Mostrando postagens com marcador Jason Bateman. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jason Bateman. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Uma Ladra sem Limites


Uma Ladra sem Limites
(Identity Thief, 2013)
Comédia - 111 min.

Direção: Seth Gordon
Roteiro: Craig Mazin

com: Melissa McCarthy, Jason Bateman, Eric Stonestreet, Amanda Peet, John Chu, Robert Patrick

"Antes só do que Mal Acompanhado" é uma das comédias mais bem sucedidas (e divertidas) do cinema. Certamente entra numa lista de 30 mais importantes e é sem dúvida a mais referenciada na última década. Em 2010, Downey Jr. e Galifianakis eram dois sujeitos que tinham que atravessar o país mesmo não se aturando, e que no fim criam uma amizade (da mesma forma que Steve Martin e John Candy faziam no filme de John Hughes). Esse ano essa mesma fórmula ganhou o aditivo do crime e substituição de um gordinho por uma gordinha.

No mais, Uma Ladra sem Limites obedece às regras do gênero. Na trama Sandy Patterson (Jason Bateman) é sujeito muito certinho - quase beirando o ridículo - mas é um marido amoroso, bom funcionário e bom pai que se vê envolvido em uma fraude de roubo de identidade. Diana (Melissa MacCarthy) se aproveita da ingenuidade do sujeito e clona sua identidade e com isso cria um cartão de crédito com o nome de Sandy - que tem nome de mulher, o que em teoria deixaria a historia mais "engraçada" - e parte para um festival de abusos, chegando a ser presa.

É claro que o verdadeiro Sandy acaba sofrendo com isso, e mesmo depois de provar sua inocência, tem seu emprego ameaçado (afinal à empresa não quer ter seu nome associado com um tipo de investigação policial que pode levar um ano para ser encerrada - informação que o filme faz questão de apresentar várias vezes ao espectador). Para evitar a demissão parte para um daqueles planos mirabolantes que mesmo completamente absurdos ganha até o aval da policia. O sujeito decide encontrar a fraudadora, com o pretexto de levá-la de volta a sua cidade para que ela confesse seus crimes ao seu chefe, embora de fato, ela estará sendo presa. Entendeu? É muita confusão para uma comédia que não é engraçada, se apóia em clichês e mesmo tentando ser politicamente incorreta é careta.



Desde a saída dá pra notar que a gordinha vai se redimir, porém o filme recheia a trama com momentos bobos e quase ofensivos. McCarthy, durante o filme, acaba arrumando um sujeito que é claro, só pode ser gordo já que gordos só podem se envolver com gordas, afinal, seria muito feio ver uma mulher bonita e um sujeito acima do peso não é? Ou vice versa. Por isso na cena de "intimidade do casal", o que se vê não é nada além do que a visão adolescente retardada que a maioria do público comedor de pipoca deve ter em relação ao sexo: que ele está lá apenas para fazer rir. E pior, não faz, já que as piadas simplesmente não funcionam. Não existe graça em ver dois gordinhos gritando enquanto transam. E isso não é porque é politicamente "incorreto", é porque simplesmente não é engraçado, além de reforçar um clichê bobo. Aliás a própria McCarthy se destacou na TV dentro de um clichê bobo, a péssima serie Mike & Molly, onde - olha só que coisa - Molly se apaixona por um policial gordo e viciado em comida.

Fora isso, os coadjuvantes são fracos e a correria onde nada acaba dando certo para os personagens nunca de fato, tem graça. Já que não basta a personagem de McCarthy ser uma falsária, ela precisa estar sendo perseguida não por um, mas por dois matadores que querem apagar a mulher. Todo esse excesso de "ruído" só tenta desviar a atenção de que de fato, o filme não é bom.

Jason Bateman faz o papel de bobo com alguma competência, mas nunca convence inteiramente como aquele sujeito que de fato está em perigo. Tudo é muito blasé e mesmo Melissa, uma comediante que transita com grande segurança pelos extremos da comédia, sabendo ser politicamente incorreta, brincar com o pastelão e com os textos rápidos e irônicos aqui se vê engessada num road movie que chega a lugar nenhum. Com participações especiais (não dá pra considerá-los como "coadjuvantes") de Eric Stonestreet (o "amante" já citado) e Robert Patrick (um dos patéticos matadores), a historia nunca engrena.


E ainda insiste em momentos dramáticos excessivos: não basta terem roubado a identidade de Bateman, mas sua mulher está esperando o terceiro filho. Não basta McCarthy ser ladra, ela precisa ser humilhada, alvo de chacota e não ter amigos. E o pior é que a atriz até acerta quando precisa ir além do estereotipo, o que mostra que ela pode estar além da função de comediante, basta escolher trabalhos em que não seja sempre a "gordinha estranha e bizarra". Uma daquelas produções que a expressão "um desperdício de talento" cabe muito bem.


terça-feira, 20 de março de 2012

Paul - O Alien Fugitivo

Paul  - O Alien Fugitivo
(Paul, 2011)
Comédia - 104 min.

