sábado, 16 de julho de 2011


O Espião que Sabia Demais




Depois de fazer sucesso pelo mundo com o agraciado Deixe Ela Entrar, o sueco Tomas Alfredson parece manter seu vôo alto com seu novo filme. O primeiro trailer de Tinker  Tailor... mantém uma trilha de acordes que misturam elegância e frenesi, elementos básicos e essenciais para um bom thriller de espionagem. Quase um noir - com uma fotografia que já desperta uma necessidade de conferir o longa obrigatoriamente na telona - o filme adapta o best-seller homônimo de John Le-Carré, que se ambienta nos anos finais da Guerra Fria, contando a história de George Smiley , um os cinco oficiais de alta patente do Circus - divisão de elite do Serviço Secreto Inglês . Smileyé encarregado de descobrir um agente duplo - que gerava a informação para os soviéticos - entre estes oficiais . Com elenco poderoso - consagrados como Gary Oldman e Colin Firth e estrelas en ascensão como Tom Hardy - eis aí um filme que promete.

sexta-feira, 15 de julho de 2011


Sherlock Holmes: A Game of Shadows




O primeiro trailer da sequência do mediano filme de 2009 apresenta uma interessante abordagem visual mais sombria, ainda que com os tons acinzentados da fotografia que marcou o primeiro. Apostando na ágil direção de Guy Ritchie, nas atuações leves de Robert Downey Jr. e Jude Law e na plasticidade das imagens em câmera lenta, o novo filme do detetive promete ser uma repetição da fórmula que deu certo, agora apresentando o Professor Moriarty. Ainda tendo como destaque a instigante jogada de fazer a batida da música em sincronia com as explosões e tiros, a partir de seus 30 segundos finais, o trailer é empolgante e inicia muito bem a divulgação do filme, que será lançado ainda esse ano.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2
(Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2, 2011)
Fantasia/Drama - 130 min.

Direção: David Yates
Roteiro: Steve Kloves

Com: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Maggie Smith, Warwick Davies, Evanna Lynch, Helena Bonham Carter, John Hurt, Jason Isaacs, Tom Felton, Bonnie Wright, Jim Broadbent, Julie Walters, Mark Williams, James Phelps, Oliver Phelps, Emma Thompson, Robbie Coltrane, Gary Oldman, David Thewlis, Michael Gambon e Matthew Lewis



E a saga do bruxo mais famoso do mundo depois de Merlin, Saruman e Gandalf chegou ao final. Foram mais de dez anos desde que o primeiro exemplar da franquia Harry Potter chegou ao cinema, já consagrada por um público fiel e leitor da obra de J.K. Rowling. Entrando em campo com o jogo ganho, Chris Columbus fez o arroz e feijão (sem sal) e transpôs os primeiros dois livros (os mais infantis e repletos de objetos divertidos e efeitos capengas) para a tela grande. Alfonso Cuaron tomou a série nas mãos e realizou o mais interessante dos filmes da série. Fechado em si mesmo, com grandes momentos de seus coadjuvantes e uma história certinha, O Prisioneiro de Azkaban é um grande filme de fantasia do novo século. O veterano Mike Newell (Donnie Brasco, Quatro Casamentos e um Funeral entre muitos outros) assumiu a série para o quarto filme e infelizmente fez do Cálice de Fogo o mais fraco da série, rivalizando de muito perto com o equivocado Ordem da Fênix, a primeira viagem de David Yates a Hogwarts. O sexto exemplar, escuro e mais "adulto", melhorou a situação de Yates que culminou no interessantíssimo Relíquias da Morte Parte 1, lançado ano passado.


O primeiro Relíquias funcionava como um road movie quase cult, lento, com muito espaço para os personagens e que garantiu ao trio de protagonistas espaço suficiente para que demonstrassem - finalmente - talento genuíno com aquela história que os acompanha por mais de uma década.



O segundo Relíquias funcionaria melhor se viesse "embutido" no primeiro filme, já que todo o desenvolvimento dos personagens na parte um é deixado em segundo plano para uma overdose de seqüências de ação bem realizadas e para o clímax da série. É um erro? Não, mas se o comparáramos com o primeiro filme, onde conseguíamos ver - finalmente - a mesma intensidade que os últimos três livros da série tinham, o segundo filme sai perdendo feio. Sombrios, lúgubres por alguns momentos, recheados de solidão e profundamente tristes, estes últimos livros (em especial os dois últimos) são pontuados por grandes seqüências emotivas e que jamais foram representadas de maneira honesta e verdadeira na tela. Sempre faltou "aquele toque" em cada um dos filmes.


