segunda-feira, 19 de março de 2012

Raul - O Início, o Fim e o Meio

Raul - O Início, o Fim e o Meio
(Raul - O Início, o Fim e Meio, 2012)
Documentário - 120 min.

Direção: Walter Carvalho
Roteiro: Leonardo Gudel

Raul Seixas é um mito. Sabemos quando um artista transcende o espectro corporal quando anos após sua morte ele continua sendo reverenciado por fãs e tem sua obra descoberta por novas gerações. Enquadram-se nessa categoria, os casos de Elvis Presley, Michael Jackson (embora esse seja um "fenômeno" recente, mas que tende somente a crescer com o tempo), John Lennon e no Brasil de Renato Russo (que ganha filme esse ano), Cazuza (que já teve o seu) e de Raul, que ganha essa bela homenagem, honesta e direta, talvez como o próprio gostaria de se ver retratado.

Quem comanda é Walter Carvalho, grande fotógrafo brasileiro, responsável por trabalhos impecáveis em filmes como: Heleno (que chega aos cinemas semana que vem), O Céu de Suely, Baixio das Bestas, Cazuza, Amarelo Manga, Abril Despedaçado, Lavoura Arcaica, Central do Brasil entre muitos outros. Seu trabalho de direção anterior, havia sido o equivocado Budapeste, baseado no livro de Caetano Veloso e que tinha problemas estruturais e de ritmo sérios.

Aqui ele realizou um trabalho de arqueologia: reuniu uma dezena de imagens, áudios e vídeos cobrindo toda a carreira de Raul Seixas, desde a infância (em especial a partir do seu início na música) até seu último show, com direito a imagens de bastidores do último encontro entre Raul e seu parceiro mais famoso, o escritor Paulo Coelho, gravações de quando Raul era um "infante roqueiro", entre os muitos depoimentos de familiares, filhos, esposas, namoradas, amantes, amigos, analistas, fãs e jornalistas, que compõe um verdadeiro mosaico sobre o artista Raul Seixas.


Raul - pelo menos nas últimas duas décadas - tem sobrevivido entre fãs e fanáticos (esses mais transloucados) e a paródia e sátira. Os fãs mantém viva a memória do artista e o reverenciam de todas as formas possíveis, suas canções e sua figura, chegando próximo - e às vezes até passando - do limite do ridículo, causando uma impressão galhofeira do artista.

O que o documentário faz - em especial para uma geração mais nova - é a de tirar a sensação de excentricidade que a figura (e principalmente muitos fãs) de Raul tem no inconsciente coletivo. Por ser honesto e sem muitas restrições, o filme se assume como uma homenagem ao artista, ao homem e não ao personagem.

Ao apostar nisso, o filme ganha muito, e assim como Simonal - Você Não Sabe o Duro que eu dei, é feliz ao não afastar o fã com um retrato verdadeiro (e aqui cabe um parêntese, já que não sou um profundo conhecedor da historia de Raul, e caso existam problemas no filme, por favor, peço aos leitores que apontem) mas pensa também naquele que não conhece a trajetória do biografado, ou daqueles que tem pré-conceitos com o artista.


Vale lembrar também que o famigerado envolvimento de Raul com o ocultismo também é mostrado, com direito a imagens de antigos parceiros/amigos/conhecidos do cantor praticando toda uma serie de heresias (se você for muito religioso talvez se incomode com isso) e até sacrificando animais (imagino que reais, o que é outro absurdo e realmente revoltante, embora faça sentido como ilustração da insanidade que aquele pessoal propagava).

Além disso, é muito interessante ver e conhecer os rebentos do artista, gente que vive aqui e nos Estados Unidos, e que muita gente talvez não fizesse ideia da existência. De forma direta o filme mostra a relação pessoal do homem Raul Seixas com seus filhos e que rende momentos muito emotivos.

Apostando em uma narrativa fluida e que não se importa em ir a voltar no tempo (mesmo mantendo uma linha cronológica razoável) o filme acerta em quase tudo. Talvez peque por não se aprofundar na doença de Raul, e no seu abuso de drogas e álcool, mas fica claro que todos ao seu redor sabiam de seus vícios, e na medida do que foi possível (e aqui cabe outra interrogação) tentaram ajudar o cantor.


O que mais me impressionou no filme, foi a visão de um Raul em seu auge, em forma, ensandecido mostrando o porquê foi um artista tão importante e único na música brasileira. E que deixa uma pergunta sem resposta: por que não temos mais artistas essencialmente populares como Raul, com algo a dizer? Por que a musica popular hoje, não passa de arremedos de modinhas passageiras e uma coleção de gente insossa que diz muito pouco, ou quase nada?

Mesmo não sendo fã do artista, reconheço que nos falta alguém que pense fora do quadrado e que seja essencialmente um homem do povo.

Um comentário:

  1. Este documnetário parece ser bem inteessante, é bom resgasta a história de um dos nossos grandes artistas

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