segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Demônio
(Devil, 2010)
Terror - 80 min.

Direção: John Erick Dowdle
Roteiro: Brian Nelson e M. Night Shyamalan

Com: Chris Messina, Logan Marshall-Green, Jenny O'Hara, Bojana Novakovic, Bokeem Woodbine e Geoffrey Arend



E lá vamos nós, para mais um filme de "assombração", onde todos os elementos de cena convergem para explorar a realidade fantasmagórica ou no caso dessa produção, demoníaca.

Demônio é o quinto filme de John Erick Dowdle, o mesmo diretor de Quarentena, o remake medíocre de REC, terror espanhol de grande sucesso de crítica. Na verdade, esse é o filme "autoral" de M. Night Shyamalan em um ano em que o diretor/escritor/ególatra pariu o medíocre Último Mestre do Ar e Dowdle foi o diretor escolhido para assinar o filme, e receber as latadas mais pesadas da crítica.


O filme fala de um grupo de pessoas que fica preso em um elevador e acabam tendo de conviver nesse ambiente claustrofóbico enquanto aguardam resgate, ao mesmo tempo em que o espectador fica sabendo (através de uma narração em off dispensável e que faz o filme quase se situado no espectro da paródia ou da fantasia) que o Diabo (sim, ele mesmo) vai julgar aquelas pessoas dentro do elevador e muito possivelmente matar a todos. São todos "pecadores" gente sem fé, ladrões, escroques, salafrários etc.



Por ai, já podemos dizer que Demônio é um filme moralista, já que julga seus personagens e suas falhas pelos olhos de uma entidade onipresente. Além disso, o filme não se furta a dizer que somente a fé é solução para os problemas da humanidade, sendo ela capaz inclusive de vencer o Diabo. Sim, é isso que qualquer ramificação do cristianismo diz e Shyamalan parece não ter esquecido suas lições de catecismo. No livrinho de M. Night fez burrada o Diabo te caçara e te matará sem piedade.


O problema - o maior deles - é que não conseguimos levar a sério o pastiche de tensão que o diretor Dowdle tenta criar. A escolha do elenco é um dos motivos. Nenhum dos atores tem nada de real relevância no currículo, apesar de alguns terem aparecido em pontas em filmes/séries de sucesso. É um elenco de caras conhecidas (pela infinidade de papéis), mas que não tem identidade. E essa carga é levada para seus personagens, que são mostrados quase como arquétipos (temos o grandalhão forte e esquentado, o calado e silencioso, a velhinha, a mulher que usa o corpo para progredir e o falastrão chato que todos odiamos, além do policial traumatizado, do segurança cético e do crente), impulsionados ainda mais pela atuação desastrosa de quase todo o elenco.


Shyamalan continua com sua mania de ligar todos os personagens e narrativas, e de fazer todas as histórias convergirem para o mesmo ponto. O diretor (e aqui roteirista/produtor e chefe) insiste em querer que tudo "faça sentido", numa tentativa falsa de criar no espectador aquela sensação de: "nossa, ele pensou em tudo, que brilhante".



Foi essa a reação de muitos ao final de Sexto Sentido e Corpo Fechado (esse em menor escala), mas muitos começaram a torcer o nariz para o "final surpreendente" a partir de Sinais e declarou guerra aos filmes de M. Night em A Vila. Dai o diretor vive uma sucessão de fracassos retumbantes e erros perturbadores.


Dessa vez optou por não dirigir, mas fica nítido que Dowdle é um aprendiz sanguessuga. Estão presentes em Demônio todos os defeitos de M. Night, porém esqueceu-se de copiar as qualidades do diretor.


Se por um lado sobram frases de efeito fajutas, a já citada "ligação" entre todos os personagens e em especial o final "surpresa", faltam a qualidade inegável de construir bons planos, de saber lidar com a tensão e principalmente de envolver por aquela uma hora e meia o espectador numa outra realidade.



É verdade que Demônio se passa quase todo em um único ambiente, mas no mesmo ano tivemos o excelente Enterrado Vivo para provar como é possível (e como muito menos recursos que Demônio) criar tensão em um só cenário.


Quando tenta criar tensão e alguma atmosfera esbarra no óbvio (o fusível desencapado que o segurança vai verificar, a súbita queda do elevador, o demônio surgindo de onde "menos se espera") e mostra que Dowdle ainda não sabe - ou nesse filme pelo menos - o que quer fazer com sua câmera. O que ele pretendia contar? Uma simples história de horror? Se for isso, faltou horror. Já sei, criar tensão com elementos sobrenaturais? Até tentou, mas os elementos sobrenaturais não podem camuflar a falta de capacidade artística do condutor da história. Então, será que ele não quis falar sobre segundas chances? Talvez, mas ai caímos no terreno do elenco frágil e que não convence ninguém daquela situação.


Os últimos minutos chegam a ser tristes tamanha a falta de noção do diretor (e do "seo" M. Night) em inserir - telegrafado - a repentina "surpresa", que além de ser mal conduzida não faz o espectador esboçar nenhuma reação.


