terça-feira, 9 de fevereiro de 2010


Fúria de Titãs (Clash of Titans, 1981)

Direção: Desmond Davis

Com: Laurence Olivier, Claire Bloom, Maggie Smith, Ursula Andress, Harry Hamlin, Judi Bowker, Burgess Meredith

Em dias que James Cameron e seu épico CG Avatar é exaltado como a última bolacha do pacote é ótimo rever uma aventura old-school como Fúria de Titãs, com seus efeitos especiais sob a batuta do maior gênio dessa arte, Ray Harryhausen.



Fúria é aquele filme que você pode ver inúmeras vezes e que ainda te causará a mesmíssima sensação de encantamento causada na primeira vez.


O filme fala de Perseu, o filho mortal de Zeus, que após ser protegido por seu pai de uma morte certa ainda criança, cresce e se transforma em um homem forte e cheio de valores.






O problema é que esse “nepotismo celestial” incomoda a deusa Thetis, após o mesmo Zeus castigar com a deformidade seu único filho, Cálico.


Ela jura se vingar do rapaz e o envia sozinho para uma cidade/estado distante da sua casa, onde encontra Ammon, que viria a ser seu mentor e amigo. Enfurecido com o fato, o "Poderoso Chefão" do Olimpo envia a seu filhinho querido três artefatos de poder mítico:  uma espada que corta mármore sem deixar um arranhão na lamina, um elmo que o deixa invisível e um escudo que segundo Zeus “um dia lhe salvaria a vida”.







Ao testar seu elmo e sair explorando a cidade próxima, descobre que Cálico (o filho de Tétis amaldiçoado) enfeitiçara a sua prometida , que ao vislumbrar sua feiúra o rejeitara. Essa prometida é a princesa Andromeda que é obrigada a testar os possíveis novos pretendentes com charadas complexas e que caso não sejam respondidas são punidas com a morte.


Esse é o plot básico do filme, que desenvolve-se brilhantemente apoiadas por interpretações seguras (Lawrence Olivier é Zeus, Maggie Smith é Thetis, Burgess Meredith é Ammon) e a genialidade criativa e visual de Harryhausen.







Ray cria talvez seus melhores “brinquedos” como a inesquecível Medusa, os Escorpiões gigantes, a versão de Cálico deformado, Pégasus e a cômica coruja de ouro.


A sequência clássica de Perseu dentro da toca da Medusa é um aula de como criar tensão com “um trocado”. Isso sem contar o confronto estrondoso com o monstro Kraken que merece ser estudado por todos os amantes de Michael Bay e afins. Simples, objetivo, com espaço para o espectador conseguir enxergar a ação, com muita criatividade e muito coração.







Estão lá também, todos os predicados para uma boa aventura típica de uma matinê, ou no caso de nós brasileiros do Cinema em Casa do SBT. Esse é um dos filmes que mais vi na vida, e apesar de ter visto tantas vezes ainda revejo com o mesmo carinho e reverencia (e claro com mais conhecimento crítico sobre seus defeitos).


É claro que a questão mitológica não foi respeitada, é claro que existem excessos nesse aspecto aos montes, mas não foi a idéia de Desmond Davis ser “fiel”, mas sim de brincar com esses personagens, de criar arte com os mitos.








Genial do primeiro ao último minuto, com ação na medida, boas interpretações, efeitos criativos e um ritmo de aventura que hoje se perdeu em meio a cortes videoclipticos, muito CG, protagonistas excessivamente “machos” e desrespeito a inteligência do espectador.


Espero que Leterrier e equipe, ao concluirem o remake tenham isso em mente, e não a de “criar” mais um espetáculo de imagem sem alma ou coração.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Você Gosta de Hitchcock - Especial Argento


Você Gosta de Hitchcock foi o primeiro, e até então único, filme de Argento feito direto para a TV. Conta a história de Giulio um rapaz que em sua infância “viu o que não devia”, o que estimulou seu vício voyeurístico.



Sacha , uma deliciosa morena é sua vizinha e Giulio tem como fetiche observar a vizinha com seu binóculo. A vizinha por sua vez, é daquelas que só existem em filmes, super ousada e desinibida.





Giulio é estudante de cinema e tem uma namorada, ou seja, é um cara normal. Porém, em suas observadas repara que Sacha e sua mãe não se entendem. Giulio freqüenta uma locadora , administrada por Andrea, um cara descolado que logo faz amizade com o “nosso herói”.


Um dia, uma bela loira entra na locadora e acidentalmente disputa a locação do mesmo filme com Sacha, nascendo dali uma amizade.


A mãe de Sacha é morta e Giulio fica obcecado pela idéia de que algo está errado, ou fora de lugar.


O leitor me pergunta então ... e porque o filme se chama Você Gosta de Hitchcock ?





Porque Argento costura a história como uma enorme colcha de retalhos de grandes filmes do diretor inglês, como uma homenagem a uma de suas influências mais claras.


O rapaz voyeur se identifica imediatamente a Janela Indiscreta e as duas moças disputam Pacto Sinistro só pra começar. Giulio desconfia na verdade, que as duas mulheres armam um plano baseando-se nesse filme e o rapaz passa a investigar por conta própria.


Argento aqui apesar dos recursos visivelmente inferiores a suas produções cinematográficas, ainda consegue alguns bons momentos, mas conta uma história com inúmeros buracos e que apresenta um “rombo” (e não somente um buraco) ao apresentar uma parte do desfecho. O diretor simplesmente não explica a motivação de um dos personagens e indica que a ação ocorre também baseado em outro filme do mestre inglês, o que se encaixa na proposta do filme, mas que não é dito nem referenciado durante a história (simplesmente surge como verdade absoluta).





Como não existem grandes momentos visuais típicos do diretor,e a história parece servir apenas para as referências a Hitchcock, considero esse um Argento anêmico e sem nenhum brilho.


COTAÇÃO GIALLO: 2/5

Hitchcock em Imagens:








domingo, 7 de fevereiro de 2010

Fita Branca
(Das weisse Band - Eine deutsche Kindergerschichte, 2009)
144 min. - Drama

Direção: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke

Com: Christian Friedel, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Ursina Lardi, Burghart Kluasner, Steffi Kuhnert, Maria-Victoria Dragus, Leonard Proxauf, Rainer Bock

O cinema do diretor austríaco Michael Haneke é profundamente caracterizado pelas análises do cerne da humanidade. Haneke gosta dessa premissa, e não se abstém de opinar sobre os fatos e características humanas, que mais o incomodam ou intrigam.

Por isso seus filmes são notadamente humanos e versam sobre suas análises, apesar do eventual distanciamento e da falta de apreço mais profundo por seus personagens. Ao mesmo tempo em que ele confronta o fato emitindo sua opinião, ele se recusa a dar soluções óbvias e a “resolver” simplesmente suas histórias . Ele indica os caminhos, joga como na história de João e Maria, os pedaços de pão pela estrada e nos convida a segui-los. E mais do que tudo, ele não julga diretamente seus personagens, ele pede a nós, os espectadores, que façamos esse papel de juiz. Ele nos dá a munição e a arma, e nos oferece a chance de um tiro certeiro.


Em Fita Branca, filme premiado com justiça no festival de Cannes de 2009, Haneke explora as origens contundentes da moral germânica e de como essa forma de lidar uns com os outros pode ter sido (e Haneke é bastante eficaz nisso) uma das causas para que o nazismo conseguisse tomar força durante a segunda guerra mundial. Mais ainda, o diretor observa como sua própria gente (apesar de austríaco, Haneke é um profundo analista da moral alemã) por trás da impassível retidão moral, é recheada nas fundações de suas construções morais de preconceitos, inveja, sentimentos de vingança, de indiferença quanto aos sentimentos alheios e a completa passividade quanto as tragédias dos demais.

Haneke conta a história de uma aldeia as vésperas da primeira guerra mundial encravada em um ponto no norte da Alemanha . Lá vivem cinco famílias, a do Barão, o homem mais rico da região, casado, com um filho pequeno e dois filhos gêmeos recém-nascidos; a do administrador da fazenda do Barão, que vive com mulher e filhos, a do pastor luterano, que vive com a mulher e suas inúmeros filhos; a de um trabalhador local, casado, com inúmeros filhos e a do médico da cidade, viúvo, que vive com sua filha adolescente, seu filho pequeno, uma governanta e o filho dessa que possuí uma espécie de deficiência mental.


O narrador dessa história (que aparece tanto em “carne e osso” como em voice over) é o professor da escola da aldeia, que serve como canal entre o espectador e a realidade apresentada pelo filme.

Essa minúscula aldeia tem sua aprazível realidade abalada quando o médico da região sofre um acidente com seu cavalo as portas de sua casa. Verifica-se depois que o acidente fora causado por um fino, porém forte fio de arame preso entre duas árvores no caminho do médico. No dia seguinte, a mulher do trabalhador ao adentrar a serraria da cidade sofre um acidente e acaba caindo, graças ao péssimo estado de conservação do piso do local.
Segue-se uma investigação que não resulta em nada. Os moradores passam a desconfiar uns dos outros, sobre quem teria sido o responsável pelo acidente do médico e os motivos reais do acidente da mulher do trabalhador.


