sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Resenha: Zombieland


Zombieland
(Zombieland, 2009)
Ação - 88min.


Direção: Ruben Fleischer


Com: Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Emma Stone, Abigail Breslin


Sinopse: O mundo está inundado por zumbis que querem acabar com os humanos.


Columbus: Um universitário Nerd


Tallahassee: Um "bad ass" do interior


Wichita: Uma Garota Má


Little Rock: Uma Criança de 12 anos que não sabe nada do mundo.


O que têm em comum: Os únicos sobreviventes!


Assim como todo filme de zumbis, Zombieland não foge do normal, é totalmente clichê. Mas o que faz valer a pena assistir é o fato de ele zombar dos clichês.


Como em todo filme de terror com zumbis, sempre há cenas engraçadas, coisas que faríamos diferente, etc.


Assim como em todos os outros filmes, não explica como e porque tudo começou. Você é apenas jogado na história. Os sobreviventes em um ponto da história se encontram e começam a seguir juntos para sobreviver.



Basicamente a idéia do filme é: "O Que você faria se isto acontecesse com você?", sendo assim os 4 sobreviventes vão aproveitando pra fazer aquilo que tem vontade, desde ir a um parque de diversões até passar a noite na mansão de Bill Murray! Sendo assim, começamos a se identificar com o filme e com as situações apresentadas.


Um destaque do filme é a seqüência final no parque de diversões, é simplesmente hilária. Imagine uma noite do terror do playcenter verdadeira.


As atuações são muito boas, cada um consegue refletir aquilo que é e conseguimos sentir a insegurança, confiança, ou qualquer coisa que seja. Passam-nos a sensação de que são apenas pessoas normais numa situação a qual não podem fazer nada.


Não há como falar muito do filme, é algo que só assistindo para saber.


Mas uma coisa é certeza, depois que o filme termina dá uma vontade imensa de que todos se transformem em zumbis para que possamos sai por ai, sem rumo, atirando em todo mundo e matando dos jeitos mais engraçados possíveis, afinal todo mundo conhece: Resident Evil, Extermínio, Volta dos Mortos Vivos, Madrugada dos Mortos, etc.


Essa é a graça do filme, eles sabem exatamente o que fazer para não morrer.


Neste embalo há até uma lista com 32 regras de sobrevivência, coloquei aqui algumas:


Regra nº1: Ter preparo físico (afinal os gordinhos sempre são os primeiros a se ferrarem!)


Regra nº2: Cuidado com banheiros.


Regra nº3: Atire 2 vezes!


Regra nº5: Nada de relacionamentos.


Regra nº6: Viaje em grupo.


Regra nº8: Mate com eficiência.


Regra nº15: Saiba onde é a saída.


Regra nº17: Não banque o herói.


Regra nº24: Não beba.


Regra nº31: Sempre cheque o banco de trás.


Regra nº32: Aproveite as pequenas coisas.


Então é isso, misture Extermínio, Madrugada dos Mortos e Resident Evil, transforme numa comédia e terá Zombieland!


Nota: 8.0


TRAILER:



Bruno Gonçalves
Estudante de Direito e Arauto do Caos

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Resenhas: Besouro + Selo Novo !


Besouro
(Besouro - 2009)
Ação/Aventura

Direção: João Daniel Tikhomiroff
Roteiro: Patrícia Andrade e João Daniel Tikhomiroff

Com: Aílton Carmo, Anderson Santos de Jesus

Um dos grandes problemas do cinema brasileiro sempre foi a restrição a determinados gêneros. O drama,bom como sempre, retratando a dura realidade brasileira. As comédias românticas globais com atores nacionais famosos. Os policiais que mostram a violência. Esses são as bases do cinema brasileiro numa visão rápida e geral. Nunca foi feito, entretanto, algum filme de ação, ficção ou até mesmo um simples suspense brasileiro. Talvez um grande complexo do nosso país seja mostrar nas telonas uma realidade dura demais com violência e miséria, para ganhar prêmios interinacionais. Nesses filmes o objetivo é chocar o público. Era preciso pensar, que mostrar uma vida difícil e com choque talvez não seja suficiente. É de bom gosto de vez em quando, portanto, mudar um pouco esse objetivo e mostrar a realidade brasileira com arte cinematográfica.