M. Night não é o mesmo. 2010 foi o ano em que o diretor começou a jogar a terra por cima de seu caixão. Mestre do Ar foi uma piada de péssimo gosto e Demônio um arremedo de filme de terror b. Dowdle por sua vez, parece estar ajudando a jogar a terra, e a fazer a produtora de M.Night pagar o pato.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Skyline  - A Invasão
(Skyline, 2010)
Sci-Fi - 94 min.

Direção: Colin Strause e Greg Strause
Roteiro: Joshua Cordess e Liam O'Donnell

Com: Eric Balfour, Scottie Thompson, Brittany Daniel, Crystal Reed, David Zayas e Donald Faison



Existem certas produções que merecem ser analisadas com grande cuidado. Não falo dos grandes blockbusters, ou dos filmes adorados pela critica. Falo das abominações. Dos casos onde se duvida da sanidade dos realizadores, de sua arrogância, de sua petulância e de sua total e completa falta de capacidade para criar alguma coisa próxima do que o mundo considera, uma historia.


Esse é o caso de Skyline, uma inacreditável (no pior que essa palavra dúbia possa significar) historia sobre invasão alienígena a cidade de Los Angeles, vista por "gente comum".


A idéia - vejam bem, a idéia - não é ruim. Embora tenha sido apresentada em outras historias recentes, quando bem feita rende sustos, explosões e diversão descompromissada. Quando mal feita, faz MegaShark parecer Godard ou Visconti. Os incompetentes da vez são os irmãos Strause, especialistas em efeitos visuais, tendo aqui sua primeira chance como diretores.



Espero com toda a honestidade que a dupla melhore e muito, pois será insuportável agüentar mais uma hora e meia de explosões ruins, personagens gritalhões e um final - com gancho, vejam a petulância - tão risível. Nada funciona, desde a história bastante absurda - mas, vá lá já vimos coisas piores -, até os personagens realmente ruins (e nessa não temos como fugir) e uma conclusão realmente infeliz (se tiverem coragem, assistam). Skyline é definitivamente um filme péssimo. E não é por seu orçamento de filme b, e atmosfera de "trasheira". É por sua realização ruim e idéias fajutas.


Existe uma clara diferença entre um filme b, um filme trash e um filme ruim. O b simplesmente não tem recursos financeiros suficientes para criar cenários, efeitos e etc., portanto "faz com o que tem", às vezes conseguindo muito sucesso e reconhecimento. O trash não tem a menor preocupação em se levar a sério, cria os maiores absurdos e sabe que no fundo quer divertir seu público, seja com monstros gigantes, piranhas assassinas ou qualquer outra coisa.


Skyline tem orçamento de filme b - ainda mais quando a idéia é fazer um sci-fi com efeitos visuais e explosões - e a cara de pau de se levar a sério, não podendo ser chamado de filme trash.



Distrito 9, grande sucesso do ano passado, também tinha um orçamento enxuto para os padrões, mas compensou isso com criatividade, um plot original - nem tanto, mas contemporâneo pelo menos - e a consciência do que podia fazer e de como amarrar sua historia.


Skyline começa como um "buddy movie", se transforma num filme de sobrevivência e termina como exercito de um "homem" só. Muita coisa para oitenta minutos, sendo que os primeiros vinte são utilizados para "desenvolvimento de personagens".


Desenvolvimento esse que não existe. Os amigos Jarrod e Terry (Eric Balfour e Donald Faison respectivamente) são mostrados como fúteis e frágeis. Suas namoradas/esposas  Elaine e Candice (uma neurótica e uma irritante mulherzinha banal, respectivamente). Além disso, ainda contamos com Denise, a amante de Terry - Crystak Reed - que obviamente, num filme moralista e que prega que "o amor vence tudo" será descartada. No meio do caminho ainda surge o porteiro  (David Zayas, da série Dexter, precisando mesmo pagar as contas) , sim, que se transforma numa figura forte e que ganha importância na trama.



Mas o pior não são as luzes brilhantes, ou o design incompreensível das naves/criaturas (impossíveis de classificar como coisas ou bichos), e sim o final ridículo. Dificilmente verei em 2011, um filme que tenha um final tão fajuto quanto esse. Se o espectador/leitor tiver coragem de ver e quiser comentar sobre, por favor, faça. Melhor ainda se discordar de mim, realmente gostaria de entender o motivo de uma virada tão boba e mal explicada.


Skyline é tudo aquilo que os fãs do cinema detestam ver na tela grande. Personagens ruins, história que não sabe a que veio, falta de capacidade técnica de conduzir uma historia, efeitos genéricos e conclusão atroz.


O pior de tudo é saber que um aborto como esse chegou aos cinemas nacionais, em detrimento de filmes muito, mas muito melhores. Culpa do público? Nesse caso não. Culpa dos distribuidores que não vêem os filmes e baseados no "achismo" imaginam que um sci-fi de invasão alienígena, qualquer ele que seja, vai dar grana.



