Um diretor com grande nome, mas acredito que pouco reconhecimento, este especial mostrará obra a obra da filmografia de Ridley Scott e mostrando seus altos e baixos na carreira.
Tem filmes conhecidos, clássicos e uns nem tão bons, mas predominantemente ótimos filmes que a maioria das pessoas já assistiu, mesmo não sabendo que alguns filmes são de direção dele.
Então, segue a filmografia completa de Scott: 1977 – Os Duelistas 1979 – Alien, O 8º Passageiro. 1982 – Blade Runner - O Caçador de Andróides 1985 – A Lenda 1987 – Perigo na Noite 1989 – Chuva Negra 1991 – Thelma & Louise 1992 – 1492: Conquista do Paraíso 1996 – Tormenta 1997 – Até o Limite da Honra 2000 – Gladiador 2001 – Hannibal 2001 – Falcão Negro em Perigo 2003 – Os Vigaristas 2005 – A Cruzada 2005 – Todas as Crianças Invisíveis (segmento Jonathan) 2006 – Um Bom Ano 2007 – O Gangster 2008 – Rede de Mentiras
Bruno Gonçalves
Estudante de Direito e Arauto do Caos
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Moon
(Moon, 2009)
97 min. - Drama/Ficção Científica
Direção: Duncan Jones Roteiro: Nathan Parker
Com: Sam Rockwell e voz de Kevin Spacey
Há tempos circulava na internet o plot e uma ficha cinematográfica de Moon, curioso filme com Sam Rockwell, um cartaz fantástico (um dos melhores do ano) e um orçamento, de certa forma, ridículo: 5 milhões de dólares. Moon então foi falado em alguns festivais e estreou nos Estados Unidos e foi recebido com frieza pelo público. Ganhou apenas 4 milhões e meio, não podendo nem pagar marketing. Mas, após ver Moon, é um fato mais que compreensível essa bilheteria baixa. O primeiro filme do talentoso Duncan Jones, filho de David Bowie, é fantasticamente... cult. É o novo 2001 em quesitos de direção de arte e narrativa. Lenta, contemplativa, poderosa e sem entregar muitas surpresas, a narrativa de Moon é de fácil compreensão, porém difícil para o público se entregar a ela e ver o filme. O marketing ridículo que a Sony deu ao filme também é notável.
Aqui no Brasil, estreará direto em DVD e o pior: o teor do filme impossibilita MUITAS locadoras de não o comprar, deixando ele disponível apenas lá no exterior e aqui, para download. Além do que, Moon sofre do mesmo mal de Fonte da Vida: ele é mal vendido. Tão mal vendido que acredito que algumas pessoas foram ao cinema esperando um Star Trek. Mas, nada disso impossibilitou Duncan Jones e Sam Rockwell de fazerem um dos mais bonitos trabalhos dos últimos anos e, porque não, a sci-fi mais inovadora em 40 anos?
A trama, de uma simplicidade tocante e uma temática atual e verossímel, conta a história de Sam Bell (Sam Rockwell), um operário que trabalha na Lua, numa espécie de Estação Espacial. Ele colhe Helium-3 para sua empresa, a Lunar Industries, uma gigante da energia que, com essa energia da Lua, abastece 70% do Planeta. Mas, lá na Estação, Sam não vê a hora de voltar pra casa. Seu contrato de 3 anos com a empresa está acabando e ele está perto de seu sonho. Mas, coisas estranhas começam a acontecer e GERTY (a voz icônica de Kevin Spacey), seu amigo robô, o tranca dentro da Estação para segurança. Mas, depois de um pequeno plano, Sam consegue burlar a segurança de GERTY e faz uma descoberta. No mínimo, intrigante. E isso o deixa cada vez mais paranóico e doente. O desenvolvimento dessa trama é interessante porque introduz um suspense psicológico, sem se esquecer do sci-fi competente. E aqui cabe uma dica: Não espere reviravoltas, não espere um filme comum de suspense e não espere, DE JEITO NENHUM, um filme com ação.
Nos quesitos técnicos, Moon surpreende demais. Um filme que recebe o orçamento de 5 milhões é um drama ou um filme independente underground sobre algum tema forte. Mas, Duncan Jones é mais que isso, ele é corajoso. Com poucos recursos, ele faz uma direção impressionante, lembrando Stanley Kubrick. Takes parados, contemplativos, que exploram o ambiente sem esquecer dos atores. Se o mundo do cinema fosse justo, Duncan merecia figurar, pelo menos, nos 10 nomes a serem lembrados pro Oscar. Talvez não indicado, mas pelo menos lembrado. É um diretor a ser acompanhado daqui pra frente, sem dúvida. A edição de Nicholas Gaster é simplista, o ponto fraco do filme. Ela se baseia na mania dos anos 70: o fade in e o fade out. É apenas na média, mas não atrapalha a mensagem do filme.
A fotografia de Garry Shaw é inspirada, valorizando os tons brancos do ambiente e a superfície lunar, feita a base de maquetes. Mas, dois fatores do filme merecem ser destacados o máximo possível. O primeiro é a direção de arte de Hideki Arichi e Josh Fifarek, que é sensacional. Os cenários criados pela dupla são curiosos, críveis e fabulosos. A predominante cor branca da estação, os aparatos eletrônicos e as roupas de Sam impressionam pela beleza. GERTY também é uma criação competente dos artistas, sendo verossímel e interessante. O segundo ponto é a trilha sonora, do genial Clint Mansell. Mas uma vez ele cria um trabalho memorável, um dos 20 de sua lista. Bem trabalhada e com seu ritmo neo-clássico, a trilha de Mansell é fantástica pro filme e fantástica sem ele, aquela típica trilha que você compra o CD.
