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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Os Muppets
(The Muppets, 2011)
Comédia/Musical - 98 min.

Direção: James Bobin
Roteiro: Jason Segel e Nicholas Stoller

Com: Jason Segel, Amy Adams, Chris Cooper, Kemit, Fozzy, Miss Piggy, Gonzo e Animal

Serão os Muppets relevantes ao século 21? Poderá funcionar um filme em que fantoches manipulados são as estrelas? O humor da turma de Jim Henson ainda funciona? Como competir com o glorioso 3d e as animações cada vez mais elaboradas?

São essas as muitas perguntas que o filme dos Muppets levantou, quando iniciou sua produção. Como fazer de um grupo de personagens que hoje, sobrevive graças ao amor dos mais nostálgicos, um filme de sucesso? A resposta é mais simples do que possa parecer: manter o respeito ao original, assumir a condição de datado, encher o filme de piadas "adultas", terem a noção de que a garotada não é seu público alvo e se render a nostalgia sem esquecer que o filme ainda está sendo produzido em 2011.

O primeiro fator que faz do filmes do Muppets funcionar é seu bom humor. Não só por se assumir como uma comédia de absurdos, mas por em momento algum se levar a sério, desde o absurdo plot que reúne o "primo do Pee-Wee", Gary (Jason Segel) que tem como irmão o muppet Walter. Ambos vivem em uma cidade americana tipicamente kitsch saída diretamente da fantasia republicana dos anos 50, onde passam suas vidas coloridas e saltitantes entre cantorias bobalhonas e episódios de Muppets. Gary namora Mary (Amy Adams) a mais de dez anos, e como comemoração para a data, decide levar a garota (que é professora de mecânica na escola local, notem os absurdos propositais da história) para uma viagem a terra da magia: Los Angeles, onde pretende também realizar o sonho de seu irmão e levá-lo a conhecer os estúdios onde os Muppets gravavam sua série de TV.


Uma vez lá, Walter descobre um plano maligno encabeçado pelo industrial Tex Richman (Chris Cooper hilário, até cantando) que pretende demolir o prédio e explorar o petróleo que lá existe, ao menos que os Muppets - segundo o contrato - consigam 10 milhões de dólares para saldar a dívida do estúdio.

A partir dai o trio Gary, Mary e Walter passa a buscar os Muppets para reuni-los na tentativa de angariar fundos para saldar as dívidas do estúdio. Claro, que como em todo filme dos Muppets, o primeiro é mais importante personagem é o primeiro a ser resgatado. Kermit (ou Caco) depois de muita conversa e uma canção (naturalmente) resolve ir atrás de seus antigos companheiros, e a partir daí o filme cresce muito em qualidade.

Sejam pelas participações especiais ou pelo ótimo timing humorístico dos personagens, Muppets consegue a proeza de se parodiar e ainda soar fresco e diferente. Se Jack Black continua sendo um "ator" sem graça, aqui funciona já que seu personagem é uma versão exagerada dele mesmo, o grande destaque é a impagável aparição de um famoso ator geek em um momento que aglutina todas as características que fazem do filme uma diversão leve e de grande qualidade: uma música tola e de letra brega (e por isso mesmo genial), coreografias datadas e interpretações que beiram a vergonha alheia, mas tudo feito com tal senso de humor que funciona. É difícil ser tolo propositalmente, e ainda assim, ser relevante e fazer a piada render.


Ainda no campo do humor, não faltam às muitas referências a situação anacrônica dos Muppets em um mundo digital. Desde o mordomo/chofer/computador dos anos 80, até o fato de jovens estrelas sequer reconhecerem Kermit (ou Caco), passando pela cena sensacional passada em um escritório de uma executiva da tv, que discursa sobre a penetração de mercado dos Muppets hoje, e sacramenta que o grupo não é reconhecido por ninguém, mostrando na sequencia um programa "da moda" onde um grupo de moleques bate sem dó em um professor. Esse humor anárquico e crítico é o que faz do filme relevante.

O roteiro de Nicholas Stoller (curiosamente o mesmo da bonbagem Viagens de Gulliver) e do próprio Jason Segel é feliz por não desvirtuar-se dos preceitos Muppets e ainda "jogar com as armas do inimigo" sendo cínico e ácido em diversos momentos do longa, como a sequencia em que a platéia do show do grupo é composta a princípio de um mendigo (Zach Galifianakis, de Se Beber Não Case), ou mesmo quando Fozzy, o urso que é mais engraçado do que a maioria dos humoristas brasileiros, acaba revelando um importante plot twist na parte final do filme, que vai de encontro a essa questão da falta de popularidade dos Muppets.

Recheado de canções brega, datado, nostálgico e com um roteiro que é um fiapo, Muppets é tudo isso sim, mas ainda consegue ser divertido e relevante em pleno século XXI.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Professora sem Classe
(Bad Teacher, 2011)
Comédia - 92 min.

