quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Imortais

Imortais
(Immortals, 2011)
Ação/Aventura - 110 min.

Direção: Tarsem Singh
Roteiro: Charley Parlapanides e Vlas Parlapanides

Com: Henry Cavill, Mickey Rourke, Stephen Dorff, Freida Pinto, Luke Evans, John Hurt

O gênero épico, muito popular até a década de 70, era uma garantia de sucesso. Desde os grandiosos (em duração e escala) filmes de David Lean até o maior ganhador do Oscar da história, o Ben-Hur de William Wyler, o gênero era responsável pelas produções mais imponentes do Cinema. Na Itália, em estúdios como o lendário Cinecittà, essas produções eram o foco, até a chegada do Faroeste Spaghetti, para aparecer como uma variação mais barata desses projetos enormes. Recentemente, os épicos ficaram desgastados e perderam espaço para os blockbusters. Com o sucesso de Gladiador, porém, os produtores da Meca do Cinema acharam que o gênero poderia voltar ao auge. Daí vieram exemplares como Troia, que mostrou que era necessária uma verdadeira revolução para alçar o Épico ao auge novamente.

E em 2007, surgiu 300. Com seu Green screen e sua fúria contagiante, que ia desde os combates estilizados até a trilha heavy medieval, Zack Snyder pintava com o visual de Frank Miller, ao conceber um estilo invejável e que modernizava o épico - sem que isso significasse esquecer das lições dos mestres da narrativa do gênero.

O que nos leva a esse Imortais. Desde o primeiro trailer, a nova produção da Relativity Media tenta entrar no caminho deixado por 300. Não por acaso, os produtores são os mesmo Mark Canton e Gianni Nunnari, do filme de Snyder. Porém, o diretor provou seu lado autor e moldou o visual ao seu gosto.




Vendo pelo lado artístico, foi uma questão de tempo até Tarsem Singh encontrar o gênero. Para um épico que visava uma estilização constante, Imortais tinha no assumido esteta Singh um diretor perfeito. E não poderia ser diferente: o melhor do projeto reside justamente nas qualidades gráficas do indiano.

Logo após o prólogo, o roteiro de Charley e Vlas Parlapanides volta no tempo para introduzir os personagens. Ao mesmo tempo em que Theseus é visto como bondoso homem do povo e do trabalho braçal, Hyperion é retratado como feroz ditador, de fala áspera e métodos cruéis de tortura. Porém, se o esquema de retratar os dois nêmesis logo de cara seja moderadamente convincente, excessivamente conveniente são as situações que delineiam o protagonista. Introduzi-lo como um pescador solitário, que é retratado como humilde mas rapidamente demonstra ser pleno conhecedor das artes marciais, é uma preguiça que vitima consideravelmente o desenvolvimento do maior dos personagens. No final, a impressão que fica é que Theseus é um homem movido pela vingança, não um humano nobre e digno de uma apoteose.

Já Hyperion tem um desenvolvimento mais rebuscado (o que não implica que o mesmo seja perfeito). A cena envolvendo um grande martelo é crucial para definir o imediatismo do rei, mesclado com suas iniciativas violentas. Além disso, há uma decapitação perto do fim que consolida perfeitamente essa característica, o que revela certo comprometimento do roteiro com a fidelidade ao caráter de seus personagens, que jamais fazem algo que não seja de seus feitios pré-estabelecidos.




Só que não basta apenas ser fiel á sua base se ela não suporta tanto. Imortais têm uma narrativa que flerta com o panorâmico, tendo diversos núcleos (enfoca os deuses, a ascensão de Hyperion, a tensão do rei prestes a ser atacado pelo vilão, a jornada de Theseus), mas que não obtém sucesso inquestionável em nenhum dele. A investida de Hyperion tem ótimos momentos, como a invasão perto do clímax. O "walk-movie" que leva Theseus até a batalha final também, como a onda gigante. Porém, dizer o mesmo sobre a abordagem dos deuses seria desserviço, afinal mal se nota a presença dos mesmos no filme, mesmo que o visual incrível proporcionado pela direção de arte e pelos figurinos de Eiko Matsuda se aliem à ultra violência na tarefa de chamar a atenção. Fora a questão estética, cortesia do sempre perfeccionista Singh, os deuses são mal explorados e porcamente lembrados pelo script da projeção.

Se não bastasse os erros estruturais, o roteiro dos Parlapanides ainda contém certas situações que resultam em buracos no guião. Por que colocar os dois antagonistas frente a frente para um mero diálogo pré-batalha? Por que Zeus relutou tanto em interferir nos planos de Hyperion (e nos humanos) se, desde criança, Theseus foi treinado exatamente pelo deus, disfarçado de humano? E o que dizer do caos narrativo, com direito a uma confusa montagem de Wyatt Jones, que a batalha final representa?

