O Mandaloriano e Grogu
(The Mandalorian and Grogu, 2026)
Direção: Jon Favreau
Roteiro: Jon Favreau, Dave Filoni e Noah Kloor
com: Pedro Pascal, Sigourney Weaver, Jeremy Allen White
Propósito é uma questão inerente ao ser humano. Buscamos por ele, o tempo todo. Viver sem propósito é uma questão metafísica complexa e que trás dor e agonia.
Propósito é algo que O Mandaloriano e Grogu não parece preocupado em encontrar. Em suas longas (muito longas) duas horas e doze minutos, vemos uma aventura banal, simplista e mais óbvia que uma linha reta. Quando foi que Star Wars deixou de ter um sentido e um propósito, que seja o mais direto: divertir a audiência?
Pois divertir o filme não consegue. Tem lapsos, momentos, frames, algumas criaturas bem feitas em computação gráfica, mas não tem alma, não tem peso e não causa nenhuma impressão. Quando o filme saiu nos cinemas, muitos disseram que parecia um episódio longo da serie em que os personagens surgiram.
Discordo.
Para parecer com a serie, deveríamos ter um mínimo de senso de urgência e um pequeno (lembremos ainda é Star Wars) temor pela vida dos protagonistas. Aqui nada disso acontece: você sabe que o Mandaloriano vai sobreviver. Você sabe que jamais alguma coisa aconteceria com o Grogu e que no fim tudo vai dar certo.
Eu entendo a questão do conforto da previsibilidade, mas existem limites. Limites esses que aqui são ultrapassados e por muito. Uma coisa é criar uma aventura escapista no universo Star Wars. Outra é pegar personagens que já foram apresentados ao público em duas temporadas de uma serie e criar mais uma história óbvia e que não move esses personagens. Esse é daqueles filmes que não arrisca em absolutamente nada, e tão insosso que até mesmo falar à respeito parece desperdício de tempo.
Ele não provoca nada. Nem uma reação de amor, nem a de ódio. É um fast food frio, com refrigerante sem gelo. Não esperava que Star Wars pudesse descer mais baixo que suas series live action (tirando Andor que é excelente) ou de Solo, mas caras, eles conseguiram.
Pegaram todo o potencial que o personagem Mandaloriano tinha na serie, o charme de seu código de conduta ilibado, seu senso de justiça retinto e os mistérios sobre a origem de Grogu e decidiram... não fazer nada com isso. Faz aí um puxadinho da serie, uma historinha que possa ser resumida em um tweet (de 140 caracteres) que começa do nada e vai a lugar nenhum e lança... no cinema ainda por cima.
Não por acaso o público não comprou. Star Wars está velho. E não falo isso com etarismo em mente, mas como a constatação de que parece uma história anacrônica que tenta encontrar um rumo e falha miseravelmente toda vez que tenta replicar uma magia que não tem como replicar.
1977 foi a quase cinquenta anos, e não vai voltar. Ou a franquia entende isso e tenta encontrar um caminho naturalmente condizente com o momento e o público de hoje, ou vai virar peça de museu, como tantos outros clássicos do cinema que hoje são relembrados pelo público cinéfilo, mas que não respingam no mainstream.
Claro que vão fazer mais, afinal a fanbase é grande, mas está envelhecida. E ficando cada vez mais impaciente e cansada. Mandaloriano e Grogu é mais um prego nesse caixão estelar que parece destinado a explodir num dos três sóis de Tatooine.

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