Besouro, filme do estreante em longas João Daniel Tikhomiroff, envereda por esse caminho. Faz, então, o primeiro filme de ação nacional, que não tem o objetivo de chocar, mas sim de mostrar artisticamente, a cultura brasileira, não necessarimente sua miséria urbana. O filme tem um embasamento que não complica muito e honra a história brasileira. A trama é sobre Besouro, conhecido como o melhor capoerista de todos os tempos, que ,em 1924, tem o desafio de combater os grandes coronéis do recôncavo baiano, que tratavam a população negra ainda como escrava.



Tendo essa premissa, o filme se inicia com aspectos realmente dignos de filmes de ação.Uma sequencia inicial inovadora que acompanha a visão de um inseto. O suspense que ocorre em uma cena é aumentado quando intercalada com uma cena de luta. O capanga é subjugado pelo herói e seus golpes. Tudo isso, unido em seu início, nos faz sorrir e ficar empolgados com o filme. Pensamos : " o cinema brasileiro finalmente aprendeu a lição e fez um filme diferenciado". Um filme de ação, emfim, que trás como pano de fundo uma história da cultura brasileira.


Entretanto, nem tudo são flores em Besouro. A história mostra desde seu início que será baseada em um herói, que dá título ao filme. Esperamos logo então a chegada desse herói ao seu destino, seu drama e suas implicações. Porém, o roteiro se esquece um pouco do herói durante o filme, dando espaço para um novo núcleo, o da personagem de Dinorá(interesse romântico do protagonista) e sua mãe. Não reclamo pois não acho que esse núcleo seja descabido. É um núcleo que, após o término do filme, demonstra sua importância. Entretanto, é uma importancia um pouco exagerada que esse roteiro dá ao núcleo. Outro problema do longa é o fato do protagonista ficar muito tempo se preparando. Demora muito, e quase chega a enrolar. Mas esse problema seria solucionado caso a sequencia da luta final fosse mais bem aproveitada. O herói demora, se prepara física e espiritualmente, e no seu momento de clímax contra os vilões tem uma luta rápida demais. Quase passa despercebida essa sequencia, e sendo ela curta demais, perde todo o resto, como o drama e a emoção. Deste modo, fica aquele gosto amargo de " faltou algo a mais", e o filme que se baseava em um herói, se foca muito mais na preparação desse personagem. E isso, obviamente, compromete a quantidade de cenas de lutas ao longo do filme. Não é um filme de ação com muitas cenas de pancadaria. A ação é pontuada, e acho que nese aspecto, a ousadia dos realizadores fariam mais pelo filme. Se é um filme de ação, ela podia ter sido colocada em uma dose maior, sem medo. Até porque, essa é uma primeira experiência do cinema nacional nesse gênero.


A técnica do filme, porém, é muito boa. A direção de estréia de Tikhomiroff é ótima e se encaixa perfeitamente no gênero do filme. Ela tem cortes rápidos, longas sequencias únicas colocadas devidamente em momentos de espiritualismo maior. Os closes nas armas na parte em que os capatazes as preparam são ótimos, e nos remetem a filmes de Hollywood. Aliás, eu, que estava vindo de dias que assistia apenas filmes americanos não me senti muito estranho na exibição de Besouro. Nas coreografias de cenas de luta, o filme se sai muito bem. Também pudera, com o coreografista chinês Huen Chiu Ku( que trabalhou para coreografar lutas de filmes como Kill Bill e O Tigre e o Dragão) as cenas não fazem feio. Tem desde saltos acrobáticos que fazem o personagem sair do chão e chegar no telhado a lutas sobre os galhos de uma árvore. O que falta é a quantidade dessas cenas no filme.

Besouro então, se torna um marco no cinema brasileiro, por três motivos. Um é pelo motivo óbvio do gênero de ação aqui no Brasil, que se inicia, mesmo que de maneira um pouco tímida.O outro é pelo gordo orçamento. Dez milhões de reais, uma quantia alta se comparada a outros projetos nacionais. O terceiro é pela apresentação de Tikhomiroff ao cinema. Grande diretor.Um dos melhores nacionais, sem dúvidas. Já estou ansioso por seu próximo trabalho. Esse entretanto, escorregou um pouco no roteiro.