E aí entra a questão da pretensão do projeto. Caso assumisse exatamente o que é - a transformação de um humano em um Deus - Imortais poderia enxugar sua narrativa, aparar as diversas vias desnecessárias, e se tornar um projeto mais conciso. Ao muito almejar, o filme acaba perdendo a força naquilo que deveria ser seu maior forte: o desenvolvimento da ascensão de Theseus. Em momento algum, se sente o sacrifício que se requer para a apoteose contida aqui (e a atuação de um aqui limitado Henry Cavill não ajuda muito). Ao enfocar sem sucesso o pior dos núcleos, o da muralha prestes a ser invadida, o filme perde um tempo precioso. Basicamente, a impressão que fica é que Theseus não se fez um herói; apenas andou bastante, deu sorte de ser treinado pelo maior mestre de todos e teve habilidade ao usar o que aprendeu. Em um épico, nada é mais importante que a transformação do herói em algo mais. Em Imortais, isso é apenas um quase fato casual.





Não que o projeto não honre o gênero, claro. O respeito á mitologia, como provam as situações "históricas" e a atmosfera grega que o visual do filme tem, acabam compensando certos defeitos. Ainda que rasa, a representação dos deuses empolga esporadicamente, como na intensa e excepcional batalha contra os titãs. Fora que perto de quase épicos que se vestem de aventura para esconder sua ridícula estrutura narrativa, como o recente e péssimo Fúria de Titãs, Imortais é um projeto muito vigoroso até. E nisso, a segurança de Rourke como vilão ajuda bastante seu segmento. E, ainda que operísticas em excesso, as atuações dos deuses encontram uma unidade em sua teatralidade, o que não atrapalha o filme - ainda mais se levando em conta a boa presença de cena de Luke Evans.

Obviamente, esse vigor é alcançado através da direção de Singh. Ainda que não tenha a sensibilidade necessária para entender os problemas de seus heróis e corrigi-los, o diretor tem seu talento artístico mais uma vez comprovado. Em parceria com o diretor de fotografia Brendan Galvin, Singh pinta com a câmera quadros que beiram o realismo e iluminação do Renascimento, saindo-se incrivelmente bem ao compor os ângulos estritamente estéticos de seu filme, como as elegantes introduções e finalizações de cena onde o cenário se torna mais amplo. Além do mais, impossível não admirar as belas cenas com os deuses, a violência gráfica envolvente do clímax (embalada pela correta trilha de Trevor Morris) e as cenas de maior catarse, como o choque de Poseidon com a água ou a flecha que abre o cofre dos Titãs. E o que dizer do último take do filme, que tira o fôlego ao mostrar os deuses se guerreando, suspenso no ar?

Imortais é a prova de que há esperança na produção de bons épicos em Hollywood, ainda que também mostre a falta de sensibilidade de produtores em reconhecer os defeitos óbvios de uma produção, antes dela ser realizada. A falta de controle narrativo de Singh se fez valer pela primeira vez, o que vai totalmente ao oposto da experiência inteiramente autoral que o mesmo passou em Dublê de Anjo. Estiloso e competente Singh é, mas certamente precisa se sair melhor em encontrar defeitos no trabalho que filma.




Ao menos, o filme não existe por motivações puramente mercadológicas, como faziam parecer os anúncios que citavam 300 a todo o momento. Só de não ser uma mera cópia genérica de um projeto vitorioso,  o filme de Singh já merece um pouco de atenção.

Afinal, se não honra o clássico gênero como o filme de Snyder fez, ao menos Imortais o respeita.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012


GI Joe - Retaliação





O divertido primeiro trailer da sequência do discutível GI Joe empolga justamente por não investir no humor bobo e previsível do primeiro projeto. A surtada empreitada dos roteiristas de Zumbilândia, que consistiu em matar quase toda a esquipe chefe do filme anterior, evidencia a iniciativa de um quase reboot para a já ensaiada "franquia". Enxugando o número de personagens, GI Joe 2 promete manter apenas o que o primeiro tinha de mais estiloso: os ninjas rivais entre si e o super-soldado vivido por Channing Tatum. Mantendo o mesmo espírito absurdo de antes (tudo o que se espera de um filme baseado em... bonecos), o trailer cumpre o prometido ao compor mirabolantes sequências de ação ao som da ótima Seven Nation Army. Ainda se assumindo mais estúpido do que o primeiro já era (Casa Branca tomada?), o filme ainda conta com a presença do sempre carismático The Rock, o que o torna um bom candidato a bom blockbuster do verão americano.



segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Prometheus




O espetacular primeiro teaser do misterioso prelúdio de Alien continua a demonstrar a volta dos bons teasers, que causavam curiosidade sem mostrar nenhuma informação concreta. A montagem com imagens frenéticas e assustadoras dá um tom semelhante ao próprio Alien em sua intrigante atmosfera. Com uma direção de arte primorosa, que se mostra mais interessante inclusive do que a de Avatar, Prometheus almeja ser uma volta de Ridley Scott á ficção-científica de qualidade. Pelo visto, será da maneira mais memorável possível, já que os questionamentos levantados pelo filme em relação á humanidade prometem uma história tão aterrorizante quanto estimulante intelectualmente. Um surpreendente e embasbacante encontro de Alien com 2001, Prometheus já faz necessária a visita em seu primeiro vislumbre de narrativa.



domingo, 15 de janeiro de 2012

Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras


Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras
(Sherlock Holmes: A Game of Shadows, 2011)
Ação/Aventura - 129 min.