Haneke constrói sua narrativa baseada na análise dessa fauna de personagens, todos eles aparentando e revelando-se muito mais complexos do que possam parecer.

Os eventos se sucedem (e eu não vou contar) e a simpática aldeia das montanhas torna-se um poço de mentiras, inveja, crueldade, desamparo e indiferença.

Haneke quer dizer (pelo menos vi desse modo) que um país não é moldado pelos seus líderes máximos, mas que tais líderes são meros reflexos da sociedade que os sustenta. A culpa no fim, diz o diretor, é nossa.


Por mais complexo que possa parecer, as soluções desse mistério antropológico são simples, e com algum esforço você logo adivinha o que aconteceu. Mais um mérito do diretor, pois apesar de conduzir seu filme por meios de sucessivos mistérios e crimes, não lhe importa tanto esconder tais soluções, mais sim nos mostrar quem são os que cometeram e quem são os que os amparam e que fomentam a cíclica repetição de um erro.

Méritos as excelentes construções dos personagens (que são tantos) e destaco como atuações realmente impactantes, as de Burghart Klausner como o Pastor, Christian Friedel como o Professor, Leonard Proxauf como Martin e Maria-Victoria Dragus como Klara.

Todos os quatro constroem personagens ressonantes e dotados de profunda intensidade dramática, e deles todos o mais impressionante é Burghart que transforma seu personagem na imagem perfeita da dicotomia emocional. Notem duas cenas em especial. A primeira envolve seu filho Martin e uma conversa em seu escritório e a outra envolve seu filho menor e tem a ver com um pássaro. Que atuação notável.


A parte técnica é um desbunde. Haneke filma como poucos e cria composições verdadeiramente artísticas, e nesse filme ajudado pela opção acertadíssima de utilizar película p&b esses traços e suas opções estéticas no que diz respeito as sombras são magníficas. O diretor de fotografia Christian Berger fez um dos melhores trabalhos de 2009, e merece indicações a todos os grandes prêmios do setor no ano.

Depois de analisar a paranóia em Cache, Haneke voltou suas armas ao próprio umbigo e desferiu um tiro certeiro e impactante.



Obs: A tal Fita Branca, é das coisas mais simbólicas no cinema dos últimos tempos. O que acharam ?

TRAILER:


sábado, 6 de fevereiro de 2010

Guerra ao Terror
(The Hurt Locker, 2008)
Ação/Drama - 131 min.

Direção: Kathryn Bigelow
Roteiro: Mark Boal

Com: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse, Evangeline Lilly

O filme de Kathryn Bigelow, tão hypado pela crítica mundo afora, é um poderoso filme de guerra conduzido pela diretora com grandiosidade e com uma infinidade de qualidades técnicas.



Guerra ao Terror é um excelente exercício de técnica, que inclui no seu caldeirão uma história que se não é maravilhosa, é eficiente. Guerra versa sobre a história de um grupo de soldados no Iraque que são responsáveis pelo desarmamento de bombas e que vivem em estado de tensão eterna, sempre “perseguidos” pela sensação de morte a cada esquina.



Dentre os membros do esquadrão estão o Sargento William James (Jeremy Renner, emulando uma mistura de Mel Gibson em Máquina Mortífera com Robert DeNiro em Taxi Driver, misturando o tesão pela adrenalina do primeiro com a característica de auto destruição do segundo) e o Sargento JT Sanborn (Anthony Mackie, seguro, que mantém a “pose” de seriedade a toda prova, para desabar de forma emocionante em uma cena). A história começa quando James chega ao esquadrão e seu estilo “to nem ai pra autoridade” logo entra em conflito com o veterano de unidade Sanborn.


O que se segue é uma série de pequenos conflitos que mostram a caótica rotina da imbecil invasão americana ao Iraque. E durante essa rotina vê-se de tudo: um homem bomba que parece arrependido, um carro em chamas que esconde mais do que deveria, uma rede de fios que levam a descobertas perigosas, uma emboscada no deserto (onde vemos Ralph Fiennes fazendo uma ponta de luxo, outros que fazem pontas são Guy Pierce e Evangeline Lily), todas filmadas com uma urgência estética e narrativa que são perfeitas para o que Bigelow quer contar.



O filme é um verdadeiro espetáculo técnico, com uma brilhante direção, em especial nas sequencias de ação, tão bem conduzidas e com uma infinidade de ângulos interessantes e muito bem fotografada. Outro ponto positivo é a edição moderna (sem cair no videoclipe) que ajuda ao filme a criar a tensão necessária e bem vinda num filme como esse.


A narrativa, apesar de parecer a primeira vista episódica, é enxuta e bastante eficiente. Acho que eficiência é o que melhor define Guerra ao Terror. O filme é todo eficiente. Atuações convincentes (mesmo nas pontas estelares), direção bastante segura, e parte técnica bastante inspirada. O resultado de tanta inspiração é um filme de guerra inteligente e mesmo assim vigoroso e tenso. Muito tenso.



Porém, o principal de tudo isso é que a história, a narrativa funciona. É convincente e os dramas ali mostrados são reais. Não precisamos ir muito longe, ou pesquisarmos com extrema profundidade para percebermos que aqueles homens existem, e que aquela história poderia ser real. Jeremy Renner constrói uma persona de um viciado em adrenalina, apenas para esconder que no fundo aquele cara é somente um homem talhado para aquela tarefa, enquanto Anthony Mackie faz o oposto, criando o sargento perfeito, auto-suficiente, um líder nato, somente como subterfúgio para esconder sua vontade obsessiva de sair de lá e retomar sua vida.

As falhas do filme, talvez encontra-se na forma como Bigelow resolve desenvolver seus personagens. Apesar de os reconhecer como pessoas reais, ela não aposta em soluções óbvias ou em saídas sentimentaloides para forçar a identificação do público com os personagens. Alguns podem reclamar dessa frieza, porém eu entendo como exercício de realismo. Mesmo nos momentos de real emoção, ela não apela a trilha triste ou a câmera lenta por exemplo. É tudo muito cru, muito verdadeiro, muito documental. Identifique-se se quiser, parece dizer a diretora. Torça por eles se acreditar que são pessoas reais, é meu palpite para suas intenções.


Guerra ao Terror é verdadeiramente um espetáculo de ação com um grau tensão tal qual grandes produções setentistas. A sensação de morte a espreita me fez lembrar (e sei que os filmes não tem a nada e ver um com o outro, apenas citarei pela sensação que me causou quando os vi pela primeira vez) Expresso da Meia Noite, por exemplo. Aquela sensação de que a qualquer momento algo vai dar errado e aqueles personagens simplesmente não completarão suas "missões".


Por apresentar tamanhas qualidades não é possível compreender no entanto como um filme com tamanho potencial, e que no mínimo faria algum barulho no cinema, saiu por aqui apenas em DVD. Uma piada, no mínimo. Isso sem contar com a tradução lamentável, que faz parecer que veremos algum filme classe z de ação, onde um homem enfrente um exercito inteiro com uma faca de pão. Ele volta aos cinemas, graças ao hype, agora dia 5 de fevereiro, com um pouco mais de um mês de antecedência para o Oscar. Para aqueles que não viram em DVD, é uma ótima amostra para provar porque 9 entre 10 criticos elegeram o filme o mais poderoso do ano passado.









A diretora Kathryn Bigelow foi muito famosa na transição dos 80's pros 90's, com Caçadores de Emoção, cult-sessão da tarde estrelado pelo saudoso Patrick Swayze e Keanu Reeves. O filme era um descartável exercício de diversão e Bigelow nada fazia para ser reconhecida pela direção, tudo bem normal. Era mais famosa até por ser esposa do pré-Oscar James Cameron. Logo depois de Caçadores, Bigelow não fez mais nada de importante mesmo. Mas em 2009, ela apostou numa produção independente com orçamento de 11 Milhões, sobre a guerra no Iraque.

Logo depois de estrear, Guerra ao Terror foi ganhando uma repercussão enorme, sendo elogiado por todos. Aqui no Brasil, o filme saiu primeiro em DVD (a Imagem Filmes deve estar se mordendo agora) e passou batido. Mas, depois de tanto hype, o filme chega aos cinemas aqui. E com um status gigantesco: Senão bastasse ter sido glorificado por sites respeitados como o Rotten Tomatoes (que deu 97% de aprovação), Guerra já vinha ganhando prêmios importantes pelo mundo todo e, em 2 de Fevereiro, foi indicado a 9 Oscar. Era Kathryn Bigelow voltando ao estrelato e agora agraciada pela crítica. Mas fica a dúvida: Guerra ao Terror é tudo isso mesmo? Vale a pena?



A resposta é mais que clara: Sim. E vale torcer por ele para vencer o Oscar porque é o que tem mais chances, ao lado do bom Avatar.