Direção: Gregg Motolla
Roteiro: Nick Frost e Simon Pegg

Com: Simon Pegg, Nick Frost, Jason Bateman, Jeffrey Tambor, Jane Lynch, Bill Hader e a voz de Seth Rogen



Simon Pegg e Nick Frost exemplos vivos de que uma boa dupla não precisa ser bonita ou cantar música sertaneja. Simon é ruivo, branquelo, magricela e parece estar sempre irritado em seus filmes. Nick é gordo, tem cabelo escorrido, uma pinta de quem não conseguiria correr 100 metros nem que isso fosse salvar sua vida e está sempre na estratosfera em seus filmes.


E mesmo assim, Todo Mundo Quase Morto e Chumbo Grosso são duas das mais geniais comédias do século XXI. O segredo? Edgar Wright. Sim, o mesmo que dirigiu o atualíssimo e brilhante Scott Pilgrim contra o Mundo e que foi o diretor das duas pérolas citadas.


Paul, a comédia nerd sobre alienígenas é a primeira história de Pegg & Frost que não conta com roteiro e direção de Wright. O texto ficou a cargo da própria dupla e a direção do americano Greg Motolla (Adventureland e Superbad). Parecia uma combinação interessante. Comediantes britânicos sob a batuta de um diretor com experiência em comédias adolescentes descoladas, com uma tonelada e meia de referências a cultura pop e nerd e uma trama non-sense que poderia ser satírica e original, dentro do que se propunha.



Edgar Wright fez falta por aqui. Mesmo com Pegg & Frost afinados, o filme sofre de coesão e de uma série de pequenos problemas que o deixam sem ritmo e atrapalhado. Falta uma história no meio de tanta piada. O plot conta a história de dois amigos nerds ingleses que viajam aos Estados Unidos para visitarem a Comic-Con (para quem não conhece a maior feira de cultura pop/nerd do planeta) e seguirem viagem rumo aos principais pontos de avistamentos de OVNIS do país. Pegg é o ilustrador Graeme Willy, parceiro de longa data do escritor de ficção científica Clive Gollins (Nick Frost), dois nerds abobalhados mas inocentes, que durante sua viagem acabam encontrando um alienígena ranzinza, desbocado e metido a engraçadinho chamado Paul (dublado pelo chato Seth Rogen). A história confusa demais para uma brincadeira satírica ainda envolve uma conspiração governamental, fanáticos religiosos e até mesmo caipiras nervosos. Uma salada indigesta que não aconteceria com um diretor de mão mais leve e menos dependente do roteiro, que parece perdidinho.


Existem personagens demais em Paul. Além da dupla de nerds e do alienígena, encontram um escritor celebridade, dois agentes do governo que lembram Debi & Lóide, outro que parece ter saído da figuração de Homens de Preto, uma misteriosa voz que comanda com pulso firme os agentes, uma garçonete excêntrica, uma garota caolha (sim, caolha) e seu pai fanático, além de uma velhinha perturbada.


Tudo isso em menos de duas horas de filme, sendo que a imensa maioria desses personagens, surge após há meia hora inicial. A falta de uma história (basicamente o alienígena está em fuga e quer voltar ao planeta, mas não se sabe, e mal se explica o que o fez chegar aqui, por exemplo) faz de Paul um road movie bizarro, um cruzamento entre Fanboys (cult nerd) e as comédias bobocas de Adam Sandler ou do humor sem graça dos irmãos Farrelly.



Para piorar a situação esses coadjuvantes atuam no automático e a exceção de Jason Bateman (que interpreta o figurante de Homens de Preto), parecem artificiais em todos os momentos. Apesar da crítica interessante e de boas piadas aqui e ali (as com referência ao fanatismo religioso são boas) não existe uma "cola" que una tanta história paralela, que segue como uma longa procissão rumo a um clímax over e óbvio.


Paul, o personagem, é um produto da tecnologia moderna. Infelizmente o trabalho com o personagem é apenas mediano, uma tentativa de "segunda divisão" de criar um Gollum camarada. Notem como o diretor não ousou muito com planos mais abertos, tentando deixar o filme mais claustrofóbico, o que é incomum em road movies. Aposto como essa decisão surgiu depois - ou mesmo durante o processo - da criação do personagem virtual. Notaram que o personagem não era convincente e que talvez sob o efeito das luzes (naturais e artificiais) a sensação de "coisa virtual" seria ainda maior. Optaram por diminuir o espaço para o personagem se movimentar, arriscando muito pouco nesse quesito, mantendo a câmera sempre próxima ao alienígena. Nas poucas cenas de maior escopo, fica claro que aquele personagem é um estranho ao ambiente em que as cenas foram filmadas. Para ajudar, a dublagem de Seth Rogen - como quase tudo que o ator se envolve - é fraca. Praticamente - e certamente de forma proposital - não atuando, Paul é a versão cinzenta, careca e mais magra de Rogen. Uma escolha arriscada já que Rogen não é um ator de grandes recursos.