Direção: Guy Ritchie
Roteiro: Michele Mulroney e Kieran Mulroney


Com: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace e Jared Harris


O primeiro Sherlock Holmes de Guy Ritchie foi um bom início para uma renovação do personagem, que veio muito bem a calhar. Os contos de Sir Arthur Conan Doyle eram de um suspense muito mais cadenciado, e o Sherlock retratado originalmente tinha uma seriedade britânica típica. Obviamente a persona encarnada por Robert Downey Jr. teria uma irreverência moderna, que revitalizaria a franquia nas telonas. No primeiro capítulo, basicamente o que funcionou de melhor foi a intenção. Não que o longa de 2009 seja ruim, longe disso. O problema foi justamente a falta de apuro no roteiro estrutural, que apresentava problemas sutis de organização - como um acúmulo de sequências de ação no terceiro ato - e a irritante insistência de explicar cada um dos eventos ocorridos, dando ares de um verdadeiro "Scooby Doo" á narrativa. Além disso, a trama pouco envolvente também não gerava muito interesse. Realmente memorável era a performance de Downey Jr. - que rendeu ao ator o Globo de Ouro no ano seguinte - e a parceria muito carismática com Jude Law.

Ao fim da exibição do primeiro filme, ainda surgia um grandioso gancho para continuação. Embora o fato de perder tempo em um filme incutindo nele sugestões de um próximo capítulo possa parecer um tanto estressante, ficava a esperança de que um longa futuro pudesse aproveitar o carisma de seus personagens e aplicá-lo numa trama inteligente, e que demonstrasse um pouco mais de esmero nas suas construções narrativas. Podemos dizer que essa expectativa é um tanto quanto correspondida em Sherlock Holmes - O Jogo de Sombras. Embora ainda permaneça com alguns dos defeitos do original, esta nova produção dirigida por Ritchie é mais sofisticada que a que a precede - e isso gera um gás muito favorável e necessário á franquia do detetive inglês.

A história da vez trás para as telas o arquiinimigo de Holmes, o professor Moriarty (Jared Harris) como uma ameaça de nível mundial. Em 1891, a Europa está à beira de uma guerra entre suas principais potências - e Alemanha e França são as grandes candidatas a iniciar o conflito a qualquer momento. Através de atentados contínuos por meio de bombardeios á determinados locais, Moriarty parece estar inflamando as desavenças internacionais para ver as batalhas serem declaradas o quanto antes. Cabe a Sherlock Holmes e seu ajudante John Watson (Jude Law) desvendarem o plano do vilão, e impedirem que ele atinja sua meta.




Escrito por Kieran e Michelle Mulrooney - mais eficientes que o trio o qual elaborou o script do primeiro filme - o roteiro deste segundo Sherlock apresenta muitas melhorias em relação ao original, e a mais notável delas é a sua estrutura de arcos mais coerente, fruto de uma mente criativa mais organizada do que aquela que concebeu o primeiro longa. Desta vez, o projeto se firma mais constante e estável do que o anterior, e seu desenvolvimento, apesar de esquemático, favorece uma melhor apreciação de suas cenas, conseguindo distribuí-las de maneira uniforme e bem pensada, culminando num belo clímax sem soar apressado, muito menos entediante.

Dito isso, também é preciso reconhecer que só a presença de James Moriarty já acrescenta muito mais fervor á película. O clássico nêmesis de Holmes abre brechas para um embate de nível muito mais elevado. Isso já era inerente ao personagem, sem o toque dos roteiristas. Estes, contudo, têm habilidade suficiente para construir o personagem no cinema de maneira redonda, sem exageros megalomaníacos, porém possuindo frieza e inteligência bastante consideráveis, servindo de contraponto ideal para o astuto protagonista. Aliás, o vilanesco Moriarty é um dos grandes responsáveis pela melhor parte não só do filme, mas também de toda a franquia até aqui - o grande clímax do já clássico jogo de xadrez. Possuindo o melhor tom de suspense de toda a projeção, carrega o aspecto legítimo de tensão dos contos de Sherlock Holmes originais. O ponto alto do filme, que foi projetado com talento pela dupla responsável pelo roteiro.