As atuações de Moon são notoriamente curiosas. Sam Rockwell é praticamente o único ator do filme e é o único com relativa importância. Claro que tem GERTY também, mas o adorável robô não vale. O resto dos atores só aparecem por pequenas telas, vistas da estação Sarang, a na Lua.
Voltando a Rockwell, o ator britânico arrebenta. Seu jeito esquisito, como se não estivesse nem aí pra nada, é explorado na primeira metade do filme. Quando virem Moon vocês entenderão porque.Na segunda parte do filme, ele embarca numa atuação espetacular, de uma forma meio bruta até, transformando-se num cara mais violento, enérgico. A atitude calma muda. Já Kevin Spacey faz seu trabalho de forma breve. Sua voz em GERTY é intrigante, dando uma áurea confortadora e misteriosa sobre a máquina.
O rorteiro de Moon é impressionante. O trabalho de Nathaniel Parker sobre a ideia de Duncan Jones é tocante. Um debate psicológico que usa um contexto muito atual pra ilustrar o mundo perfeito que o ser humano criou com a tal tecnologia. Um grande reflexo disso são os dois primeiros minutos do filme, de tirar o fôlego. Existe até a possibilidade do espectador gostar menos do filme comparando-o aos primeiros minutos. Um rápido e brilhante modo de explicar o mundo. Outra sacada de roteiro boa é não dizer em que época estamos. Com isso, a liberdade de efeitos é maior, podendo criar coisas mais inverossímeis com explicações críveis. Curiosamente, pela falta de verba ou por ser desnecessário, o filme não se excede e é peça de convencimento como poucas, mostrando uma Lua verdadeira e aparelhos que não são difíceis de acreditar.
Já nos diálogos, travados por Sam Rockwell e GERTY, há uma precisão interessante. O tom de humanidade que o roteiro impõe a GERTY é inovador e bem executado. A própria criação do personagem é uma mais-valia para o filme. E, se todos podem ter uma certa desconfiança sobre GERTY ser igual a HAL 9000, de 2001, ela é coerente porém inválida. GERTY tem muito mais emoções e é ligado emocionalmente com Sam, o que mostra uma bonita relação de amizade. Por criar criativos personagens e excelentes situações, o roteiro de Moon é um grande destaque.
Já que o orçamento de Moon é baixo, se esperaria um filme bem feio, mal-feito. Mas, incrivelmente não é. A já citada direção de arte se soma a uma criatividade enorme. Se dentro de Sarang o visual é lindo, fora dela não está devendo nada. Apesar de ser claramente uma maquete, o solo lunar é muito rico em detalhes e é decente, bem-produzido. E, além disso, existem efeitos especiais no filme. Alguns são de uma riqueza impressionante (como a Terra vista no espaço ou a escavadeira na Lua), mas outros são fracos, meio toscos até (como a nave saindo da estação), o que lembram o quanto o filme é barato. Mas é incrível o que se pode fazer com tão poucos recursos.
Estranho, filosófico, pesado e bem científico, Moon é uma sci-fi como poucas. Não tem o entretenimento e diversão de Star Trek, não tem os magníficos efeitos de Avatar, mas tem a simplicidade de roteiro de um 2001 ou Solaris. Isso deve conquistar a todos que esperam um filme científico bem politizado e diferenciado. Uma grande prova de sua didática em relação ao mundo é o já citado primeiro minuto, o que certamente fará o espectador ficar até o final no filme. Um filme difícil, que merece mais ser visto que muito blockbuster por aí. Um trunfo de Duncan Jones. Que seu próximo projeto lance logo e nos cinemas.
(Obs: Não vamos colocar o trailer desse filme, pois ele entrega uma parte importante da trama).
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Trilha sonora para filmes... Rebaixamento da Música?
Como já havia comentado anteriormente, as primeiras postagens foram importantes para o entendimento de alguns conceitos, que seriam indispensáveis para alguns pontos de vista que gostaria de expor.
Desta vez resolvi não falar exatamente sobre diferenças musicais, nem sobre seus estilos. Escolhi este tema com o intuito de pensarmos o quanto a seguinte afirmação pode nos acrescentar: A música realmente se ”rebaixou”, tendo que “obedecer” à cada detalhe do vídeo? Esta é uma delicada discussão, entre uma opinião, a meu ver, mais conservadora; e outra, que viu nos filmes, um novo horizonte, um novo mundo, onde a música, o texto e o movimento se encontram em uma única arte: O Cinema.
Para isso, é muito importante lembrar, que não foi apenas no cinema que a música andou de mãos dadas com outras formas de arte. A música vocal, por exemplo, é encontrada em praticamente qualquer cultura - e cantar não deixa de ser uma forma de falar. Se voltarmos aos tempos do nascimento da Ópera, no final do século XVI, onde havia também vários gêneros literário-musicais que estudavam e experimentavam diferentes formas de interagir música com texto, música com movimento, podemos ver que havia um grande estudo a respeito da inteligibilidade do texto. Desde aquela época era importante que o texto ficasse em evidência, fazendo com que a música tivesse a função de ajudar a transmitir aquela mensagem.
Na música sacra, por exemplo, temos o Canto Gregoriano, que tem uma relação muito peculiar entre texto e música. A melodia é pensada em função do texto, fazendo com que o desdobramento melódico chame a atenção para as palavras principais. Ou seja, trata-se de uma melodia na qual o ritmo nunca pode interferir no que está sendo dito. O texto, em muitos gêneros musicais é fortemente ligado ao som, sendo ele apenas cantado, ou acompanhado por uma enorme variedade de instrumentos, ao longo da história da humanidade.
