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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Os Mercenários 2


Os Mercenários 2
(The Expendables 2, 2012)
Ação - 103 min.

Direção: Simon West
Roteiro: Richard Wenk e Sylvester Stallone

com: Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Terry Crews, Randy Couture, Liam Hemsworth, Nan Yu, Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger, Jean-Claude Van Damme, Chuck Norris

Overdose de testosterona. Maior coleção de brutamontes por metro quadrado. A maior quantidade de balas usadas em um mesmo filme na historia do cinema. Um bando de senhores de idade - quase geriátricos - disparando contra outro tanto de desconhecidos. Essas e outras definições podem ser usadas para descrever Mercenários 2. Porém, apesar de serem honestas, são igualmente pejorativas.

É claro que o filme é uma reunião de brucutus oitentistas cheia de referências e paródias ao momento em que essa trupe mandava nos cinemas. Claro que a quantidade de tiroteios é exagerada. Claro que a idade passa para todos, mas também é claro que a intenção de uma produção como Mercenários 2 é exatamente essa: divertir-se com o exagero.

Não é possível encarar Mercenários 2 da mesma que se encara um filme de ação como os Jasons Bourne da vida, ou mesmo produções onde esse viés realista é o foco principal da ação. A produção encabeçada por Sylvester Stallone é um tributo a uma época quase jurássica (pelos padrões dos moderninhos de plantão), onde um homem e seu fuzil enfrentavam (sem colete, às vezes sem camisa) um exercito de inimigos virulentos e sempre malvados em busca de justiça e liberdade (mesmo que essa seja conquistada a base da bala, sem nenhum conhecimento sobre o local da incursão heróica).


Como produto dos anos oitenta, Stallone sabe como poucos elaborar uma historia que beba sem nenhuma dó nesse lago, ao mesmo tempo em que (sendo um sujeito que, apesar do que muitos falam, não parou no tempo) consegue elaborar sequências de ação usando o que tecnicamente existe de melhor no ramo. Trocando em miúdos: Mercenários 2 é uma coroa de 50 e poucos depois de horas e horas de academia, dieta balanceada, algumas correções faciais e muito bom humor. Sim, humor, essa é a grande característica do filme. Não se levar a serio em momento algum, mesmo naqueles momentos em que - em teoria - deveria se levar.

A equipe de Mercenários continua a mesma do filme anterior, reunindo Stallone, o lendário ex-lutador do UFC Randy Couture, o engraçado Terry Crews, o mestre das artes marciais Jet Li, o alívio cômico, sim uma grande descoberta do filme, Dolph Lundgren e o último herói de ação, o inigualável Jason Statham. Ao lado desse pessoal, se junta o novato Liam Hemsworth, de Jogos Vorazes, como um jovem atirador de elite. Logo na primeira sequência, que também serve de prólogo, reconhecemos uma figura que fez uma aguardada participação no filme original e nos despedimos de Li, que no filme tem uma participação bastante limitada (problemas de agenda?).

Após serem contatados novamente pelo misterioso Church (Bruce Willis), o agente da CIA que não tem pudores em contratar os Mercenários para cumprir serviços sujos, são enviados para uma região remota na Europa em busca de um artefato que poderá redimi-los pelo fiasco (na visão de Church) visto no filme original. A essa equipe se junta a misteriosa e bela Maggie (Nan Yu), que tem a responsabilidade de encontrar o artefato e ainda não ser ferida, tornando o personagem de Stallone uma babá de luxo. Depois da missão, acabam sendo surpreendidos pelo grupo liderado pelo vilão Vilain (sim, não é por acaso que o nome do sujeito seja "vilão" escrito em inglês, o que mostra o bom humor da produção), que é "interpretado" no alto de toda sua canastrice por Jean-Claude Van Damme.


Sem estragar a graça da historia - que de fato é divertida - apenas digo que alguma coisa sai errada e os mercenários partem para o revide, enfrentando meio mundo no processo. O roteiro é banal, bastante derivativo de dezenas de outros filmes mas funciona, já que o filme é uma ode a todo esse exagero de duas décadas atrás.