Direção: Jake Kasdan
Roteiro: Gene Stupnitsky e Lee Eisenberg

Com: Cameron Diaz, Jason Segel, Justin Timberlake, Lucy Punch

Politicamente incorreto é pouco para descrever a nova comédia estrelada por Cameron Diaz e dirigida pelo filho do lendário Lawrence Kasdan (o diretor de Corpos Ardentes e roteirista de O Império Contra-Ataca e de Caçadores da Arca Perdida), Jake Kasdan. Professora sem Classe conta a história da fútil, vazia e imoral professora Elizabeth Halsey (Diaz) que usa seu trabalho como professora, apenas como um passatempo passageiro enquanto se prepara para se casar com um milionário. Quando o meninão descobre que sua amável noiva estava preparando o golpe do baú a dispensa e a moça precisa voltar a dar aula, tendo como objetivo encontrar um marido rico que a faça parar de trabalhar e a sustente ao mesmo tempo, em que pretende realizar uma operação de aumento nos seios, para - em sua cabeça oca - ter maiores chances de encontrar o cara de sua vida.

O filme funciona porque é uma comédia besteirol que não apela para o final moralizante ou para um "crescimento emocional" dos personagens. Seu roteiro satírico (assinado por Gene Stupnitsky e Lee Eisenberg) aposta no escracho puro e agudo, sem dar espaço ou permitir qualquer tipo de alívio emocional. Elizabeth é uma megera patológica, gananciosa e arrogante sim, e daí?


Estamos então no mundo da sátira onde tudo é exagerado, e estereotipado com a função de divertir pelo absurdo ou criticar um objeto. Bad Teacher não pretende criticar ninguém (aparentemente). Pretende, divertir pela grosseria, pelo abuso e pela falta clara de moral de sua protagonista, auxiliada por uma coleção de coadjuvantes apalermados. Todos os professores são retratados como criaturas de segunda classe, meio abobalhadas, infantilizadas e muito estúpidas. Sua "amiga" na escola é a gorducha e introvertida Lynn (Phyllis Smith). Essa lista de figuras exóticas conta ainda com um diretor obcecado por golfinhos, um professor saído da era hippie e outra que parece uma dublê de caminhoneira. Além, é claro, de apresentar a antagonista do filme: a exageradamente feliz e acelerada Amy (Lucy Punch) que parece a versão humana do esquilo Hammy de Os Sem Floresta.

A história tem uma virada quando o professor Scott (Justin Timberlake) entra para o corpo docente e a personagem de Diaz passa a tentar de todo jeito conquistar o rapaz, quando descobre que ele é rico. Ao mesmo tempo o desbocado e boa-praça Russell Gettis (Jason Segel) tenta a todo jeito conquistar a mulher.


E tome um festival de piadas grosseiras e que fazem da personagem Elizabeth uma versão menina de Billy Bob Thornton em Bad Santa (lembram desse?). A diferença é que no filme de Natal, Billy Bob tinha uma espécie de redenção, ou encontrava alguém para ajudar. Aqui não existe uma redenção, mais a percepção de que o que buscava além de ser absurdo e infantil, não iria lhe trazer felicidade. Quando o filme parece que vai caminhar para o arrependimento e a lição de moral, pisa no acelerador e oferece mais gags e piadas grosseiras.

Cameron é uma atriz com talento para a comédia. O filme em pouco menos de cinco minutos já nos apresenta a personagem ao incluir uma inspirada montagem em flashback que mostra ao espectador o que esperar da nossa professora. Diaz em momento algum baixa a crista, e mesmo quando leva algumas rasteiras na história, usa de classe (ou falta de) para conseguir dar a volta por cima. Timberlake - muito parecido com o personagem Will Schuster em Glee - é a quintessência do politicamente correto e vazio. Seus diálogos são uma ode a vergonha alheia e protagoniza (ao lado de Cameron) a cena mais constrangedora do ano.


Kasdan tem timing cômico e revela a piada apenas quando ela está para acontecer. Aposta em uma montagem clássica e não tem pudor em apresentar seqüências politicamente incorretas para os padrões americanos. A seleção de canções dos anos 80 e do hard rock/heavy metal faz rir aqueles que conhecem as canções, em especial a que envolve o lava - rápido (e que copia o clipe da referida canção) e a que é protagonizada pelo companheiro de quarto de Diaz (o sempre hilário Eric Stonestreet, o Cameron de Modern Family).

Professora sem Classe não vai mudar o mundo, nem é um grande filme. Mas por ser corajoso ao entregar aquilo que se propõe, sem apelar para o bom mocismo e redenções frustradas merece o respeito desse critico. O cinema está cheio de "comédias adultas" que pregam o politicamente incorreto mas morrem na praia com medo da censura ou por terem na verdade o nariz apontado para os "valores da família". E isso, é uma tremenda chatice.