A trama, contada de forma incomum, acompanha um grupo de soldados no Iraque. Eles estão lá para andar de quarteirão em quarteirão com o objetivo de desarmar bombas, conter pequenas ameaças armadas ou apenas ficar explodindo armamento desnecessário. Até que esses 3 soldados vão desarmar uma bomba comum e acabam se deparando com um terrorista, que a dispara, matando um deles (Guy Pearce). Assim, um substituto chamado William James (Jeremy Renner) entra no lugar para comandar a equipe, também formada por Sanborn (Anthony Mackie) e Eldridge (Brian Geraghty). Enquanto eles realizam suas atividades até completarem seu turno no exército, cada um deles vai demonstrando seus medos e ambições.


A narrativa do filme se desenrola assim, de forma diferente e entregando mais da construção de personagens e situações. Nisso, a rotina da guerra é valorizada e as reviravoltas que os estúdios e massa tanto anseiam, não aparecem. O foco aqui é no realismo.



Tecnicamente, Guerra ao Terror é impressionante para seu parco orçamento. A direção de Bigelow, indicada ao Oscar, é alucinante. Lembrando o jeito de Paul Greengrass, Kathryn filma a ação com cortes bem rápidos e bem utilizados. E tudo isso num estilo bem de guerrilha, com a tensão sempre lá em cima. Curiosamente, apesar dos cortes serem rápidos, a direção de Bigelow é fácil de acompanhar, com uma direção de atores excelente.

Até nas parcas cenas fora da Guerra, ela dirige bem. Aqui, ela foi merecidamente reconhecida porque essa é uma das 3 melhores direções do ano, talvez a melhor. Agora, fica a espera por um próximo trabalho dela. A edição de Chris Innis e Bob Murawski auxilia de forma precisa o estilo agressivo de Bigelow filmar.


A agilidade imposta é soberba e merece ser premiada esse ano. Ela é um dos grandes atrativos visuais do filme (e não são poucos). Alguns cortes rápidos que a edição introduz são soberbos. Como o filme não tem uma estrutura narrativa fixa, a edição coloca com perfeição transições longas, como quando uma bomba é desarmada. O corte pula para outro frame com agilidade pouco vista esse ano.


Outro primor, digno de uma premiação (apesar de Eric Steeberg ter feito um trabalho melhor em 500 Dias com Ela) é a fotografia. Barry Ackroyd fez um trabalho fabuloso, fotografando a guerra como ninguém. Os tons mais amarelos, valorizando o ambiente quente e desértico é fabuloso, extraindo imagens com arrojo e segurança. Aqui, a fotografia é bem parecida com a de Trent Opaloch em Distrito 9, outra peróla em quesito fotografia. Merecidamente, Ackroyd ganhará esse Oscar.



Curiosamente, a trilha sonora foi indicada ao Oscar. Marco Beltrami e Buck Sanders resolveram valorizar o realismo aqui e deixaram a mixagem de som e edição trabalharem, construindo trilhas minimalistas e em poucas oportunidades, visando apenas fortalecer a tensão do filme. Mas, todos agraciaram a trilha de forma bem esquisita, afinal, ela pode até ter qualidade quando exigida, mas ela é MUITO pouco exigida.

Enfim, é um ponto positivo pro filme como um todo, mas isoladamente é bem esquisita (ainda mais pela indicação). A edição de som e a mixagem do filme são fantásticas e os pontos mais impactantes do filme (com exceção da direção). Empolgantes e bem realistas, eles ajudam o espírito de Guerra ao Terror. A direção de arte também é boa, mas perde em relação aos outros quesitos técnicos. Apenas um pouco acima da média, fazendo o habitual em filmes de Guerra.


As atuações de Guerra ao Terror são muito dignas. Jeremy Renner, antes ator coadjuvante de filmes médios, aqui ganha a chance de sua vida. Ele pega um papel arquetípico em um filme independente e se transforma num personagem bastante interessante, alguém diferente, sendo abordado de forma diferente. Logo, a indicação ao Oscar de Melhor Ator veio e digo que é muito justo. A transformação de Renner em James é tocante e corajosa.

Junto a ele, os coadjuvantes fazem bonito. Anthony Mackie, o Sanborn, atua muito bem. Eu até o indicaria-o para Ator Coadjuvante. O pouco conhecido ator (como a maioria, exigência de Bigelow, em prol do realismo) arrebenta e exala veracidade. Brian Geraghty, o Eldrigde, acrescenta uma boa atuação ao elenco, acima da média. Mas nada parecido com as poderosas facetas criadas por Renner e Mackie. Fora eles três, é difícil falar de Guerra ao Terror. Afinal, os conhecidos David Morse, Guy Pearce e Ralph Fiennes tem papéis míseros e de pouco destaque. E os outros são apenas figurantes relacionados a guerra. Então, funcionando como um perfeito "ensemble cast", Guerra ao Terror apresenta um dos conjuntos de elenco mais completos do ano.



O roteiro de Mark Boal ajuda a veracidade que o filme quer impor. O ex-jornalista, sempre baseado em áreas de combate, estudou bastante do tema e isso dá pra ver com facilidade nas situações críveis e nos diálogos precisos que foram escritos. E a direção de Bigelow ainda ajuda esse espírito, dando um ritmo tenso e quase documental pro filme. Foi uma combinação perfeita, afinal, é difícil achar uma maneira completa de filmar um roteiro tão complexo e inovador.

Inovador, eu digo, pela estrutura que Boal usou para construí-lo. O filme não tem uma trama definida ou linear, ele segue a equipe de James desarmando bombas e lidando com situações cotidianas, como um ou outro rebelde iraquiano armado. Por isso, não há um clímax definido e não há as explosões finais, reviravoltas de roteiro ou até mesmo uma ou outra situação de blockbuster.


Em Guerra ao Terror, a estrutura valoriza o ambiente e a Guerra, que moldam o homem. Guerra moldando o homem... Ta aí um conceito bem explorado pelo roteiro, que vai da frase inicial do filme (A Guerra é um vício) até o final, quando o roteiro preza pela transformação e construção final de personagem. O motivo pelo qual James encara aquilo tudo é corajosamente bem abordado e absurdo, tamanha a situação que o filme joga na nossa cara. No meio de todo aquele caos, ainda há que goste.

Num conceito geral, Guerra ao Terror pode não ser o melhor filme de guerra já feito. Mas, sem dúvida, é o que mais nos trata como espectadores reais da guerra. Aqui, sabemos dos horrores dela sem pudores e sem censura. Talvez Guerra não seja carismático como Soldado Anônimo, não seja divertido como Falcão Negro em Perigo, não seja tão aclamado quanto Apocalypse Now, nem tão bom quanto um Bastardos Inglórios. Ele é o que nos trata com mais inteligência, nos mostra com precisão o que uma guerra é, o típico filme que é visto superficialmente como filme-denúncia, mas no âmago é um filme sobre os homens e seus vícios.


Um filme memorável, que usa a Guerra, o ambiente, o clima e até mesmo um traje (o tal Hurt Locker do título original) para mostrar que homens só são homens quando estão guerreando. E essa questão abordada é linda. Guerra ao Terror nos faz um grande questionamento no final: Seria mais verdadeiro o homem com uma arma na mão, numa Guerra, ou com uma faca na mão, cozinhando com sua família?


Bigelow e Boal jogam na cara a realidade de vários homens no mundo. E se no final o choque é grande, não se preocupe. Não é sempre que a guerra é mais importante que um bebê.

PS.: Imagem Filmes, tenha mais cuidado com o modo que vocês lançam seus filmes. Uma pérola como essa, direto em DVD, é no mínimo estranho. Coloque os atores principais na capa do produto, não os mais famosos. Chega a ser até absurdo o fato dos 3 atores na capa aparecerem, somando, 4 minutos no filme. Por favor né...









TRAILER:

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Invictus
(Invictus, 2009)
Drama - 133 min.

Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Anthony Peckham

Com: Morgan Freeman, Matt Damon

Que Clint Eastwood é um tremendo diretor 99% do universo amante de cinema sabe. Que Clint é capaz de obras emocionantes, vibrantes, apaixonadas e apaixonantes, imagino que os mesmos 99% também saibam. Clint é capaz de coisas que no alto de seus mais de oitenta anos, que poucos artistas tem competência, excetuando-se Eric Rohmer (R.I.P.) ou Manuel de Oliveira talvez. Clint filma com um gosto, com uma força narrativa e emotiva que nos faz esquecer de sua idade, de sua experiência e de seu passado pregresso. A cada novo “Clint” somos jogados em uma nova arena, em um novo palácio adornado por novas máscaras brilhantes, coloridas e magníficas.

Invictus, seu novo trabalho enquadra-se na categoria de obras “menores” do diretor. Mas o que seria uma obra menor de um gênio ? É como dizer que um poema de Neruda, ou uma peça de Chopin ou mesmo um livro de James Joyce possa ser considerado menor dentre a companhia dos demais “irmãos” de punho principalmente se os colocarmos ao lado das "obras primas" de tantos outros medíocres. Invictus é uma cereja suculenta que enfeita a carreira do mestre Eastwood, que parece cada vez mais saber como nos tocar emocionalmente.