O público às vezes surpreende. Bravura Indômita - um western, gênero "morto" - rende mais de 100 milhões nos Estados Unidos e filmes espíritas enchem as salas no Brasil, só pra ficar em dois exemplos recentes. Garanto que quase ninguém acreditava que os Coen levariam tanta gente as salas e que o Brasil, país carola, essencialmente retrogrado, abraçaria com tamanha "fé" os filmes do além.


Às vezes, vale a pena arriscar, nem que isso seja não exibir na tela grande bobagens como essa. Que fique restrito ao dvd, onde algum maluco vai achar que descobriu uma "pérola" e transformá-lo em cult.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

127 Horas
(127 Hours, 2010)
Drama/Thriller - 94 min.

Direção: Danny Boyle
Roteiro: Danny Boyle e Simon Beaufoy

Com: James Franco

Iniciando com uma edição ágil e uma trilha animada, os créditos iniciais de 127 Horas dão o tom da vida acelerada do alpinista Aron Ralston (James Franco). O título do filme, porém, só aparece na tela - em um fotograma belíssimo - alguns minutos depois, quando o nosso vigoroso protagonista cai de repente numa fenda estreita do Canyon que escalava. Chocado, Aron fica alguns segundos suspenso, sem acreditar no que acabou de acontecer . É possível enxergar na sua face os primeiros sentimentos de pânico em decorrência da situação unusual na qual acabara de entrar. E aqueles são apenas os primeiros segundos dos longos cinco dias e 7 horas que o alpinista teve de suportar com uma rocha imprensando seu braço contra a parede do canyon.



E dois anos depois de ser consagrado vencendo o Oscar pelo bom, porém hiper-valorizado Slumdog Millionaire, o diretor inglês Danny Boyle vem agora realizar o seu melhor trabalho nos últimos anos, contando exatamente a história verídica e espetacular de Aron Ralston, o alpinista que passou às 127 horas do título com o braço direito esmagado na fatídica rocha, em uma fenda do Blue John Canyon em Utah, Estados Unidos.

Na trama desenhada no filme, dá-se a entender que Aron, de certo modo, estruturou tudo o que fosse possível para que não fosse resgatado - Não retornava as ligações da mãe há dias, não mantinha mais contato com a ex-namorada Rana (Cleménce Poésy), e, principalmente, não tinha avisado pra ninguém aonde tinha ido. O último contato com seres humanos antes do acidente tinha sido com duas turistas, Kristi (Kate Mara) e Megan (Amber Tamblym), as quais ele tinha guiado por um tempo no passeio. Mas, como pode ser visto no próprio trailer, elas não conseguiram ouvir aos chamados desesperados de Aron. Ele estava sozinho, sem muito que fazer.




E o roteiro de 127 horas aproveita muito bem todo o potencial que a história real impressionante dispunha. Com uns braços amassados, presos, e uma rocha grande e pesada limitando seus movimentos, era muito fácil para Aron enveredar pelo caminho do desespero. ''Do not loose it, Aron '', entretanto, o aventureiro diz. Era preciso manter a paciência para seguir com chances de vida, e entrar em pânico não ajudaria em nada. Com esforço, ele passa por maus bocados - enfrenta a dor, as alucinações, a escassez de água e comida, culminando em ter que beber a própria urina - até ter o ímpeto de amputar o próprio braço com as ferramentas que possuía no momento. Como peça de ilustração de um fato real, o novo longa de Danny Boyle é excepcional. Utiliza sua trilha para temperar a tensão com certa ironia, mas também para pontuá-la em momentos de dor lancinante - como na inconfortável cena em que Aron corta o nervo de seu braço, cena, aliás, que fez pessoas passarem mal em festivais ao redor do mundo. Uma retratação muito talentosa e eficiente da jornada de superação do alpinista.

E talvez ''superação'' seja o adjetivo mais óbvio para 127 Horas. Realmente, a superação física é visível, mas não é só nisso que o termo se baseia. Superação do modo de agir, das concepções que Aron possuía antes de ficar preso por mais de cinco dias numa fenda. Fica muito claro no momento em que ele declara que aquela rocha estava esperando por ele desde que nasceu. Era o ponto de mudança que ele precisava passar, o aprendizado que necessitava adquirir.




E esse aprendizado tem as formas muito bem definidas pelas fases que o filme apresenta. No início, a agitada e divertida vida de Aron, e no decorrer do tempo após o acidente, às considerações dele sobre tudo que não chegaria a viver se aquele canyon fosse o último capítulo de sua vida. E nessa divisão de fases, Boyle se molda muito bem em todas elas. Consegue colocar uma direção com ar de videoclipe - que ganha mais força com a montagem rápida - no início, e lidar com o drama seguinte de maneira competente, arrancando imagens belíssimas do ambiente no qual a produção se passa.

Mas, de fato, seria impossível falar de 127 Horas sem citar com veemência o nome de James Franco. Ele é o fator essencial que torna o filme de Boyle acima da média. Toda a emoção passada por Franco é real, assustadoramente tridimensional e penetrante. Nos sentimos tocados de maneira muito especial pela performance do jovem ator. Sua interpretação é singular desde sua postura corporal, passando por seu olhar enfraquecido, chegando ao clímax nas partes em que encarna a dor que o alpinista passou na vida real. Uma verdadeira amostra de talento que a nova geração de atores possui. Ótimo, merece todas as indicações que vier a receber.