NOTA: 6.0

TRAILER:


Joaquim Pedro

Estudante e Rorschach em treinamento.


Recebemos hoje mais um selo, da nossa grande parceira e amiga Júnia do blog Vintage Blog. A "regra" desse selo é escolher dez amigos e indicá-los para receber o selo e depois entrar em seus respectivos blogs e informá-los.


Meus escolhidos:

Como agradecimento especial aos colaborados do blog que gentilmente cedem seus textos para a publicação no Fotograma:

- Dedo de Prosa (http://dedode-prosa.blogspot.com/) da Ana Carolina
- Hellraiser (http://leraiser.blogspot.com/ ) do Leandro Pujiz
- Old School Nerds (http://www.old-school-nerds.blogspot.com/ ) do Gabriel e do Joaquim

Como agradecimento as aulas de cinema e a camaradagem conquistada:

- Cinemótica (http://awardmovies.blogspot.com/ )
- Cinéfila Por Natureza (http://cinefilapornatureza.wordpress.com/)
- Dr. Frame (http://drframe.blogspot.com/)
- It Was Red (http://itwasredcinema.blogspot.com/)
- Multiplot (http://multiplot.wordpress.com/)
- Viver e Morrer no Cinema (http://buchinsky.wordpress.com/)
- XManiac (http://xmaniac.net/)

Obrigado Júnia e até a próxima.

Alexandre Landucci
Editor Chefe, Radialista, Escritor

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Filmes Para Ver Antes de Morrer: WALL-E

WALL-E
(WALL-E, 2008)


de: Andrew Stanton


Com as vozes de: Ben Burtt, Elissa Knight, Jeff Garlin, Fred Willard, Sigourney Weaver



Em 1995, uma animação modesta, de custo baixo(30 Milhões) e produzido por um estúdio desconhecido chega aos cinemas. Os tais produtores eram da Pixar, que era uma pequena empresa de curtas animados até 95, quando, apadrinhada pela Disney, ela lançou seu primeiro longa.

Em 2008, uma animação ambiciosa, de custo altíssimo(180 Milhões) e produzido por um famosíssimo estúdio chega aos cinemas. Os tais produtores são da Pixar, que é uma empresa muito lucrativa e que faz um longa metragem por ano, algo invejável para as outras produtoras de animação(inclusive a Disney)


Entre esses períodos, se passaram nove longas e treze anos. Outras produtoras só pensariam em lucro, público e diversão, afinal são filmes animados. Com tanto dinheiro em caixa também, é fácil fazer lucro com histórias rápidas e cheias de ação, como a Dreamworks. Mas essa produtora é a Pixar. E a única diferença entre o Toy Story de 95 e o Wall-E de 2008 é: O tempo. Nada mais que isso, afinal, a Pixar manteve sua essência e chegou a seu ponto máximo aqui, sem se importar com produtos de merchandising ou rechear seu filme de ação. A equipe criativa da Pixar é exatamente isso: Um time de apaixonados pelo cinema, pela arte, pela qualidade cultural. Não se preocupam em fazer trabalhos adultos em animação assim como Alan Moore e outros autores não se preocupam em fazer quadrinhos adultos. E é por causa dessa equipe que os milhões de dólares não mudaram absolutamente nada no teor das histórias, eles não idolatram os efeitos ou o dinheiro. Eles idolatram seus personagens. Alguém novo, que não tenha Buzz, Woody, Flik, Nemo ou Sr. Incrível em seu imaginário, não teve uma infância completa. Mas não só as crianças, afinal, o adultos tem motivos de sobra pra gostar dos filmes anteriores da Pixar e, principalmente de Wall-E. Eles tem motivos de sobra para apreciar as referências enormes dos filmes de suas épocas. Vai de Chaplin a 2001.


A trama de Wall-E conta a história de Wall-E, um pequenino robô que tem a missão de limpar o lixo da Terra, num futuro de 2800. Com o tempo de limpeza, ele adquiriu sentimentos e vários artigos humanos extremamente úteis pra ele, como lâmpadas. E, depois de anos de solidão, apenas com a companhia de uma pequena barata, uma luz vermelha chega na Terra. Wall-E, dotado de uma curiosidade inocente, começa a seguí-la. Quando ela para, ele vê uma enorme nave chegando e deixando um robô em fórmula de cápsula lá. Então, A robô, chamada Eve, começa a vasculhar o lixo organizado por Wall-E, procurando algo. E assim começa uma das mais bonitas histórias de romance do cinema.