Relíquias 2 comete o mesmo erro, e dessa vez de forma ainda mais obtusa. As constantes inserções de humor fazem do filme mais infantil do que a história que o mesmo apresenta demonstra ser. Ainda maltrata alguns personagens coadjuvantes magníficos, que aqui tem seus destinos substituídos por piadinhas, ou por desnecessárias cenas de beijo. Porém, no meio de tanta "falta de consideração" é preciso se destacar o trabalho impecável desse monstro da interpretação chamado Alan Rickman que em uma única sequencia é capaz de emocionar a todos os presentes em cada uma das sessões que o filme terá mundo afora (serão dezenas de milhares, imagino). O mesmo pode ser dito sobre uma conversa entre Harry e um personagem muito querido, e que aqui é parcialmente despido de toda uma aura de perfeição, embora nos livros isso aconteça de forma ainda mais agressiva.



Desnecessário ressaltar mais uma vez todo o trabalho de direção de arte, fotografia (Eduardo Serra esse monstro, sempre sabendo dar vida às sombras e a escuridão) e da trilha sensível e inteligente do grande compositor Alexandre Desplat, que consegue ser original e ainda aproveitar os temas de John Williams na trama. Como destaque, observem a sequencia em que Harry volta a Hogwarts e a trilha inteligentemente nos relembra da primeira versão do tema de Harry visto no primeiro filme "Harry Potter e a Pedra Filosofal", como quem diz "o bom filho a casa torna".


Infelizmente todo esse apuro técnico é pouco para suportar as falhas do roteiro que acelera demais uma história que caminhava de maneira tão delicada na primeira parte. Talvez revendo os dois filmes de uma vez só, esse ritmo truncado melhore, e imagino ainda que a tal divisão em dois filmes tenha realmente acontecido na montagem, já que este segundo filme começa a toda (em menos de quinze minutos toda a ação no banco Gringotes já é "atirada" em nossa cara) sem muito espaço para os interlúdios, esses, que acontecem de forma apressada e que prejudicam a intensidade desses momentos.



Yates consegue, felizmente bons desempenhos novamente de seu trio protagonista, mas o grande destaque de interpretação vai para Ralph Fiennes, à vontade como Lord Voldemort e divertindo-se muito com esse personagem profundamente interessante. Outro destaque é Matthew Lewis, que interpreta Neville Longbottom, que cresceu muito (em importância e em qualidade) no decorrer da série.


Outro problema, esse um incomodo realmente grande até mesmo para os que não leram os livros, é o clímax que surge muito apressado e que não atinge as expectativas magnânimas criadas por todos os trailers do filme (e foram muitos) e um forçado (no livro parecia muito mais interessante) epilogo que apesar de apresentar grandes momentos da maquiagem criada para o filme, soa como um apêndice desnecessário.



Aliás, os filmes de Potter surgem dessa forma num contexto geral. São obras de fantasia louváveis por seu apuro técnico e criação de um mundo interessantíssimo, mas que se perdem ao não saber exatamente o que fazer com livros , que diferente dos filmes, foram ficando mais maduros. Relíquias da Morte Parte 2, é um apêndice colorido que dá imagens a elementos que o leitor apenas conseguia imaginar em sua cabeça, mas não faz jus à grandiosidade alardeada anteriormente em cada nova imagem divulgada e nem mesmo ao singelo e escapista texto de JK Rowling.


quarta-feira, 13 de julho de 2011

13 Assassinos
(Jûsan-nin no Shikaku, 2010)
Ação/Aventura - 141 min.

Direção: Takashi Miike
Roteiro: Kaneo Ikegami e Daisuke Tengan

Com: Koji Yakusho, Takayuki Yamada e Yusuke Iseya


Takashi Miike é um diretor prolifico e muito original. Quando surgiu era conhecido por sua fascinação pela violência gráfica e pela facilidade de expor o bizarro e o extremo de forma crítica e ainda assim chocante para aqueles de estomago mais fraco.


