Mostrando postagens com marcador Ron Perlman. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ron Perlman. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Conan, o Bárbaro
(Conan, The Barbarian, 2011)
Ação - 113 min.

Direção: Marcus Nispel
Roteiro: Thomas Dean Donnelly, Joshua Oppenheimer e Sean Hood

Com: Jason Momoa, Stephen Lang, Rose McGowan, Ron Perlman e Rachel Nichols

De volta as telas depois de vinte e sete anos, Conan o guerreiro cimério criado por Robert E. Howard, é garantia de frases de efeito, sangue, suor, gritos de macho, decepamentos e uma grande quantidade de mulheres seminuas ou com pouca roupa.

Se o cardápio te agrada (ou não te ofende) Conan, o Bárbaro é um prato cheio. Longe de ser a definitiva versão de um filme sobre guerreiros bárbaros no cinema, o filme de Marcus Nispel (aquele mesmo dos horrendos Desbravadores e do remake de Sexta-Feira 13) é uma versão mais sangrenta do filme original dirigido com mão pesada por John Milius e que apresentou ao mundo um austríaco bombado chamado Arnold Schwarzenegger.

Isso quer dizer que o filme é bom? Não, apenas que entrega exatamente aquilo que parecia oferecer. Seqüências violentas (mesmo) entre guerreiros, uma profusão de sangue falso, uma história rasa e óbvia que serve apenas para unir as muitas seqüências de ação e personagens bi-dimensionais, como manda a cartilha do filme de ação genérico.


Apresentando um prólogo que introduz rapidamente - mas de forma eficiente - o background em que a história irá se passar, o filme logo parte para apresentar seu personagem principal, literalmente, desde o seu nascimento em um mar de sangue. Apostando na óbvia história do garoto folgado, mas brilhante que precisa provar sua capacidade antes de se transformar em um guerreiro, Conan - o Bárbaro, começa, apesar de extremamente óbvio, com um ótimo ritmo, com grandes seqüências de ação e aquela dose de comédia involuntária típica de produções assim.

Por isso é importante ressaltar a primeira sequencia de ação em que vemos o garoto Conan enfrentando uma horda de guerreiros quase bestiais, retratados como feras em busca de sangue. Destaque para os efeitos sonoros que transformam os adversários em legítimas feras, graças ao uso de urros de animais como forma de comunicação desses adversários. Assim como Zack Snyder fez em 300, Nispel também usa da metáfora do garoto largado na floresta que tem de enfrentar os lobos para provar que é homem. Diferente do filme dos espartanos, Nispel filme tudo de forma realista e não tem pudor em atirar o balde de sangue no rosto do espectador.

Infelizmente, após um primeiro ato bastante empolgante e que prometia muito mais, o filme cai na vala comum do filme de vingança, temperado pelo exótico mundo do guerreiro cimério. Também atrapalha, o fato de Jason Momoa ser um ator profundamente limitado, e que repete sem muito pudor as caras e bocas do personagem Khal Drogo de Game of Thrones. Porém, diferente de Schwarzenegger no filme original, o Conan de Nispel/Momoa é mais do que apenas um troglodita bebedor de hidromel. O personagem é capaz de criar uma estratégia de ataque/vingança interessante (apesar de profundamente óbvia) e até de se afeiçoar verdadeiramente por uma mulher.


Stephen Lang, vive o Tulsa Dum da vez. Khalar Zym é um homem obcecado pela vingança (como Conan) e que não mede esforços para  conseguir o que quer. Em suma, é a versão bárbara do coronel Miles de Avatar. Raso e vazio, como Tulsa também era, mas acompanhado de uma série de capangas que são igualmente patéticos e de visual quase orc.

O elenco feminino é todo muito fraco. Se Tamara (Rachel Nichols) transforma-se de monja sábia e contida em guerreira hábil com uma espada três vezes mais pesada que ela, Rose McGowan consegue o impossível. Consegue ser mais exagerada e patética do que o próprio Conan, surgindo aqui como uma feiticeira que parece ter muito menos poder do que acredita ter. Verdadeiramente, Marique parece ser uma eximia provadora de sangue humano, ser capaz de criar soldados de areia genéricos e que surgem na tela e somem sem deixar a menor marca e de ter roubado a luva - aqui transformada em garras/unhas - de Freddy Krueger.