Os nerds por sua vez vão salivar com as inúmeras referências ao mundinho geek. Citações claras de Star Wars (e sua trilha sonora) e Star Trek, Arquivo X, MAC - O extraterrestre (lembram?) e até o clássico Amargo Pesadelo são lembrados pelo filme, o que pode transformá-lo em peça cult para um nicho. As participações especiais (uma homenagem na verdade) não são ruins, mas também entram na conta do fetiche.



Uma pena que Pegg & Frost tenham esquecido de que um filme não funciona apenas no papel. Se tivessem menos controle na brincadeira (minha impressão) ou um diretor mais ousado (outra impressão), Paul fosse mais do que uma coleção de piadas nerds, comentários sobre os Estados Unidos e escatologia. Faltou a sutileza e as grandes sacadas de Chumbo Grosso e o timing de Todo Mundo Quase Morto. Sobraram o fetiche e a certeza que a dupla fez aqui um filme "direct to video", uma obra menor que não ofende, mas diverte muito menos do que poderia.

domingo, 7 de agosto de 2011

Quero Matar Meu Chefe
(Horrible Bosses, 2011)
Comédia - 98 min.

Direção: Seth Gordon
Roteiro: Michael Markowitz, John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein

Com: Jason Bateman, Charlie Day, Jason Sudeikis, Kevin Spacey, Jennifer Aniston, Colin Farrell e Jamie Foxx

Atualmente, há duas grandes vertentes para comédias, de modo geral. Basicamente, dividem-se em dois subgêneros que ganham cada vez mais força entre um subgênero maior ainda - o da comédia adulta. Um deles, que atrai em maioria o público feminino, são as comédias românticas com debate de conteúdo sexual. São filmes como Sexo sem Compromisso, Amor e outras Drogas, e até o futuro Friends with Benefits, que dialogam com a temática do sexo desvinculado-o de um relacionamento sério. Paralelamente, outro tipo de produção que voltou a ser explorado em massa foi o das comédias de "macho" - motivado principalmente com o fenômeno de crítica e público de 2009, Se Beber, não Case! . Desde lá, tivemos várias outras tentativas de filmes humorísticos que abordassem a relação "porreira" entre homens, o tal "bromance" (aquela relação de camaradagem entre amigos em um bar por exemplo) e é só citar alguns desse ano, vale lembrar da própria continuação fraca de Se Beber... e do falho Passe Livre.

Somando isso aos desastres nucleares que vem passando pelo cinema de humor nacional - Cilada.com e derivados - e dá para se ter uma ideia de que não estamos em um período muito produtivo para as comédias adultas. Com repetições de temas aos montes, falta claramente originalidade aos roteiros, mas também alguém com mão firme para coordená-los a ponto de saírem minimamente satisfatórios. Desse modo, não fica difícil esperar algo diferente de Quero Matar meu Chefe, comédia que podia desafogar o gênero do eixo repetido de roteiros que ele passa. Entretanto, o longa que se propunha em sua divulgação - e até mesmo em sua introdução - uma dinâmica interessante sobre o cotidiano e a relação de um empregado com seu chefe, na verdade não passa de mais uma comédia de macho, onde os protagonistas se metem em situações absurdas e precisam sair delas, junto com seus "bros". Nesse aspecto, Quero Matar meu Chefe pode até ser uma enganação enquanto foco narrativo, mas nunca enquanto produto, afinal é dono de um resultado que, no final das contas, se sai muito bem ao lado de vários similares inferiores.




A trama acompanha a vida de três empregados - interpretados por Jason Bateman, Charlie Day e Jason Sudeiskis - e cada um deles tendo um carma em seu trabalho: seus respectivos chefes. Um deles é perseguido por um chefe psicopata (Kevin Spacey), o outro não consegue lidar com o assédio sexual da dentista ninfomaníaca (Jennifer Aniston) para a qual trabalha, e o terceiro não admite a conduta irresponsável e cretina de um cheirador inconseqüente que virou seu chefe após a morte do patrão anterior. Decididos a não suportar mais isso, eles decidem organizar um plano para matá-los, e para isso consultam Motherfucker Jones (Jamie Foxx) um criminoso experiente que os ensina táticas para realizar os crimes com sucesso.