Em 13 Assassinos, Miike volta seu olhar para o mundo do Japão feudal e os milenares samurais. A história fala sobre a tentativa de assassinato organizada pelos conselheiros do então xogum japonês, contra o futuro sucessor do mesmo, o violento e niilista Lorde Naritsugu (um grande vilão). Para isso, o conselheiro pede a um samurai que forme um grupo de assassinos (os tais 13 do título) para acabar com o insano postulante ao xogunato.



Esse grupo é bastante heterogêneo, mas simplista em sua concepção. Além do líder, temos o velho samurai arrependido, dois irmãos gêmeos que funcionam como alívio cômico, o anti-herói bêbado e jogador, o samurai por excelência entre outros estereótipos que facilitam a vida do espectador em acompanhar/reconhecer aqueles inúmeros personagens.

O filme caminha com alguma lentidão durante o desenvolvimento de seus personagens e principalmente da elaboração do tal plano de ataque dos assassinos para exterminar o lorde, porém em seu ato final (tomado completamente por uma épica batalha) o filme cresce e mantém o espectador preso a cadeira. Miike constrói uma claustrofóbica batalha entre os treze assassinos e o exercito que protege o lorde. Além da incrível capacidade do exercito ir se "reconstruindo" com a aparição inexplicável - mas sensacional - de cada vez mais soldados o ambiente vai se tornando cada vez mais opressivo, enevoado e sangrento. Sem dúvida, essa sequencia já entrou para o meu hall pessoal de grandes momentos do cinema de ação da última década. As diversas seqüências dentro desse ato, são muito bem coreografadas e sem medo de expor a violência estética de corpos se partindo e do sangue escorrendo pelos corpos acertados.



Por outro lado, os efeitos visuais são pobres e denotam uma falta de recursos destinados a essa função (notem a sequencia com os javalis que pegam fogo, e percebam como aquilo ficou realmente mal feito), que contrabalanceiam a criatividade do diretor em seus ângulos e forma de filmar. Como exemplo, aponto uma que envolve um personagem severamente ferido que passa a enxergar o mundo de forma embaçada. O filme traduz essa sensação com o uso de uma inteligente e visceral câmera subjetiva que funciona como amplificador que ilustra a proximidade da morte.  

O filme ainda é inteligente ao diferenciar seus personagens por seus estilos de luta com as espadas e objetos. Desde ataques firmes e certeiros, ao uso de pedras como armas, passando pelas lanças e pela agilidade de movimentação, cada samurai é também identificado por suas técnicas diferenciadas.


Uma pena que aos quarenta e cinco do segundo tempo, o filme comete sua única falha mais grave, ao tentar convencer o espectador da existência de uma espécie de personagem "Highlander" que mesmo seriamente ferido (coisa que o filme mostra acontecer) mantém-se vivo, apenas para contracenar com outro personagem que funciona como herói acidental da produção. Mas é um detalhe, que não tira a força dessa intensa, visceral e poética história sobre a honra de uma classe que dominou com grandiosidade todo um país.

terça-feira, 12 de julho de 2011


One Day



O bonito trailer do novo filme de Lone Scherfig, baseado no livro de David Nicholls, tem os enquadramentos que a diretora adotou em Educação, mas conta como diferencial de seu trabalho anterior a fotografia extremamente dessaturada de Eric Steenberg, o que causa estranhamento de primeira, mas é essencial pra natureza melancólica do romance. Anne Hathaway parece tão adorável como sempre e Jim Sturgess parece controlar seus arroubos de overacting(quem viu Quebrando a Banca sabe do que estou falando) nesse drama romântico com bastante potencial. Mas que o fabulesco ridículo narrador do trailer podia sumir, isso podia.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Água para Elefantes
(Water for Elephants, 2011)
Drama/Romance - 120 min.

Direção: Francis Lawrence
Roteiro: Richard LaGravenese

Com: Robert Pattinson, Reese Witherspoon e Christoph Waltz

Era uma vez um navio gigantesco que diziam que jamais afundaria, porém em sua viagem inaugural o malfadado "barquinho" acerta em cheio um iceberg e afunda, matando quase todos a bordo. Anos mais tarde, uma equipe de resgate submarino chega aos destroços do navio e entre os achados, encontra um desenho de uma bela mulher. Qual a surpresa desse pessoal, quando a própria surge e lhes conta a história de sua vida e do Titanic.