Invictus é de longe, seu filme mais humano. Digo mais, é seu filme mais humanista. Nele, Clint nos inspira assim como seus personagens são inspirados uns pelos outros, a crer que mesmo “nas garras da circunstância” é possível sobreviver, refletir, perdoar, extinguir-se de rancor e ódio, e praticar a paz e o amor.

O filme conta a história real do envolvimento do recém- eleito presidente da África do Sul, o imortal Nelson Mandela, com a Copa do Mundo de Rugby, realizada em seu país em 1995. O filme mostra como Mandela, usou o torneio para unir seu flagelado pais, cansado e amargurado dos muitos anos de Apartheid.
Mandela (vívido com extrema competência, a habitual diga-se de passagem, por Morgan Freeman) é um homem (pelo menos o mostrado no filme o é) extremamente inteligente que percebe desde o início que não basta “rebater” os anos de abusos e privações que a população negra sofreu, mas que era muito mais importante a real conquista de uma real identidade nacional.


O esporte, meus caros, é a única mola propulsora capaz de unir, mesmo que por breves segundos, todos os seres humanos pelo mesmo objetivo. O esporte é o único capaz de nos tirar de nossa zona de conforto mental e nos fazer embarcar em uma jornada rumo a sensações e sentimentos que não encontramos em nenhum outro ambiente. Quem não se pegou abraçando ou simplesmente conversando animadamente com a pessoa ao seu lado em um estádio, bar, ou mesmo na rua simplesmente pelo fato de que ambos torcem pelas mesmas cores ? Somente o esporte é capaz de unir um povo e de dar, mesmo que passageira, um sentido de esperança que nenhum discurso político, ou carta rebuscada consegue passar.

Clint, com extrema competência, demonstra isso na figura do capitão da seleção sul-africana François Pienaar (Matt Damon, num dos seus melhores momentos no cinema) que inspirado pelo líder sul-africano, passa a sofrer da mesma “febre” de vitória que os grandes esportistas são acometidos. Por seus olhos Clint nos conta (novamente) a história de superação de um homem, que nesse caso, é transferida para a superação de uma nação, embalada por uma equipe e um sonho. Pienaar funciona como a extensão física do desejo emocional de Mandela pela união de sua pátria.


Extremamente feliz nas reconstruções das situações, Clint não quer apenas nos relembrar de um fato, mas de nos fazer entender que sim, é possível vivermos em estado de compaixão, por mais doloroso que seja sermos assim em alguns momentos de nossas vidas.
Invictus é um desbunde ao olhos, e aos ouvidos mas essencialmente é um “atentado” no melhor dos sentidos a nossa mente. Ele é verdadeiramente um sopro de inspiração, que atinge diretamente nossa alma.

Evidente que alguns vão reclamar da sensação de urgência que o diretor quer passar, ou mesmo da sensação que temos de que Mandela (apesar dos problemas com sua família serem mostrados e de um de seus guarda costas nominalmente dizer “ele não é um super-herói, nem um santo. Ele é só um homem”) é santificado pelo diretor. Considero a urgência e essa condição de digamos, liberdade poética, importantes para o que o diretor quer passar. Eastwood não quis fazer uma biografia do presidente sul-africano, quis mostrar aquele trecho de sua vida e de como sua aura, sua imagem e sua “persona” inspiraram um time e um país.


Mesmo assim, reconheço que o filme tem alguns problemas na estrutura de construção do roteiro. Algumas informações que você imagina que sejam importantes, são relegadas sumariamente a segundo plano sem maiores explicações. As cenas de vitória esportiva são as mesmas usadas a cinquenta anos, com a câmera lenta, a multidão prendendo a respiração e o grito que começa abafado em slow e cresce numa catarse coletiva, ou seja, você provavelmente já viu isso antes.

Porém, em outros momentos simplesmente usando a câmera, a trilha e uma idéia Clint consegue exemplificar com maestria suas idéias. Basta assistirmos os primeiros 5 minutos da projeção para entendermos o que o presidente Mandela terá de fazer para conseguir unir seu povo.


Tecnicamente, o filme reconstrói momentos, e deixa com que os atores façam o resto. É espantoso notar o vigor com que as cenas de rugby são filmadas. Clint quer, e consegue, dar a sensação comparativa (e que não requer tanto poder de imaginação assim) que o esporte é um simulacro de uma batalha campal entre dois exércitos.

Filmar esporte é algo muito complexo, e o diretor é muito feliz ao não tentar simular o que seria impossível de conseguir fazer com tamanha desenvoltura. Ele se foca nos choques, nas expressões, nas meias elameadas, nos puxões viris, nos scrums, nos drop kicks, e no público. O esporte apesar de ser o mote que conduz o filme, é tratado como exercício para a constatação de uma verdade universal: somos todos iguais, independente de credo, cor ou raça, mesmo que só consigamos perceber quando temos uma bola nas mãos.


TRAILER:


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Oscar 2010 - Indicados e Comentários (Parte 1- As categorias "Nobres")


Hoje, por volta das 11h30 (hora de Brasília) Anne Hathaway foi a responsável pelo anúncio dos indicados a premiação mais tradicional do cinema americano: O Oscar.


Dividimos esse primeiro artigo do nosso especial do Oscar, em duas partes. Neles apresentamos os indicados, e comentamos sobre cada categoria. A primeira parte (essa que está lendo) apresenta as chamadas categorias nobres, que incluem os filmes, direção, atuações e roteiro. A segunda parte engloba as categorias técnias, documentários e curtas (e está localizada logo abaixo desse post, portanto comentem em ambos rsrs).


Aguardando seus comentários !


Abraços !



Avatar
Um Sonho Possível
Distrito 9
Educação
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Preciosa - Uma História de Esperança
Um Homem Sério
Up - Altas Aventuras
Amor Sem Escalas

Apostas do Fotograma: Avatar, Guerra ao Terror, Bastardos Inglórios, Preciosa, Invictus, Amor Sem Escalas, Educação, Up, Nine e Crazy Heart

Comentários: Dos 10 indicados o blog acertou 7, o que foi um número mediano. Nossas outras três apostas (Invictus, Nine e Crazy Heart) foram ignoradas por motivos diferentes a nosso ver. Invictus sofreu do excesso de expectativa sobre o novo trabalho de Clint, o que causou uma certa decepção com o resultado final, Nine foi um fracasso retumbante, mas apostavamos no fator "filme divertido e leve" e no fato do filme ter entrado em todas as premiações anteriores, e Crazy Heart apostavamos no "ano de Bridges" para catapultá-lo a indicação. Sobre os que entraram: Blind Side mostra (erramos o gênero da aposta) que o ano é mesmo de Bullock, pois conseguiu que seu filme mediano (e sim nós já vimos) fosse indicado. Distrito 9 enquadra-se no "fator 10 indicados" em que a Academia tentando ser "in" optou por um sucesso de publico que tenha tido boas críticas, apesar de por aqui considerarmos o filme "meio bom". Explico: ele começa bem e vai caindo na vala comum a partir do meio da projeção. E Um Homem Sério é uma supresa maravilhosa, já que o filme é sim um dos melhores do ano (sim, nós já vimos) e sua indicação foi recebida por aqui com grande empolgação.

Apostas do coração: Um Homem Sério ou Bastardos Inglórios (Alexandre) e  Bastardos Inglórios (Gabriel)


Apostas da razão: Avatar (Alexandre) e Avatar (Gabriel)


James Cameron - Avatar
Kathryn Bigelow - Guerra ao Terror
Quentin Tarantino - Bastardos Inglórios
Lee Daniels - Preciosa - Uma História de Esperança
Jason Reitman - Amor Sem Escalas

Apostas do Fotograma: James Cameron (Avatar), Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror), Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios), Jason Reitman (Amor Sem Escalas), Lee Daniels (Preciosa)

Comentários: Aqui cravamos os cinco. Cameron e Bigelow disputam cabeça a cabeça o prêmio, enquanto Tarantino e Reitman brigam pelo "bronze". Daniels, um diretor bastante irregular (seu filme anterior Shadowboxer é um dos mais odiados pelo Gabriel) que leva sua primeira indicação. Talvez Marc Webb, do ignorado 500 Dias com Ela, poderia ser uma saída, ou mesmo Clint, do igualmente ignorado Invictus. É  a mania da Academia em avaliar o diretor pelo filme e não por suas habilidades. Num filme como Preciosa (que já vimos) o importante mesmo são as atuações, todas muito fortes e o diretor apenas acompanha e não se destaca.

