quinta-feira, 18 de novembro de 2010


Animal Kingdom


Filme australiano sobre uma família que se desintegra - o trailer diz isso - ao se envolver com o submundo do crime. Elenco quase desconhecido e ao que parece uma história forte e poderosa.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Machete
(Machete, 2010)
Ação - 105 min.

Direção: Robert Rodriguez e Ethan Maniquis
Roteiro: Robert Rodriguez e Álvaro Rodríguez

Com: Danny Trejo, Jessica Alba, Robert De Niro, Steven Seagal, Don Johnson, Michelle Rodriguez, Jeff Fahey, Lindsay Lohan, Cheech Marin, Tom Savini

Robert Rodriguez não deve ser levado a sério. Em sua carreira, o diretor mezzo chicano, mezzo texano nunca tentou fazer nada que fosse digno de premiação ou de elogios efusivos de crítica. Sua praia sempre foi a diversão descompromissada. Sua filmografia é quase um paralelo chicano com Woody Allen (não me xinguem ainda fãs) que também situou a imensa maioria de suas histórias em seu quintal, falando sobre quem conhecia e sobre si mesmo. Rodriguez, muito longe de ter o talento e a sagacidade de Allen, tenta fazer o mesmo desde sua estréia com El Mariachi. Mesmo quando saiu da fronteira Estados Unidos/México, aventurando-se em Sin City e na fantasia dos Pequenos Espiões sempre guardou alguns fetiches e elementos comuns a seus demais filmes. Em Sin City por exemplo, a violência cartunesca do quadrinho é ideal para um cineasta que construiu sua carreira sobre a "casadinha": violência explícita e humor negro, e em Pequenos Espiões estão alguns atores fetiches do diretor: Banderas e Danny Trejo (que segundo li interpreta um envelhecido Machete num dos longas da série).


Em seus demais filmes Rodriguez parece não saber - ou não querer - sair da zona de conforto e inovar ou ousar em alguma coisa diferente. Seria interessante ver o cineasta fugindo da paisagem arenosa e da bebida barata e se aventurando em outras freguesias.


Por enquanto, Rodriguez parece feliz e continua interessado em revisitar - novamente - sua "mitologia". Em Machete é a vez da história do ex-policial mexicano que após ser traído se vê perseguido por policiais corruptos, matadores de aluguel e senadores psicopatas.

O problema de Machete é que ele se leva a sério demais, e talvez por isso Quentin Tarantino - que tem um gosto para cinema bastante peculiar - tenha conseguido "enfiar" o filme no festival de Veneza. Tendo a desculpa de que por baixo de todo sangue, tripas e peitinhos havia uma discussão sobre o preconceito com os imigrantes na fronteira dos Estados Unidos.

Ao se levar a sério demais, o filme perde a chance de ser divertido ou, ao menos, exibir algumas seqüências violentas e sem o menor compromisso em serem plausíveis, em suma, em manter o clima de El Mariachi, Desperado, Drink no Inferno e em menor grau Era uma Vez no México.


Machete se perde também ao não conseguir segurar o ritmo alucinante - e mentiroso - de seus primeiros quinze minutos. Nessa abertura imunda, vemos a primeira das duas traições que nosso herói sofre. Nele estão presentes os elementos mais esperados pelos fãs e por aqueles que não conseguem enxergar Rodriguez como um cineasta com "algo a dizer". Estão lá, a técnica propositalmente tosca, diálogos canhestros, nudez e sexismo gratuitos, violência explícita e humor negro. Se Machete mantivesse o ritmo de sua abertura teríamos um dos filmes mais divertidos do ano, sem a menor dúvida.

Rodriguez no entanto, talvez seduzido pelo elenco estelar, tenta dar algo a dizer a todos os personagens minimamente importantes no filme. Isso acarreta num festival sem graça de diálogos risíveis, de atores atuando - ou não - com o carisma amarrados por um fiapo de roteiro que apesar de não ser confuso é frágil e tem desfecho irregular e enfadonho.