Entretanto é fato que, todos os exemplos que citei, foram peças musicais, não literárias. A ópera é música, o canto gregoriano, mesmo se tratando de uma oração, não deixa de ser um gênero musical. Isso me leva a crer que a música acaba incorporando as palavras e, mesmo essas tendo um grande conteúdo, uma canção voz e violão, por exemplo, também é música. Se trocarmos a letra de uma canção, ela vai ficar diferente, mas ainda assim ela é mais uma peça musical do que literária.
Falar sobre a complementaridade da música e sua relação com outras formas de arte é difícil, porque tudo o que foi dito até agora é apenas uma gota perto de um oceano. Mas precisei falar um pouco sobre as relações, para conseguir chegar ao foco da postagem de hoje, que se refere à opinião de alguns compositores, em meados do século XX, que achavam que a música estava rebaixando seus valores, para poder se adequar à música do cinema.
John Williams afirmou que o cinema está para o século XX, em questões de entretenimento, assim como Georges Bizet (1838 - 1875) esteve para a população da classe média na França do século XIX. Aos poucos, com o avanço da tecnologia, o cinema foi crescendo, até chegar nesta grande indústria que temos hoje. Ele é o herdeiro da tradição dramático-musical, da Ópera. Mas mesmo tendo uma influência direta com seu antecessor, ele tem sua própria linguagem e, especialmente, sua própria música.
Achar essa diferença entre a música do cinema e a da Ópera é simples: No cinema, a música é usada como um complemento para a cena, ela nos ajuda a passar o sentimento que estamos querendo transmitir no vídeo, porém, diferente da música operística, ela não é contínua. Em alguns filmes, como em “A Supremacia Bourne”, uma cena de luta é acompanhada apenas com sons, o que deu ênfase na tensão. Em “Eu sou a Lenda”, por exemplo, temos um grande espaço sem música, logo no início, durante uma entrevista.
Essa linguagem do cinema exige uma música diferente daquela composta e executada no século XIX, no sentido de ser um novo jeito de pensar música. Ela usa toda a instrumentação e processos de composição de uma música orquestral, mas é como se ela não funcionasse como música, afinal, a idéia do cinema não se dá por meio dela, e sim por meio de enredo, texto, idéia literária. Como eu disse no post anterior, sobre música funcional, a música nos ajuda muito a exprimir sentimentos nas quais texto e imagem não podem transmitir. Uma única melodia, às vezes, pode dizer mais que várias palavras.
Isso fez com que alguns compositores achassem a música do cinema algo subalterno, um verdadeiro rebaixamento às grandes orquestrações operísticas. Um filme poderia deixar de ter música, mas nunca poderia deixar de ter texto. E por isso, alguns compositores não quiseram modificar seus padrões para fazer as trilhas às quais eram convidados a fazer. As músicas eram compostas, mas elas precisam ser editadas e cortadas, para poderem se adequar à cena, o que era muito ofensivo para alguns compositores.
Alguns não queriam se envolver com isso, à medida que outros viram no cinema o grande meio artístico do século XX.
Acho sinceramente que essa afirmação sobre o rebaixamento da música é errada. É óbvio que é apenas a minha opinião, mas a música do cinema nunca proibiu outras de serem compostas e tocadas. Ela tem uma nova linguagem, mas ainda assim é possível ver ritmo, harmonia e melodia, elementos indispensáveis para a música.
Achei esse tema realmente interessante para escrever no FotoMusic Score. Essas opiniões a respeito do possível rebaixamento da música apareceram nas primeiras décadas do cinema, mas sendo rebaixadas ou não, muitas experimentações foram feitas até chegarmos ao que temos hoje.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Um Homem Sério
(A Serious Man, 2009) Drama/Comédia - 106 min.
Direção: Joel Coen e Ethan Coen Roteiro: Joel Coen e Ethan Coen
Com: Michael Stuhlbarg, Richard Kind, Sari Lennick
Os irmãos Coen são mestres na arte da comédia de humor negro. São mestres na sucessão de eventos cruéis, que nós sádicos de plantão, adoramos.
Um Homem Sério, é o mais novo (e brilhante) exemplo da capacidade da dupla. O filme fala de Larry Gobnik, um professor de física judeu, que tem sua família comum, filhos comuns, vive numa casa comum, e enfrenta (alguns) problemas comuns. Porém sua vida começa a se complicar a partir do momento em que um de seus alunos oferece uma “graninha” para passar numa prova e sua mulher lhe pede o divórcio. A partir daí uma sucessão de coisas inacreditáveis vão acontecendo ao coitado.
O que nas mãos de qualquer outro diretor poderia se transformar em uma comédia bobinha, graças a sua sinopse, nas mãos dos Coen, vira uma ácida critica a crença absoluta em que Deus é o responsável por nossa felicidade (e infelicidade), ou que Deus é um moleque mimado que adora “zoar” com nossa cara.
Os Coen acertam de primeira, na construção do roteiro. Em nenhum momento as personagens tem total certeza do que uns e outros fazem. A frase “what’s going on” é repetida a exaustão durante toda a projeção e somente reforça essa sensação de que a ausência de sapiência é recorrente a todos os personagens. Eles também são presos as tradições extremamente “tacanhas” e castradoras de uma religião, apenas como forma de estarem inseridos numa comunidade. Ninguém realmente leva a sério essas convenções, apenas o “homem sério”. Para ele os preceitos religiosos são antes de mais nada a comunhão das respostas a todos os seus problemas.
Assim que sua mulher lhe ameaça com o divórcio, ele corre como um cordeirinho manso em busca da sabedoria e dos conselhos dos rabinos, tentando antes de mais nada obter uma resposta clara e objetiva sobre os motivos de seus sucessivos problemas (que vão ficando cada vez maiores e mais engraçados por mais cruel que seja afirmar). E todos são imperativos em afirmar que os problemas do individuo não devem ser questionados. É a vontade de Deus, traduzindo em miúdos.
