Na minha opinião, fica quase impossível comparar os efeitos especiais e de cenários de um filme com outro.Afinal a fábrica da nova versão tem um visual realmente saboroso, você fica com vontade de se entupir de guloseimas.


Comer doces e chocolates e doces até seus dentes apodrecerem até sentir uma dor de barriga mortal. Tudo é muito bonito, muito colorido, um mundo dos sonhos em termos de doces para qualquer criança e adultos também.


Tim Burton trabalhou muito bem todo esse visual do filme, é quase impossível você assistir essa nova versão sem uma barra de chocolate na mão. Sem contar a antítese óbvia que se criou entre a casa sem vida do garoto Charlie com a fábrica que é o verdadeiro mundo dos sonhos. Na versão original, a casa de Charlie e a cidade tem um visual comum, já a fábrica, em alguns aspectos não abrem seu apetite de doces, pelo contrário, em alguns momentos você sente vontade de vomitar, todas aquelas plantas e outros elementos feitos de chocolates não aparecem nada comestíveis e sim alguma coisa bem nojenta.


Mas, isso é perdoável afinal o filme foi gravado no início dos anos 70 e os efeitos cinematográficos nessa época ainda estavam se desenvolvendo, creio que na época todo mundo achou o máximo, mas com certeza hoje o visual está bem datado.


Já a atuação de Johnny Depp foi muito boa, ele incorporou bem o personagem, que inclusive ele mesmo admitiu que usou alguns poucos maneirismos de Marilyn Manson. Acabou ficando interessante, a princípio ele aparenta ser bem misterioso e arrogante, principalmente pelo tratamento que ele tem com algumas crianças, no qual ele é bem provocativo, mas no decorrer da visita ele aparenta ser um homem sonhador, criativo, com algumas cicatrizes e traumas do passado, que ele deseja resolver.


Porém falta um pouco de coragem e mostra que no fundo tem um bom coração, e sem contar que ele é bem menos misterioso do que parece. Principalmente porque o filme relata muito bem seus flashbacks.


A atuação de Gene Wilder é um pouco diferente, logo na sua primeira aparição, ele aparenta ser um homem bom, simpático e até mesmo frágil. Mas depois ele logo se revela uma pessoa insensível, arrogante e principalmente bem misterioso. Ele não provoca tanto as crianças, mas em alguns momentos ele é bem rude e indiferente, o Willy Wonka de Gene aparenta ser mais insano do que criativo. Esses aspectos acabam dando um clima mais obscuro e frio para o personagem.


Eu diria que uma mistura dos dois Willy Wonkas seria o personagem perfeito.Existem muitas outras coisas a serem discutidas sobre o filme como a atuação e a caracterização dos avôs de Charlie. O original é um ator bem melhor, enquanto que o avô da versão nova tem o visual mais impactante.


Os Ompa Loompas, obviamente são inesquecíveis na versão original, mas ocorreu uma óbvia e grande evolução na versão de Tim Burton.


A trilha sonora da versão nova foi feita por Danny Elfman (Homem- Aranha, Men in Black, etc), a original foi composta por Leslie Bricusse e Anthony Newley. Os dois filmes são marcantes por possuírem trilhas sonoras com um nível de ótima qualidade e se encaixam perfeitamente com a história, além de melodias e letras serem, nas duas versões excelentes.


O desfecho é algo que prefiro não comentar muito por aqui, afinal, ninguém quer ler final de filme na Internet. Mas tenho que dizer que prefiro mil vezes o desfecho da versão original. O fim da versão de Tim Burton/Johnny Depp é muito água com açúcar. Ainda em muitos aspectos a obscuridade de Gene Wilder me agrada muito mais....e você o que acha?


Qual sua versão favorita ? Comente !!!


TOP Comédia

Pra iniciar essa nova sessão, revisitei e escolhi minhas 25 comédias favoritas.


É uma escolha pessoal, baseada no meu gosto e é claro que existem algumas polêmicas na relação.


25 - Mulher Nota 1000

24 - Crazy People



23 - Roda da Fortuna

22 - A Era da Rádio

21 - Clube dos Cinco

20 - Clube dos Cafajestes

19 - Última Noite de Boris Grushenko
 18 - Pequena Miss Sunshine
 17 - Gaiola das Loucas

16 - Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu

15 - M.A.S.H.

14 - Férias Frustradas

13 - Blues Brothers

12 - Se Meu Apartamento Falasse

11 - Como Enlouquecer Seu Chefe

10 - Antes Só do Que Mal Acompanhado

9 - Feitiço do Tempo

8 - Pantera Cor de Rosa

7 - Um Convidado Bem Trapalhão

6 - A Dama de Vermelho

5 - Curtindo a Vida Adoidado

4 - Quanto Mais Quente Melhor

3 - Fargo

2 - Jovem Frankenstein

1 - Dr. Fantástico

Menção honrosa: Um Dia a Casa Cai, Todo Mundo Quase Morto, As Aventuras de Rabi & Jacob, Um Espírito Baixou em Mim, Loucademia de Polícia , Bill & Ted - Dois Malucos no Tempo, Primavera Para Hitler (original), Deadly Prey (vejam !!!) e Fiel - O Filme (melhor comédia nacional rs).


Hors Councours : Monty Python