O que poderia salvar Conan, de tal qual uma montanha russa, despencar ladeira abaixo, seriam as lutas, o tal barbarismo. A exceção da sequencia inicial já citada, todas as demais são mal fotografadas - Nispel parece não entender que precisamos ver aqueles personagens verdadeiramente lutando e não se esbarrando com as espadas - e cansativas. Prestem atenção na longuíssima cena que envolve os personagens lutando contra uma espécie de monstro marinho (que jamais é mostrado de forma convincente, para nos passar a sensação de medo ou tensão) e notem que no fim, o que Nispel fez foi nada diferente do que Príncipe da Pérsia, ou Fúria de Titãs remake, ou o pai desse tipo de sequencia de ação, Piratas do Caribe, já fez. Saltos no vazio, mudanças de posição nos cenários, a falta de credibilidade de que aqueles personagens podem realmente morrer, acrescidas aqui de sangue de mentira soando como uma fase perdida de God of War.


A direção de arte por sua vez, é inteligente ao não querer inventar a roda. Mistura uma série de características vistas em diversas civilizações para transformar cada um dos cenários visitados pelo filme em um lugar único. A aldeia de Conan parece saída de uma fantasia medieval - algo próximo de Coração Valente ou Highlander. A fotografia nessa primeira parte do filme auxilia a intenção do diretor em caracterizar a aldeia do personagem como um lugar sem luz, sem esperança e frio. Um lugar onde a espada e a batalha fazem parte do dia a dia do povo. O exército de Khalar Zym por outro lado, é uma mistura persa/romana. Khalar usa uma cimitarra dupla (que com o decorrer do filme descobrimos que são duas espadas) arma típica dos mouros, enquanto o exército tem armaduras e escudos que remetem aos romanos e capacetes que lembram os dos exércitos persas. O palácio do vilão também abusa da salada histórica. Colunas gregas, torres orientais e masmorras européias, tudo junto no mesmo ambiente.

O que poderia ser visto como uma falta de personalidade de quem é responsável pela direção de arte e design de produção, é na verdade, uma escolha inteligente que sedimenta o mundo de Conan na nossa própria historia, já que facilmente reconhecemos as referencias históricas utilizadas pela produção do filme.

Conan, o Bárbaro, é um longa genérico e óbvio. O espectador adivinha cada passo da aventura do guerreiro cimério desde o primeiro take da produção de Nispel. Em relação ao original, que envelheceu muito mal, ganha pontos por apresentar um personagem mais interessante e que não é apenas um ogro com uma espada, mas perde e muito, sem a trilha épica de Basil Pouledouris (substituída aqui por uma trilha óbvia de Tyler Bates) ou a capacidade de Milius para criar combates verdadeiramente épicos e grandiosos. Se o Conan/Schwarzenegger encontrasse o Conan/Momoa na rua, talvez lutariam até o fim dos tempos, sem jamais encontrarmos um vencedor.



sexta-feira, 8 de abril de 2011

Caça as Bruxas
(Season of the Witch, 2011)
Ação/Aventura - 95 min.

Direção: Dominic Sena
Roteiro: Bragi F. Schut

Com: Nicolas Cage, Ron Perlman, Claire Foy, Stephen Campbell Moore e Stephen Graham



Nicolas Cage é o ator com mais filmes lançados no planeta terra nos ultimos cinco anos. E olha que ele concorre com Samuel L. Jackson e toda a produção de Bollywood. Brincadeira a parte, é incrível como Cage tornou-se um ator sempre presente em produções medianas/ruins lançadas a cada três meses nos cinemas mundiais. Incrível como depois da vigésima tentativa de fazer algo comercialmente interessante, ninguém tenha percebido que Cage não funciona sempre e que suas interpretações tem se tornado cada vez mais fajutas.


A exceção de Kick Ass e do visceral Vicio Frenético, cite mais um filme que o ator tenha feito nos últimos 5 ou 6 anos digno de nota? Se estivéssemos falando de um ator recluso que surge apenas aqui e ali, daria um crédito, mas Cage está todo dia com um projeto novo, um novo personagem e uma história para ser apresentada e - na grande maioria das vezes - sumir duas semanas depois da estréia.



É o caso de Caça as Bruxas, uma aventura PG-13 sobre bruxaria/inquisição que tem um plot twist final tão absurdo que deve ter feito o público que assistiu ao filme no cinema engasgar com a pipoca.