O que os Coen pregam, em seu evangelho de humor negro, é dúbio e por isso mesmo, absolutamente interessante. Será que o homem é o verdadeiro responsável por todos os seus atos terrenos ? Ou no fundo, tem alguma coisa por trás disso tudo, puxando as cordinhas ? Eles não respondem e nem esperam que um dos espectadores consiga responder.
As atuações são todas muito funcionais. Ancorado por um elenco quase todo ele judeu e desconhecidos do grande público, os Coen usam um artifício bastante comum. Ao apostar nos desconhecidos, eles pretendem que o publico não veja atores, mais personagens. Fora (o fato óbvio) de dar maior credibilidade, utilizar atores todos judeus.
Michael Stuhlbarg é o professor Gobnik, mais reto do que um ângulo de 90º e inacreditavelmente careta e reprimido. Em suma, um protótipo de banana da melhor qualidade. Sua interpretação é segura, mas não é brilhante. Richard Kind, como o Tio Arthur, o irmão de Gobnik que sofre de um bizarro problema de saúde, é abobalhado, quase infantil e retrata o estereotipo do gênio que é estranho/bizarro mas capaz de criar "coisas" que modificam o mundo. Freddy Melamed como o “guru de auto ajuda” e cínico Sy Ableman e Sari Lennick, como a esposa de Larry, Judith completam as interpretações mais interessantes. Mas o restante do elenco não compromete e mantém o alto nível do filme.
Porém, apesar de toda a qualidade apontada na resenha, é fácil entender porque muita gente não vai gostar do filme. Ele é absolutamente enigmático quanto as suas propostas. Não facilita a compreensão, é ambientado nos subúrbios americanos no inicio dos anos 60 e é profundamente arraigado a cultura judaica e seus códigos de moral . Permite sim, algumas interpretações. Algumas óbvias e outras nem tanto. É fácil concluir o seu final (os motivos para ele e o que ele significa) mas é complicado entender na totalidade o excelente prólogo que abre o filme.
Os Coen adoram isso, e acho que Um Homem Sério é o filme mais complicado dos irmãos. Não tanto em sua narrativa, mas nos efeitos dela, ou melhor, nas discussões que o filme propõe. Vai “chocar” alguns a exposição do ser divino como algo amargo, mal humorado e intransigente. Ou como a humanidade (no microcosmo da comunidade judaica do filme) é dependente dos signos religiosos para encontrar respostas. E mais, o porque existe essa necessidade obsessiva do ser humano em racionalizar todos os momentos de sua vida. Tudo precisa necessariamente de uma resposta ? E se sim, o que fazemos quando as mesmas não nos agradam ?
Os Coen, novamente brilhantes, não sabem as respostas. E nem querem nos dar. E você quer ouvir ?
Quando anunciam um novo filme de Joel e Ethan Coen sempre são esperados uma direção competente, um roteiro afiadíssimo e o habitual humor negro da dupla. As vezes, porém, eles fogem do habitual e criam algum suspense, como o fabuloso Onde os Fracos não tem Vez. Mas claramente é na comédia que eles se baseiam. Depois do afiado Queime Depois de Ler, os Coen chegam com Um Homem Sério. E tudo estava indo nos conformes, com a ansiedade de sempre.
Mas quando o trailer lançou e quando o elenco foi anunciado, estava ensaiado um filme a se lembrar por tempos. O trailer, montado de forma diferente e inusitada era genial. O elenco, composto exclusivamente por desconhecidos, anunciava um despir de pudores(coisa que os Coen já não tem por natureza). Sendo assim, era só esperar. E agora que Um Homem Sério chega ao Brasil, já indicado ao Oscar de Melhor Filme, vai um recado de amigo: Vão rápido e vejam o filme. Foi mais que merecidamente lembrado para o Oscar.
A trama segue Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg), um professor normal dos Estados Unidos que leva sua vida sem muitas surpresas. É o esquema do average guy americano: casa no subúrbio, família de 2 filhos, vida previsível e rotina definida. Mas então, o judeu Larry é atacado por um mal existente no mundo: O Caos. E tudo começar a dar errado a Larry, que como professor de Física, nada pode fazer para descobrir o que está havendo. Essa trama começa de forma objetiva, indo direto ao ponto. Ela é costurada pelos 30 minutos iniciais para que nos acostumemos com a vida de Larry e isso faz toda a diferença. E aqui vemos outra marca dos Coen: mesmo que o fator apresentado possa parecer irrelevante, ele poderá sim causar algo importante durante o filme.
Tecnicamente, Um Homem Sério é um dos mais brilhantes filmes dos Coen. A direção dos irmãos está segura como sempre, usando de takes abertos e sem grandes movimentação de câmera, permitindo aos atores terem uma liberdade de atuação pouco vista.
Sendo esse um filme de diálogos e situações, a direção de atores teria que ser bastante precisa e é exatamente isso que os Coen entregam. A edição de Roderick Jaynes(Pseudônimo dos Coen) é fantástica e continua ajudando a direção, determinando até mesmo o humor de algumas cenas. A trilha sonora de Carter Burwell também é algo de nota, apesar dela aqui ser menos usada. Com algumas pequenas melodias minimalistas (note a beleza da melodia da cena do lago), ele é preciso em sua composição. E merece destaque também sua escolha musical: Somebody to Love. A melodia e a letra combinam muito bem com o que o filme é.
Mas o fator que rouba a cena é a poderosa fotografia de Roger Deakins. O veterano fotógrafo, oscarizado, cria um novo memorial trabalho. Aqui, sua fotografia se assemelha a de Onde os Fracos, mas com tons mais leves e bonitos (como esperado, afinal, aqui há a troca do deserto de Onde os Fracos para o subúrbio). Gênio. Merecia uma indicação. Outro destaque é a direção de arte, que com 7 milhões de orçamento, fez uma belíssima recriação dos anos 60, a época em que se passa o filme.