Numa avaliação geral, podemos constatar que 127 Horas é uma brilhante trama baseada em fatos, transportada para as telas de cinema com muito esmero. E vale também para termos uma percepção mais elevada sobre a própria carreira de Danny Boyle. Ele veio de um filme - Slumdog - que da vida como um conto poético, onde o destino se encarrega de dar o rumo a seus personagens. Então deve ser de muito valor dirigir agora um filme onde um personagem sozinho tenha que mudar, pela força de vontade de sobreviver, o próprio destino - e aprender com isso uma lição necessária.
Depois de muitos meses sem escrever, mudar de mestrado e cruzar o Atlântico duas vezes, finalmente me instalei  em um novo país e resolvi fazer um novo post pelo simples motivo de que nas últimas semanas assisti a coisas sensacionais! Estamos em plena “red carpet season” e é nessa época que os estúdios lançam os filmes que consideram ser seus golden tickets para levar algumas estatuetas. Bom para os fãs de cinema, que podem se deliciar com coisas bem bacanas em tela. Os indicados ao Oscar foram anunciados sem grandes surpresas ontem e, coincidentemente no mesmo dia tive o privilégio de ver uma palestra com Simon Beaufoy, o roteirista de “Ou Tudo ou Nada”, “Quem Quer Ser Um Milionário” e do filme sobre qual escrevo hoje, “127 Hours”. Beaufoy  viu na tarde do mesmo dia seu nome ser anunciado como um dos candidatos a levar o prêmio de melhor roteiro original.
“127 Hours”, é uma obra bem difícil de enquadrar como um gênero específico. O filme é baseado no livro “Between a Rock and a Hard Place”, do americano Aaron Ralston que relata a história real da qual foi protagonista: durante uma caminhada por um parque nacional desértico em Utah, nos EUA,  Aaron sofreu um acidente e acabou tendo a mão prensada por uma rocha, tendo ficado por mais de 5 dias preso dentro de um cânion, isolado. Não é spoiler contar que ele conseguiu escapar, já que a história é de fato real e foi contada em detalhes pelo próprio Aaron, mas vale fazer suspense sobrecomo ele o faz; a que sacrifícios tem que se submeter para salvar a própria a vida.


O filme é o aguardado projeto seguinte de Danny Boyle, diretor inglês superpremiado pelo overrated “Quem Quer Ser Um Milionário”, que levou os grandes prêmios no Oscar em 2009. Boyle é claramente um diretor indie e usou o status e influência que o Oscar lhe trouxe para conseguir viabilizar este projeto, um filme que dificilmente se enquadraria nos planos de algum grande estúdio, entre outros, por um grande motivo: seu protagonista passa praticamente o filme todo sozinho em cena, contracenando consigo mesmo.
Boyle tem soluções interessantes para burlar o isolamento de Aaron na trama. Ele está fisicamente sozinho, sim, mas mergulhamos a todo instante na mente do personagem. Ecoam lembranças, memórias e até projeções de quem ele foi, é e, se conseguir sair daquela situação, deseja ser. O diretor usa todos os truques frenético-visuais que aprendeu com seus filmes anteriores (“Trainspoting”, “A  Praia” e “Slamdog” gritam na tela!) como artífico para ilustrar o exagerado espírito aventureiro do jovem. Os primeiros 20 minutos de filme são como um grande especial de esportes radicais de algum canal de TV a cabo: split screens, slow e fast motion usados aos montes, câmeras frenéticas e muita adrenalina. Passada essa etapa e instalado o grande conflito do filme, Boyle passa a usar seus truques para invadir a mente do protagonista e ilustrar em tela o processo de amadurecimento psíquico e espiritual que o permitiram sobreviver àquela situação.

É prazeroso assistir. As coisas estão no lugar certo e a  eficiente fotografia de Enrique Chediak e Anthony Dod Mantle funciona. Mas sente-se a presença de Boyle  um pouco demais. Não que as pirotequinias dele não sejam eficazes; são. Mas fica a  incômoda sensação de mais do mesmo. Já vimos muitos dos artifícios empregados nos outros trabalhos do diretor e a coisa acaba soando como se ele estivesse no automático. O filme tem, no entanto, um grande trunfo: James Franco. 


O longa é nitidamente de Franco. Construir uma narrativa que se apóia integralmente em seu protagonista não é fácil e Boyle teve sensibilidade apurada ao escolher seu Aaron e confiar plenamente nele para levar a história. Franco imprime em tela o arco dramático de seu personagem com muita competência e carrega uma ironia, um senso de humor absolutamente necessários para compor este personagem. A trajetória de Aaron é, na verdade, seu amadurecimento. Passa de um jovem arrogantemente inconsequente, a um homem que valoriza as coisas que tem ao seu redor e que busca forças para conquistar as coisas que ainda não tem. James Franco se diverte como o Aaron inicial, aquele que é o “dono do mundo”, o jovem confiante o suficiente para embarcar nesta viagem sozinho.  A cena em que entrevista a si mesmo, como se estivesse em um programa de auditório, falando para uma câmera portátil que carrega é genial – é neste momento que revela para a platéia que não contou a ninguém onde estava indo e revela a si mesmo que aquilo muito provavelmente vai lhe custar a sua vida. 