Quando Eve está na Terra, Wall-E sente uma vergonha enorme dela, chegando perto quando possível e cometendo trapalhadas a cada frame. Num supermercado, por exemplo, ele vê Eve e sem querer aciona carrinhos de compras, que o esmagam na parede. A cena é brilhante por sua simplicidade e seu humor único.


Tecnicamente, Wall-E é o filme mais bonito da Pixar. Seus efeitos são muito realistas e causam um balé belo nas telas. Um exemplo da perfeita harmonia dos efeitos é na emocionante dança de Wall-E e Eve no espaço. Ela, voando. Ele, munido de um extintor. Com exceção dos humanos, propositalmente caricatos, todos são realistas. A direção de Andrew Stanton é soberba, fazendo closes, ângulos abertos, filmagens de cima e planos-sequência. Cheio de identidade, Stanton cria algo único com essa sua direção moderna. A fotografia de Roger Deakins é, como sempre, perfeita e belíssima. O ganhador do Oscar cria climas extremamente atraentes e pesados. Na Terra, sua fotografia é meio amarelada, meio sépia, retratando a poluição exagerada. Na nave, é mais azulada, mais limpa, retratando as possíveis "melhoras" que aquilo trouxe. A edição de Stephen Schaffer é competente, pontuando a trama muito bem e determinando o clima do filme assim como a fotografia. Mas, o destaque é a trilha sonora de Thomas Newman. Durante todo o filme, ela apresenta uma tensão triste, representando a situação péssima em que a Terra se encontra. Na nave, a trilha é mais leve, pontuando a ação dos pixels. E, se não bastasse a beleza musical durante todo o filme, nos créditos finais Newman e Peter Gabriel nos presenteiam com a belíssima Down to Earth.


O roteiro de Stanton e Jim Reardon é um dos mais geniais da história. Além de ter uma trama coesa, adulta e muito bem costurada, eles ainda cobrem o roteiro com homenagens e mensagens ambientais, mas que não são merchandising. É a típica mensagem que está implícita e nos faz pensar sobre como estamos tratando nosso planeta. Os diálogos, presentes a partir da chegada de Wall-E na nave com humanos, são extraordinários. Todos aqueles descobrimentos que os humanos presenciam são de uma inocência tocante e pura. É incrível como as comparações com os bebês são válidas, afinal, os dois estão em fase de descobrimento. Anteriormente, eu mencionei os itens humanos que Wall-E pegava para si e eram úteis. Em um momento do filme, ele pega uma caixinha azul com um enorme anel de diamante. Ele pega o anel, joga fora e fica com a caixa, já que ficou encantado com o mecanismo dela fechando. Sem alarde algum, Stanton e Reardon fazem uma crítica ás futilidades humanas, que deixam de valorizar o verdadeiramente belo em nome do dinheiro. Outra sacada genial foi o fato dos humanos serem obesos agora e nem saberem ao menos andar. Depois de 7 séculos sendo "escravos" da tecnologia, eles não saem de seus computadores nem ao menos pra comer. Isso que é um roteiro depurado e inteligente.


Definitivamente um filme irretocável, Wall-E sofreu com o preconceito nas premiações, sendo injustamente não-indicado ao Oscar de Melhor Filme. Mesmo sendo uma animação, esse filme merece por todos os méritos que ganhou e merecia ainda mais. Nos faz apreciar um bom cinema, com humor leve, drama bem-executado e uma ficção-científica como há tempos não se via. Que a Pixar continue nos presenteando com suas belezas visuais e cinematográficas. Ela é o estúdio mais corajoso que existe, mais apaixonado e o único que consegue transpor um drama romântico de ficção como esse, para o cinema. E de forma brilhante.