Tentar enxergar algo mais do que diversão escapista em um filme como esse é um exagero desnecessário. Porém, cabe aqui uma explicação aos muitos que talvez fiquem pensando: "por que nesse caso, você diz isso, e em outros filmes você não dá esse desconto?". Simples, em geral esse tipo de produção se leva ou a sério demais ou é infeliz no quesito diversão descerebrada. Mercenários consegue ser uma produção que visando apenas o passatempo, consegue seu objetivo, principalmente quando coloca os astros de ação para contracenar, soltando frases de efeito a todo o momento.

Além de em Mercenários 2 termos muito mais de Schwarzenegger e Willis (agora até com armas em punho), temos a adição - de maneira mítica - de Chuck Norris, que surge da maneira mais sensacional possível, rendendo sem sombra de dúvida o momento mais divertido de todo o filme. Completamente à vontade em sua imagem de semideus que a Internet imortalizou (quem nunca leu algum dos feitos que Norris seria capaz de fazer?) é responsável pelas melhores frases e mesmo que seu personagem não tenha nenhuma função prática na trama, é absolutamente indispensável para que o sabor nostálgico do filme estar completo.


Stallone e Statham são os protagonistas do filme e fica claro que Sylvester enxerga no britânico uma espécie de sucessor, mesmo porque é o "ultimo dos moicanos" dentre os brucutus. É o único que ainda consegue colocar um trabalho ou outro nos cinemas e que se mantém ativo com uma produção de baixo orçamento e muita pancadaria, competente muitas vezes, por ano.

Mercenários não inventa a roda nem tenta ser original. É uma homenagem, uma declaração contra os heróis politicamente corretos da atualidade (as frases em que os veteranos se declaram peças de museu é impagável), uma diversão escapista e uma coleção de cenas de ação bem realizadas. O que esperar, além disso?


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Os Mercenários
(The Expendables, 2010)
Ação - 103 min.

Direção: Sylvester Stallone
Roteiro: Dave Callaham e Sylvester Stallone

Com: Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Eric Roberts, Randy Couture, Steve Austin, David Zayas, Giselle Itié, Charisma Carpenter, Mickey Rourke, Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis

Em meados da década de 80, Hollywood começou a ser completamente governada pelos blockbusters. Boa partes desses , pertenciam ao gênero do “herói brucutu”, onde o mocinho principal era simplesmente invencível, e capaz de arrasar exércitos inteiros de inimigos desleais, fossem eles latinos ou coreanos, traficantes ou sequestradores. Filmes como Rambo, Comando Para Matar e Duro de Matar faziam sucesso com suas tramas parecidas e incrivelmente explosivas. As motivações dos protagonistas, sempre as mesmas – agente especial que precisa desbaratinar um exército rebelde, oficial da marinha que busca vingança pessoal, policial lutando contra narcotraficantes, etc .

Entretanto, depois de atingir seu auge, o sub-gênero foi perdendo força gradativamente ao lono dos anos 90 . Afinal, tudo que é mais do mesmo acaba cansando, e o público foi deixando de lado tais tipos de produção, que acabaram sendo marginalizadas do mundo do cinema. Hoje em dia, o mais próximo que você vai chegar de produções recém lançadas deste tipo são nas locadoras, com filmes direto em vídeo de Steven Seagal e Wesley Snipes da vida.



Entretanto, o gênero de ação descerebrada deixou “órfãos” muitos atores oitentistas. Alguns, como Schwarzenegger, seguiram com sua carreira e hoje vivem bem (virou até gorvernador). Outros porém, não tiveram tanta sorte e hoje vievem do mercado das locadoras. Sendo um bom saudosista que foi marcado na sua essencia com os filmes do gênero, Sylvester Stallone não poderia dar as costas para suas origens e sua nostalgia por seus filmes de ação o levaram a trazer, duas décadas depois do seu auge, mais um filme de ação de “exército de um homem só”. No caso de Os Mercenários, o exército não é de um só, mas de vários. O intento de Stallone com seu novo filme – o qual co-roteiriza, dirige e estrela – era de unir todos os astros do cinema blockbuster, bater no liquidificador das explosões e tiroteios, e ver o bicho que dá. E podemos dizer que as homenagens e explosões são satisfatórias, mas que o filme não consegue fazer muito mais que isso.