Não leitor, eu não fiquei maluco. Nem você está vendo a crítica errada, muito menos estamos com algum problema técnico que o envia a crítica de Titanic. Estou falando de Água para Elefantes, que poderia se chamar tranquilamente: "Titanic vai ao circo". O novo filme do diretor Francis Lawrence (Constantine e Eu sou a Lenda) não se furta a copiar a estrutura básica do mega sucesso de James Cameron.



Água começa "nos dias de hoje" quando um envelhecido Jacob (o grande Hal Halbrook) surge em um circo decidido a ver sua apresentação. Informado que o circo já fechará suas cortinas é confundido com um morador de um asilo e no meio do bate-boca começa a contar sua história ligada a um famoso circo nos anos da depressão americana.


Seguindo religiosamente os passos de Cameron, Jacob vovô, passa a narrar sua própria história, estrelada pelo mumificado Robert Pattison, um ator limitado a duas expressões faciais quase idênticas e que deveriam dizer coisas diferentes. Depois da morte de seus pais, Jacob segue vagando sem rumo por uma ferrovia, até encontrar um trem ocupado por um circo. Sentindo-se a vontade no meio dos excluídos e "párias", decide manter-se por lá, tentando trabalhar. Lá ele conhece a "bela" Marlena, estrela do show e mulher do dono do circo, o intenso e violento August.



Marlena é interpretada pela irregular Reese Whiterspoon, aqui abusando dos cacoetes "caipiras" para construir sua personagem como uma mulher assustada por seu marido violento, mas apaixonada e que convive com a violência de forma resignada. Já Christoph Waltz imita seus trejeitos de Hans Landa durante boa parte do filme. Impossível não lembrar do personagem imortalizado por Waltz em Bastardos Inglórios ao assistir ao filme. Isso causa a dúvida: Waltz é aquilo mesmo, ou seja, um ator limitado a um tipo e um papel, ou se foi por uma mistura de preguiça com "aconselhamento" do diretor que fizeram de August um primo americano do coronel alemão.


E chegamos a Pattison, que por mais boa vontade que posamos ter com o rapaz, é muito fraco. Como disse anteriormente, suas expressões são limitadas a duas: tristeza profunda e alegria comedida. Ambas apresentadas da mesma forma: olhos intumescidos, feição de dor e tentativa frustrada de causar emoção. Se junta a isso um roteiro profundamente previsível e recheado de buracos (ou seriam rombos?) que prejudica o desenvolvimento de todos os personagens. Exemplo disso: em determinado momento Jacob é ameaçado pelo personagem de August. O filme dá a entender que Jacob será o pária do circo, para na sequencia seguinte tudo ser esquecido graças a um evento que faz do então excluído, personagem central no andamento do circo. Faltou alguma coisa que ligasse a decadência do personagem e seu ressurgimento como salvador da pátria.



Francis Lawrence, um diretor de filmes de ação, constrói alguns bons planos, mais não parece a vontade no meio de um "épico" água com açúcar e isso prejudica o resultado final da produção, que tem uma fotografia que abusa dos tons de "hora mágica" e dos castanhos, deixando tudo com uma aparência brega ou kitsch.


Água para Elefantes não consegue atingir seus objetivos. Tem uma história frágil, recheada de personagens limitados interpretativamente e derivada de um grande sucesso do cinema (embora baseada em um livro que nada lembra navios encalhados) que tenta a todo custo nos emocionar de forma artificial.


sábado, 9 de julho de 2011


Killer Elite




O primeiro trailer de Killer Elite , longa de estréia do diretor Gary McKendry - indicado a um oscar em 2004 pelo curta Everything in this County Must - chega em ritmo frenético e com sotaque britânico , trazendo duas estrelas naturais da Inglaterra em confronto : Jason Statham e Clive Owen . A produção , baseada no livro The Feather Man , de Ranulph Fiennes , conta a história verídica de um grupo de ex-agentes das forças especiais inglesas , perseguidos por uma organização assassina secreta , chamada The Clinic . Statham será o ex-agente perseguido , que precisa salvar seu antigo mentor - interpretado por Robert De Niro - enquanto Owen fará o papel de um dos assassinos da organização . Direto ao ponto , o trailer exibe o suficiente para garantir a conferida : boas cenas de ação , piruetas irreais de Jason Statham , Rock 'n' Roll clássico , além do bigodinho inusitado de Clive Owen .

