sexta-feira, 2 de julho de 2010

Amigos fotogramicos é com grande prazer que apresento dois novos colaboradores (espero que eternos) do nosso espaço cinematográfico, são eles Ana Carolina e Luiz Gustavo. Sim, um casal, unido por gostos, talento e amor (que coisa linda). Ambos são criadores do mais interessante e sensacional site/blog sobre tokusatsu do país, o Senpuu . E a partir de hoje também fazendo parte do Fotograma Digital.

Abaixo, os pombinhos fizeram sua apresentação ao pessoal daqui:

"Ana Carolina e Luiz Gustavo são um casal nerd, fascinado por cinema, séries de TV, vídeo game, internet, mídias sociais e comunicação. Além disso, uma paixão especial se tornou site e podcast: o tokusatsu. É, aquelas séries japonesas que as pessoas lembram com nostalgia ou desprezo. Estamos a 1 ano da formatura em jornalismo e publicidade e agora, mais do que nunca, produzindo conteúdos sobre o que gostamos".



OS DIFERENTES PAÍSES DA MARAVILHA



Ângulos distintos para um mesmo conto infantil
A arte de contar histórias é milenar. Desde os mitos para reforçar a socialização até os livros digitais, as narrativas já tiveram funções e formas bem distintas. Usando do método de narrar histórias, foi no improviso que Charles Lutwidge Dodson (depois conhecido pelo pseudônimo de Lewis Carroll), inventou a história de uma menina que cai no buraco de um coelho e é transportada para o País das Maravilhas.

Depois de a história ter sido transformada em livro de autoria do próprio Carroll, Alice ganhou sua versão mais popular com a animação feita por Walt Disney em 1951 e, no ano de 2010, ganha um remake cinematográfico dirigido por Tim Burton, também financiado pelos estúdios Disney.


Por serem plataformas diferentes, as obras literárias e os longa metragens acabam por ter algumas divergências, mesmo ao contar a mesma história. A questão estética pode ser considerada o maior diferencial, conforme destaca o jornalista e professor universitário Nísio Teixeira: “acho as adaptações interessantes e válidas, embora não possamos, às vezes, cobrar do cinema uma fidelidade extrema, pois, afinal, são duas propostas estéticas diferentes.”

O escritor e doutor em literatura comparada, Ricardo Benevides, ressalta a diversidade entre as duas expressões e enfatiza que versões cinematográficas podem ser feitas com qualidade, sem necessariamente precisarem “competir” com a obra literária original. “Acho inteiramente possível que bons cineastas produzam boas adaptações de obras literárias para o cinema. A questão da fidelidade radical ao original é que nem sempre é possível, por se tratar de suportes tão diferentes.”, afirma.


Para Nísio Teixeira, a mudança de foco das duas representações pode ser considerada positiva devido à apropriação de uma obra com a proposta de um novo olhar estético. Já uma desvantagem das adaptações, para o professor é a busca de uma fidelidade impossível de ser alcançada, descaracterizando cada linguagem específica: “recorrer sempre a um narrador em off, que conta a história para o espectador como se a gente estivesse lendo o mesmo narrador no livro. Já que é pra fazer cinema com o livro, então é melhor fazer cinema do que uma representação visual do que foi lido.”, ressalta o jornalista.

Por fazer parte do gênero literário nonsense, “Alice no País das Maravilhas” pode até ser considerada uma história propícia para a linguagem do cinema. Benevides ressalta que o enredo tem muitas reviravoltas, com obstáculos para a personagem a todo momento: “este fato, por si só, contribui para que o roteirista produza pequenos clímaces ao longo da narrativa, de modo a prender o espectador. Há também nesse cenário - o do país das maravilhas - uma quantidade enorme de elementos adequados à representação sob a forma da imagem, algo que já estava nítido nas primeiras edições do livro, com ilustrações do John Tenniel.”, diz o escritor.


Mesmo sem ainda ter visto a versão mais recente, Benevides destaca a estética trabalhada por Tim Burton: “estou curiosíssimo, já vi o trailer, fotos, figurinos e cenários. E, sem ver o filme, essas imagens confirmam minha impressão sobre a exploração sob o ponto de vista da representação. Se o filme é capaz de prender o público, entreter, mantendo-se minimamente fiel à obra do Carroll, aí já é outra história.”