A trama – tão exagerada e rasa quanto seu casting pedia – mostra o grupo de mercenários de Barney Ross ( Sylvester Stallone) sendo contratado para derrubar o ditador de uma ilha latina chamada Vilena. Na primeira investida que Ross faz lá com seu parceiro, Christmas(Jason Statham) eles conhecem uma bela rebelde chamada Sandra (Gisele Itié). Ao irem embora, não a resgatam, pois a moça decide ficar e lutar. Então, Ross decide voltar á ilha com seus soldados, sendo motivado por um sentimento de redenção antes deconhecido.



A história de Os Mercenários é simples, batida e extremamente saudosista a todos os filmes de ação da década de oitenta. Se em alguns projetos tinhamos a trama de vingança, e em outros a necessidade de destroçar inimigos do “american way of life”, aqui temos a mistura dos dois. O real diferencial do filme de Stallone, afinal, não está na sua originalidade de roteiro – até porque ela não existe - mas sim no potencial simbólico que ele tem. Não é negócio para o diretor criar uma história original, mas sim unir tudo que já foi feito no sub-gênero e dar vida a um gigante no terreno da ação descerebrada. Essa é , acima de tudo, a proposta do filme em si. E, encarando assim, ele até funciona . A ação não soa repetida, entretém e faz o filme passar rápido . Se você sentar na poltrona, e, depois do fim da exibição, não achar que se passaram mais que 35 minutos, não estranhe .

Os Mercenários passa num tiro, consegue prender a atenção do espectador durante todos seus 103 minutos e satisfaz perfeitamente quem só procura uma diversão passageira e sanguinolenta.O filme se assume assim, e tem compromisso em não se levar a sério - sem cair para o lado da sátira, no entanto.


Entretanto, não pode-se fechar os olhos para o fato do filme ter uma história dispensável, e que, se ele passa numa velocidade gigantesca em frente aos nosso olhos, também passa rápido pela nossa cabeça, sem deixar muitos marcos ou lembranças maiores. De fato, é até admissível que sua trama seja rasa, contudo, o filme não consegue se sobressair nos outros aspectos do roteiro, como na criação de situações – todas muito convecionais- ou de personagens –idem. É basicamente o que aconteceu com o projeto Grindhouse. Enquanto Tarantino homengeou o trash com um roteiro repleto de situações e personagens originalíssimos, Rodriguez acabou fazendo apenas mais um filme digno da Grindhouse. Dá pra se dizer que Os Mercenários acabou sendo só mais um filme de ação explosiva, e que não subiu um patamar além – até porque, Stallone não é nenhum Tarantino.

É possível dizer que este é o tipo de filme que abraça mais quantidade do que qualidade . Quanto mais atores musculosos e pirotecnias forem colocadas, melhor. O que foi cotado para fazer a diferença no filme é a quantidade de estrelas colocadas em cena, e não a cena em si.O retrato disso é o fato do filme ser pensado em função de seus atores, e não o contrário. Infelizmente, um filme desses nunca vai emergir completamente da superficialidade , mas pode ser encarado como diversão acima da média, como o filme mesmo tende a propor.


Já uma parte muito positiva neste projeto é a direção de Stallone. Seu modo de coordenar o set é preciso para esse filme. Os cortes rápidos típicos da década de 80 estão presentes nas cenas de tiroteio e explosão, mas dessa vez combinados com o estilo mais atual de jogo câmera, onde há os efeitos de tremor, e takes mais ousados e plásticos . Já nas cenas iniciais, Stallone joga um pouco com o estilo documental, mostrando que pode fazer além do trivial por trás das câmeras. Na frente delas, aliás, Stallone está bem como sempre, e deixa seus atores a vontade para atuar, apesar de alguns deles – como Steve Austin e Dolph Lundgren – estarem mais canastrões do que nunca.

No geral, Os Mercenários acerta na boa condução de sua ação e nas boas homenagens ao gênero tão querido por tantos. Isso não impede, no entanto, que o filme fique na simples superfície do que vem sendo feito há 20 anos , e não se diferencie muito dos outros filmes do gênero. Basicamente, a única real diferença entre este e tantos outros, é a sua grandeza – afinal, essa película une quase todos os heróis brutamontes que já passaram pelas telas, mas não faz nada muito mais relevante que isso. Pelo menos todos eles juntos divertem, explodem e matam, um pouco mais do que separados.