É verdade que Danny Boyle (re)utiliza vários dos elementos que já nos mostrou em seus filmes anteriores e que isso pessoalmente me distanciou do filme. Mas é preciso dar o braço a torcer e dizer que esses artifícios de fato funcionam em tela. O filme não se torna monótono em nenhum momento e o diretor consegue imprimir bastante aflição à trama, em especial na aguardada (e ao mesmo tempo supertemida) cena do auto-sacrifício a que Aaron tem que se submeter para escapar daquela situação. Em tempos de inacabáveis “Jogos Mortais”, que extrapolam o uso da violência gráfica e nos dão uma perversa aula de anatomia humana, Boyle nos entrega uma sequência brilhante; explícita na medida certa. Vemos o mínimo e o máximo necessário da carnificina e o resto é trabalho da montagem precisa de Jon Harris, do trabalho de som e da interpretação impecável de James Franco.  Difícil não levar às mãos ao rosto ou fincar os dedos na poltrona do cinema.

Franco foi indicado ao prêmio de melhor ator e Danny Boyle correu por fora: não levou indicação de melhor diretor, mas assina o roteiro com Beaufoy e por isso pode levar outro Oscar para casa. Acho bem difícil que o filme ganhe o prêmio de melhor filme, pois briga com produções de peso (sobre as quais vou tentar escrever nos próximos dias). Fica aqui o meu desejo de que Danny Boyle explore outras linguagens em seus próximos filmes. Não há duvidas que é um diretor muito competente e seria bem interessante vê-lo explorar novas maneiras de contar suas histórias.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011


Piratas do Caribe 4




A série de sucesso da Disney, que teve em seus dois capítulos anteriores, somando-os, uma arrecadação de 2 Bilhões vêm de volta, dessa vez tendo um livro de base: On the Strangers Tide. E a curiosa estratégia dos roteiristas de basearem um filme num material previamente existente é interessante, ao ponto que a partir daqui, novos capítulos podem ser realizados. O trailer aponta justamente tudo o que se espera da série: Diversão, fantasia, batalhas e Johnny Depp salvando o filme com seu Jack Sparrow. Dessa vez, apenas ele e Geoffrey Rush voltam dos filmes anteriores, provando a busca de novos horizontes que a franquia almeja. Um bom lançamento para quem gostou dos anteriores. Para os não-fãs da série, como eu, apenas um blockbuster corriqueiro de verão, com a dose certa de diversão.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Chico Xavier
(Chico Xavier, 2010)
Drama - 124 min.

Direção: Daniel Filho
Roteiro: Marcos Bernstein

Com: Nelson Xavier, Angelo Antônio, Matheus Costa, Tony Ramos, Christiane Torloni, Giulia Gam e Letícia Sabatella

Chico Xavier é uma figura pública, conhecida em cada canto no país como um homem que falava com o além, e a partir de sua fé conseguia trazer mensagens dos que já se foram para as famílias desoladas.


Foi o grau de detalhamento dessas cartas que fizeram de Chico respeitado e até hoje, mesmo depois de sua morte, venerado e admirado por muitos que crêem na fé do chamado, médium.


Que fique claro - já que na internet, ninguém consegue perceber as nuances de nada - que a crítica não é sobre o homem Chico Xavier, sua vida, história e acontecimentos. Mas sobre o filme, a obra de ficção que narra à vida desse personagem.


Dirigido por Daniel Filho - o mais prolífico diretor brasileiro da atualidade - Chico usa uma entrevista do médium num famoso programa de TV (Pinga Fogo, possível de ser encontrado na integra na internet, para os que tiverem curiosidade) para contar - com muitos flashbacks - a vida desse homem.



Diferente do que faz na maioria de seus filmes, Daniel Filho não transforma Chico Xavier numa série "chique" da TV Globo (embora no momento em que essa crítica estiver publicado ela já tenha se "transformado" em uma). É um filme, com todos os cacoetes e vícios do cinema, sem concessões a TV (como fez o medíocre Jaime Monjardim com seus enquadramentos que "sangravam" os protagonistas no terrível Olga). Vindo de Daniel, um homem nascido na TV e que nos últimos anos - com exceção a Tempos de Paz - vem fazendo comédias ligeiras com cara e gosto de série de televisão, é uma mudança na forma de produzir seu filme.


Tecnicamente tudo funciona realmente muito bem. Fotografia de bom gosto, sabendo usar de enquadramentos inteligentes e o uso dos flaschbacks com maturidade suficiente para - apesar da profusão dos mesmos - não tornarem o filme enfadonho.