As atuações de Um Homem Sério são todas boas, mas é inegável que o filme é de Michael Stuhlbarg. Aqui, o desconhecido ator cria um personagem complexo e muito interessante e entrega as doses de humor negro que o texto pede. Um destaque de Stuhlbarg são suas notáveis expressões faciais, que determinam o nonsense do filme em vários pontos. E a inocência com que seu personagem é construído é engraçadíssima e muito bonita. Apesar de duvidar de tudo o que esteja fazendo, apesar de analisar cada situação e ser tratado como um tapete em muito momentos, Larry continua um homem admirável, com um excelente coração. Espero muito mesmo que o ator ganhe visão para o cinema depois desse brilhante papel. Quanto as outras atuações, o único destaque é Fred Melamed, o Sy Ableman. Ele transmite a calma e serenidade que seu personagem pede, o que é um achado. Richard King, o Arthur, também atua bem, com uma profundidade até bem grande para seu papel, que tem pouco tempo de tela.
O maior destaque de Um Homem Sério é seu roteiro, os Coen novamente dão um show de construção narrativa. Em Queime Depois de Ler, prevalecia a sátira. Em Onde os Fracos, o duelo. Em Fargo, o absurdo da trama. Aqui, eles criam uma trama que, além de investir em humor negro, brinca com recursos cinematográficos. Não se espante se achar que elementos da trama irão se fundir (como uma colisão, lá no meio da película) e na verdade não dê em nada. Ou talvez dê. E essa é grande sacada dos irmãos: A utilização de recursos narrativos que instiguem a plateia a pensar no óbvio, mas na verdade ocorra o inesperado.
Diálogos soberbos e bem precisos, tão engraçados quanto estranhos. E o humor negro continua sendo a marcar da dupla, que esbanja identidade em muitas partes da película. Se as situações que ocorrem com Larry não fossem levadas de um modo tão absurdo, talvez fosse bem triste. Mas aí tudo cairia no lugar comum, o que os Coen nunca fizeram. Mesmo com um leve perda de ritmo no terceiro ato, o roteiro é um enorme ponto positivo para fazer de Um Homem Sério, um excelente filme. E além de tudo ele é um filme bem maduro e de certa forma, atemporal. Afinal, Larry pode ser qualquer um que você conheça, mesmo ele sendo de 67.
Assim, segue a recomendação de ver Um Homem Sério e esmerar seus olhos e cerébro com tal qualidade. Com certeza não é o filme de sua vida, nem o melhor dos Coen, mas figura facilmente entre os melhores do ano. Um filme bem maduro e cômico que pode agradar muita gente. A pequena crônica de Lawrence Gopnik pode emocionar e fazer rir com facilidade e inteligência. Um personagem para entrar no hall dos mais carismáticos. Agora fica a espera pro novo filme dos Coen, seguindo a linha mais séria, de um faroeste. E claro, fica a torcida pra que a nova comédia deles chegue logo, para nos brindar com um novo espetáculo de narrativa, técnica e atuações.
TRAILER:
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Um Olhar no Paraíso
(The Lovely Bones, 2009) Drama/Thriller/Fantasia - 135 min.
Direção: Peter Jackson Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson
Com: Saorsie Raonan, Stanley Tucci, Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Susan Sarandon
Quando Peter Jackson resolveu transportar a grande trilogia de J.R.R. Tolkien, O Senhor dos Anéis, para o cinema, ele obteve um êxito enorme. Filmar tudo aquilo com 92 Milhões de dólares foi muito impressionante e isso transformou-o em um dos grandes diretores da atualidade.
A partir daí, todo projeto seu começou a ser bem esperado. E, como de praxe, todos ficaram ansiosos pra adaptação de The Lovely Bones. Por vários motivos mas, principalmente (inclusive pra esse resenhista), pra ver como a Weta Digital, produtora de efeitos de Jackson, iria fazer o Paraíso proposto pelo livro de Alice Sebold.
Aos poucos, o elenco foi sendo definido e tudo foi sendo modelado na cabeça do fã. Mas, pelo menos pra mim, houve uma enorme desconfiança pouco antes da estreia: A censura seria PG-13, uma censura branda. Branda até demais, considerando que é uma história de estupro + assassinato. Então, houve a espera até a estreia brasileira, esta semana.
E, definitivamente, a tal desconfiança fez total sentido na exibição do filme, um dos maiores fracassos da temporada.
A trama conta a história de Susie Salmon (Saoirse Ronan), uma garota de 14 anos que vive com seus pais e irmão no subúrbio de Pensylvannia. Ela é uma garota bastante ingênua e apaixonada que se interessa por fotografias e afins. Em uma de suas idas ao shopping local, ela desperta a atenção de seu vizinho, George Harvey(Stanley Tucci). Logo após, ela é cruelmente estuprada e esquartejada por ele (não se preocupe, não é spoiler) e então começa uma busca por seu corpo na Terra. Do Paraíso, ela acompanha tudo, descobrindo em si mesma sentimentos de vingança, ódio e depois, felicidade plena.
Se a trama aponta um grande potencial inicial, a abordagem trata de matar todas as expectativas. Peter Jackson, excelente criador de mundos (como em King Kong e Senhor dos Anéis), não conseguiu impor simplicidade a esse drama. Digo, ele fez algo grande demais, descompassado. Tentou misturar dois temas que simplesmente não combinaram aqui: Brutalidade e Poesia. Expandiu demais a fantasia e minimizou demais o drama.