Rodriguez ainda peca ao não apresentar o que o trailer falso de Grindhouse indicava. Danny Trejo, no trailer, aparecia como o maior dos bad-asses que mutila e transa com a mesmíssima habilidade. A exceção de uma bizarra e hilariante sequencia que envolve intestino delgado, Machete parece uma variação de outros personagens criados e interpretados por Stallone, Chuck Norris e afins. No quesito nudez gratuita, a exceção da cena de abertura já citada, tudo é muito "American Pie". Um peitinho aqui, uma camuflagem digital ali e nada mais.


Machete é filmado como um filme b, apesar de orçamento razoável, tem créditos de abertura muito interessantes e trilha sonora (da banda Chingon) que amplifica o clima de imundice da história.

Os atores - uma seleção de gente interessante ou falida - são heterogêneos assim como o resultado de suas aparições em tela. Se Don Johnson está excepcionalmente caricato como o policial doentio Von Johnson, Jeff Fahey é medíocre (tendo direito a uma das piores frases de efeito da história: "Eu odeio é a queda de lucros"), De Niro se esforça para ser ainda pior do que seu papel e Michele Rodriguez repete pela enésima vez o mesmo papel de vigilante masculinizada (dessa vez de tapa olho). Jessica Alba - virtualmente pelada - tenta fazer alguma coisa sendo a única personagem razoavelmente realista na fauna de personagens bizarros de Rodriguez, sendo dela o papel de ser a ligação entre o espectador e o filme. Não consegue, sabotada pelo acumulo de personagens e de atores que precisam dizer alguma frase de efeito infeliz para a câmera.


São os casos de Lindsay Lohan - como todos sabem, interpretando quase a si mesma -, Steven Seagal, que além de limitado por seu físico não consegue convencer ninguém de que um dia foi o monstro que impressionou a todos em clássicos da força bruta como Marcado para a Morte, Fúria Mortal, Nico - Acima da Lei, A Força em Alerta, Difícil de Matar entre alguns outros, Tom Savini (uma das figuras do underground mais interessantes) que não tem tempo para fazer muita coisa e Cheech Marin, que é figurinha fácil nos filmes de Rodriguez, mas que é um ator limitado e que sempre é lembrado por Cheech e Chong (se não viu, corra e procure).

E Danny Trejo?

Pessoalmente sempre achei Trejo uma figura sensacional. Medonho, com seu bigodinho cafajeste e seus cabelos de vocalista de metal melódico e uma quantidade insana de tatuagens de cadeia, o ator (que já comeu o pão que o diabo amassou) é um dos mais prolíficos na profissão, com cerca de duzentas participações como ator (contando ai pontas) em diversos filmes variando de Fogo contra Fogo (do mestre Michael Mann), Desejo de Matar 4, Marcado para a Morte entre muitos e muitos outros.


Machete é a coroação merecida. E ele está muitíssimo à vontade no papel, criado para ele por seu chapa Rodriguez e talvez seja por isso que Machete não é insuportável de ser visto. Uma pena que o "chapa" maltrate seu herói, transformando-o em mais um personagem a partir da metade da narrativa, fazendo a batalha de um homem só se transformar numa infeliz guerra de cowboys contra "índios".

Muito longe de ser um exemplar legitimo - ou mesmo inspirado em - exploitation, o filme parece ter sido feito como medida para os adolescentes revoltadinhos americanos. A esses recomendo irem a fonte original da devassidão e imoralidade em pérolas como a trilogia de Ilsa, os filmes do blaxploitation, Cannibal Holocaust e dezenas de outros que entregam aquilo que prometiam: violência, sexo e diversão escapista.


terça-feira, 16 de novembro de 2010


Goon

Esse tem a GRANDE chance de ser um dos filmes mais legais de 2010/2011. O trailer é impagável e muito bem feito. Deu vontade de procurar os quadrinhos originais e conhecer a fundo a história que envolve o filme.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Senna
(Senna, 2010)
Documentário

Direção: Asif Kapadia
Roteiro: Manish Pandey

No meio da Fórmula 1, não há muita controvérsia quando o nome de Ayrton Senna é citado – como Niki Lauda mesmo já constatou “ Ele foi o melhor piloto que já existiu ” - como o mais impressionante piloto da história da categoria. Mais do que um piloto excepcional, para nós brasileiros, ele era um símbolo, um exemplo, um orgulho quase unânime do público brasileiro geral. Que Senna foi um verdadeiro herói nacional, disso todo mundo sabe. O homem bondoso, que servia de exemplo e era admirado pelo povo, é lembrado até hoje. E a vida de alguém como ele, era, de fato, cinematográfica. E cinematografia do tipo épica, quase um gênero de sandália e espadas, só que passada nas pistas. E por muito tempo esperamos por uma representação adequada e definitiva da vida de Senna no cinema. E ela veio.