EFEITOS ESPECIAIS – As animações em stop-motion são freqüentes na filmografia de Tim Burton, podendo ser destacados “O estranho mundo de Jack” (1993) e “A noiva cadáver” (2005). Além disso, o diretor e produtor usa efeitos especiais de todos os tipos em suas produções.



Ricardo Sousa, bacharel em animação pela UFMG, comenta que no mundo da animação já foram feitas várias adaptações da história de Alice: “Walt Disney, em 1923 já utilizava a técnica para colocar a atriz Virginia Davis no papel de Alice em um mundo fantástico de possibilidades descabidas. Colocar uma atriz de verdade num mundo de animação mostrava a versatilidade da técnica em ligar os diferentes aspectos estéticos ás diferentes formas de linguagem.”

Sousa lembra ainda da versão mais famosa da produtora americana e fala sobre uso de outras técnicas para representar o País das Maravilhas: “No longa metragem de 1951, Disney criou um mundo psicodélico, mas limitado pela bi dimensionalidade. Já o artista surrealista Jan Svankmajer, mesclou live-action com stop-motion, técnica em que é especialista, usufruindo da tridimensionalidade de técnica.”


O bacharel em animação, que assistiu ao novo longa metragem no cinema, lembra que atualmente o avanço por parte da computação gráfica nos efeitos visuais torna difícil distinguir o que é live-action do que é animação. Personagens e cenários criados inteiramente no computador mesclam com perfeição com atores reais.

Ele lembra ainda que as possibilidades geradas pela tecnologia de hoje, no campo dos efeitos visuais, ajudam a aumentar o universo de opções criativas para o diretor e suas possibilidades de surpreender o espectador, mas ressalta: “nada supera a criatividade de cada autor. As primeiras animações baseadas na obra literária não perdem em nada em termos visuais para lançamento recente dirigido pelo Tim Burton, que utiliza das novas possibilidades que a computação gráfica oferece.”, diz.


PÚBLICO – Apesar das críticas, a nova versão de “Alice no País das Maravilhas” obteve a maior bilheteria de abertura da Disney no Brasil. A estreia do longa arrecadou R$ 10,6 milhões e levou mais de 876 mil pessoas aos cinemas. Críticos de cinema como Maurício Saldanha e Pablo Villaça, consideraram o filme com enredo fraco, apesar de ser “visualmente eficiente”, conforme descreveu Villaça.

A ideia de trazer a personagem principal mais velha, retornando ao mundo imaginário, não foi muito bem vista por alguns. A opinião do público, no entanto, parece ser diferente. A fisioterapeuta Gabriela Alencar foi ao cinema acompanhar a versão 3D da história e conseguiu associar o enredo com a obra literária: “em ambas as versões, a personagem tenta ‘fugir’ de uma realidade da qual se sente entediada e desestimulada. Na versão de 1951, Alice, ainda criança, acessa o país das maravilhas no momento em que tinha aulas monótonas de história. Na versão atual, Alice, já adolescente, ao se deparar com a possibilidade de um casamento entediante, novamente transporta-se para aquele mundo.”, compara.



Quanto aos personagens, a estudante do curso de administração, Renata Rocha, sentiu falta de algumas cenas clássicas da primeira animação da Disney: “O filme é muito interessante, abusa dos efeitos visuais. Senti mesmo falta da antológica cena em que, Alice está perdida e, de repente, vê no alto da árvore o gato. Ela olha para cima e, ao dizer que não sabe para onde pois está perdida, escuta a resposta ‘Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve’.", ressalta.

Admirador da obra de Carroll e do trabalho de Tim Burton, o estudante do ensino fundamental Victor Mendonça destaca que gostou dos personagens da nova versão e diz que: “apesar de alguns problemas gerados pela inexperiência do diretor com o 3D – que acaba sendo menos utilizado do que deveria -; a falta de ritmo e de estrutura do roteiro e a batalha final que não convence, ainda vale a pena assistir Alice no País das Maravilhas.”


CONHEÇA ALICE

A primeira adaptação cinematográfica de “Alice no País das Maravilhas” é datada de 1903 e está disponível no Youtube. A BFI National Archive restaurou a imagem e o som do curta, que foi disponibilizado na internet. Originalmente com 12 minutos de duração, a estética foi baseada nas ilustrações originais do livro e o filme foi lançado apenas 37 anos após a primeira publicação da história de Lewis Carroll. Um dos diretores, Cecil Hepworth, escalou sua esposa para interpretar a Rainha Vermelha e ele mesmo atuou como “Frog Footman”. O gato de estimação da família fez o papel do Gato de Cheshire.