Apostas do coração: Quentin Tarantino (Alexandre), Quentin Tarantino (Gabriel) e Quentin Tarantino (Joaquim)

Apostas da razão: Kathryn Bigelow (Alexandre), James Cameron (Gabriel) e Kathryn Bigelow (Joaquim)



Jeff Bridges - Crazy Heart
George Clooney - Amor Sem Escalas
Colin Firth - Direito de Amar
Morgan Freeman - Invictus
Jeremy Renner - Guerra ao Terror

Apostas do Fotograma: Jeff Bridges (Crazy Heart), George Clooney (Amor Sem Escalas), Morgan Freeman (Invictus), Colin Firth (A Single Man) e Jeremy Renner (Guerra ao Terror)

Comentários: Mais uma que cravamos os cinco. Jeff Bridges só não leva o Oscar se os votantes quiserem fazer uma piadinha de mal gosto. Levou TODOS os prêmios e dessa vez não vai ser diferente. Os demais são figurantes.

Apostas do coração: Jeff Bridges (Alexandre), Jeff Bridges ou George Clooney (Gabriel) e Jeff Bridges (Joaquim)

Apostas da razão: Jeff Bridges (Alexandre), Jeff Bridges (Gabriel) e Jeff Bridges (Joaquim)


Sandra Bullock - The Blind Side
Helen Mirren - The Last Station
Carey Mulligan - Educação
Gabourey Sidibe - Preciosa - Uma História de Esperança
Meryl Streep - Julie e Julia

Apostas do Fotograma: Gabire Sadibe (Preciosa), Sandra Bullock (Blind Side), Meryl Streep (Julie & Julia), Casey Mulligan (Educação) e Helen Mirren (The Last Station)

Comentários: Mais uma "cravada" do blog. As cinco já eram antecipadas e após a vitória de Bullock no SAG, fica cada vez mais claro que o Oscar não deve escapar de suas mãos. É complicado ficar "malhando sem dó" Bullock, porque ela é carismática, parece ser uma pessoa inteligente e belíssima, mas não dá pra concordar com um prêmio para uma atuação tão "já vi isso antes" como a dela em Blind Side. Pra vocês verem como ela é uma atriz comum, ela também foi indicada ao Framboesa de Ouro (que premia os piores na opinião dos americanos) também esse ano.

Apostas do coração: Meryl Streep (Alexandre), Casey Mulligan (Gabriel) e Meryl Streep (Joaquim)

Apostas da razão: Sandra Bullock (Alexandre), Sandra Bullock (Gabriel) e Sandra Bullock (Joaquim)


Matt Damon - Invictus
Woody Harrelson - O Mensageiro
Christopher Plummer - The Last Station
Stanley Tucci - Um Olhar do Paraíso
Christoph Waltz - Bastardos Inglórios


Apostas do Fotograma: Christoph Waltz (Bastardos Inglórios), Stanley Tucci (Um Olhar no Paraíso), Matt Damon (Invictus), Christopher Plummer (The Last Station) e Woody Harrelson (O Mensageiro)

Comentários: Em mais uma categoria óbvia o blog "matou" os cinco. A vitória de Waltz é tão antecipada que faço um desafio. Se Waltz não vencer, a postagem seguinte a da cobertura do Oscar, será uma receita de bolo de fubá.

Apostas do coração: Christoph Waltz (Alexandre), Christoph Waltz (Gabriel) e Christoph Waltz (Joaquim)

Apostas da razão: Chritoph Waltz (Alexandre), Christoph Waltz (Gabriel) e Christoph Waltz (Joaquim)


Penelope Cruz - Nine
Vera Farmiga - Amor Sem Escalas
Maggie Gyllenhaal - Crazy Heart
Anna Kendrick - Amor Sem Escalas
Mo'Nique - Preciosa

Apostas do Fotograma: Mo'Nique (Preciosa), Vera Farmiga (Amor Sem Escalas), Penélope Cruz (Nine), Anna Kendrick (Amor Sem Escalas) e Diane Kruger (Bastardos Inglórios)

Comentários: a vitória de Mo'Nique (merecida diga-se de passagem) é absolutamente óbvia. Três concorrentes também são "as mesmas de sempre". A surpresa fica para a indicação de Maggie Gyllenhaal por Crazy Heart, em lugar de Kruger (aposta do blog) ou mesmo de Julianne Moore (indicada ao Globo de Ouro).

Apostas do coração: Mo'Nique (Alexandre), Mo'nIque (Gabriel) e Mo'Nique (Joaquim)

Apostas da razão: Mo'Nique (Alexandre), Mo'Nique (Gabriel) e Mo'Nique (Joaquim)


Guerra ao Terror (Mark Boal)
Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino)
O Mensageiro (Alessandro Camon e Oren Moverman)
Um Homem Sério (Joel e Ethan Coen)
Up - Altas Aventuras (Bob Peterson e Pete Docter)

Apostas do Fotograma: Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios), Mark Boal (Guerra ao Terror), Scott Neustadjer e Michael H. Weber (500 Dias com Ela),Neill Blomkamp e Terri Tatchell (Distrito 9) e Nancy Meyers (Simplesmente Complicado).

Comentários: As duas categorias de roteiro fizeram agente cair do cavalo. Primeiro porque achamos que Distrito 9 concorreria como roteiro original, mas sua indicação (que era clara) veio na categoria adaptado, pois entendeu-se que o curta "Alive in Joburg" foi a base do roteiro de Distrito. Sobre nossas apostas: 500 Dias era o filme cult do ano, e imaginamos que como todo filme cult, levaria a indicação de roteiro, e a veterana Nancy Meyers e sua comédia de situação It's Complicated poderia ter entrado, já que concorreu no Globo de Ouro. Sobre quem entrou: A grande e positiva surpresa foi a indicação de roteiro para Up, que assim como WALL-E, mostra que a Pixar apóia seus filmes em boas histórias. Já Um Homem Sério, é mais uma prova da genialidade dos Coen (vimos o filme e é dos melhores do ano sem dúvida) e o Mensageiro é a grande zebra dos indicados. A história verdadeiramente é interessante, mas não deixa de surpreender e de termos ficado um pouco decepcionados por "roubar" a vaga de 500 Dias.


Apostas do coração: Bastardos Inglórios e Homem Sério (Alexandre), Up e Bastardos Inglórios (Gabriel) e Bastardos Inglórios (Joaquim)
 
Apostas da razão: Bastardos Inglórios (Alexandre), Guerra ao Terror (Gabriel) e Guerra ao Terror (Joaquim)
 


Distrito 9 (Neill Blomkamp e Terri Tatchell)
Educação (Nick Hornby)
In The Loop (Jesse Armstrong, Simon Blackwell, Armando Ianucci e tONY rOCHE)
Preciosa - Uma História de Esperança (Geofrey Fletcher)
Amor Sem Escalas (Jason Reitman e Sheldon Turner)

Apostas do Fotograma: Geoffrey Fletcher (Preciosa), Anthony Peckham (Invictus), Jason Reitman e Sheldon Turner (Amor Sem Escalas), Nora Ephron (Julie & Julia) e Nick Hornby (Educação)

Comentários: Continuando com nossa queda do cavalo. Em lugar de Invictus e Julie & Julia: Distrito 9 (que acabou entrando mas como adaptado) e o desconhecido (pelo menos pra gente, quem tiver visto avise) In the Loop. O grande favorito continua sendo Jason Reitman e seu Amor sem Escalas, apesar do filme ser bem "mais ou menos". Bom ver o escritor "cool" Nick Hornby entre os indicados. Fletcher e seu bom trabalho em Preciosa também foi reconhecido. Mas não a como fugir das indagações a respeito de In the Loop, o spin off de uma série da BBC que conta com James Gandolfini no elenco. O prestigiado site Rotten Tomatoes "carimba" o filme com incríveis 94% de aprovação.


Apostas do coração: Distrito 9 (Alexandre), Amor Sem Escalas (Gabriel) e Amor Sem Escalas (Joaquim)
 
Apostas da razão: Amor Sem Escalas (Alexandre), Amor Sem Escalas (Gabriel) e Amor Sem Escalas (Joaquim)
 


Coraline
O Fantástico Sr. Raposo
A Princesa e o Sapo
The Secret of Kells
Up - Altas Aventuras

Apostas do Fotograma: Up, Coraline, O Fantástico Sr. Raposo, Tá Chovendo Hamburguer, A Princesa e o Sapo

Comentários: Na Categoria Animação, nós acertamos 4 das 5. Eram meio que previsíveis pois os concorrentes (como o divertido Monstros vs Alienígenas) eram bem fracos mesmo. Mas, a grande surpresa foi o irlandês-belga-francês The Secret of Kells. A animação arcaica do desenho deve ser compensado com um ótimo design de ambientes e roteiro, imaginamos. Up, Coraline e Senhor Raposo são os favoritos, pois são filmes tocantes e adultos, especialmente Up e Senhor Raposo. Coraline aposta mais numa fantasia com toques de terror, o que também é ótimo. A Princesa e o Sapo é um grande "só pra constar", afinal a Disney apostou bastante no filme. Boa disputa, ficará entre Up e Senhor Raposo


Apostas do coração: Fantástico Sr. Raposo (Alexandre), Up (Gabriel) e Up (Joaquim)