Tecnicamente, Um Olhar do Paraíso é bom, mas não empolga muito. A direção de Peter Jackson é boa, porém irregular. Se ele consegue filmar campos abertos e cenários com efeitos de forma arrojada, ele falha na direção de atores, não conseguindo extrair boas atuações de alguns interpretes. Mas seu esmero pela tecnica e seu perfeccionismo afloram em takes bonitos visualmente.
A edição de Jabez Olssen é mediana, fazendo um trabalho bom, sem exageros. A fotografia de Andrew Lesnie é fantástica e muito bela. Seja no núcleo dramático, seja no núcleo fantasioso, Lesnie faz um trabalho irretocável, que enche os olhos.
Porém, tudo o que a fotografia faz consegue ser eclipsado pela péssima trilha sonora de Brian Eno. O compositor, além de criar melodias irregulares, coloca-as mal no filme. Por exemplo: Numa cena dramática, ele coloca uma música mais leve e bonitinha. Se ele quis passar que Susan desaparecida era algo tranquilo, ele conseguiu. Sendo totalmente fora do espírito do filme, a trilha é estranha demais.
As atuações de Um Olhar no Paraíso são, em maioria, exageradas demais. Mas a culpa talvez nem sejam dos atores, mas sim da falta de coordenação que Jackson estranhamente teve e, principalmente, pela precária construção de personagens do roteiro.
Mark Walhberg nada pode fazer, afinal não compromete. Seu personagem é talvez um dos mais apagados da trama e isso limita a já limitada atuação do ator. Rachel Weisz está mal no papel, o que é uma pena. Tendo uma competência enorme, a atriz só consegue expor sua qualidade na cena em que recebe a notícia da morte da filha. Fora ali, a atuação é artificial e soa até vazia. Compreensível, afinal, sua personagem tem um papel no filme que beira o figurante. Susan Sarandon é outra que sofreu pelo roteiro. O exagero dá as cartas no papel da avó de Susie. Susan exagera em tudo, levando sua persona ao limite do caricato. Nas cenas de humor do filme, um enorme excesso é detectado, o que prejudica o filme até.
Stanley Tucci, indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante, tem uma atuação boa, porém não é brilhante. Tudo bem que é de se reconhecer a imersão total de Tucci no papel, que fica irreconhecível até na voz, mas as cenas em que seu personagem aparece representam a habitual indecisão do filme. As vezes, ele aparece sendo humanizado, como o psicopata. As vezes, ele aparece sempre no escuro, mitificando a figura do vilão. Mais um prejudicado pelo roteiro.
Saoirse Ronan é a única que não é prejudicada. Sua interpretação para Susie Salmon é tocante e beira o irretocável. Se a personagem pode parecer comum, Saoirse dá um jeito de fazer uma pessoa diferente e profunda, alternando alegria e ódio com emoção. Ela sim merecia uma indicação a Atriz Coadjuvante. Uma revelação que apresenta a competência habitual que vem desde Desejo e Reparação.
Sendo o fator que praticamente sepulta o filme de qualquer emoção e apego, o roteiro é um problema tão grande em Um Olhar no Paraíso que os fatores já citados acima são prejudicados por ele. Indeciso sobre seu tema, Um Olhar no Paraíso até caminha bem até a morte da menina, mas depois, o filme mescla fatores de fantasia (o Paraíso) e os fatores dramáticos (a Terra) de uma forma ruim. Quando o drama dá as cartas, ele é tratado de forma leve demais e sem sentimento algum.
Na cena do estupro, por exemplo, o problema da censura aflorou. Na mão de um diretor mais corajoso, uma cena crua e realista acabaria com os nervos do espectador, que se sentiria até mais emocionado com o filme. Mas aqui, Jackson não consegue transmitir sua mensagem. A cena sai bonita visualmente, mas opaca sentimentalmente. Já na parte da fantasia, as cenas são muito belas visualmente também (destaque para o criativo Paraíso da Weta), mas são levadas de forma beirando o melodramático.
Apesar de tudo, o segmento de fantasia é excelente e tem poucos defeitos, graças até a bela interpretação de Saoirse. E ainda tem a já citada cena de humor de Susan Sarandon. Quando a família acaba de perder a filha, ainda baqueada, Susan faz uma cena com os filhos felizes, brincando, com uma música de rock ao fundo e por cerca de 1 minuto, o que até provoca risadas na plateia. Sim, quando Jackson pode ousar um pouco e pegar pesado no drama, ele resolve apelar pro riso fácil. Lastimável.
Num quadro geral, o roteiro não traz diálogos pouco convincentes ou situações inverossímeis, mas traz um mix batido entre brutalidade e poesia. Aqui, fica claro que não dá para passar lições bonitas baseadas em brutalidade.
Em outras mãos, talvez, mas aqui não. Fora isso, o roteiro também erra em outros pontos, como um estranho anti-clímax. Spoiler a seguir. Quando Rachel Weisz volta pra casa depois de uma viagem, sua filha encontra uma evidência contra o vizinho. Exatamente quando poderá pegar o culpado do assassinato, um fator emocional entra em tela. Mal-colocado e com uma solução indecisa: a filha entrega a evidência mesmo depois de ver a família feliz. Resultado: Um buraco de roteiro que resulta nesse péssimo anti-clímax.
Bonito porém indeciso, Um Olhar do Paraíso resulta num grande paradoxo. Um exemplo disso é seu final, que pode até soar egoísta e deverás piegas para muitos, beirando uma experiência espírita.
Se tentasse mesclar as situações com mais clareza e mais calma, talvez Um Olhar ficasse melhor. Mas talvez a falta de ousadia de Peter Jackson seja a culpada por matar um material tão promissor e estimulante. Talvez nos outros a decepção seja maior. Mas em mim, apesar de grande, ela poderia ser maior. Desde o anúncio do PG-13 eu previa isso e até ajudou. Seria um baque esperar demais de Um Olhar no Paraíso.