Entretanto, é impossível negar a presença de alguns erros remanescentes do longa anterior. As constantes explicações que explicavam desnecessariamente o contexto do filme, permanecem, permitindo que a franquia continue com o cheiro familiar do Dogue Alemão que desmascara vilões em desenhos animados. Ademais, a narrativa também peca pelo desenvolvimento de seus novos coadjuvantes. Embora tenha uma participação importante em determinada parte da trama, a cigana Simza (Noomi Rapace) esmorece em momentos cruciais, não conseguindo sustentar sua relevância - culpa não da belíssima e talentosa atriz sueca, mas sim do roteiro, que torna sua participação menor e não dedica atenção necessária á personagem. Outro que parece um bônus no filme é Stephen Fry, interpretando Mycroft, o irmão de Sherlock. Apesar de divertido, o personagem se monta subaproveitado, servindo apenas como alívio cômico pontualmente.




Entretanto, se personagens secundários não são tão bem valorizados, temos na contramão protagonistas de grande apelo ao público - a química indiscutível entre Law e Downey Jr. está ainda mais forte neste capítulo - e as atuações da dupla, á vontade como de costume, beneficiam-se muito da contínua lapidação de suas personas. Outro que consegue transmitir toda a personalidade daquele que encarna nas telas é Jared Harris. O ator de Mad Men tem sucesso ao passar ao público a mentalidade fria e genial de seu personagem. Sem exagerar indo para o caricato, mas também não dando margem para uma insensibilidade inexpressiva - como Michael Nyqvist fez no recente Missão Impossível 4 - o inglês adere ao caráter de seu personagem, com todo o mérito, a expressão "sem pontas soltas".

Cabe a Guy Ritchie filmar o satisfatório roteiro com seus maneirismos típicos, usando e abusando dessa vez da câmera lentíssima - como na espetacular sequência na floresta, onde nossos protagonistas são alvos de metralhadoras, e os disparos podem ser acompanhados pelas câmeras de 1000 quadros por segundo, que foram usadas nessa ocasião. Várias oportunidades da câmera lenta "clássica" são aproveitadas em diversos combates muito bem capturados- e tudo soa ainda mais interessante com a trilha de Hans Zimmer, que mantém o tema do original, mas produz variações que acompanham o ritmo do filme - e é muito sonora e empolgante a trilha no momento em que Holmes trava uma luta pelo cassino. A bela direção de arte parece ainda mais grandiloquente e bem realizada que a do primeiro filme, e isso se deve provavelmente ao aumento do orçamento.

Apesar de uma aventura esquemática, Sherlock Holmes - O Jogo de Sombras, ainda é um produto escapista muito mais bem realizado que seu antecessor. Usando um ritmo acelerado que não cessa, esta obra consegue de vez estabelecer uma "mitologia" para a franquia de um Sherlock renovado e a cada episódio mais moderno. Um verdadeiro James Bond da Inglaterra Vitoriana. Para este Holmes bonachão e aventureiro concebido por Downey Jr., só faltam os gadgets, cuja época não permite a introdução. E, com a muito provável vinda de um terceiro filme para a série, parece que Guy Ritchie saiu do nicho de filmes de gangsteres, para cair em blockbusters de época.



sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Espião que Sabia Demais


O Espião que Sabia Demais
(Tinker, Tailor, Soldier, Spy, 2011)
Drama/Thriller - 127 min.


Direção: Tomas Alfredson
Roteiro: Bridget O'Connor e Peter Straughton


Com: Gary Oldman, Colin Firth, Mark Strong, John Hurt, Toby Jones, Benedict Cumberbatch, Tom Hardy


A Espionagem em geral sempre foi um terreno fértil no Cinema. Desde os tensos thrillers realistas como O Alfaiate do Panamá e O Dia do Chacal até os engenhosos blockbusters como Jogos Patrióticos e Missão Impossível, passando pela cine-série de James Bond, o gênero encontrava nos fãs de ação um público fiel, ainda que fossem competentes o suficiente para agradar os cinéfilos. Assim como Ian Fleming, John Le Carré foi um mestre desse gênero na literatura, construindo densas narrativas e povoando-as com excepcionais personagens. Porém, se Fleming se baseava em uma vertente mais pop da espionagem, com suas intrigas e reviravoltas como palco para a ação e charme de seu 007, Le Carré era mais cru, verossimilhante. Seus espiões não tinham o mesmo glamour e a famosa licença para matar, mas eram claramente mais complexos e inteligentes.


E em uma análise básica, é exatamente sobre isso que é O Espião que Sabia Demais, novo trabalho do diretor sueco Tomas Alfredson. Sombrio, tenaz, intrincado e extremamente impessoal, o projeto encanta por suas ousadas escolhas narrativas e seu desenvolvimento impecável de personagens, ainda que enfoque melhor a rotina da espionagem em geral.