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Corações Perdidos
(Welcome to the Rileys, 2010)
Drama - 110 min.

Direção: Jake Scott
Roteiro: Ken Hixon

Com: James Gandolfini, Melissa Leo e Kirsten Stewart



Frustrado em um casamento sem futuro e atormentado por um trauma que o fez ruir, Corações Perdidos é a história de Doug, um homem de meia idade que luta todos os dias para manter-se vivo em um casamento que o força a pensar que está morto. Sua esposa, Lois, sofre de depressão causada pela morte da filha (o tal trauma) que a impede de sair de casa, a força a tomar remédios e impede qualquer relação mais intima com seu marido.


Doug, mesmo amando sua esposa, sente-se perdido e durante uma viagem de negócios a Nova Orleans, acaba conhecendo e se relacionando com uma stripper muito jovem, chamada Mallory. Visivelmente enxergando sua filha na figura da garota, Doug tenta vencer seus traumas ao mesmo tempo em que tenta se reencontrar e continuar vivendo.


O que é mais interessante nessa segunda incursão do diretor Jake Scott pelos longas-metragens, são as excelentes interpretações de James Gandolfini (famoso pela série Os Sopranos) como o sensível e atormentado Doug e da mercurial Melissa Leo (oscarizada por O Vencedor) como a introvertida e cheia de problemas Lois. Completa o trio de protagonistas, a regular (mas que aqui não compromete) Kirsten Stewart, como a desbocada e insolente stripper Mallory.



Gandolfini mantêm-se sempre interessante e procurando encontrar uma maneira de se aproximar da garota, mesmo encontrando dificuldades devido à petulância e a auto-suficiência da garota. Fragilizado pelo trauma da morte de sua filha e por não conseguir se encontrar, enfrenta a resistência de sua própria mulher, que insiste em ver-se como um vegetal esperando a morte chegar. Leo por sua vez atua no mesmo tom de sua personagem (igualmente indicada ao Oscar) em Rio Congelado. Frágil, embora tenha força de vontade suficiente para enfrentar seus medos e tentar voltar a viver.


Stewart é uma atriz limitada, e embora sua personagem seja o McGuffin do filme (um "objeto" desconhecido que serve para movimentar a história) já que não tem passado e pouco se descobre sobre sua vida, não tem nem de longe a mesma intensidade ou qualidade interpretativa que Leo e Gandolfini. Repare na sequencia em que a personagem de Leo revela sua mágoa a personagem de Stewart. Intensa, a veterana atriz conta com doçura e remorso seus medos para receber em troca uma frase ruminada entre dentes e dita de forma apressada e sem nenhuma intensidade por sua parceira de cena. Stewart é jovem, mas precisa urgentemente entender que precisa saber atuar para não ficar marcada para sempre como a apaixonada Bella da série Crepúsculo.



A direção de Jake Scott é simplista e ele parece compreender que o mais importante em seu filme é a interação de seus personagens, por isso mantém sua câmera sempre fixa naqueles atores, optando por quase esquecer da ambientação. Conhecemos Nova Orleans de outros filmes, sempre retratada como um templo da alegria, da música e da diversão. Aqui isso quase não aparece, e a questão do filme se passar na cidade não tem tanta importância (talvez apenas geográfica) para a narrativa. A Nova Orleans de Scott não é diferente da Indianápolis também mostrada no filme. Características de um diretor (e um roteiro) que ou é falho em sua proposta, já que não cria um ambiente para a ação, ou que faz parte da característica daquela história e - talvez - da falta de confiança do comandante para ir um pouco mais além do óbvio.