O filme de Asif Kapadia já começa vencedor por entrar pelo caminho mais adequado ao tema – retratar a vida de Senna em suas glórias, seus feitos – e não tentar executar o já meio clichê de revelar o “homem por trás do mito” ou “as mulheres da vida” ou a vida fora das pistas” . Qualquer tipo de realização assim não teria a relevância que este Senna tem. Afinal , este filme não é uma biografia completa de Ayrton Senna, mas sim um retrato de sua obra, seus dez anos ativos na Fórmula 1 , que desenharam a face do grande piloto e marcaram a vida do mesmo.

E quem assiste a um documentário como esse, logo percebe que o ídolo não precisaria de uma dramatização. O longa é construído apenas com imagens de arquivo, todas daquela época (1984 – 1994) e com comentários de ex-pilotos, chefes de equipe, comentaristas esportivos e familiares . Isso torna tudo mais orgânico, e a sensação que temos é de ver quase uma dramatização onde os atores são as personalidades em si. Uma sensação sem igual, que raramente é passada em documentários, já que a grande maioria deles possui aquelas cenas de pessoas "paradas" falando com a câmera. Aqui isso inexiste, e o que se passa é imersão na história verídica, como se estivéssemos ali, no momento em que ocorreu. Grande tato de quem realiza conseguir administrar tal feito.


O filme conta a história da carreira de Senna na Fórmula 1, e de passagem nesse período entram histórias dos pilotos e chefes de equipe que viveram ao lado de Senna. Amigos como Ron Dennis – que vive até hoje na McLaren -, e rivais, como Alain Prost. Este em especial, tem tamanho destaque, que possui abertura para construção separada de seu personagem, quase como um antagonista. A relação com o presidente da FIA da época, Jean-Marie Balestre, também é mostrada, de maneira ainda mais sensacional, afinal, muitas das cenas em que Balestre aparece no filme são arquivos exclusivos, nunca antes mostrados.

Há, entretanto quem reclame do longa colocar-se de maneira parcial, e empregar situações quase maniqueístas. Avaliando-se parte a parte, percebe-se que não há tanto disso. A luta de Senna contra a politicagem e favorecimento na Fórmula 1 foi real, e o lado mais correto na briga era do brasileiro, no mínimo.

Na relação com o rival, no entanto, haverá polêmica. Prost é considerado um vilão em tela, é fato. Injustiça, com alguém que foi tetra-campeão da Fórmula 1? Talvez. A verdade é que a arrogância e o estilo de Prost acabam favorecendo esta imagem, que se auto-associa a ele, sem nenhum filme precisar estampar. E se Senna teve um adversário potente para se contrapor, este foi Prost. Porém, ninguém sai em maus lençóis, ao final. Todos sabem que apesar dos pesares, no fim de tudo, foi Prost um daqueles que carregou o caixão de Ayrton. Uma imagem de redenção? Para quem for mais para o lado do chavão, sim, mas a verdade é que nesta parte do filme todos são mais humanizados, como de fato na vida real. Inclusive a última frase explicita isso muito bem.