Jim Pridoux (Mark Strong) está na Hungria. Ele acaba de receber uma informação de seu chefe, Control, que continha a evidência de um espião infiltrado no alto escalão britânico, o Circus. Porém, algo dá errado. O trabalho, árduo, perdia seu principal analista. O correto então seria reconsiderar o emprego do maior deles. George Smiley (Gary Oldman) então ajeita seus óculos, volta para seu trabalho e tenta achar o traidor interno.




Como disse o Alfaiate,  um dos cinco suspeitos, "nada parecer ser como realmente é". Esse pensamento não poderia estar mais correto. Pridoux começa sua conversa com seu informante e atenta para todos os lugares. Nessa cena pré-créditos, uma das melhores sequências da nova década, a natureza fria e pesada dos espiões se percebe como um soco. A grávida na cena e o olhar desesperado de Mark Strong dão o tom da gravidade da situação. Logo, é interessante enxergar em Espião um filme atmosférico. Não só pela granulação da estupenda fotografia chiaroscura de Hoyte van Hoytema, mas pela impessoalidade com que o roteiro de Peter Straughan e Bridget O'Conner trata seus personagens e situações, privilegiando o estudo da espionagem.

Cada take, engrandecido por uma perfeccionista direção de arte, exala a década de 70. Mas mesmo assim, um visual incrível não causaria uma imersão tão expressiva como o jogo de intrigas a que somos submetidos no filme.

A tensão dá as cartas desde o princípio. Em Budapeste, o silêncio predominava em relação aos diálogos. Pridoux olhava para todos com um ar desconfiado. Essa angústia é o que toma a narrativa de assalto, ao impor sempre dualidade em suas cenas, onde todos desconfiam de todos. O teor da atmosfera é medido pelas lentes de Alfredson com destreza. A imponente troca de foco, que revela John Hurt na sala de reuniões no início, dá o ritmo paciente que o filme toma, sempre analisando com cuidado tudo o que vê. Apresentando com cuidado todos os envolvidos sem que isso os torne menos suspeitos (o que os créditos iniciais e a conversa de Oldman e Cumberbatch fazem com primor), o roteiro demonstra um domínio pleno sobre o gênero, entregando uma obra que observa e questiona.




O registro preciso das ações, obviamente, é o que se mais espera em uma película que investe tanto no estudo (seja de personagens ou situações). Alfredson, como bom cineasta europeu, vai na contramão dos diretores de suspense e abre mão de uma interferência maior como narrador em prol de uma brilhante lógica visual. Ao enfocar as ações em planos subjetivos, a meia distância e munido de zooms milimetricamente calculados, Alfredson examina a espionagem como um verdadeiro espião, encaixando as situações e decifrando os mistérios enquanto realiza seu panorama da tensa época da Guerra Fria. Trabalhando com close-ups somente quando se é necessário extrair alguma informação do personagem (seja ela literal ou uma investigação emocional de alguém como Smiley), o diretor sueco impressiona pelo cuidado e ousadia com sua abordagem técnica. E, como bom espião, desconfia até mesmo do registro da sua imagem, o que impressiona pela proposta. Não temos um narrador ditador, nem um espião passivo. Temos um diretor-espião.

Roteiro e direção em sintonia, portanto. A força de Espião, além da fidelidade ao estudo da espionagem, é seu roteiro complexo, onde a tensão não diminui por um minuto sequer. Uma abordagem essencialmente visual para a narrativa, afinal, é o que um filme como esse teria mais dificuldade de obter. Mesmo obras excelentes, como o Inception de Christopher Nolan, se rendiam ao falatório para verbalizar suas complexas escolhas de roteiro. Espião, porém, vai além. Alfredson, ciente da capacidade analítica de seu público (e de si mesmo), liga seu quebra-cabeça por pequenas sacadas. A intrigante montagem, que mal nos deixa saber em que tempo estamos (fundamental para um exemplar de espionagem), é auxiliada por Alfredson, que estabelece o óculos de Smiley como mediador oculto do tempo. Sabemos que aquela festa, esfumaçada por Hoytema, se passa no passado porque nosso protagonista foi ao oculista mudar suas lentes nos créditos iniciais. E conceber elegantes transições como aquela mediada pelo trilho do trem é notável.

Impessoalidade, aliás, que não nos impede de ter uma relativa ligação com os personagens. Gary Oldman, digno de Oscar, entrega uma segurança impecável a seu personagem (e Alfredson é perfeito ao introduzi-lo por pequenas ações, que retratam a personalidade do inglês). Ricki Tarr, vivido por um preciso Tom Hardy, é impulsivo e é conhecido pelo espectador logo nas sombras, numa sutil referência á natureza "black-ops" das ações de seu trabalho. Logo depois, somos informados de seus impulsos emocionais, o que o tornam a peça mais vulnerável do tabuleiro. Colin Firth e Toby Jones entregam uma competência habitual, enquanto Benedict Cumberbatch e Mark Strong impressionam por suas presenças únicas em cena. Esse último, aliás, merece tantos prêmios quanto Oldman, em um elenco magistralmente preparado por Jina Jay.