Apesar da qualidade de seu elenco, é impossível não ser um que de decepção com o final um tanto quanto maniqueísta e óbvio, apelando para o clichê do personagem irrecuperável e esquecendo das muitas (mesmo) idéias que o roteiro de Ken Hixon joga pela tela e que não são aproveitadas. Nada parece ser desenvolvido e a conclusão é de que o baby Scott (filho de Ridley) ainda parece imaturo para segurar "no braço" uma história com tão poucos personagens e com uma ação tão centrada na discussão de idéias e conceitos.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Cilada.com
(Cilada.com, 2011)
Comédia - 107 min.

Direção: José Alvarenga Jr.
Roteiro: Bruno Mazzeo e Rosana Ferrão

Com: Bruno Mazzeo, Fernanda Paes Leme, Sérgio Loroza, Augusto Madeira, Thelmo Fernandes e Carol Castro



Bruno Mazzeo é um camarada talentoso. Conseguindo sair da sombra de um pai nacionalmente famoso (e genial) o escritor/ator vem se consolidando como um dos grandes nomes do humor nacional da nova década. O principal catalisador para isso, vem da série de tv Cilada, um grande sucesso na tv paga (no canal Multishow) e que ganha sua versão cinematográfica com roteiro do próprio Bruno (em parceria com Rosana Ferrão e participação de Marcelo Saback) e direção de José Alvarenga Jr. (Divã, Os Normais e que também colaborou com o roteiro) um egresso da televisão com experiência na transposição entre mídias.


O filme gira em torno da vingança da mulher traída (Fernanda, interpretada por Fernanda Paes Leme) após ver seu namorado Bruno (Bruno Mazzeo) se agarrando (impossível dizer transando por questões de vestuário) com uma garota desconhecida em pleno casamento de sua prima. Para melhorar sua situação, o rapaz acaba sendo pego "com as calças na mão" em frente a toda a família da garota, amplificando ainda mais a vergonha.


Como vingança a garota solta na internet um vídeo que mostra uma atrapalhada "transa" do casal (novamente com aspas já que em momento algum os personagens parecem estar fazendo algo mais visceral do que um abraço forte) que se transforma em um martírio para o rapaz e repercute de forma violenta em sua vida.



Cilada.com é um erro. De construção de roteiro, de interpretações exageradas e piadas (algumas) boas desperdiçadas por um filme que não sabe e nem consegue ser divertido em seu conjunto. Talvez o plot funcionasse melhor como um episódio da série de Tv, já que a construção que interliga as cenas é muito fraca. Existe uma série de personagens desnecessários e que são apresentados como importantes, apenas para serem revelados como figurantes de luxo. Sérgio Loroza como o pretenso cineasta Marco André, é tão exagerado e patético que nem mesmo as piadas físicas funcionam. Optando sempre por satirizar os pretensos cults e apostando em piadas batidas sobre drogas e maconha funciona como um bufão no meio de um deserto de falta de humor.

Por sua vez, Bruno Mazzeo se sai surpreendentemente bem, conseguindo misturar a comédia mais rasgada e desbocada com uma capacidade de interpretação dramática surpreendente. De longe é a melhor coisa do filme.


Os demais coadjuvantes são todos muito mal aproveitados. Fernanda Paes Leme, tendo em mãos um incomodo papel de mulher traída que (como manda a regrinha da comédia romântica) vai acabar perdoando o namorado, precisa nos convencer de que existe alguma tridimensionalidade nessa idéia. Afinal, a personagem foi traída na frente da família toda e é óbvio que toda mulher perdoaria o namorado nesse caso, não é mesmo? Afinal, para que precisamos ter amor próprio?



A personagem de Carol Castro é tão obtusa e desnecessária que é desperdício de tempo escrever sobre ela, mas em poucas palavras, a personagem muda quando "abre a boca" e proporciona uma virada do roteiro (depois que assistirem vão entender) que vai culminar no encerramento da produção.


Mas mesmo que os personagens fossem fracos (incluímos ai o patético Sandro, um camarada sem graça e que enfia estrangeirismo nas frases como forma de fazer piada, o mala Gerson, que estereotipa toda uma categoria de trabalhadores de escritório e Dr. Leoni que tem como única característica razoavelmente engraçada sua semelhança capilar com Ray Coniff) se a comédia mantivesse um mínimo de interesse talvez o filme conseguisse ser melhor do que a nota dada.


