terça-feira, 8 de setembro de 2026

Ameaça Profunda

Ameaça Profunda

(Underwater, 2020)

Direção: William Eubank
Roteiro: Brian Duffield e Adam Cozad

com: Kristen Stewart, Vincent Cassel, T.J. Miller, Jessica Henwick, John Gallagher Jr, Mamoudou Athie

A expressão "guilty pleasure" é daquelas expressões complicadas de realmente explicar. Muita coisa classificada pela maioria, como boa ou mesmo excelente, acaba entrando nessa categoria, quando de fato, o tal "prazer culposo" é muito mais relacionado a obras que você como espectador/leitor tem uma ligeira (ou total) consciência de que não e lá grande coisa. A história pode não prender, os personagens podem ser odiáveis, o ritmo com mais lombada que as ruas perto de casa, ou simplesmente não ser tudo isso. Não dá para um filme nessa categoria ser aclamado por público e crítica. Ele precisa estar sob o radar, navegando incólume a atenção das pessoas. 

É o caso desse Ameaça Profunda, filme de 2020 lançado ali na pandemia e que passou batido, pouca gente viu, menos ainda falou sobre e foi derramado ai nos streamings na vida (hoje está no Disney+). 

E o que faz dele pra mim. um guilty pleasure?

A mistura desbalanceada, mas divertida entre ser um sub-Alien e uma história lovercraftiana.
A trama acompanha a personagem da Kristen Stewart (Norah) e mais um grupo de marinheiros que trabalham numa estação abaixo do mar (mas assim, muito abaixo do mar, quase roçando o fundo do fundo) e sofrem um acidente e precisam sobreviver. 

No começo tudo parece um acidente causado por falha mecânica ou algum fator explicável pela mente humana, porém com o decorrer a trama a coisa vira o tal sub-alien lovercraftiano. 

O filme é bem tenso, deverás escuro, com efeitos espertos e que se aproveitam demais do ambiente sombrio para serem efetivos. Os personagens não tem lá muito tempo de desenvolvimento, uma vez que o ritmo da história é de um Fórmula 1 em plena reta, sendo intenso do inicio ao fim. Kristen Stewart que protagoniza o filme entra bem no estilo "poucas palavras-muita ação" uma vez que ela está sempre precisando resolver alguma coisa ou consertar algo ou salvar a vida de alguém. 

O que não torna o filme inesquecível é que essa fórmula é conhecidíssima e se você já viu Alien ou qualquer slasher dos anos 80, já entende que você tem ali o estereótipo de final girl, os sacrifícios necessários e a vilanização da corporação sem rosto. Isso faz da experiência bastante previsível de sua metade em diante, o que não tira o brilho da boa execução, tirando ai o fato do filme ser escuro demais, o que incomoda em alguns momentos. 

A gente tá muito acostumado, principalmente pelo preço dos ingressos, a usar muito o fígado para "julgar" arte. Ou ela precisa ser brilhante ou ela é uma porcaria. Isso cria uma floresta de filmes medianos, divertidinhos e que não comprometem a experiência meio que abandonados. Sorte que, diferente de quando esse blog publicou sua última crítica, tem uns duzentos streamings para que esses filmes possam ser vistos.




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