Gabriel Papaléo
Estudante e Cinéfilo
http://www.old-school-nerds.blogspot.com/

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Filmes Para Ver Antes de Morrer: Eu Sei Que Vou Te Amar

Eu Sei Que Vou Te Amar
(Eu Sei Que Vou Te Amar, 1986)

de: Arnaldo Jabor

Com: Fernanda Torres e Thales Pan Chacón



Há muitas pessoas que conhecem o Arnaldo Jabor como comentarista político do Jornal da Globo ou do Jornal Nacional, por um bom tempo. Acontece que antes de entrar na imprensa graças ao nosso querido Fernando Collor que quis acabar com o cinema brasileiro, Jabor era Diretor de cinema.



Nas suas devidas proporções da te para compará-lo com Woody Allen, onde seus filmes são retratos de relações amorosas onde o que realmente importa no filme é o diálogo.


Em Eu Sei Que Vou Te Amar não é diferente, temática básica do filme é o casal separado que após um tempo resolvem discutir a relação, expor os motivos, os sentimentos e as razões do porque não deu certo. A partir daí, passa se o filme inteiro num diálogo poético e verdadeiro e extremamente intenso.


Quem já teve um longo relacionamento que não deu certo é impossível não se identificar com alguma parte do filme, algum acontecimento. As atuações são extremamente brilhantes, Fernanda Torres é uma excelente atriz, faz a mocinha indefesa e inocente que ao decorrer não é to inocente enquanto Thales o homem cachorro, ciumento e mau, que a partir da cena de um monólogo brilhante, vemos que ele não é tão mau assim, caso em que ocorre uma “inverso de papéis e valores”, que nos faz pensar sobre algumas atitudes que tomamos em nossas vidas.


A discussão não chega a ser um barraco, mas como todo mundo adora uma discussão, o tempo de filme passa despercebido. Não é cansativo. Vale a pena cada minuto, cada palavra, cada situação apresentada. Sem dúvida um dos melhores filmes do cinema nacional.


Vale ressaltar, que recentemente em 2007 foi lançado o livro Eu Sei Que Vou Te Amar, que é a Adaptação literária do filme.


Bruno Gonçalves
Estudante de Direito e Arauto do Caos

domingo, 15 de novembro de 2009

Filmes Para Ver Antes de Morrer: Guerra do Fogo

Guerra do Fogo
( La Guerre du Feu, 1981)


De: Jean-Jacques Annaud


Com: Everett McGill, Ron Perlman, Nicholas Kadi, Rae Dawn Chong



Jean-Jacques Annaud constrói o painel da pré-história mais bem formado da história do cinema.



A história se inicia com uma tribo de homens pré-históricos perdendo o fogo graças ao ataque de uma tribo rival e começa a ganhar “gás” com a adição de uma mulher salva que era mantida em cativeiro por outra tribo, essa por sua vez uma detentora do fogo. As diferenças entre os costumes e tradições das espécies, ficam claros até nas menores sutilezas, como uma risada. Para uns um gesto normal, para outros a perplexidade quanto ao som emitido.


O conceito de início dos tempos, brilhantemente explorado em 2001 é retomado. Saem os macacos entram os homens de Neandertal. É a exploração do mais remoto dos passados do homem, a leitura mais apurada pela ciência do que aconteceu a milhões de anos atrás.


O fogo simboliza a evolução e quem o tivesse tinha a possibilidade de evoluir e manter viva sua prole e tribo.


A forma como a história é conduzida expõe a evolução humana de forma inteligente e perspicaz. No mesmo filme vemos os Neandertais, os Cro-Magnons e os primeiros Homo Sapiens, tudo isso encaixado (se estiver errado, professores de história me corrijam) no espaço em que as três espécies conviveram.


É interessante notar como a história ainda tem espaço , embora se foque na jornada dos três “homens das cavernas”, para doses de humor ( a cena em que a curandeira cura o machucado na “área de lazer” de um deles é impagável) e de sensualidade. Sim sensualidade. Annaud foi muito corajoso ao não esquecer desse aspecto inerente ao ser humano e a todos os seus antepassados (hoje sabe-se por exemplos que os chimpanzés fazem sexo por prazer e não apenas para a procriação).


Fotografia naturalista, abordando a paisagem e dando espaço as interpretações, que devem ter sido bastante complicadas, já que interpretar sem o domínio de uma língua é uma coisa complexa. Apesar da ausência de uma linguagem compreensível o filme é tão bem “ajeitado” que as imagens e o sons conseguem transmitir até as menores emoções e sensações que a película pretende passar.