O roteiro dos estreantes John Francis Daley, Jonathan M. Goldstein e Michael Markowitz é interessante, mas claramente carece da originalidade sob o qual se disfarça nos meios em que é divulgado. Não é um filme essencialmente sobre os chefes, e em certos momentos os alvos em questão se tornam meros MacGuffins para uma trama de um trio de homens - composto pelo galanteador, o certinho e o pancada - que se metem em uma teia de acontecimentos de relevância criminal, e que precisam se desvencilhar dela, atravessando no decorrer diversas intempéries, tais como perseguições de carro, prisões, invasões de domicílio e experiências com drogas. Um tanto semelhante a Se Beber, Não Case!, comédia-modelo para os estúdios atualmente. O problema de ter um espírito tão parecido implica numa parcial falta de criatividade, mas também gera outros problemas. Afinal, os roteiristas criam um emaranhado de acontecimentos que procuram - só procuram - remeter à inteligência genial do filme de Todd Phillips, mas não conseguem nem mesmo resolvê-los dentro de sua lógica ''mirabolante''.




Aí surgem resoluções simplistas, fáceis, e algumas vezes previsíveis. Cria-se uma cadeia de eventos, e por não saber nem mesmo construí-la com sucesso completo, formam-se soluções incompatíveis. Ora, desse modo, começam a aparecer os buracos de roteiro, que permeiam silenciosamente a produção, mesmo que não sejam escandalosos, mas que geram certa suspensão de descrença, e também a necessidade de ter que relevar algumas situações propostas. Aliás, incongruências não se resumem apenas as partes de resolução da narrativa, mas também á sua premissa. Qual o sentido do personagem de Charlie Day, com receio de trair sua noiva com sua chefe, matar a mesma? Ele possui caráter o suficiente para não trair, mas se dispõe a cometer um assassinato sem hesitar sobre suas implicações morais? Além disso, é de Jennifer Aniston que estamos falando, e sua namorada retratada no filme não tem muitos atributos - tanto físicos quanto intelectuais - para criar essa resistência por parte do personagem.

A sorte e a salvação de Quero Matar Meu Chefe é que ele se trata de uma comédia, e possui outras características que compensam seus eventuais defeitos. Se ele se propõem a dar um belo espetáculo de gags, então ele dá: São várias, e elas conseguem ser certeiras e fazer a platéia rir sem forçar a barra. Dentro de cada ambiente que o roteiro faz seus personagens chegarem, há uma boa exploração de comicidade, com gags múltiplas, e que fazem o filme sobreviver diante de seus problemas. A melhor sacada do roteiro seja, talvez, a gag intraduzível - infelizmente - do Motherfucker Jones. Jamie Foxx ajuda muito nas cenas que participa, e as piadas proferidas pelos protagonistas não soam forçadas, e fluem naturalmente, resultado de um grupo de atores que estavam bastante á vontade.




Á vontade, na zona de conforto, não precisavam impressionar, e suas figuras serviram como meros peões para a construção das situações e para discursar piadas. Os atores se saem na média - diferente do que se tem em Se Beber Não Case! - e não são tão carismáticos, deixando o lugar para os chefes. Os mesmos - caricaturas - são engraçadíssimos apenas na sua construção de personagem, sem precisar de uma fala elaborada ou situação-chave . Kevin Spacey encarna solenemente o famoso estereótipo de chefe irredutível - diferente do Lester Burnham demitido de Beleza Americana - e demonstra sua versatilidade e habilidade que lhe renderam fama; Jennifer Aniston não precisaria de muito mais do que corpo para atuar, mas mesmo assim, se sai melhor que os demais nas cenas que participa; Colin Farrel, num papel de drogado - o que o ator já foi - se transfigura, e demonstra competência para o humor - como já visto em Na Mira Do Chefe. Basicamente, os atores mais competentes e experientes parecem que foram os que mais se dedicaram em atuar, e mesmo tendo curto espaço de tela, se sobressaem.

Depois de fazer o fraquíssimo, Surpresas do Amor, Seth Gordon parece ter aprendido a realizar humor de situação, ganhando muito mais timing para sua coordenação de set. As piadas e as gags são o ponto alto de Quero Matar Meu Chefe, mas tudo isso não esconde sua originalidade baixa e o fato de seguir a trilha das comédias de macho que surgem por aí. A única diferença dentro do contexto desse subgênero, é que o filme de Gordon fica na média, sem derrapar a níveis mais baixos. Ou seja, Quero Matar meu Chefe não é revolucionário, inteligente ou original como Se Beber, Não Case!, mas também não é fraco e infantil como Passe Livre. Entre homens em Vegas ou crianças que brincam com merda, vale o que um personagem diz durante o film : '' Vocês estão agindo como adolescentes da oitava série!''. No meio do caminho, na média, afinal.