O filme em si só não se destaca mais porque o formato não permite. Uma colcha de retalhos de reportagens complica, por exemplo, a entrada mais expressiva do diretor. Kapadia, aliás, com o que tinha, fez muito, e conseguiu montar uma linha de raciocínio muito coerente e interessante, apesar de clássica. A narrativa é ajudada pela trilha de Antonio Pinto, conhecidamente triste, como em Colateral, mas também agressiva e ágil nas partes de corrida. No que o filme ganha pontos, de verdade, é na sua iniciativa de mitificar Ayrton Senna, fazendo com que o víssemos como o herói que foi. Como num épico que termina com a tragédia, Senna mostra seu herói nos momentos mais críticos, mas sempre procurando a glória. Esse ponto de vista definitivo e "endeusador" é visto já no título do filme. Senna. Simples assim. Não algo mais intimista. Algo externo, que exacerba e coloca-o sobre o pedestal que merece. Mesmo que já testado anteriormente, este estilo funciona aqui de forma mais emocional e profunda. Excepcional.

Devo admitir que sempre quis ver uma obra definitiva da vida de Ayrton Senna nos cinemas . Agora ela existe.

domingo, 14 de novembro de 2010

Mulher Maravilha
(Wonder Woman, 2009)
Aventura - 74 min.

Direção: Lauren Montgomery
Roteiro: Michael Jelenic

Com as vozes de: Keri Russell, Nathan Fillion, Alfred Molina, Rosario Dawson, Oliver Platt e Virginia Madsen

A DC Comics tem três pilares que sedimentam a editora. Três personagens tão icônicos que quase todos os seres viventes na terra sabem reconhecê-los com o simples mencionar de seus nomes. Os nomes Batman, Superman e Mulher Maravilha são reconhecíveis por crianças e adultos dos quatro cantos da terra.
Porém, dentre os três a mais "maltratada" sempre foi a amazona. Se Superman teve 5 filmes de cinema, mais séries de TV e desenhos animados e o Morcego 6 filmes de cinema, seriados de TV e diversas séries animadas, a amazona se contenta com aparições no desenho Superamigos, uma série de TV e participações na série animada da Liga da Justiça. Nem sequer uma produção de cinema foi destinada a essa personagem tão importante para a história dos quadrinhos de super-heróis.
Por isso quando a DC Animation lançou Mulher Maravilha para o mercado de home-video a única expressão que me coube foi: "finalmente".


Só por ser a primeira "origem" da personagem contada nas telas já merece uma olhada. A diretora Lauren Montgomery trouxe - por razões óbvias - um olhar mais apurado sobre a feminilidade, o que num mercado essencialmente machista já é um tremendo avanço.

O filme narra os primeiros dias de Diana como a Mulher Maravilha. A origem da personagem em uma seqüência pré-creditos fabulosa é extremamente cinematográfica, apresentando uma batalha sensacional. Essa seqüência estrelada pela mãe de Diana, Hypollita, sedimenta o plot de maneira inteligente e ainda reserva surpresas para os não iniciados.

Lembrando muito o antigo Fúria de Titãs em sua abordagem mitológica, essa abertura é a forma mais do que ideal de iniciar o filme, que desde sua base é "maior que a vida", diretamente ligada aos mitos gregos.


De imediato também é possível perceber o cuidado quase artesanal para construir cada personagem com detalhes que as diferem entre si e uma adequação aos traços mais "comuns" aos gregos, como narizes alongados e retilíneos, rostos mais finos e "viris" e um maior cuidado com a anatomia, que tenta não transformar as amazonas em atletas de levantamento de peso ao mesmo tempo em que não as transforma em modelos de biquíni.

Existe um saudável equilíbrio entre o apelo sexual da civilização composta só de mulheres com a funcionalidade de suas armas - ou seja, seus corpos.

Outro destaque que permeia o filme e que já na abertura é notada, é sua trilha sonora que bebe na fonte dos épicos como Ben-Hur, Dez Mandamentos, Tróia, Senhor dos Anéis e afins. Orquestra completa cheia de cordas e com especial destaque aos instrumentos de sopro num trabalho de grande talento do compositor Christopher Drake.


Dessa abertura fulgurante, passamos a acompanhar a rotina na ilha e o plot que surge quando acidentalmente um piloto americano cai na ilha de Temyschera - lar das amazonas - e tem de ser levado ao "mundo dos homens" como as amazonas chamam o nosso pedaço do planeta. Ao mesmo tempo em que um antigo - e mitológico mal - é liberto de sua prisão.