E quando vemos uma cena extremamente tensa ter uma música da época como fundo, enxergamos que pode ter algo acontecendo ali. Cumberbatch olha tenso para os lugares. Será que estão me observando? Será que havia escutas? Nem tudo é o que parece. Por que o meu investigador está cantarolando sobre o tal senhor Wu?

O jogo de intrigas se exacerba. Nesse meio, qualquer coisa pode ter segundas intenções. Até mesmo os amores e casos extraconjugais são parte de algo maior. A exaustão causada pelo intrigante e desafiador modo de analisar seus antigos colegas toma vias extremas. Nada pessoal, obviamente. Afinal, um espião tem que ser frio e observador, inteligente e racional (assim como o filme, em geral). Para alguém tão focado e centralizado em seu ofício, não há beleza maior que encontrar uma epifania. A emoção não vem de descobrirmos que é o traidor. Alfredson é fantástico em tornar a descoberta de Smiley, na outra cena da escuta, o motivo de maior catarse. É o estudo que está em questão, afinal. O traidor é só mais um mistério, perto de vários apresentados.

E, em teoria, não há nada mais angustiante que uma tortura desesperada, com um som ensurdecedor nos ouvidos. Mas talvez ver um amigo ser ameaçado a sofrer exatamente a mesma coisa pode ser pior. Ou, quem sabe, não exista algo mais desesperador que ser descoberto. Aquela lágrima, sem dúvida, foi por compaixão. Mas o tiro foi por isso ou por uma auto-proteção de uma possível segunda personalidade? Espiões e suas infinitas possibilidades.



O Espião que Sabia Demais é perfeito pelo seu engenhoso roteiro e cuidadoso planejamento de personagens, mas transcende qualquer competência ao tratar seu público como um ser inteligente, adulto e maduro. Como um receptor de informações fornecidas pelo espião Tomas Alfredson.

Porque um filme tão confiante em quem está do outro lado da tela, que transforma o esquema "diretor-espectador" em "espião-informado", merece ser visto.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012


Os Pôsters de 2011 - Parte 2

Dando seguimento a nossa lista de grandes cartazes de 2011 (veja a primeira parte aqui), seguem os outros 25 selecionados por nossas equipe.

Hanna
O thriller de ação do diretor Joe Wright, infelizmente só chega aos brasileiros via dvd (leia nossa crítica aqui) mas seu pôster é dos melhores do ano. Passando a ideia do isolamento que a personagem vive presa no meio do vazio da neve e do gelo, ao mesmo tempo em que enfoca o olhar de Saorsie Ronan, inquieto e misterioso.

Hesher
Outro filme que (se vier) deve chegar ao Brasil apenas em dvd, Hesher é um drama sobre um garoto que perde a mãe e que ao perder contato com o pai, vê em Hesher (Joseph-Gordon Levitt) a figura paterna que precisa. O pôster entrega a personalidade de seu protagonista, é de bom gosto com a imagem do personagem vista em P&B sobre o fundo preto e ainda é bem humorado com a tipografia do cartaz que usa da fonte da banda de heavy metal Metallica (que também tem canções na trilha sonora) para dar mais uma pista sobre os gostos do personagem.

Hobo with a Shotgun
Machete saiu em 2010, mas o verdadeito trash movie de uma nova geração é esse perturbado e engraçadíssimo Hobo with a Shotgun (algo como Mendigo com a Calibre 12) estrelado pelo sumido Rutger Hauer. O pôster é uma clara homenagem ao cinema exploitation dos anos 70, carregado de ilustrações cartunescas e um aspecto de velho, gasto e remendado.

Tudo Pelo Poder
Além do filme dirigido por George Clooney ser um dos mais interessantes do ano passado, seu pôster é sem dúvida outro destaque. Misturando os rostos de Gosling e Clooney, o pôster já indica que acompanharemos a história do homem por trás de uma campanha política. Aquele sujeito que "segura a revista" enquanto o candidato tem seu rosto estampado nas publicações, mas que na realidade é uma "criação" de uma equipe de campanha talentosa interessada em vencer a eleição. Um grande trabalho de estilo também, já que conseguiu de forma sutil misturar os rostos dos dois atores de forma orgânica, sem parecer falso.

The Innkeepers
O terror de casa assombrada Innkeepers não esconde sua intenção (nem no pôster) de ser um filme "clássico" do gênero. Ainda sem data de lançamento no Brasil, o cartaz do filme adota uma estética retrô e de muita elegância para simbolizar a importância da chave e da fechadura para a história do filme. Mesmo parecendo ter saído diretamente do final dos anos setenta, o pôster de Innkeepers deixa o espectador interessado em conferir os mistérios por trás da fechadura dourada.