Os "melhores" exemplos disso residem em duas seqüências em especial. A primeira envolve a humorista Dani Calabreza e uma tentativa de representação de um programa de Tv, desses de baixaria. Além de não fazer sentido a participação da personagem de Fernanda Paes Leme no mesmo, toda a produção e "interpretação" da platéia beiram a musical de pré-escola, e fazem pérolas do nosso humor, como Zorra Total parecerem menos medonhos do que são.



Mais nada pode ser pior do que a infeliz e ofensiva cena do sonho de Bruno, em que o mesmo se ve em uma reunião de "apoio e tratamento aos que sofrem de ejaculação precoce". O humor é copiado do pior da série Todo Mundo em Pânico, além de tratar o espectador como imbecil, já que mesmo esfregando na cara (literalmente) sobre o que se trata essa tal reunião, em um derradeiro take mostra uma placa onde se lê o nome da organização que é visitado por Bruno. Pergunto, para que? Não confia mesmo na inteligência do espectador a ponto de precisar explicar, tal qual a um garoto de dois anos, sobre o que se trata?


Como disse durante a crítica apesar de piadas eficientes aqui e ali, o conjunto que une essas piadas é profundamente infeliz. Conduzido como uma tentativa frustrada de comédia romântica, não conseguindo nem ser engraçada nem romântica, o discurso televisivo fica claro pelas piadas prontas e pelo simplismo exagerado na resolução dos problemas (como se estivesse finalizando um episódio). O final completamente abobalhado, além de copiar sem dó um trecho especialmente romântico e tocante de Simplesmente Amor, é o atestado de falta de amor próprio e de "final de novela das oito" que o filme tem.


Cilada.com é uma comédia boboca. Não diverte mais do que um episódio mediano de Grande Família, ou um inspirado de Os Normais e passa longe da sagacidade e inteligência do Comédia MTV. Comparado aos parceiros de telinha, Cilada.com fica muito atrás e talvez mereça mesmo ser visto apenas na reprise do Corujão.


quarta-feira, 6 de julho de 2011


A Dangerous Method




O novo filme do renomado diretor David Cronemberg (A Mosca , Marcas da Violência) tem em seu primeiro trailer uma amostra sucinta e instigante do promissor projeto . Baseando-se no livro The Talking Cure ,de Christopher Hampton , o filme leva ás telas a relação dos pais da psicanálise , Carl Jung ( Michael Fassbender) e Sigmund Freud ( Viggo Mostensen ,de volta á parceria com Cronemberg) com a russa Sabina Spielrein ( Keira Knightely) , que foi paciente de Jung no hospital onde ele trabalhava em Zurique, e acabou se tornando uma das primeiras mulheres psicanalístas da hitória . Com a trilha tensa e de acordes fortes , o trailer demonstra com sucesso o clima que o longa pretende passar . Um filme de Cronemberg com este pano de fundo psicológico , é , no mínimo , um produto em que a presença é "obrigatória".









terça-feira, 5 de julho de 2011

A Garota da Capa Vermelha
(Red Riding Hood, 2011)
Romance/Fantasia - 100 min.

Direção: Catherine Hardwicke
Roteiro: David Johnson

Com: Amanda Seyfried, Shiloh Fernandez, Max Irons, Gary Oldman e Julie Christie



Catherine Hardwicke não cresceu. Continua achando que tem 12 anos de idade, e pior, dirigindo e escolhendo seus novos projetos com essa mentalidade. Ansioso em se mostrar crível, dotado de diálogos que beiram o ridículo, personagens fajutos e situações mal construídas, Garota da Capa Vermelha é um dos piores filmes de 2011 até o presente momento. Parece que Crepúsculo viciou a diretora no sucesso fácil das produções destinadas a pré-adolescentes que culmina nesse Garota da Capa, que só existe graças a aceitação popular das histórias dos vampiros que brilham.
 O roteiro (David Johnson) é uma adaptação "moderna" da fabula do Chapeuzinho Vermelho recheada daquilo que se imagina agradar a meninas de 10 a 14 anos, ou seja: protagonista "comum", dois homens que disputam seu amor e uma aura de mistério e "terror" para cativar as pequenas.



Os erros crassos da produção começam já na escolha de elenco. Amanda Seyfreid vem especializando-se em interpretar a mesma garota chata e assustada em todos os seus filmes, entre as comédias românticas e os dramas água com açúcar, e aqui sua Valerie é mais uma representante da escola Bella de ser: sem sal e sem graça, mas mesmo assim surgindo como a mulher mais desejada da vila.