TRAILER:
Saíram ontem os vencedores do BAFTA, a premiação mais importante do cinema inglês. A lista das indicações é (em sua maioria) mais interessante do que as do Oscar. Seguem abaixo os vencedores e indicados:
MELHOR FILME
Avatar
Educação
Guerra ao Terror
Preciosa
Amor Sem Escalas
MELHOR DIRETOR
James Cameron, por Avatar
Neill Blomkamp, por Distrito 9
Lone Scherfig, por Educação
Kathryn Bigelow, por Guerra ao Terror
Quentin Tarantino, por Bastardos Inglórios
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Jon Lucas e Scott Moore, por Se Beber, Não Case
Mark Boal, por Guerra ao Terror
Joel e Ethan Coen, por Um Homem Sério
Quentin Tarantino, por Bastardos Inglórios
Bob Peterson e Pete Docter, por Up – Altas Aventuras
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Neill Blomkamp e Terri Tatchell, por Distrito 9
Nick Hornby, por Educação
Jesse Armstrong, Simon Blackwell, Armando Iannucci e Tony Roche, por In the Loop
Geoffrey Fletcher, por Preciosa
Jason Reitman e Sheldon Turner, por Amor sem Escalas
MELHOR ATOR
Jeff Bridges – Coração Louco
George Clooney – Amor Sem Escalas
Colin Firth – Direito de Amar
Jeremy Renner – Guerra ao Terror
Andy Serkis – Sex & Drugs & Rock & Roll
MELHOR ATRIZ
Carey Mulligan – Educação
Saoirse Ronan – Um Olhar do Paraíso
Gabourey Sidibe – Preciosa
Meryl Streep – Julie & Julia
Audrey Tautou – Coco Antes de Chanel
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Alec Baldwin – Simplesmente Complicado
Christian McKay – Me and Orson Welles
Alfred Molina – Educação
Stanley Tucci – Um Olhar do Paraíso
Christoph Waltz – Bastardos Inglórios
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Anne-Marie Duff – Nowhere Boy
Vera Farmiga – Amor Sem Escalas
Anna Kendrick – Amor Sem Escalas
Mo’nique – Preciosa
Kristin Scott Thomas – Nowhere Boy
MELHOR FILME BRITÂNICO
Educação
Fish Tank
In the Loop
Lunar
Nowhere Boy
MELHOR FILME DE LÍNGUA NÃO-INGLESA
Abraços Partidos
Coco Antes de Chanel
Deixa ela Entrar
Profeta
A Fita Branca
MELHOR ESTREIA BRITÂNICA
Lucy Bailey, Andrew Thompson, Elizabeth Morgan Hemlock, David Pearson, diretores, produtores de Mugabe and the White African
Eran Creevy, roteirista/diretor de Shifty
Stuart Hazeldine, roteirista/diretor de Exam
Duncan Jones, diretor de Lunar
Sam Taylor-Wood, diretor de Nowhere Boy
MELHOR ANIMAÇÃO
Coraline
O Fantástico Sr. Raposo
Up – Altas Aventuras
MELHOR TRILHA SONORA
Avatar – James Horner
Coração Louco – T-Bone Burnett, Stephen Bruton
O Fantástico Sr. Raposo – Alexandre Desplat
Sex & Drugs & Rock & Roll – Chaz Jankel
Up – Altas Aventuras – Michael Giacchino
MELHOR FOTOGRAFIA
Avatar
Distrito 9
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
A Estrada
MELHOR EDIÇÃO
Avatar
Distrito 9
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Amor Sem Escalas
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Avatar
Distrito 9
Harry Potter e o Enigma do Príncipe
O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus
Bastardos Inglórios
MELHOR FIGURINO
Brilho de Uma Paixão
Coco Antes de Chanel
Educação
Direito de Amar
The Young Victoria
MELHOR SOM
Avatar
Distrito 9
Guerra ao Terror
Star Trek
Up – Altas Aventuras
MELHORES EFEITOS VISUAIS
Avatar
Distrito 9
Harry Potter e o Enigma do Príncipe
Guerra ao Terror
Star Trek
MELHOR MAQUIAGEM
Coco Antes de Chanel
Educação
O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus
Nine
The Young Victoria
Comentários: Fica claro a predileção dos ingleses por Guerra ao Terror, o filme levou quase tudo a que concorria, o que mostra que por lá o filme fez sucesso (viu Imagem filmes !!!). As surpresas aconteceram pelo hypado (e pra mim reacionário) Educação ter perdido a categoria filme britânico, para o drama Fish Tank, que passou por aqui na Mostra de Cinema de SP, ano passado. Colin Firth levou o prêmio de Bridges, talvez sendo a única derrota do "Dude" no mundinho das premiações. Mulligan (do mesmo Educação) foi lembrada como melhor atriz, num ano de atuações femininas medianas (curioso: cade a "fabulosa" Sandra Bullock). Destaque para a vitoria do francês Profeta na categoria de filme de lingua não inglesa, o que (espero) dê uma força ao filme, que tem grandes qualidades. Por fim, Duncan Jones e seu sensacional Moon sendo reconhecido faz comprovar que o BAFTA, leva o CINEMA a sério, e não a indústria. Que venha o Oscar!
Alexandre
Comentário: Claramente, as escolhas do BAFTA foram mais conservadoras e até mais acertadas que a do Oscar. Só por colocar Saoirse Ronan e tirar a risível Sandra Bullock do páreo de Melhor Atriz já vale. Mas não houve muitas surpresas nos vencedores. O elogiado Colin Firth ganhou de ator, a elogiadíssima Carey Mulligan ganhou também pelo supra-hypado Educação e Guerra ao Terror fez a rapa, ganhando 8 dos 9 prêmios a qual foi indicado. Avatar saiu com 2 Baftas, os 2 merecidos. Destaque também para os filmes estrangeiros, melhor selecionados que no Oscar e dos filmes britânicos, todos elogiados. E um parabéns pessoal meu para Duncan Jones, que ganhou o Bafta de melhor estreante pela excelente psicológica ficção-científica Moon.