De cara, a diretora Montgomery é feliz ao mostrar as incríveis diferenças entre o pensamento radicalmente feminista das amazonas e a do piloto acidentado, Steve Trevor. Desde sua chegada quando ele surpreende um banho das amazonas na cachoeira até seu contato com Diana, tudo é religiosamente feito para discernir os dois mundos. Porém, e esse é o grande mérito, tudo é feito com bom humor resultando em diálogos maliciosos e engraçados que ajudam ao público a não repudiar o comportamento quase fascista das amazonas.

Essa questão da óbvia abertura do mundo fechado das amazonas ao mundo externo é abordada com felicidade também. A constante tensão sexual ajuda a "quebrar o gelo" e transforma um assunto difícil em algo mais facilmente digerível por um público que não está - em sua maioria - interessado em nada mais do que uma boa aventura.


Esse talvez seja o calcanhar de Aquiles - pra ficar nos mitos - do filme. Sua primeira parte funciona maravilhosamente bem. Os discursos sexistas de Hypollita, que apesar de seus motivos para "odiar" os homens, é extremamente radical são discretamente fundamentados pela "pureza" que permeia a própria época em que a personagem foi criada. Lembremos que apesar de toda a "ousadia" de criar uma heroína nos anos quarenta, ela ainda vinha de uma sociedade somente feminina, sem contato com os homens, onde foi treinada quase como uma máquina para seu objetivo de ser uma amazona. Sem as eventuais "distrações" que geralmente ocorrem entre homens e mulheres, ao mesmo tempo em que as amazonas nunca foram apresentadas como homossexuais, o ideal de sua criação fica claro: a Mulher Maravilha é a heroína da família. Vence os inimigos com seu sexy visual, mas se mantém intocada e virginal.

O discurso de Hypollita tem a ver com essa idéia. Ao prevenir que Diana esteja propensa a enfrentar os "males" do contato com o homem, ela reforça o conceito obsoleto de que todos os homens são iguais ao mesmo tempo em que ignora o fato de que a mulher também tem escolha. Esse discurso fajuto de pseudo-igualdade feminista nunca funcionou já que não leva em conta dois fatores claros a qualquer discussão sobre o assunto: que a atração física é um fato da vida humana e que homens e mulheres são diferentes sim e cada qual com sua diferença devem aprender a conviver e a explorar suas qualidades e aprender a melhorar suas fraquezas, além de no fundo é machista ao não crer que uma mulher possa resistir aos encantos do "macho".


Esse discurso, que renderia uma beleza de segunda parte abordando com mais inteligência as diferenças entre o mundo mágico das amazonas e a realidade do mundo, é raso. Até existem momentos em que a história tenta mostrar isso, com destaque à cena em que Trevor e Diana tomam um porre num bar, mas é muito frágil e esqueçe de continuar o desenvolvimento de seus personagens iniciado anteriormente. O crescimento daqueles personagens fica no meio do caminho e a história caminha para a aventura cartunesca e de final risível que insere o governo americano - totalmente deslocado - e uma batalha num cartão postal da capital americana.

Apesar de tecnicamente correta e com senso de aventura "no talo" para a história a solução é simplista e superficial, que destrói o ritmo do filme. Parece, vendo de fora, que cortaram quinze minutos do filme onde os planos do vilão e o desenvolvimento dos personagens estavam inseridos.


O elenco de vozes do filme é estrelado: Kerri Russell (da série Felicity), Nathan Fillion (da série Firefly), Alfred Molina (Chocolate), Rosario Dawson (Alexandre, Sin City), Oliver Platt (2012) e Virginia Madsen (Sideways). Todos em papéis de destaque e com tempo para desenvolverem - na medida em que o filme permite - seus papéis.

A parte técnica e visual é deslumbrante perto dos dois filmes anteriores da casa (Gotham Knight não entra na conta por ser um anime). Desde a já citada caracterização crível dos personagens, passando pelos cenários e pela edição que é inteligente com a ação, camuflando a violência em excesso - como na abertura. Outro destaque é para a composição do "Inferno" que enfatiza a dubiedade de Hades.