Cobiçando seu amor está o lenhador Peter (o medíocre Shiloh Fernandez) que é mal construído em todos os aspectos. Hardwicke coloca o personagem usando preto EM TODAS AS CENAS, quase que esfregando em nossa cara a sensação de perigo e mau agouro que essa cor geralmente representa. Além disso visualmente Peter não convence a ninguém. Sejamos práticos: o filme é uma fábula medieval, onde tudo e todos deveriam vestir-se como os habitantes de tal período histórico. Mas não é isso que acontece com Peter. Além do uso exclusivo de uma única cor, Peter surge barbeado e tem suas costeletas perfeitamente aparadas, contrastando com o visual de todos os outros habitantes da vila. Outra questão está no fato de em pleno inverno, o personagem manter sua camisa (preta é claro) aberta expondo parte de seu torso (sexy, hein). Fora o cabelo, profundamente anos 2000, em plena era medieval. Detalhes visuais que fazem o personagem não convencer a ninguém de sua credibilidade. Por outro lado temos o ferreiro (sim, ferreiro) Henry (Max Irons) que mesmo tendo tal profissão nada glamorosa é intitulado "jovem mais desejado" da aldeia/vila. Sendo mais sensível que o "bruto" lenhador, faz às vezes de garoto bonzinho que quer o melhor para sua amada, mesmo que isso signifique abrir mão de seu próprio amor (coisa linda, né gente?)



Hardwicke é nada sutil e copia descaradamente até mesmo diálogos de seu filme "vampírico". Em determinado momento do filme, Valerie e Peter conversam e repetem praticamente as mesmas frases ouvidas em Crepúsculo. Peter diz: "eu não sou bom para você" e Valerie responde: "eu não me importo". Pois é...


O que enfurece o espectador é ver gente que tem algo a perder envolvida nessa bobagem. Atores do calibre de Gary Oldman (exagerado como o padre Solomon), Julie Christie (caricata como a avó de "chapeuzinho") e mesmo Virginia Madsen (sem tempo de tela como a mãe de Virginia, Suzette) passam vergonha ao atuar em uma produção tão fraquinha quanto esse Garota da Capa.


O filme é uma coleção de momentos pavorosos, como a rave medieval (sim, amigo, você não leu errado), em que no meio da festa da "colheita" a nossa Catherine "enfia" uma batucada e filma como se quisesse emular uma sensualidade e uma sensação de festa pagã que não combina com o clima do filme, lembrando a igualmente patética sequencia de dança em Zion no triste Matrix Reloaded.



Mais erros grosseiros estão nos cenários que surgem visivelmente construídos em estúdio, o que faz o filme perder profundidade de campo, e deixa os planos de Hardwicke sem espaço para explorar a ambientação mágica que o filme se propõe a ser. Mas se a idéia era realmente vestir a camisa do "filme fantástico" (deixando tudo com aura de fantasia quase infantil) faltou avisar a todo o resto do pessoal envolvido no filme, já que todo mundo leva a sério demais aquela história, e seus cenários farsescos não combinam com nenhum dos outros aspectos da produção (que é ruim). Isso sem falar nos figurinos copiados de A Vila e nos efeitos pavorosos que dão vida ao tal lobo, que fazem os da série Crepúsculo, exemplares magníficos da arte do CG Lupino.


Ainda que tente criar uma tensão na história que envolve o personagem de Oldman e a identidade do tal lobo misterioso, Hardwicke afunda tudo, com auxilio providencial do patético David Johnson (que também foi responsável por A Órfã e pelo vindouro Fúria de Titãs 2). O resultado dessa salada é muito infeliz e conta ainda com um plot twist ineficaz e que racionalmente nos faz questionar a sanidade da diretora e do roteirista, apelando para o clichê do "mordomo culpado", após dar pistas de que vários outros personagens poderiam ter a identidade do tal animal.



Garota da Capa é um erro do começo ao fim. Recheado de clichês baratos, repetindo a fórmula de um grande sucesso de público e dotado de um trio de protagonistas profundamente infeliz e mal resolvido.