Apostas da razão: Up (Alexandre), Up e Fantástico Sr. Raposo (Gabriel) e Up (Joaquim)



Ajami (Scandar Copti e Yaron Shganti/ Israel)
El Secreto de Sus Ojos (Juan José Campanella/ Argentina)
A Teta Assustada (Claudia Llosa/ Peru)
Un Prophète (Jacques Audiard/ França)
A Fita Branca (Michael Haneke/ Alemanha)

Apostas do Fotograma: Fita Branca (Michael Haneke /Alemanha), Un Prophete (Jacques Audiard/França), O Segredo dos seus Olhos (Juan José Campanella/Argentina), Ajami (Scandar Copti e Yaron Shanti/Israel), Teta Assustada (Claudia Llosa/Peru)

Comentários: Apesar de A Fita Branca ser considerado o favorito, ele pode sofrer da sindrome de Globo de Ouro, que acomete os grandes favoritos nessa categoria. Ano passado Valsa com Bashir, animação de Israel favoritíssima, venceu o Globo e perdeu o Oscar para o japonês A Partida. Não foi uma injustiça completa, mas é uma constatação. Se tivessemos que apontar favoritos, cairiamos sobre o citado Fita Branca, o francês Prophete e o argentino Segredo de seus Olhos, todos interessantes. Correndo por fora (mas não por fora assim) vem o peruano Teta Assustada e Ajami, de Israel. Todos os cinco podem levar, o que faz dessa a categoria mais imprevisivel do Oscar.

Apostas do coração: A Fita Branca (Alexandre), A Fita Branca (Gabriel) e A Fita Branca (Joaquim)

Apostas da razão: Un Prophète e A Fita Branca (Alexandre), A Fita Branca (Gabriel) e A Fita Branca (Joaquim)

Oscar 2010 - Indicados e Comentários (Parte II - Categorias Técnicas)

Continuando, agora com as categorias técnicas



Avatar (Todd Cherniawsky, Kevin Ishioka e Kim Sinclair)
O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus (Dan Harmansen e Denis Schnegg)
Nine (Simon Lamont)
Sherlock Holmes (Niall Moroney)
The Young Victoria (Paul Inglis)

Comentários: Na Direção de Arte, a Academia optou por uma lista mais conservadora. Alguns filmes perfeitos artísticamente como Watchmen e Onde os Monstros Vivem foram esquecidos da lista por causa das bilheterias e teor atenuado dos filmes, imaginamos. Mas, para uma lista conservadora, até que está boa. Temos The Young Victoria, filme inglês de época, bem acabado e favorito para a Academia, viciada em produções de época. O outro forte candidato é Avatar, que tem uma direção de arte computadorizada e pouco humana. Gélida porém atraente. Parnassus é bonito visualmente e de certa forma, merecedor, mas é um filme com muitos efeitos e é de Terry Gilliam (o homem mais azarado do universo). Quando é computador do Cameron, a Academia gosta, mas quando não é gera um preconceito. Correndo por fora, temos o igualmente merecedor Sherlock Holmes, um blockbuster elegante e bem acabado. E, por último, o nosso favorito: Nine. Os elegantes anos 60 italianos foram retratados com humanidade e de forma quase obsessiva, o que salta os olhos no filme. Categoria bastante acirrada. 


Apostas do coração: Mundo Imaginário de Dr. Parnassus (Alexandre), Nine (Gabriel) e Nine (Joaquim)


Apostas da razão: Nine (Alexandre), Avatar (Gabriel) e Avatar (Joaquim)



Avatar (Mauro Fiore)
Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Bruno Delbonnel)
Guerra ao Terror (Barry Ackroyd)
Bastardos Inglórios (Robert Richardson)
A Fita Branca (Christian Berger)

Comentários: Em Fotografia, a disputa está bastante acirrada. Avatar tem a sua contrução baseada toda na virtualidade e apesar de deslumbrante, pode perder pontos se a Academia se mantiver conservadora. Guerra ao Terror é muito bem feito e a fotografia explora bem o iraque, tem estilo, é moderna e bastante interessante. A Fita Branca é construída como uma coleção de quadros em p&b, todos gélidos e belíssimos. Conta com o fato da Academia gostar muito desse estilo de fotografia mais artística. Em Bastardos Inglórios, Robert Richardson foi extremamente feliz em misturar conceitos fotográficos atuais com aquele "clima" de filme de guerra. É o favorito de bastante gente. Já Harry Potter é zebra, um filme bonito mas nunca seria pra Oscar. O Gabriel sentiu falta de Inimigos Públicos na premiação e até premiaria o filme se fosse indicado. Mas, apesar desse pequeno "erro", a Academia optou bem. O favorito mesmo é Guerra ao Terror, com sua fotografia moderna.

Apostas do coração: Fita Branca (Alexandre), Bastardos Inglórios (Gabriel) e Guerra ao Terror (Joaquim)


Apostas da razão: Avatar (Alexandre), Avatar (Gabriel) e Guerra ao Terror (Joaquim)



Brilho de Uma Paixão (Janet Patterson)
Coco Antes de Chanel (Catherine Leterrier)
O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus (Monique Prudhomme)
Nine (Coleen Atwood)
The Young Victoria (Sandy Powell)

Comentários: Em Figurino, a lista é ridiculamente previsível. Temos Nine, favorito da maioria do Fotograma, que tem roupas meticulosamente bem feitas e elegantes. E bem fiéis a época. Coco Chanel também é clichê ser colocado, afinal o filme é de moda. Mas vendo assim até parece que a Academia não viu o filme, que tem pouco da elegância de Coco e muito da humanidade de Gabrielle. Por isso, roupas contidas e opacas. Correndo por fora, Parnassus. O filme do gênio Terry Gilliam é estranho e lindo, com figurinos circenses de uma simplicidade maravilhosa. Mas, a academia é conservadora e nunca daria para algo tão bizarro comercialmente. Brilho de uma Paixão também pode ganhar por ser um filme de época. Jane Campion fez um bonito trabalho com essas roupas. Já Young Victoria é o favorito por ser de época. E é só por isso mesmo, afinal, Parnassus e Nine impressionam mais.

Apostas do coração: Mundo Imaginário do Dr. Parnassus (Alexandre), Nine (Gabriel) e Nine (Joaquim)

Apostas da razão: Nine (Alexandre), Young Victoria (Gabriel) e Nine (Joaquim)



Avatar (James Cameron, John Refoua e Stephen E.Rivkin)
Distrito 9 (Julian Clarke)
Guerra ao Terror (Chris Innes e Bob Murawski
Bastardos Inglórios (
Preciosa - Uma História de Esperança

Comentários: Em Edição, uma das maiores competições. Avatar tem uma edição precisa, bonita e ágil. Mas, junto a Precious (que é comum e mediana demais), ele perde para as 3 estilosas edições de Bastardos Inglórios, Guerra ao Terror e Distrito 9. Bastardos, que mesmo se preocupando basicamente em usar a edição apenas para contar a história e ajudá-la, tem outros méritos, como os cortes para introduzir humor no filme e mais crueza nas cenas de violência. Já Distrito 9 acerta em cheio ao apostar na agilidade nas cenas de ação, o que ajuda a equilibrar o que foi filmado na tela. Guerra ao Terror também se distancia de Bastardos e tem seus cortes rápidos. Mas não como um blockbuster que não se preocupa em manter a câmera em foco por 7 segundos. Guerra usa os cortes em prol do realismo e da melhor visualização da ação do filme, que é filmada freneticamente. Merecedor, exatamente por revolucionar os próprios conceitos de montagem de ação e suspense. Categoria bem acirrada, apesar da pequena diferença entre Guerra, Distrito e o resto.


Apostas do coração: Guerra ao Terror (Alexandre), Guerra ao Terror (Gabriel) e Bastardos Inglórios (Joaquim)

Apostas da razão: Guerra ao Terror (Alexandre), Guerra ao Terror (Gabriel) e Guerra ao Terror (Joaquim)



Avatar (James Horner)
O Fantástico Sr. Raposo (Alexandre Desplat)
Guerra ao Terror (Marco Beltrami e Buck Sanders)
Sherlock Holmes (Hans Zimmer)
Up - Altas Aventuras (Michael Giacchino)

Comentários: Em trilha, os indicados era previsíveis. Michael Giacchino desponta como favorito pela linda e magistralmente conduzida trilha de Up, que deve levar até mesmo pelo Globo de Ouro já ganho. Guerra ao Terror também foi indicado, estranhamente, já que sua trilha é quase inexistente no filme. Uma surpresa da indicação foi Sherlock Holmes, com sua trilha inusitada e bem composta. Hans Zimmer fez um trabalho excelente mais uma vez, mas essa trilha é a mais estranha de todas já feitas pelo alemão. Tem poucas chances. O Fantástico Sr. Raposo tem uma trilha bem sucedida, no mesmo estilo dos outros filmes de Wes Anderson, o que é sinonimo de modernidade. Também corre por fora. E Avatar, talvez o unico que possa tirar de Up a vitória. James Horner já venceu um Oscar e sua trilha (mediana) foi ovacionada.