Os atores também estão bem, em especial a "dobradinha" Angelo Antonio e Nelson Xavier, que vivem o personagem título em dois períodos diferentes de sua vida. Dois grandes atores, conscientes de seu papel e que mantém uma regularidade bastante incomum em biografias em que os personagens são divididos entre atores. Angelo faz seu Chico mais "mineiro", mais tímido, mas consciente de seus "poderes" e aprendendo a lidar com o povo que o cerca. Nelson faz o Chico conhecido pelas multidões, sereno, confiante de cada palavra que profere e muito modesto em sua forma de se colocar perante a opinião pública.



Mas o grande destaque, apesar do trabalho de alto nível dos dois atores, é Tony Ramos. Talvez o maior ator brasileiro dos últimos trinta anos, é emocionante seu desempenho como o diretor de TV Orlando, um personagem ficcional, que serve como ancora para o público. Daniel usa o personagem como pendulo da mediunidade de Chico. Seu filho falecera a pouco, e sua mulher (Cristiane Torloni) desesperada recebe uma das famosas cartas de Chico, quando em visita a seu centro espírita em Uberlândia.


Orlando, cético não crê naquelas palavras e numa cena bastante poderosa começa a repensar suas idéias. Daniel assim, justifica seu personagem para o público. É como se ele dissesse: "hei, esse tal Chico é real. Creiam nele e no meu filme".


O problema é que a história não faz jus à grandiosidade que o diretor imagina ter seu personagem. Chico foi um mobilizador de credos, estudos e multidões. No filme, o  destaque fica em momentos intimistas, que apesar de "tridimensionalisar" o personagem, esquecem de apresentar a força daquele homem e os motivos de tantos o seguirem.



Os flashbacks prejudicam - ainda mais quando são inseridos na história de forma forçada (usando o recurso da transmissão de TV em estática) e Chico e sua história começam a perder força quando a família de Orlando entra em cena. A partir daquele momento, apesar de continuar contar a história do médium, o personagem passa a ser um coadjuvante deixando toda a carga dramática da conclusão do filme para Tony e Cristiane.


Daniel talvez tenha escolhido essa solução, pois em termos narrativos é mais simples encerrarmos uma história fictícia onde temos o controle total de seus padrões e momentos do que tentar encontrar um "final" para Chico, um personagem real. Em seus últimos momentos em tela, Nelson participa de um epílogo, já que o filme em si se encerra na cena tocante do julgamento, com o depoimento de Orlando.



Longe de ser ruim, e muito mais interessante do que possa parecer, Chico Xavier não é - ainda bem - uma pregação doentia e fanática sobre os credos de seu personagem. É a história desse homem, com defeitos e qualidade.


Uma pena que a forma de contarmos essa poderosa historia tenha sido enfraquecida por um diretor esforçado, mas apenas isso. Deixando todo o trabalho para os atores, que fazem o que podem com uma narrativa episódica, frouxa e que perde muito ao se tornar arrastada e perder o foco em seu mote: a vida de um homem considerado santo ou louco.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O Vencedor
(The Fighter, 2010)
Drama - 115 min.

Direção: David O. Russell
Roteiro: Scott Silver, Paul Tamasy e Eric Johnson

Com: Mark Wahlberg, Christian Bale, Melissa Leo e Amy Adams



Cine biografias tem, por excelência, uma possibilidade muito grande de se consagrarem. Para cada aberração como Fique Rico ou Morra tentando, temos dez A Rede Social. Os filmes de boxe seguem esse estilo. Rocky e O Campeão conseguem ser exemplos de narrativa e usam o esquema de superação de forma estimulante, geralmente culminando na luta final, que tende a ser inspiradora e emocionante. Quando os dois subgêneros se fundem, potencializa-se a emoção e criam-se obras memoráveis como Touro Indomável. Porém, o tempo fez com que existissem diversos tipos de "filmes de boxe". Se Hurricane e Ali são exemplos do filme de superação, foram criadas variações para o gênero não se tornar repetitivo. A partir daí, surgiram filmes que usavam o boxe apenas como pano de fundo para uma vida difícil (Touro, O Invencível), contos morais dramáticos (Menina de Ouro) e até mesmo filmes noir com pano de fundo do boxe (A Morte passou por Perto). Todos bem sucedidos vale a pena dizer. Logo, é fácil constatar que é difícil se errar com um filme de boxe.

Obras sobre boxe rendem filmes competentes, sem dúvida, mas é raro ver algo que é digno de nota máxima, como Touro, o ótimo Menina de Ouro e o emocionante Quando Éramos Reis. As variações no subgênero são essenciais no que diz respeito a qualidade das obras. Pegando como exemplo os filmes de roubo, temos o conflito da segurança contra ousadia, o que separa um filme competente de uma obra-prima. Se o recente Atração Perigosa não alcança um lugar na memória dos deuses do cinema é justamente por não ousar. Como comentei na crítica do competente filme de Ben Affleck, Fogo contra Fogo é a variação ousada do filme de roubo, o que o torna especial e inesquecível.



E no filme de boxe a coisa anda de um jeito similar. Um filme de superação comum não ficaria no páreo com um Menina de Ouro, por exemplo. Deve-se haver um diferencial. E O Vencedor, novo filme do - indicado ao Oscar - David O. Russell, é um filme de superação que quer fincar seu pé na calçada dos filmaços do gênero.