Mulher Maravilha é mais um filme que sofre do "mal" dessas primeiras animações DC. Começa de maneira exemplar e vai perdendo força, quase como que se não soubesse se encerrar. Falha ao iniciar o desenvolvimento de seus personagens e deixá-los pelo meio do caminho, apostando numa batalha final simplista e que não convence. Um passo atrás frente aos bons, Morte do Superman e Liga: Nova Fronteira e uma introdução pálida da personagem nas animações em longa-metragem.


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Senpuucast 37


Como dito segue pra vocês mais um Senpuucast, dessa vez falando sobre o desenho e o filme Avatar (ou O Último Mestre do Ar). 

A conversa obviamente descanbou para uma análise da carreira - medíocre - de M.Night Shyamalan cada vez mais afundado na própria soberba. Além disso, falamos um pouco sobre a animação - muito melhor do que o filme - e mais um monte de bobagens sem sentido.

Ouçam aqui

quinta-feira, 11 de novembro de 2010


True Grit



Sai o primeiro trailer do remake de Bravira Indômita, um dos mais emblemáticos filmes da carreira de John Wayne. Nesse remake, os irmãos Coen colocam Jeff Bridges no papel que outrora fora de Wayne, além de contar com Matt Damon e Josh Brolin - cada vez mais requisitado. Os Coen, por óbvia questão autoral, devem ter tomado diversas liberdades quanto ao filme original e devem ter tentando uma abordagem mais próxima do livro de Charles Portis.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Planeta 51
(Planet 51, 2009)
Comédia/Aventura - 91 min.

Direção: Jorge Blanco, Javier Abad e Marco Martínez
Roteiro: Joe Stillman

Com as vozes de: Dwayne Johnson, Jessica Biel, Justin Long, Gary Oldman, Sean William Scott e John Cleese

Planeta 51 é uma homenagem direta aos filmes de ficção científica dos anos 50. Aquela saudosa e divertida época onde o homem ocidental temia a ameaça vermelha travestida de monstros do espaço. Uma época de tensão constante em que os filmes serviam como escape de uma vida sinistra e cinzenta.

A animação da Sony imagina o espelho dessa possível traumática invasão, colocando o homem como invasor de um planeta distante. É o capitão Charles Baker (dublado por Dwayne Johnson, o popular "The Rock"), quem é o nosso emissário aos confins da galáxia e que acaba caindo acidentalmente no planeta 51 onde encontra uma raça de "homenzinhos verdes" que vivem numa espécie de sociedade capitalista dos anos 50, recriada em todos os seus clichês. O sorveteiro em seu carrinho? Está lá. O policial bonachão? Está lá. Proto-hippies? Confere. Clima de paranóia com a invasão alienígena? Confere. Militar ignorante? Idem.

É nesse aspecto que o filme se destaca. Preciso na recriação de época e na criatividade com que emula as diferenças entre os homens e os aliens, o filme é um show em seu design de produção (Julian Muñoz Romero) e de uma tremenda qualidade técnica em seus personagens e cenários.

Entre os personagens criados, o grande destaque vai para o cachorrinho "inspirado" no design de Carlo Rambaudi para a fera conhecida como Alien. Além de prestar uma homenagem ao mítico personagem, ainda resultou numa criaturinha engraçada e de humor negro.

A história passa então a contar o envolvimento do astronauta narcisista com o garoto loser alienígena, Lem (dublado por Justin Long), apaixonado por Neera (dublado por Jessica Biel) e que tenta crescer e conquistá-la.

O problema é que o filme não se sustenta. Apesar do começo divertido, aos poucos tudo parece batido e a sensação de "já vi isso antes" é elevada a níveis gigantescos. Os personagens parecem arremedos de criações Disney e a questão de discutir uma moral aflige o terço final.


Planeta 51 não consegue ser divertido e descolado como os filmes da Dreamworks e nem ter uma história verdadeiramente para toda a família (como a Pixar) e talvez agrade os pequenos pelas cores e movimentação. Os maiores, depois de meia hora não vão agüentar as piadas fracas, protagonistas ruins e romancezinhos banais.