Apostas do coração: Up (Alexandre),Up (Gabriel) e Up (Joaquim)

Apostas da razão: Up (Alexandre), Up (Gabriel) e Up (Joaquim)



"Almost There" - A Princesa e o Sapo (Randy Newman)
"Down in New Orleans" - A Princesa e o Sapo (Randy Newman)
"Loin De Paname" - Paris 36 (Reinhardt Wagner e Frank Thomas)
"Take it All" - Nine (Maury Yeston)
"The Weary Kind" - Crazy Heart (Ryan Bingham e T-Bone Burnett)

Comentários: Na Categoria Canção, Crazy Heart manda. Muito difícil a linda canção perder para as outras concorrentes, que não são tão premiadas e competentes. A Princesa e o Sapo vai com duas canções, mantendo a tradição Disney de canções em filmes. Como a menos famosa vem Loin de Paname, do desconhecido filme Paris 36. E, tem Take it all, do musical Nine. Uma enorme surpresa, já que Cinema Italiano, a favorita do filme, foi esquecida. Nessa categoria, a disputa será desleal e previsível.

Apostas do coração: Weary Kind (Alexandre), Weary Kind (Gabriel) e Weary Kind (Joaquim)

Apostas da razão: Weary Kind (Alexandre), Weary Kind (Gabriel) e Weary Kind (Joaquim)



Avatar
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Star Trek
Up - Altas Aventuras

Comentários: Na edição de Som, temos 5 filmes com reais chances de vitória. Guerra ao Terror tem o conceito de Guerra realista que é aprimorado pela precisa edição de som, que mantém muito bem a tensão exigida. Bastardos também é impecável nesse quesito, tornando o filme detalhista. Star Trek é talvez o melhor desses, pois explora cada ponto do som, como numa sequência de saída da nave, com 3 homens caindo. Impecável. Up também tem uma edição de som formidável, auxiliada pela perfeccionista trilha. Desde um pássaro gritando até o som da cadeira de Carl, a edição faz o papel muito bem. Mas acreditamos que Avatar seja o favorito desses pois ele identifica com qualidade cada som do planeta Pandora. É interessante notar que os sons são contínuos e mesmo assim não dá para perceber. Excelente. Aqui, será acirrado, talvez a mais acirrada das categorias técnicas.

Apostas do coração: Avatar (Alexandre), Star Trek (Gabriel), Bastardos Inglórios (Joaquim)

Apostas da razão: Avatar (Alexandre), Avatar (Gabriel), Avatar (Joaquim)

Melhor Mixagem de Som

Avatar
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Star Trek
Transformers: A Vingança dos Derrotados

Comentários: Em Mixagem de Som, a disputa está imprevisível. Mas vale ressaltar: O que diabo é a tal da mixagem de som? Mixagem é o balanceamento de sons do filme, o que torna os barulhos dos filmes críveis e exaltados. Então, nessa categoria temos bons concorrentes. Guerra ao Terror é ótimo por ressaltar com grandeza os efeitos da guerra e seus sons. Alto e balanceado na medida certa. Avatar também é outro favorito, afinal, a imersão do filme só é mais completa por causa do equilibradíssimo e esmerado som. Bastardos talvez seja o mais difícil de ganhar, apesar de ter uma mixagem excelente. Um grande exemplo é a seqüência final, com a voz abafada de Shoshanna. Perfeito. Star Trek é como Avatar, bem bonito, mas abrange menos momentos geniais, o que dificulta, assim como Transformers 2, que é bem ensurdecedor. Ficará entre Avatar e Guerra mesmo.

Apostas do coração: Avatar (Alexandre) e Guerra ao Terror (Gabriel)

Apostas da razão: Avatar (Alexandre) e Avatar (Gabriel)


Avatar
Distrito 9
Star Trek

Coméntários: Em Efeitos especiais, não há muito o que falar. Os excelentes efeitos de Distrito 9 e Star Trek tem a ingrata tarefa de tirar de Avatar o Oscar, o que sinceramente é impossível. Aqui, a Weta Digital de Distrito 9 e Avatar trava uma batalha contra a ILM, de Star Trek. Apesar dos soberbos efeitos e iluminações de Star Trek, a Weta concebeu um mundo com James Cameron (apesar das iluminações de Avatar serem da ILM). "Se o Oscar sair das mãos alienígenas azuis, eu paro de criticar filmes pra sempre".(Gabriel)

Apostas do coração: Avatar (Alexandre), Avatar (Gabriel), Avatar (Joaquim)

Apostas da razão: Avatar (Alexandre), Avatar (Gabriel), Avatar (Joaquim)




Il Divo
Star Trek
The Young Victoria

Comentários: Em Melhor Maquiagem, a disputa também é bem desequilibrada. Enquanto Star Trek e Il Divo correm por fora, The Young Victoria leva uma grande vantagem por ser um drama de época. Geralmente, nesses filmes, a maquiagem é pesada e então, a Academia gosta, como em figurinos. Star Trek nada tem demais em maquiagem, apenas um ou outro ferimento bem feito ou as orelhas e feições de látex de coadjuvantes aliens. Em Il Divo, nada demais de maquiagem. Outra categoria previsível.

Apostas do coração: Star Trek (Alexandre), Star Trek (Gabriel) e Star Trek (Joaquim)

Apostas da razão: Star Trek (Alexandre), Young Victoria (Gabriel) e Star Trek (Joaquim)




Burma Vj
The Cove
Food Inc.
The Most Dangerous Man In America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers
Which Way Home

Comentários:  A categoria de Documentário desse ano apresenta quatro excelentes concorrentes e um que, poderia muito bem ceder vaga ao mega- cultuado "Anvil - A History of Anvil" , premiado em Sundance e inexplicavelmente esquecido pela Academia. Como imagino, que quase ninguém (incluindo a maioria de nós) conhece os indicados cabe aqui uma brevíssima sinopse sobre eles: Burma Vj, documentário dinamarques sobre protestos dos monges budistas em Burma em 2007; o favorito The Cove, sobre um grupo de radicais pelos direitos dos animais que expõe a matança de mais de 23 mil golfinhos em Taiji, Japão, ao mesmo tempo em que questionam o impacto que o término dessa atividade teria economicamente na cidade; Food Inc. que analisa o mercado e a indústria de alimentos nos Estados Unidos, com imagens chocantes de frangos gordos que não conseguem nem sequer andar, porcos sendo mortos, e mostra soluções como fazendas que vendem comida orgânica e ainda dá dicas para evitar a chamada (pelo doc.) comida ruim; The Most Dangerous Man In America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers , que fala desse cara: Daniel Ellsberg que decidiu em 1971 "jogar a m... no ventilador", levando a público documentos secretos que expunham as mentiras que 5 presidentes americanos vinham contando ao povo sobre a guerra do Vietnã e Which Way Home (o mais fraco deles) que mostra a jornada de crianças latinas que migram, ou tentam migrar, para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor. Desses o favorito é The Cove, que deve ser o vencedor.

Apostas do coração: The Most Dangerous Man In America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers (Alexandre) e Food Inc. (Gabriel)

Apostas da razão: The Cove (Alexandre) e The Cove (Gabriel)


Os demais indicados abaixo, requerem um conhecimento neófito de cinema, que nós ainda não atingimos, portanto apenas citamos as indicações.

Melhor Documentário Curta-Metragem

Province
The Last Campaign of Governos Booth Gardner
The Last Truck: Closing of a GM Plant
Music by Prudence
Rabbit à la Berlin

Melhor Animação Curta-Metragem

French Roast
Granny O´Grimn´s Sleeping Beauty
The Lady and the Reaper (La Dama e la Muerte)
Logorama
A Matter of Loaf and Death

Melhor Curta-Metragem

The Door
Instead of Abracadabra
Kavi
Miracle Fish
The New Tenants









segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nine
(Nine,2009)
Drama/Comédia/Musical - 118 min.

Direção: Rob Marshall
Roteiro: Michael Tolkin e Anthony Minghella

Com: Daniel Day Lewis, Marion Cotillard, Penelope Cruz, Nicole Kidman, Judi Dench, Kate Hudson, Sophia Loren, Fergi

Em 1982, Arthur Kopit escreveu um livro baseado no clássico dos cinemas 8 e Meio, de Federico Fellini. Logo, seu livro virou uma peça chamada Nine. A peça virou sucesso na Broadway e logo foi se espalhando pelo mundo inteiro. Então, como qualquer grande sucesso de outras mídias, Nine atraiu os olhos de Hollywood e logo foi adaptada. Os roteiristas responsáveis pela adaptação foram Michael Tolkin e Anthony Mingella.