Rotular o filme apenas como de superação seria um erro. Flertando com o esquema de filmes como Os Infiltrados e o próprio Atração Perigosa, O Vencedor entrega um interessante retrato sobre o povo de uma cidade do interior americano. Se nos filmes de Scorsese e Affleck a abordagem era policial, Vencedor tem um panorama dramático-cômico para sua vizinhança, retratada com leveza pelos roteiristas Scott Silver, Paul Tamasy e Eric Johnson. E esse ritmo, que demonstra bem a admiração dos roteiristas e de O. Russell por Lowell, o local onde Micky Ward nasceu, é intenso e nunca deixa a película cair no esquecimento. A atmosfera de anos 90, recriada de forma simples e competente, faz com que cada nuance do drama da família seja potencializado, dando mais realismo a tudo ali. A história de boxe de Micky Ward, retratado de forma enérgica e eficiente por Mark Wahlberg, é a principal, mas o pano de fundo divertido dos curiosos habitantes de Lowell é o tal diferencial que O Vencedor usa para tentar calcar seus pés na memória.



Percebendo-se isso, é interessante constatar que O Vencedor é tão uma crônica sobre uma família disfuncional com origens irlandesas quanto um filme de boxe. Da mesma forma que Infiltrados e Atração retrataram os criminosos tradicionais e as pessoas normais daqueles locais, O Vencedor usa esse pano de fundo para sua história. Porém, como é um filme dramático, Vencedor fala bastante dos conflitos internos daquela gente. E justamente deles vêm às cenas mais pesadas do filme.


Mas, curiosamente, elas não são muitas. O filme de David O. Russell aprofunda-se mais no lado cômico dessa vizinhança e da própria redenção de Micky e seu irmão Dicky. Dando uma estética cool as partes de boxe (utilizando recursos como a montagem ágil e frases de efeito) e cômica em várias partes do núcleo familiar, o roteiro tem como seu maior trunfo a consciência dessa natureza. Afinal, as situações em que somos apresentados não poderiam ser levadas muito a sério. A maquiada Alice, mãe do clã boxeador, interpretada com intensidade notável por Melissa Leo, desperta risos até mesmo pelo seu modo "elegante do interior" de se vestir. O artificial cabelo loiro de Alice é uma inteligente sacada visual. Ao mesmo tempo em que nos apresenta um elemento recorrente dos anos 90, retrata bem o espírito da personagem (e do próprio filme). Apostando ferrenhamente no humor e no "feel good movie", O. Russell encontra nos caricatos núcleos familiares uma fonte cômica inusitada. A situação bizarra dos irmãos Micky e Dicky serem de pais diferentes ou a forma manipuladora com que Alice agencia a carreira de Micky é captada pelas lentes do diretor de forma irônica e extremamente divertida. E se poderia haver qualquer divergência entre o estilo cômico de O. Russell e um possível tom sério do roteiro, isso logo se invalida. Afinal, as sete irmãs Eklund-Ward tem um desenvolvimento raso justamente para se apoiarem no humor, o que surge como uma decisão corretíssima, com grande destaque para a briga entre Charlene e as irmãs.



Charlene, por sinal, é construída com esmero pelo roteiro e pela magnífica atuação de Amy Adams. Ela é o parâmetro para Micky bater de frente com sua família e tomar um rumo de verdade em sua antes fracassada carreira de boxe. As partes em que Micky começa a ganhar voz na família são reveladoras, fundamentais para a narrativa e, novamente, captadas com leveza divertida.

E mesmo que o retrato da carreira no boxe dos irmãos seja esquemático, a ciência das limitações narrativas que o roteiro impõe são fundamentais pra apreciação da história. Estão lá todos os arcos da superação do filme de boxe, mas somados ao núcleo familiar e ao tom surpreendentemente cômico, O Vencedor chega com dignidade a seu clímax, que é espetacular justamente pela construção formidável de situações e personagens que o filme de O. Russell tem. Deixando o público tenso e com uma torcida sincera pelo protagonista na obrigatória luta final, O. Russell realiza um filme redondinho e divertidíssimo, que entretém de maneira diferente e, acima de tudo, inteligente.



Essas limitações narrativas não só são ajudadas pela parte cômica como são utilizadas em prol das atuações. Visando a possível caricatura que cada ator poderia ser sujeitado a fazer pelos seus papéis exagerados, o roteiro abre essa brecha para o overacting com rara qualidade. E nesse caso, o extrapolar de emoções é utilizado de forma benéfica. Melissa Leo e os coadjuvantes podem estar atuando no limite do over, sim, mas a naturalidade com que tudo é encarado pelo filme é notável. Sendo assim, O Vencedor entra naquele seleto grupo de "filmes de atuação", desde o desempenho contido do ótimo Mark Wahlberg até a merecedora do Oscar, de Christian Bale.

O personagem de Bale, aliás, é o motivo maior da dramaticidade do filme e até a metade da projeção, quase o engole. Mudando fisicamente de forma assustadora, Bale ainda cria seu personagem com competência equivalente á de seus Patrick Bateman e Bruce Wayne. A grande prova disso é a sequência mais pesada do filme, a exibição do documentário da HBO sobre o vício de Dicky Eklund. Arrebatadora e palco explícito destinado a Bale demonstrar todo seu talento.



