sexta-feira, 1 de julho de 2011

Gnomeu & Julieta
(Gnomeo & Juliet, 2011)
Comédia/Romance - 84 min.

Direção: Kelly Asbury
Roteiro: Andy Riley, Kevil Cecil, Mark Burton, Emily Cook, Kathy Greenberg, Steve Hamilton Shaw, Kelly Asbury, Rob Sprackling e John R. Smith

Com as vozes de: James McAvoy, Emily Blunt, Michael Caine, Maggie Smith, Jason Stathan, Ozzy Osbourne, Ashley Jensen, Matt Lucas e Jim Cummings



Falar em originalidade em Gnomeu e Julieta é o mesmo que dizer que a chuva não molha, ou que comer comida quente não queima a língua. Impossível, mesmo porque a brincadeira de Elton John (produtor executivo) aqui era transformar uma tragédia em um musical divertido e cheio de referencias pop.


Gnomeu e Julieta é uma paródia, e como tal ganha crédito por sua primeira hora (ou dois atos) bastante divertida. Comecemos pela construção dos personagens: gnomos de jardim (ou anões de jardim) todos fielmente retratados, com todos os pequenos defeitos que a cerâmica tem. Nada de personagens de superfície límpida ou brilhante, os gnomos são opacos tais quais suas contrapartes reais. Até mesmo os sons de seus movimentos emulam o barulho de um arrastar de vaso por exemplo. Essa qualidade na animação faz o filme ganhar muitos pontos, já que por mais que a idéia é ser uma piada, essa dose de realismo é essencial para a paródia funcionar.



O ambiente dos personagens também é igualmente bem realizado. Saem as disputas entre as famílias italianas Montecchio e Capulettos, entra a disputa entre a senhora Montecchio e o Senhor Capuletto, vizinhos que se odeiam e que tem como grande orgulho seus respectivos jardins. O de Montecchio tem como ponto principal uma privada (sim, amigos) e todos os gnomos usam gorro azul. O jardim de Capuletto tem como ambientes principais um castelo com piscina e um poço defendido por uma rena (pois é) e todo mundo por lá sai de casa de gorro vermelho.

Gnomeu é um Montecchio gorducho e Julieta é uma Capuletto fofinha e graças à magia da sétima arte, se apaixonam e precisam enfrentar tudo e todos por seu amor impossível. Em Gnomeu e Julieta tudo isso é apresentado com bom humor, muitas canções e personagens engraçados e muito bem dublados.



O elenco é um show de atores e personalidades britânicas, estrelado por James McAvoy (X-Men: Primeira Classe, O Procurado) e Emily Blunt (Jovem Rainha Vitória e Diabo Veste Prada) como Gnomeu e Julieta respectivamente. O filme apresenta muito coadjuvantes - alguns baseados em imagens da cultura pop, como o Gnomo Borat e seu maio masculino - realmente engraçados, como é o caso de Benny (voz de Matt Lucas), um hiperativo gnomo azul responsável pelos momentos mais engraçados do filme (a gag com a compra do novo cortador de grama é ótima). O outro alívio cômico é a rã Capuletto Nannette (voz de Ashley Jensen) que rouba as cenas como o anfíbio tagarela. Completam o elenco de estrelas Michael Caine (como Lord Redbrick, pai de Julieta), Maggie Smith (como Lady Blueberry, mãe de Gnomeu), Jason Statham (como o agressivo Tybalt), Ozzy Osbourne (como a rena desmemoriada Fawn) entre outros.

Elton John aqui usa seus sucessos para ilustrar - acertando em quase todos os momentos - passagens do filme. Sucessos como: Crocodile Rock (com Nelly Furtado), Tiny Dancer, Rocket Man, Saturday Night's Aright (For Fighting), Hello Hello (em parceria com Lady Gaga), Your Song, Don't Go Breaking My Heart entre outras. Incrível - para o bem e para o mal - perceber a incrível capacidade do tio (ou seria tia?) Elton em criar melodias grudentas e de fácil processo de "assobiamento".



Infelizmente Gnomeu e Julieta enfraquece no ato final, ao inserir um personagem coadjuvante fraco e pedante (o flamingo de plástico) que mesmo tendo uma comovente história - copiada sem dó na forma de contá-la de Up, da Pixar - é exagerado e funciona como um alívio cômico desnecessário. Outro problema é que o filme não sabe como terminar, e utiliza uma aparição do próprio Shakespeare para modificar a tragédia da história original. Não é ruim, mas a previsibilidade prejudica a conclusão do filme, produzida para crianças e que até quase seu final também estava conseguindo agradar os adultos.

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