Mingella, infelizmente falecido em 2006, foi um dos maiores escritores/diretores do nosso tempo, sendo responsável por excelentes filmes como O Talentoso Ripley e O Paciente Inglês. Logo, a expectativa ficou altíssima. Mas, há um porém. Fazer um remake de um verdadeiro clássico do cinema mundial é bem complicado e sempre é digno de desconfiança. Com essas contradições, Nine virou uma incógnita na cabeça dos cinéfilos. Mais tarde, foi divulgado o diretor. Rob Marshall, diretor do premiadíssimo Chicago e famoso na Broadway por inúmeros espetáculos, iria comandar o set. As mulheres lindíssimas e Daniel Day-Lewis no elenco pendiam a balança para algo positivo.




Mas, infelizmente, é fácil constatar que Marshall errou a mão e fez um filme descontrolado, descompassado. Indeciso sobre sua natureza e até mesmo sobre seu lado emocional, Nine decepciona, mas não afunda.


A trama, conhecido do público mais velho e mais apreciador do cinema, conta a história de Guido Contini (e não Anselmi, como em 8 e Meio), um cineasta italiano que tem um grande filme nas mãos, com o ambicioso título Italia. Sets prontos, profissionais contratados, coletivas de imprensa. O pacote todo de divulgação já está sendo realizado, mas há um problema: Ás vésperas das filmagens, Guido tem um bloqueio, está completamente sem inspiração e sem uma palavra no roteiro. E seu produtor começa a pegar em seu pé para iniciar logo as filmagens. Então, desesperado, Guido começa a buscar inspiração nas mulheres de sua vida: Sua mulher Luisa (Marion Cottillard), sua amante Carla (Penélope Cruz, lindíssima), a atriz e sua musa inspiradora Claudia Jenssen(Nicole Kidman), sua figurinista (Judi Dench), uma jornalista americana (Kate Hudson) e até mesmo sua falecida mãe (Sophia Loren).


E o filme se arrasta nessa jornada, da qual Guido fica cada vez mais desesperado e triste. Tudo então é entregue sem surpresas e com um ritmo lento, bem mais lento do que o habitual, mesmo se tratando de um filme dramático. E talvez esse seja o grande problema de Nine: a falta de apego ou sentimento.


Tecnicamente, Nine é soberbo, muito lindo e bem-realizado, digno de alguns Oscars técnicos. A direção de Rob Marshall é segura e bem feita. Nas partes dramáticas, Marshall não extrapola e conduz bem o filme, com uma excelente direção de atores. Nas partes musicais, ele se solta. Tudo é profissional, com extrema qualidade de filmagem. Seus números são bonitos de se ver, empolgantes e muito bem montados, demonstrando a especialidade de Marshall. O único dos musicais que ficou ruim foi Be Italian, com Fergie. Mal dirigido e com uma música fraca, o número simplesmente não empolga. Mas tudo é compensado com Cinema Italiano, com Kate Hudson. Inegável perfeição. A edição de Claire Simpson e Wyatt Smith é excelente e bem realizada. Impondo um ritmo ágil nos musicais e seco nos dramas, a edição até ofusca um ou outro erro de Marshall.



A trilha composta de Andrea Guerra é mediana. Pode até empolgar com algumas melodias divertidas, mas é extremamente desconexa e descompassada. Em alguns momentos, Andrea introduz uma música á la Danny Ocean no núcleo mais cômico-cool. Estranho.


Já a fotografia de Dion Beebe, colaborador frequente de Michael Mann, é soberba e perfeita. Merece sem dúvida o Oscar desse ano. É daquelas fotografias que fazem os olhos brilhar. Com tonalidades mais escuras, a fotografia é fantástica, o ponto alto. Outro ponto alto do filme é a direção de arte. Os cenários de época do filme são recriados com perfeição e obsessão. Outro ponto que merece, pelo menos, uma indicação ao Oscar.



Num musical como Nine, alguns espectadores mais mainstream procuram saber se as músicas são boas ou empolgantes. E quer saber? Sim e Não. Maury Yeston compôs músicas bem engraçadas liricamente. O jeito com que elas são introduzidas no filme é excelente e muito bem realizado. Até mesmo inovador. Por vezes, as músicas representam os sentimentos de Guido e outras apresentam algumas falas cantadas, mas tudo fantasioso, na mente de Guido. Interessante. Mas há alguns erros. Isoladamente, as músicas são estranhas por seu conteúdo vazio. Cinema Italiano, por exemplo, é extremamente empolgante, assim como Folies Bergères (muito bem filmada). Mas Be Italian é desnecessária e mal-feita, a própria Cinema praticamente nada tem a ver com o filme e o início, com apresentação a todas as divas do filme, é bonito porém igualmente vazio. Assim, fica empolgante, mas não tão bom.

Num DVD de Clipes, as músicas devem valer a pena. No filme, elas apenas divertem e entretem de forma segura. Apenas as melodias dos sentimentos de Guido e da fantasia dele com Penélope Cruz valem realmente a pena. Mas acredito que assim que exigem de um bom musical. Mas, sinceramente, acho que o gênero musical já foi bem mais explorado no cinema (Moulin Rouge é uma máxima).


Nas atuações, Nine é caprichado. Daniel-Day Lewis demonstra mais uma vez o gênio que é e encarna um bem construído Guido. Mas, é um Guido diferente do de Mastroianni. Aqui, Lewis exalta a falta de segurança e os amores de Guido pelas mulheres. Em 8 e Meio, Mastroianni se focava em fazer um homem forte porém "talentosamente debilitado". Então, se o objetivo é reinventar o personagem, Lewis faz um ótimo trabalho. Marion Cottillard, a atriz com mais tempo de tela junto a Lewis, arrebenta. Faz mais um excelente trabalho e demonstra todo seu talento que a fez ganhar o Oscar 2007 por Piaf.

Apesar de ser uma comparação estranha, acho válido dizer que aqui ela esbanjou a qualidade que não pode em Inimigos Públicos, por seu pouco tempo de tela. Sua Luisa é uma mulher de garra, bem feita, bem construída e provocativa. E... bem insegura. Ponto pra atriz, que poderia figurar nas indicações no Oscar. Judi Dench faz um papel bem mínimo, mas demonstra seu talento. E até mesmo canta (formidavelmente). Penélope Cruz é outra que tem aqui um espaço limitadíssimo de tela, mas mostra a mesma competência de sempre. Até mesmo quando é exigido seu número musical, ela não faz feio (apesar de uma desafinada grande no final...).



Sophia Loren também atua bem, numa clara homenagem a diva italiana, que aparece em três ou mais cenas, e até canta bem. Mas há certos pontos bem curiosos nas atuações de Nine. E eles respondem por Kate Hudson, Fergie e Nicole Kidman. Kate, atriz competente e dona de uma voz surpreendente, faz duas cenas no filme. E, faz Cinema Italiano. Chega a ser constrangedor o fato de apontar Kate no cartaz como uma das protagonistas. Fergie também faz duas cenas e Be Italian, mas pelo menos estava claro que a aspirante a atriz nada faria ali. E Nicole Kidman, a maior estranheza de Nine. Vendo um excessivo orçamento de 80 milhões, fico imaginando porque não deram 10 reais pra uma atriz iniciante bem bonita fazer o papel de Kidman. Apagada, ofuscada e em pouquíssimas cenas, Kidman faz seu pior trabalho. Novamente, só vale seu número musical, muito bem cantado (impossível não lembrar de Moulin quando a linda atriz solta a voz). Um talento desperdiçado.


É no roteiro, que Nine mostra seus maiores problemas. Os roteiristas criaram uma boa trama com uma boa base, mas seu desenvolvimento é precário e bem falho. As falas e narrações em off dos personagens explicam as imagens com frequência (uma coisa bem incomum para um drama) e ainda não são refinadas. O ritmo do filme também é outro problema. Lento e sem propósito, o ritmo é desnecessariamente arrastado. E ainda há algumas falhas bem curiosas, como por exemplo a indecisão do filme. Em momentos, ele é uma comédia. Logo após, muda arruptamente para um drama pesado. Depois, musicais entram na tela. Uma coisa é uma premissa agridoce, que promete um certo gênero cômico-dramático. Outra coisa é um filme descompassado e indeciso que tem momentos excelentes mas se perde ao tentar se levar a sério demais (ou de menos). Isso acaba tornando Nine uma incógnita, um paradoxo, um filme sem sentimento. O cômico que se leva a sério ou o drama que tira sarro. Uma pena um roteirista tão metódico quanto Mingella ter cometido esses erros.


Divertido e com seus altos e baixos, Nine cai no lugar comum. Torna-se só mais um produto encomendado pra Oscar mas que decepciona. E acredito que se a expectativa do resenhista que escreve aqui não fosse baixa, o filme teria um gosto muito amargo na boca. Mas, já dava para esperar de Nine um filme assim: Corajoso porém comum. Definitivamente, nenhum diretor dramático ou alguns números musicais salvam um roteiro que precisava de uma mínima polida antes de sair do forno. Uma pena. Mas fica o recado: Espere pouco e você terá um filme bonito, bem feito e um musical empolgante. Se esperar Oscar, sairá meio mal da sala. Nine reflete bem o que Nicole Kidman foi no filme: Um talento desperdiçado.

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