Cage, interpreta Behman, um cruzado que revoltado com os desígnios criminosos e absurdos das cruzadas (que usando a ingenuidade e burrice de toda uma população, apresentou-se como uma jornada para a glória de Deus, quando na verdade era uma expansão territorial em busca de grana) abandona seu regimento e renega a Deus com ajuda de seu companheiro Felson (Ron Perlman). De volta a Europa, se depara com um surto de uma doença misteriosa (peste negra talvez) que mata a todos sem dó. Os responsáveis pelas cidades (não fica muito claro se é uma cidade/estado conhecida) apontam a responsabilidade para uma bruxa capturada que por vingança ibera a doença matando a todos em seu caminho.

Cabe a Behman levar a bruxa até um mosteiro onde os padres poderão exterminar a ameaça da bruxa.



Parece divertido não? Bruxas, cruzadas, alguns bons efeitos, luta de espada, gente suja no meio da Idade Média, gente morta e deformada pela doença.


Mas por que não funciona? Primeiro pela direção medíocre de Dominic Sena, um cidadão que cometeu A Senha e 60 Segundos. Sena não consegue decidir se leva a sério seu filme e parte para a profundiade dos temas, ou se larga a mão e deixa a aventura juvenil reinar. Dois exemplos claros dessa confusão mental: reparem na sequencia em que Behman visualiza pela primeira vez a tal bruxa (Claire Foy) e na série de imagens das cruzadas que o amedrontam e na dubiedade da personagem após essa cena. Caso Sena quisesse apostar nessa idéia teríamos um thriller que contestaria a sanidade do herói, ou a condição da garota como bruxa, ou mesmo uma critica velada ao fanatismo religioso que transforma tudo em "coisa de Deus ou do Diabo". Mas seria pedir muito de uma produção abertamente comercial estrelada por Nic Cage.


Sena até metade do filme não sabe que caminho tomar, alternando o thriller com a aventura PG-13, até o momento em que surgem lobos CG na história e o caminho da produção aponta sem dó para os adolescentes comedores de pipoca.



Existem certas regras para uma boa aventura: tenha um protagonista cativante (que não é o caso aqui), tenha coadjuvantes interessantes (Perlman se esforça, mas o cavalariço interpretado por Stephen Graham é patético), tenha boas cenas de ação (a melhor envolve uma ponte de corda que se quebra, onde será que já vimos isso antes?) e um final empolgante (aqui o diretor opta pelo plot twist bizarro que transfigura gêneros). Outra regra é: vai usar computação/efeitos visuais que os faça com competência. Também não é o caso aqui: além dos lobos risíveis - parecem terem saídos de Jumanji - o plot twist apresente uma "coisa" que ofende os fãs do gênero subvertido. É triste notar que a história tinha potencial, ainda mais depois do prólogo divertido e que se não é original e brilhante (agente até telegrafa o que vai acontecer) dá a esperança - vazia - de que poderíamos ver um bom entretenimento.

Bragi Schut é o criador do roteiro e criador da série Threshold (que não vi) e parece não ter saído da televisão ainda, pois insere uma quantidade exagerada de frases expositivas desnecessárias e principalmente ganchos entra as cenas que não são necessários. Além disso, se a idéia partiu dele para o desastroso final, comprova-se que sua competência é limitada.



Além de Cage - pagando mico e com aquele cabelinho de Aprendiz de Feiticeiro - Perlman parece ter notado que tinha embarcado numa bobagem e nem se preocupa muito em sair do quadrado. O jovem Graham tem um personagem muito ruim em mãos, um misto de cavaleiro juvenil e noviço que apresenta todos os estereótipos ruins do herói acidental. Os fãs vão notar ainda a presença de Christopher Lee, não por sua imagem (camuflada por uma eficiente maquiagem) mas por sua inconfundível voz como o Cardeal D'Ambroise. Ainda temos Stephen Campbell Moore que serve como referencia ao público sobre o que está acontecendo em tela, já que seu personagem - o padre Debelzaq - é o que elabora o plano de levar a bruxa ao mosteiro. Seu personagem é excessivamente ansioso e dono das frases mais fracas do filme na incomoda função de servir como professor que explica ao publico tudo o que acontece. Esse recurso já debatido no blog por diversas vezes é uma muleta narrativa fuleira e que revela que o diretor e roteirista não confiam na capacidade de sua historia e menosprezam o público e sua compreensão sobre o filme. E olha que estamos falando de um blockbuster meia boca e não de Film Socialism de Godard.


Caça as Bruxas merece um remake. Tinha um conceito - veja bem, conceito - interessante. Mas morreu ainda na produção com seu roteiro perturbado, atores mal escalados e um diretor que não sabe que historia conta e não consegue empolgar nem mesmo nas cenas de ação.