O filme praticamente não tem falas (mesmo que ininteligíveis) e é um espetáculo de som e imagem. Todas as sensações tanto dos personagens, e mesmo o desenvolvimento do roteiro precisou ser criado sem o auxílio do diálogo. Não existe nenhuma fala durante o filme todo. As diferentes linguagens incompreensíveis que as espécies falam são cortesia deAnthony Burgess o mesmo de Laranja Mecânica. Fico imaginando o enorme trabalho de composição de personagens que essa turma teve.


Os efeitos de maquiagem e efeitos visuais são competentes e até impactantes para a época, e devem ser compreendidos como tal.


Uma cena se destaca ao unir de forma perfeita a dose de ação, dramaticidade e essa citada técnica. Sem CG (como o péssimo 10.000 A.C. tinha de sobra) a manada de mamutes e os homens pré-históricos tem um contato sensível e muito bem realizado. Essa cena demonstra toda a reverência que o homem tinha para com a terra e seus habitantes.


Essa é a síntese de tudo que belamente Jean-Jacques Annaud preparou na seqüência de seu filme, uma perfeita viagem ao passado e a descoberta da essência do ser humano.


Alexandre Landucci
Radialista, Escritor e Roteirista

Resenha: A Cor do Paraíso

A Cor do Paraíso
(Rang-e Khoda - 1999)
90 min. - Drama

Diretor: Majid Majidi

Roteiro: Majid Majidi


Com: Hossein Mahjoub, Mohsen Ramezani, Salime Feizi, Farahnaz Safari, Elham Sharifi, Behzad Rafi, Mohamad Rahmani, Morteza Fatemi, Kamal Mirkarimi, Masoome Zinati, Zahra Mizani, Ahmed Aminian, Moghadam Behboodi.


Um dos filmes mais comoventes que já assisti. Uma produção iraniana que faz qualquer ser humano repensar suas concepções em relação à vida. O filme narra a história de Mohammed, um garoto cego que vive em uma escola para deficientes visuais e que nas férias vai visitar suas irmãs e a avó. A figura da avó é fantástica, ela incentiva o garoto a crescer e a ser alguém na vida, acredita na capacidade dele.


O fato de ele ser cego não é obstáculo, pelo contrário, ele vive como uma pessoa normal. O único “problema” que podemos destacar na vida do garoto é o fato de o pai não aceitar a deficiência do filho. Apesar de muitas vezes parecer que o pai se incomoda com o garoto, acredito que não seja esse o ponto principal, e sim a questão cultural, do preconceito das pessoas, da sociedade perante tal dificuldade. Mas vemos isso apenas nas ações do pai, pois os demais personagens querem estar perto do garoto e aprender com ele.


Durante todo o filme, Mohammed procura sentir Deus em todas as coisas, na água, nas flores, na areia da praia, no canto dos passarinhos... Assim como ele lê através do método braille, ele tenta “ler” Deus da mesma maneira, tocando todas as coisas e sentindo cada detalhe. A figura do pai chega a provocar raiva no primeiro momento, mas depois é possível perceber que ele também sofre uma carência afetiva e que por esse motivo trata o filho daquela maneira. Não estou dizendo que o fato dele “maltratar” o filho é certo, mas é compreensível sua atitude.


Na realidade ele tem medo que o filho sofra, e acaba tirando da vida de Mohammed coisas, momentos que fariam a diferença para ele. A fotografia do filme é simplesmente espetacular, além da exploração dos sons da natureza, para mostrar a vida, que em um filme hollywoodiano seriam apenas detalhes, que com certeza passariam despercebidos. Cada um dos momentos do filme carrega muitos significados.


Mohammed é a figura do ser humano que todos deveriam ser ou pelo menos tentar. Apesar de não enxergar, ele consegue ver as coisas belas e por incrível que pareça, simples da vida. Coisas que nós, pessoas “normais”, se é que posso chamar assim, não damos alguma importância. Depois que assisti o filme, foi colocada uma questão realmente para se pensar.... se nós fossemos cegos, como seria a nossa vida hoje?