Sendo bem sucedido no núcleo familiar quanto no inspirador e revigorante núcleo do boxe, O Vencedor é um perfeito feel-good movie. Uma diversão com um tom mais sério que o cinemão pipoca, mas sem dúvida vitoriosa e leve por ser ciente de suas limitações narrativas. Sem chegar perto de ser uma obra-prima, mas uma película que deixa uma felicidade agradável no ar. Merecedor de sua indicação ao Oscar (ainda que Christopher Nolan e Danny Boyle tenham feito direções muito mais competentes que O. Russell), O Vencedor é uma boa surpresa.


Sem surpresas, preciso, enérgico e cômico. Quem diria. Overacting bem feito é outra coisa.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011



Kate Winslet

Aos cinco anos estreou no palco no papel de Virgem Maria, aos 11 já estudava teatro, com 13 começou a dar as caras na TV, em seu primeiro papel já como profissional encarava cenas lésbicas com a naturalidade de uma veterana e antes de completar 31 já havia sido indicada ao Oscar cinco vezes. Essa menina prodígio é Kate Elizabeth Winslet. Atuar, para ela, sempre foi como uma segunda pele (afinal de contas, os pais eram atores e os avós gestores de teatro, o que só contribuiu para que a menina desinibisse ainda mais). Para aqueles que costumam se afastar dos cinemas quando a beleza de uma atriz é evidente demais e costumam achar que isso é sinônimo de falta de talento, vão se surpreender com Kate. No caso dela, beleza e talento andam de mãos dadas a serviço de uma carreira das mais inventivas.

Seu começo em Hollywood não poderia ser mais arrasador: aconteceu em 1994, na pele da nada inocente Juliet Marion Hulme de Almas Gêmeas, um dos primeiros filmes do então desconhecido diretor neozelandês Peter Jackson, onde a menina já deixava claro ao público quais eram suas intenções artísticas. No ano seguinte envereda pelo mundo literário - algo que faria bastante ao longo da carreira - da escritora Jane Austen como a passional Marianne Dashwood de Razão e Sensibilidade, belíssima adaptação da atriz Emma Thompson com direção do cineasta Ang Lee. Em 1996, convencida pelo ator/diretor Kenneth Branagh encara a Ofélia da belíssima versão feita por ele de Hamlet, porém só passaria a ser realmente reconhecida ao redor do mundo depois de viver a Rose Dewitt de Titanic, o arrasa-quarteirão dirigido por James Cameron em 1997.

Em Almas Gêmeas, filme que a "revelou" e mostrou que seu diretor (Peter Jackson) fazia mais do que filmes trash
Em Razão e Sensibilidade de Ang Lee
Passadas algumas produções de pouco destaque (seja de público ou crítica), volta a marcar presença em 2000, dessa vez como Madeleine, a confidente do escritor libertino, em Contos Proibidos do Marquês de Sade, belíssima produção de Phillip Kaufman. Outro papel de destaque em sua filmografia nessa época é o da jornalista Bitsy Bloom em A Vida de David Gale, drama investigativo de Alan Parker. Em 2004 uma nova retomada com o excepcional Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, de Michel Gondry, dessa vez como Clementine, interesse romântico do protagonista vivido pelo comediante Jim Carrey.


Após uma entressafra, em que participa de Em Busca da Terra do Nunca, cinebiografia do escritor e dramaturgo James M. Barrie, criador do personagem Peter Pan (e interpretado pelo ator Johnny Depp) e do musical sarcástico dirigido pelo ator John Turturro Romance e Cigarros, sua carreira volta à ascendente com o drama social Pecados Íntimos, de Todd Field, onde interpreta a esposa reprimida Sarah Pierce. Seus últimos trabalhos de destaque foram o drama de holocausto O Leitor, de Stephen Daldry (que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz) e o mais conservador Foi apenas um Sonho, dirigido pelo seu então marido Sam Mendes, onde reedita a parceria com Leonardo Dicaprio nos papeis principais.

Como Clementine em "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças"

No papel de Hanna Schmitz, que lhe rendeu um Oscar de melhor atriz, por O Leitor

No incrível sucesso de público "Titanic"
Atualmente filma Contagion, filme-catástrofe sobre um vírus mortal, sob a direção de Steven Soderbergh, além de constar entre seus próximos projetos participação no elenco de God of Carnage, próximo longa a ser rodado por Roman Polanski, além de negociar um papel (conforme informação captada no site IMDB) para participar do filme Americana, a ser dirigido pelo cineasta brasileiro Paulo Morelli. Difícil precisar até onde um talento desses pode ir, principalmente quando nas mãos de um diretor de peito, mas o fato é que é fácil entender o fascínio que Kate exerce sobre o público: é bonita, inteligente, sabe conduzir sua carreira como poucas em sua geração, encara qualquer desafio e, diferentemente de uma série de artistas vazios que andam em voga atualmente, veio para ficar. E os fãs só têm a agradecer!