terça-feira, 22 de setembro de 2026

A Bruxa


A Bruxa

(The Witch, 2015)


Direção: Robert Eggers
Roteiro: Robert Eggers
com: Anya Taylor-Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie, Harvey Scrimshaw

Quando foi lançado em 2015, A Bruxa foi uma quase unanimidade. Era diferente do que era feito com consistência no horror no período. Era lento, atmosférico, sem nenhum jump scare (na verdade sem nenhuma susto), construído com calma, tranquilidade, mas sem deixar de ser macabro, bruto e impactante. 

11 anos depois, revendo, o impacto permanece. Mesmo com os olhos calejados de tantos subprodutos e da própria mão do diretor Robert Eggers ter ficado mais pesada e seus filmes serem mais inconstantes. 

O folk horror é um subgênero do terror muito interessante, pois consegue sempre encontrar uma maneira diferente de causar impacto através de sua capacidade de inovar diante de muitas mitologias, abordagens teológicas ou mesmo criaturas.

A Bruxa, no entanto, é mais direto nesse quesito. É uma história clássica de bruxaria, de possessão, de caos religioso e de abordagens "realistas". 

O mais relevante aqui são os personagens, poucos e bem desenvolvidos, especialmente Thomasin (Anya Taylor-Joy), seu pai William (Ralph Ineson) e sua mãe Katherine (Kate Dickie), que lidam com desconfiança, medo, paranoia e muito fanatismo religioso o que deixa os elementos que acontecem em tela mais opressores. 

Seria o fanatismo religioso o motivo para que a Bruxa escolha essa família? E o bode Philip, esse personagem fantástico? Seria uma entidade desde o começo ou também fora possuído?

O filme não se preocupa muito com passagem de tempo de forma clara, uma vez que vemos no início do filme, a família saindo de casa com Thomasin e seu irmão Caleb, e quando vemos a família na casa já temos os gêmeos Mercy e Jonas e o bebê Samuel, o que indica que o tempo passou significativamente. E o charme é que nada disso é dito, exposto de forma clara. Cabe ao espectador entender que o filme não e uma sucessão imediata de fatos, mas que existe um tempo entre a saída da família da colônia em que viviam e os eventos do filme.

Isso deixa a história ainda mais rica, pois indica que a Bruxa é uma espécie de metáfora para o crescimento e desejos dos personagens dos irmãos mais novos. Enquanto o garoto está descobrindo a sexualidade e graças ao seu ambiente religioso não sabe como lidar com seus sentimentos, a menina Thomasin, ao chegar a puberdade, é vista como um estorvo e precisa na visão de seus pais sair de casa.

Não é difícil então entender que Thomasin, busca inconscientemente uma fuga de sua realidade e que talvez por isso, a Bruxa tenha entendido que ela era uma potencial adição ao seu coven. 

O mais intrigante é que nada disso é de fato, claro. O bebê que some e move a trama, de fato foi levado por uma bruxa? Ela é real ou não passa de loucura puritana? E o bode? De fato, ele fala e representa Satanás? Ou no fim essa é a trama de uma garota lidando com seus próprios demônios em um ambiente repressor?

Não importa se o que vemos na tela aconteceu de fato ou não, já que a metáfora para crescimento é clara. A garota é foco de mentiras, dúvidas e enfrenta tudo e todos até enncontrar uma forma de se libertar de seu ambiente e transcender? Ou seria evoluir? Ou simplesmente encontrar seu verdadeiro caminho?

Esse continua sendo o melhor trabalho de Eggers. O mais enxuto, objetivamente instigante e visualmente deslumbrante. Já é um clássico. 






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