Parei para refletir e consigo enxergar que nada seria como é hoje, porque vivemos em uma sociedade extremamente preconceituosa e hipócrita, que não aceita aquele que é diferente, porém o que essas pessoas não se dão conta é de que esses diferentes são os que mais nos ensinam as coisas importantes da vida, que é o respeito ao próximo, à dificuldade do próximo, a aproveitar cada momento como se fosse o último, a tornar pequenas coisas em coisas gigantescas, a não se importar com problemas pequenos, pois se são pequenos, certamente serão solucionados rapidamente, enfim....essas pessoas nos ensinam a enxergar o milagre da vida, coisa que muita gente “normal” é incapaz de perceber! E que o paraíso pode estar ali, no meio desse mundo cheio de guerras e indiferenças, basta querer enxergá-lo.


NOTA: 10

TRAILER:












Ana Carolina Costa
Radialista e futura Pedagoga
http://www.dedode-prosa.blogspot.com

sábado, 14 de novembro de 2009

Filmes Para Ver Antes de Morrer: As Férias do Sr. Hulot

As Férias do Sr. Hulot
(Les Vacances de Monsieur Hulot, 1953)


De: Jacques Tati


Com: Jacques Tati, Nathalie Pascaud, Micheline Rolla



Quem é essa força cômica chamada Jacques Tati ? Biograficamente Tati nasceu em 1907 em Paris e após tentar a sorte como jogador de rugby (onde foi bem sucedido, devido a seu 1,87m) e como mímico, encontrou-se no cinema e foi na sétima arte que seu talento desabrochou.



Essa é a descrição biográfica de Tati, a descrição “real” é um pouco mais complicada.


Tati foi um dos principais seguidores dos humoristas/roteiristas do cinema mudo, em especial da comédia física de Keaton e da criação de personagens humanos e hilariantes como Chaplin.


Em As Férias do Sr. Hulot , Tati vive Hulot um “abestalhado” e exageradamente cortês homem de meia idade que decide passar um feriado em uma praia abarrotada de turistas.


Isso é o estopim para todas as gags físicas brilhantemente executadas pelo francês.


Tati é um misto de Pateta da Disney com Mr. Bean (só para deixar o personagem mais próximo dos dias atuais). As semelhanças com o personagem da Disney são tão evidentes que até a roupa de Hulot é parecida com a que o personagem usa em alguns desenhos onde ele , por coincidência ou homenagem, também está na praia. Como não sei a data exata dos desenhos não sei quem homenageou quem.


A sucessão de gags das mais variadas permeiam todo o filme e substituem o que se poderia chamar de enredo, algumas destas não sobreviveram ao tempo, em especial aquelas que satirizam os costumes da classe média francesa. Mas todas as gags físicas de Tati estão ali e funcionam perfeitamente. Aposto com vocês que é impossível não rir da impagável sequência no cemitério ou de Tati tentando fugir de um ornitólogo que ele confunde com um tarado. São ingênuas, sensíveis e brilhantemente executadas.


Apesar da aparente falta de conceito ou de história, todos os planos e momentos são calculados para que aqueles que vejam o filme não sintam essa sensação.


É o mesmo cuidado técnico, por exemplo, que Kubrick teve ao filmar todas as cenas de Barry Lyndon com iluminação de velas para recriar o clima de época sem que o cinéfilo perceba essa diferença. Tati pensa cada gag como um momento especial do filme e elas se sucedem de forma tão fluída que não se percebe o “dedo” de um diretor ou uma exagerada mise-en-scène; as coisas simplesmente acontecem e sempre de forma desastrada quando Hulot está por perto.


Esse mais do que um Filme Par Ver Antes de Morrer é um aula de como a comédia pode ser feita de maneira simples, sem bordões chulos e imbecis.


Alexandre Landucci
Radialista, Escritor e Roteirista

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Resenha: O Desinformante


O Desinformante
(The Informant ! 2009)
Drama/Thriller - 108 min.