Obs.: elenco de vozes é estelar. Além dos citados ainda estão na brincadeira Gary Oldman (como o general Grawl), Sean William Scott (como Skiff) e John Cleese (como o professor Kipple).

terça-feira, 9 de novembro de 2010


Hereafter



A lei da vida diz que após vivermos o inevitável nos apanha pelos calcanhares nos fazendo sucumbir. Clint Eastwood parece que em seu novo filme falará disso: morte. E mais: o que acontece com aqueles que ficam para trás e para aqueles que não conseguem superar a perda. Além dos óbvios conflitos entre o pós-vida que inundam as discussões fúteis entre diferentes crenças, tentando sempre provar que o seu ponto de vista é o certo e o outro "arderá na eternidade". Porém, Clint já nos provou que pode subverter nossas espectativas com filmes tão diversos como Menina de Ouro (que parecia ser um filme de superação e jornada) e Gran Torino (que tinha tudo para ser um "revenge movie" no melhor estilo Desejo de Matar). Resta esperar o que o quase sempre brilhante Clint esconde na manga.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Batman: O Cavaleiro de Gotham
(Batman: Gotham Knight, 2008)
Aventura/Thriller - 75 min.

Direção: Yasuhiro Aoki (In Darkness Dwells), Yuichiro Hayashi (In Darkness Dwells), Futoishi Higashide (Crossfire), Toshiyuki Kubooka (Working Through Pain), Hiroshi Morioka (Field Test), Jong-Sik Nam (Deadshot) e Shoujirou Nishimi (Have I Got a Story For You)
Roteiro: Josh Olson (Have I Got s Story For You), Greg Rucka (Crossfire), Brian Azzarello (Working Through Pain), Alan Burnett (Deadshot), Jordan Goldberg (Field Test) e David Goyer (In Darkness Dwells)

Com as vozes de: Kevin Conroy, Jason Marsden, Jim Meskimen, Corey Burton, Ana Ortiz e Kevin Michael Richardson


Diferentemente dos outros filmes da DC, Batman: Gotham Knight não é um longa metragem, mas uma coleção de interpretações de diretores de anime sobre o personagem icônico dos quadrinhos.

Após o mega sucesso de Batman Begins a DC decidiu criar uma ponte entre os eventos vistos em Begins com os que viriam a ser vistos em Cavaleiro das Trevas. Talvez inspirados pelo sucesso de Animatrix (também da Warner e que também funcionava - pelo menos em um de seus episódios - como prólogo) investiu-se nos curtas com traço de anime, que em geral foram bem sucedidas.

Como estamos falando de uma coleção de curtas a análise não consegue ser feita num todo, mas quando analisamos cada um dos filmes.


Em "Have I Got a Story For You", de Shoujirou Nishimi (estreando na função de direção, tendo feito parte das equipes de Akira, Tiny Toons e Mind Game) tem traço estilizado para contar a história da impressão que o morcego imprime em cada um dos que o vêem.

Diversos garotos contam (numa história que se interliga) como participaram - indiretamente - da caçada do cavaleiro das trevas a um inimigo. Muito bem construído na parte visual com fortes traços realistas nos cenários - em especial na pista de skate onde o filme começa e termina - e com personagens bem caracterizados, apesar de extremamente estilizados, diálogos inteligentes e um final muito criativo e que combina perfeitamente com a proposta do filme.

"Crossfire" de Futoshi Higashide (que dirigiu 7 episódios da série Samurai 7 e esteve na equipe da animação Air) é mais tradicional nos traços de anime e no seu roteiro. Explora a relação - sempre conturbada - entre Batman e a polícia de Gotham através dos olhos dos detetives Allen e Ramirez que se envolvem num fogo cruzado ao deixarem um fugitivo na cadeia. Batman funciona como uma espécie de anjo vingador, uma figura enigmática e vigilante sempre a espreita. A edição desse episódio é primorosa e insere o espectador com grande felicidade numa espiral de claustrofobia. Roteiro do quadrinhista Greg Rucka, conhecido dos fãs do morcego por sua passagem pelo título.