Desde 1923, Walt Disney desejava lançar um filme relacionado com os livros de Alice de Lewis Carroll. A ideia era lançar uma combinação de atores reais com cenário animado, o que foi deixado de lado após o lançamento de uma versão live-action da história pela Paramount. Embora o filme tenha sido um fracasso de bilheteria quando lançado nos cinemas em 1951, depois de alguns anos se tornou o filme Disney mais requisitado para cópias de locação para universidades e escolas. Em 1974, o estúdio relançou o filme nacionalmente nos cinemas. Inicialmente negligenciado por público e crítica, passou a ser admirado como um “filme cabeça” por uma nova geração por suas imagens coloridas e psicodélicas.





O mais novo remake da história de Alice foi dirigido por Tim Burton, que traz a personagem principal como uma jovem mais velha, que não quer se casar e por isso retorna ao País das Maravilhas. Desesperada, ela foge seguindo um coelho branco, e vai parar novamente no mundo fictício que já havia visitado quando criança. Com personagens representados por atores, e efeitos especiais para as roupas e cenários, Burton segue sua linha estética para dar sua versão da obra literária. O mundo imaginário particular do diretor traz Alice para um universo mais obscuro e diferente. Os personagens continuam excêntricos, usam de humor negro e ácido, além de encherem o mundo de imaginação já existente no enredo com suas peculiaridades criadas por Burton.

Além de filmes baseados diretamente na obra de Lewis Carroll, existe também o drama “Phoebe in Wonderland” (2008). O enredo mostra a vontade de Phoebe Lichten (Elle Fanning) em participar da peça “Alice no País das Maravilhas”. Rejeitada pelos colegas na escola e não conseguindo realizar seu sonho, a menina começa a confundir suas fantasias com a realidade.

FICHAS TÉCNICAS

• Título original:Alice in Wonderland
• Gênero:Aventura
• Duração:01 hs 48 min
• Ano de lançamento:2010
• Site oficial:http://disney.go.com/disneypictures/aliceinwonderland/
• Estúdio:Walt Disney Pictures / Tim Burton Productions / Roth Films / Team Todd / The Zanuck Company
• Distribuidora:Buena Vista International
• Direção: Tim Burton
• Roteiro:Linda Woolverton, baseado em romance de Lewis Carroll
• Produção:Tim Burton, Joe Roth, Jennifer Todd, Suzanne Todd e Richard D. Zanuck
• Música:Danny Elfman
• Fotografia:Dariusz Wolski
• Direção de arte:Tim Browning, Todd Cherniawsky, Andrew L. Jones, Mike Stassi e Christina Ann Wilson
• Figurino:Colleen Atwood
• Edição:Chris Lebenzon
• Efeitos especiais:Sony Pictures Imageworks / Svengali Visual Effects / Plowman Craven & Associates / CafeFX / Matte World Digital


• Título original:Alice in Wonderland
• Gênero:Animação
• Duração:01 hs 15 min
• Ano de lançamento:1951
• Estúdio:Walt Disney Productions
• Distribuidora:RKO Radio Pictures
• Direção: Clyde Geronimi , Wilfred Jackson , Hamilton Luske
• Roteiro:Winston Hibler, Ted Sears, Bill Peet, Erdman Penner, Joe Rinaldi, Milt Banta, William Cottrell, Dick Kelsey, Joe Grant, Dick Huerner, Del Connell, Tom Oreb e John Walbridge, baseado em livros de Lewis Carroll
• Produção:Walt Disney
• Música:Oliver Wallace
• Edição:Lloyd L. Richardson


• Título original:Alice in Wonderland
• Cinema mudo
• Duração:12 min
• Ano de lançamento:1903
• Restauração: BFI National Archive com apoio de The Headley Trust and The Pilgrim Trust.
• Direção: Cecil Hepworth and Percy Stow
• Música: : 'Jill in the Box', composição e execução de Wendy Hiscocks
• Link para youtube: http://www.youtube.com/watch?v=zeIXfdogJbA


• Título original: Alice's Adventures in Wonderland,
• Gênero:literatura nonsense ou surrealismo
• Ano de lançamento:1865
• Autor: Charles Lutwidge Dodgson, sob o pseudônimo de Lewis Carroll

Um comentário:

  1. Luiz e Ana, parabéns pela ótima reportagem!!!
    Gostei demais!

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