Direção: Steven Soderbergh
Roteiro: Scott Z. Burns

Com: Matt Damon, Lucas Carroll, Eddie Jemison, Rusty Schwimmer

Nos últimos dois anos o cinema mundial tem tido ótimos trabalhos quando se refere a espionagem, e quando digo espionagem, me refiro de espionagem mais chegada ao nosso mundo, sem efeitos especiais ou tiroteios aos montes, como num filme de James Bond. Me refiro a trabalhos de cineastas inteligentes, que pegam um roteiro intrincado - como em Queime Depois de Ler dos irmãos Cohen, e Duplicidade, de Tony Gilroy -e deslumbram os espectadores mais inteligentes com essa façanhas textuais.



Como nos dois filmes citados anteriormente, O Desinformante lida com uma situação que nos remete a espionagem - a didática de um informante ingênuo -com um desvio para um outro gênero, nesse caso, a comédia. Porém, a comédia desse estilo pode não fazer rir . Pelo menos não a pessoas menos informadas e com um humor menos refinado. As risadas nesse caso ficam muito a cargo do roteiro, seus absurdos e do timing dos atores. Um humor inteligente e que só os mais antenados pegam.




E é mostrando a vida de Mark Whitacre,um funcionário de porte considerável numa companhia produtora de milho e seus derivados que a trama começa. Com a descoberta dele que a empresa sofria de um vírus que atacava a lisina do milho,e que esse vírus tinha sido implantado por um agente duplo,Whitacre decide chatagear a própria empresa , prometendo consertar o problema e dar as informações em troca de favores dentro da empresa. Contudo, o FBI descobre tudo, e sem outra saída, Mark Whitacre vira um informante da polícia no caso, mas acaba soltando informações a mais. O resultado: o personagem de Damon tem o dever de ajudar o FBI em dar informações contra a própria empresa.


O destaque dessa história não é o fato da espionagem industrial, que já foi abordado outras vezes recentemente, mas um novo olhar a um personagem importante em filmes até mesmo policiais e de ação. Sempre, na maioria dos filmes desse gênero, existe um informante que ajuda o governo, porém, o foco se vira sempre ao lado dos policiais, ou dos atacados. Neste podemos ver uma importância ao personagem de Matt Damon, que não é apenas o personagem que leva notícias ao governo. É o personagem que faz isso, mas tentando levar uma parte da vantagem para si, ocasionando situações absurdas e saídas engraçadas.


O personagem de Damon, aliás, é interessantíssimo e merece um olhar além. Alguem que é extremamente burro, mas não vai ao pastelão.Ele tem as suas crenças, algumas idiotas, mas isso não faz do personagem algo que não seja crível. Mark Whitacre é uma pessoa normal, com atitudes muitas vezes estapafúrdias, mas com golpes algumas vezes inteligentes, que encrementam a história de maneira boa. A narração em off do protagonista, por exemplo, nos acompanha por todo o filme, e muitas vezes, com comentários de comparações interessantes das situações do filme, com metáforas. Algumas delas são realmente engraçadas, por conter elementos diferenciados e unusuais.E a atuação de Damon é muito boa, e se diferencia das atuações de ação como na Franqui Bourne. Damon mostra mais uma vez que ´´e ótimo ator de ação, e com outros gêneros, é ainda melhor.




O clima do filme, desde a sua trilha sonora até a direção, nos remetem a trabalhos ateriores de Steven Soderbergh , como A trilogia 11, 12 e 13 homens. Entretanto, apesar da trilha sonora ser boa, as vezes se encaixa em momentos desnecessários, ou se prolonga demais. Em compensação, a direção de Sorderbergh é ótima, como de costume. Principalmente nesse gênero de comédia. A captura das imagens - sejam elas rostos ou TVs - são feitas muito bem, sem aumentar ou perder o tempo da piada, conseguindo configurá-la muito bem. A fotografia de ''Peter Andrews''(ou Steven para íntimos) é sensacional. Além de tudo, Soderbergh é um ótimo diretor de fotografia. O estilo amarelado,que opta por ressaltar mais o interior das casas se encaixa com o feitio dos anos 90.O que é importante para a ambientação da trama.


Devo dizer que a cada vez que saio do cinema tendo visto um filme desse estilo, saio mais feliz. Um dos motivos para acreditar no cinema, na sua inteligência e humor. Um humor de certo modo difícil, no estilo dos Cohen, mas existem bons apreciadores para ele. Ainda bem.

NOTA: 8.0

TRAILER:


Joaquim Pedro

Estudante e Rorschach em treinamento.