"Field Test" de Hiroshi Morioka (que entre seus créditos dirigiu a série .hack) é o mais fraco da coleção. Uma história simplória sobre o uso de um novo elemento do uniforme do Batman que não funciona tão bem. Participação de Lucius Fox e uma caracterização infeliz de Bruce Wayne, que parece muito mais novo do que o personagem dos filmes e mesmo dos quadrinhos. Apesar disso, começa interessante abordando outra faceta - a mais interessante do personagem - de Batman: a de detetive. Porém, o desenvolvimento e principalmente os últimos cinco minutos reduzem o impacto da história.

"In Darkness Dwells" de Yusuhiro Aoki e Yuichiro Hayashi (dois novatos) conta uma história envolvendo dois vilões bem tradicionais do morcego. O Espantalho (com um visual que mistura os quadrinhos com a abordagem do filme) e o Crocodilo. Usando e abusando de altos contrastes inserindo a história numa escuridão muito parecida com o clima dos momentos mais dark do personagem, apresenta um roteiro simples mais muito bem conduzido com cara de HQ do personagem. Em termos de fidelidade ao clima do material original sem dúvida é que mais se destaca e talvez por isso, peque - por detalhes - por não arriscar. Mais são detalhes mínimos perto da incrível inserção do espectador naquele mundo sujo e sombrio dos esgotos de Gotham. Roteiro de David Goyer, o roteirista dos dois filmes do morcegão que tiveram a mão de Christopher Nolan.


"Working Through Pain" de Toshiyuki Kubooka (outro novato na direção) é espetacular. Sem dúvida o mais impactante, inteligente e bem construído em termos narrativos. Apesar de não ter o mesmo visual arrebatador de Darkness Dwells, tem uma história tão boa que compensa os mínimos defeitos. O plot é um grande flashback que começa quando Batman leva um tiro durante uma perseguição nos esgotos e tem que "vencer a dor" e sair para um lugar seguro. A partir daí, o personagem relembra dos momentos em que passou na Índia estudando sobre o controle de seu corpo. Bastante visceral e sangrento - o mais violento de todos os curtas - tem nos diálogos sua maior força. Repleto de referências a cultura oriental e suas fabulosas filosofias de vida e cuidado com o corpo e alma é uma aula de como construir em pouco mais de dez minutos uma narrativa coesa e inteligente. Durante sua jornada em busca da saída, Batman não enfrenta nenhum inimigo fisicamente presente, apenas suas limitações de corpo e mente. E ainda tem um dos finais mais simbólicos que vi na década, com um Batman totalmente vulnerável frente ao seu eterno desafio. Uma pérola a ser vista e revista, com a marca da mente e das mãos do fabuloso Brian Azzarello (de Batman: Cidade Castigada e da série 100 Balas).

"Deadshot" encerra a coleção de maneira mediana. A animação do coreano Jong-Sik Nam (que depois veio a dirigir Dante's Inferno) é calcada nas belas cenas de ação que envolvem o vilão-b Pistoleiro em sua tentativa de eliminar seus alvos (lembrando muito O Procurado) e o Batman tentando impedi-lo. Amarrado por um fiapo de roteiro, Deadshot é deslumbrante em termos visuais - talvez o mais bonito da coleção - mas peca por apresentar soluções frágeis e por não ter um desenvolvimento maior de sua narrativa. Tudo acontece muito rápido e de maneira simplista.


Batman - O Cavaleiro de Gotham é o mais ousado projeto da DC. Em geral, a avaliação dos trabalhos não pode ser ruim. Mesmo nos dois trabalhos menores existem ali presentes as características do personagem homenageado e traços de originalidade e até ousadia.

A DC poderia expandir essa idéia e "entregar" outros personagens de seu panteão para que os magos do Japão pudessem dar suas impressões sobre esse mito moderno.

domingo, 7 de novembro de 2010


Solitary Man



Michael Douglas além de Wall Street também estrela esse filme com a sumida Susan Sarandon sobre a vida de um bem sucedido homem de negócios que precisa recomeçar a vida depois que - pelo que o trailer mostra - perde tudo. Elenco bem interessante que conta com a LINDA Mary-Louise Parker, Danny DeVito e Jesse Eisenberg.