Gabriel
domingo, 21 de fevereiro de 2010
O Mensageiro
(The Messenger, 2009)
Drama - 112 min.
Direção: Oren Moverman
Roteiro: Alessandro Camon e Oren Moverman
Com: Ben Foster, Woody Harrelson, Jane Malone, Samantha Morton, Steve Buscemi
O Mensageiro é mais um dos filmes “de guerra” da temporada. Esse ano além do incensado Guerra ao Terror, Entre Irmãos e Homens que Encaravam Cabras de um jeito ou de outro versam sobre a guerra.
Antes de qualquer é preciso dizer que: Woody Harrelson não é o protagonista do filme. Não sei porque (na verdade até dá pra saber, mas não compreender) a academia, globo de ouro e afins, podem ter levado a sério a indicação de Harrelson nessa categoria. É quase um atestado de “não vimos o filme”.
Falando da historia, Mensageiro é sobre como o Sargento Will Montgomery (Ben Foster) passa a integrar a equipe responsável por dar as notícias ruins as famílias dos soldados mortos no Iraque, Afeganistão , ou qualquer que seja o lugar onde o governo americano se enfia.
Montgomery acabará de voltar da guerra, e após sofrer um acidente no olho, vai cumprir os últimos meses de alistamento nessa equipe.
Lá ele conhece o Capitão Tony Stone (Woody Harrelson), um veterano da unidade. A partir desse encontro, indesejado por parte de Montgomery, ele passa a compreender os desafios quase doentios dessa “profissão”. Stone é duro, regido por um código de conduta que beira a desumanidade. Não se toca, não expressa-se sentimentos, não se envolve. Apenas comunica-se a morte de um ente querido a alguém que certamente se desesperará e segue-se para a próxima “entrega”.
O filme então passa a acompanhar essa rotina. Os soldados são recebidos com negações, xingamentos, cusparadas, com surpreendente educação, impedem uma briga séria de pai e filha, quase causam a morte de outro, e durante esse percurso Montgomery se apega a uma das “vítimas” indiretas da guerra.
Montgomery é um homem que deixou sua humanidade em algum lugar. Não voltou com ele da guerra. Sofre pelo amor de sua namoradinha de colégio (Kelly, vivida por Jane Malone), que após sua ida se envolveu com outro, e no início do filme vai casar com o “substituto”. Ao se envolver com uma dessas vítimas, o personagem de Foster tem seu recomeço. É tudo bem mostrado, sem excessos, sem cair na pieguice ou no melodrama.
Redescobrir sua humanidade e no caminho ainda tentar arrastar para fora do limbo seu parceiro. É essa a missão de Montgomery.
Dois homens perdidos diante da vida. Dois homens a procura de alguma corda que os puxe de volta.
O trabalho de Foster, no papel de Montgomery é bom. Bom, mas nada de especial. Ele continua com as mesmas caretas de outros filmes. Parece o personagem de 30 Dias de Noite sem o sangue. Harrelson por sua vez consegue algo melhor, mas não tão bom quanto as pessoas vem dizendo. É incomum vermos Harrelson num papel mais sério, e mesmo nesses, ele de um jeito ou de outro acaba caindo pro lado do palhaço, do cômico acidental. Em Mensageiro ele até se esforça, e por quase 90% do filme ele realmente é um sujeito sério, quieto, cheio de complexos. Nos outros 10% Harrelson, liga seu piloto automático e atua como lhe é peculiar. Recheado de caretas, olhares “ferozes” e aquela cara de “sou louco não mexe comigo”.
O mais interessante do filme, e o que realmente faz ele se destacar, são as situações que esses soldados vivenciam e os coadjuvantes de luxo que estão em cena, resultado de um roteiro muito inspirado. Melhor do que dirigir Overman escreve muito bem (créditos ao co-roteirista Alessandro Camon) , e isso fica claro nessas cenas.
Ali vemos o dia a dia brutal dessa função. Vemos os dois soldados passando por situações complexas e de difícil compreensão. Ao mesmo tempo que nos sensibilizamos com os “absurdos” que os soldados ouvem, ficamos pensando nos motivos daquela dureza toda, daquela falta de humanidade para a condução de tal situação tão difícil. Steve Buscemi fazendo um pai desesperado, Samantha Morton como uma mulher que aprende a amar o marido depois que ele morre, são alguns dos bons coadjuvantes.
O trabalho técnico do filme não compromete. Apesar de não ter nada demais, a direção de Oren Moverman estreante na função é competente. Como em todo filme mais intimista que se preze os atores conduzem o ritmo do filme. Os únicos momentos em que nota-se um trabalho mais elaborado (e não é grande coisa) é nas visitas as famílias. Ali é câmera na mão para simular uma pretensa realidade.
Em sua meia hora final, Mensageiro parece dizer: para seguirmos em frente e nos redescobrirmos é preciso de fato, enfrentar os fantasmas e superá-los. Parece livro de auto-ajuda ? Sim, parece. Mas feito com extrema competência, atuações seguras (mas não brilhantes) e um texto simples, que apesar da estrutura formal, esconde algumas nuances interessantes.
Obs: Acho que Harrelson ganhou sua indicação pela conversa que tem com Foster, tomando uma e sabendo os motivos do acidente do Sargento. A cena é muito boa, Foster e Harrelson tem seus melhores momentos no filme.