A Dama de Ferro
Com previsão de lançamento para o mês de fevereiro no Brasil, A Dama de Ferro conta a história da ex-primeira ministra da Grã-Bretanha Margaret Thatcher, interpretada pela grande Meryl Streep. O pôster simples, mas bastante elegante, atenta o espectador para a grandiosidade da personagem retratada, colocando seu rosto "rebocando" o Big Ben e o parlamento britânico.

O Porto/Le Havre
O novo filme do diretor finlandês Aki Kaurismaki de grande sucesso pelo seu O Homem sem Passado, fez um barulho danado no último festival de Cannes, e tem previsão de estreia no Brasil para o mês de março. Na historia, um velho senhor da cidade de Le Havre faz amizade com um garoto africano, enquanto este é perseguido pela imigração. Apesar do plot parecer sério e dramático (ainda não conferi o filme) o pôster é cartunesco, lindamente ilustrado e com especial cuidado com as cores. Apostando em ilustrações em que os blocos de cores preenchem as ilustrações, passa uma sensação calorosa e de bem estar, o que pode ter a ver com a amizade entre os dois personagens.

Martha Marcy May Marlene
Outro filme ainda sem data de lançamento no Brasil, o dramático Martha Marcy May Marlene, conta a história da garota Martha que volta para casa depois de deixar uma comunidade violenta. O lindo pôster lembra a ideia do também ótimo Fish Tank, que tinha as mesmas ideias visuais e ainda mostra claramente a grande dificuldade da personagem principal no filme. Vemos no cartaz duas metades, que simbolizam a sua personalidade, em conflito entre a comunidade que deixou e sua família.

Assassinato à Preço Fixo
O remake do filme de Charles Bronson nos anos setenta, ganhou esse fantástico pôster em que uma arma é criada a partir de um quebra cabeça formado por outras armas. Algo semelhante ao pôster de Senhor das Armas, em que o rosto do ator Nicolas Cage era formado no pôster por balas de fuzil. Aqui, além de esteticamente bonito, as armas entregam a natureza do projeto, um filme de ação com muitas (e muitas) trocas de tiro.

O Homem que Mudou o Jogo
Com estreia prevista para o início de fevereiro, O Homem que Mudou o Jogo é a história de Billy Beane que revolucionou a história de seu time de beisebol quando assumiu a direção geral da franquia. O pôster (outro exemplo de que simplicidade e bom gosto são mais importantes do que efeitos bonitos) mostra a dificuldade da tarefa do personagem de Brad Pitt, mostrando-o em tamanho diminuto diante da imensidão do campo de beisebol, o que nos transmite a mensagem de quão longo é o caminho a percorrer pelo personagem e quão grande é seu amor ao esporte.

Planeta dos Macacos: A Origem
Entre os muitos pôsters de divulgação de Planeta dos Macacos, os mais interessantes foram aqueles destinados a campanha virtual do filme. Esse, em especial, além de indicar a hashtag a ser utilizada na divulgação do filme, é objetivo, bem humorado e fantástico como promoção da história, já que o filme mostra exatamente a tal revolução simiesca a partir do olhar de seu líder, o chimpanzé César.

The Rum Diary
O novo filme estrelado por Johnny Depp, fracassou nos Estados Unidos e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil, mas a história (mais uma) adaptada de outro livro do genial Hunter S. Thompson conta a história do jornalista Paul Kemp e sua estadia na ilha de Porto Rico. O pôster parte de uma ideia simples, mas muito bem realizada, utilizando uma série de garrafas de bebidas para escrever o título do filme, o que já indica que o teor alcoólico do filme será alto.

Pânico 4
Simples e icônico, misturando as duas marcas registradas da franquia em uma só imagem: o rosto do serial killer conhecido como Ghost Face e a faca utilizada pelo assassino para matar suas vítimas. Além disso, o pôster utiliza a semelhança tipográfica entre a letra A e o número 4 para escrever seu título de forma ainda mais impactante.

Beleza Adormecida/Sleeping Beauty
Com previsão de estreia comercial para meados de fevereiro, Sleeping Beauty esteve no último Festival do Rio (leia nossa crítica aqui) e o pôster é um ótimo preview para quem não pode vê-lo. A beleza clássica de Emily Browning amparada pela iluminação naturalista e o bom gosto do cenário, dá a impressão que estamos vendo uma pintura do século XVI, o que revela um pouco da qualidade visual do filme da estreante Julia Leigh.

Aqui é o Lugar/This Must be the Place
O novo filme do diretor Paolo Sorrentino (Il Divo e Le Conseguenze dell'Amore) e estrelado por Sean Penn, só chega ao Brasil em meados de Abril, mas a história do roqueiro dos anos oitenta que volta para casa atrás  do assassino do pai esteve na lista dos indicados a Palma de Ouro em Cannes em 2011. O pôster, apesar de não ser brilhante, ganha o nosso reconhecimento por apostar na caracterização impagável de Sean Penn, como uma mistura de Boy George e Robert Smith e sua expressão facial, um misto de susto, vergonha e tédio.

O Espião que Sabia Demais
O thriller de espionagem dirigido pelo aclamado Tomas Alfredsson (Deixe Ela Entrar), além de tecnicamente impecável, apresenta já em seu pôster características da produção. Tons escuros (azul, preto, verde escuro entre outras cores que predominam no filme), um ar de severidade a flor da pele e o cuidado com a inserção de elementos que são utilizados no filme, como os nomes códigos dos personagens principais da produção.

Tiranossauro
Mais um filme ainda sem data de estreia no país, que esteve no Festival do Rio em 2011 (leia nossa crítica aqui) e que tem um dos pôsteres mais incríveis do ano que passou. O tal tiranossauro - uma clara metáfora com a personalidade agressiva do protagonista - enterrado na terra em pleno esplendor, enquanto um homem espera pacientemente em cima do túmulo da fera pré-histórica. Cinzento, abusando dos diversos tons de marrom, cinza e preto é, ao mesmo tempo, melancólico e sutil em sua mensagem.

Tio Boonmee, que pode Recordar suas Vidas Passadas
O filme do diretor tailândes de nome impronunciável apelidado de Joe, foi um dos mais aclamados mundo afora, e, apesar de não ser partidário de tamanha empolgação é impossível negar a originalidade da história do homem que a beira da morte se lembra de suas vidas anteriores e é visitado por seus entes queridos vivos e mortos. Visualmente muito bem realizado e dotado de um pôster que já é icônico, mostrando a misteriosa criatura humanoide de pupilas vermelhas que vaga pela floresta tropical. 

Compramos um Zoológico
Apesar da comédia água com açúcar de Cameron Crowe não ter agradado, seu primeiro pôster é excelente. Usando de grafismos para criar a árvore que surge a partir da mão de um personagem, com sua copa formada pelas patas dos muitos animais e de mãos humanas, o pôster é sensível com a história que conta e indica os caminhos encontrados por seu diretor para contá-la.

Precisamos Falar Sobre Kevin
Entre os muitos ótimos posteres dessa dolorida produção escolhemos esse, pois é o que melhor representa a relação conflituosa entre Eva e seu filho Kevin. Além do tom esfumaçado e que desfoca ligeiramente a personagem de Swinton, os olhares dos personagens entregam suas personalidade de forma clara e objetiva. Enquanto o garoto olha de forma dura e direta para a frente, seguro de suas ações, Swinton tem as sobrancelhas levemente arqueadas e um olhar pensativo que entrega suas dúvidas quanto a sua vida e ao seu relacionamento com o garoto Kevin.

In the Land of Blood and Honey
O famoso e polêmico (acusado de plágio) filme dirigido por Angelina Jolie e indicado ao Globo de Ouro de filme em língua não inglesa, parece ser uma bomba. Quem viu não gostou nada, e o brasileiro (e eu também) poderá dar suas impressões a partir de meados de fevereiro, data marcada para a estreia do filme por aqui. Já o seu pôster, apesar de óbvio, é bem realizado, misturando o mapa do centro da Europa com a mancha de sangue que forma a figura de um casal que (imagino) tenham religiões antagônicas e sejam importantes para a produção.
Angels & Airwaves - Love
O drama claustrofóbico sobre um astronauta preso na Estação Espacial Internacional, nem tem previsão de chegar ao Brasil (dificilmente chegue) mas o pôster é mais uma daquelas ideias simples, mas muito belas. Apenas um homem sentado, no que parece ser um apoio da estação, com o sol surgindo por detrás da Terra, para reforçar a solidão da situação do personagem.

Natural Selection
Mais um dos muitos filmes que parecem interessantes e que não tem espaço em lugar algum. Nesse, uma cristã fervorosa, descobre que o marido era doador de sêmen a cerca de 25 anos quando esse sofre um ataque cardíaco e morre na clínica de doação. Parte então para descobrir o filho biológico mais antigo do marido, essa figura ilustrada no pôster, um dos mais "chocantes" e divertidos do ano. A frase que aparece no pôster auxilia essa intenção ("Linda White has found his son", traduzindo: "Linda White encontrou seu filho") e a diferença entre a personagem de Linda e do rapaz todo arrebentado aponta para a velha história de mundos diferentes se chocando. 

Septien
A história do homem que retorna para casa para tirar os esqueletos do armário e resolver questões inacabadas entre ele e seus irmãos é brilhantemente ilustrado por esse pôster, que é na verdade um quebra-cabeças ilustrado por imagens caricaturais e que permanece desmontado, indicando a jornada de reconstrução do personagem.

Shit Year
O filme que narra a vida de uma atriz perdida depois que abandona a carreira é alvo dessa pintura belíssima, que ilustra em P&B uma vida que vai escorrendo pelo papel depois que sua principal atividade de sua vida é encerrada. Simples, bonito e que dá vontade de pendurar na parede.